segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

FELIZ 2013 COM MUITA EVOLUÇÃO INDIVIDUAL E PROGRESSO MATERIAL

A figura é a representação dos Sete Pecados Capitais por Bosch Fonte: Wikipedia

Os homens nascem iguais entre si. Daí, a cada dia que passa, são influenciados pelos mais variados ambientes e se tornam diferentes a ponto de um considerar-se melhor que outro e assim começam os conflitos que podem ser controlados pelo estado, mas não com imposições de perda de liberdade ou de mudança da natureza humana.

A mudança, percebida a partir do primeiro dia de vida, ocorre em cada um. Isto é, você pode mudar sua personalidade a cada vez que conhece uma idéia, um objeto, uma pessoa ou que você mesmo invente algo novo. No entanto, você não muda sua natureza humana. Por isso, o indivíduo que mudou de favelado a milionário não pode querer que seu filho nasça com as características que foram adquiridas pelo pai ao longo da vida. Vale a quase regra: Pai rico, filho nobre e neto pobre.

Depois do nascimento, a evolução individual passa pelas situações de amor e ódio misturados com os pecados da avareza, luxúria, preguiça, ira, soberba, gula, inveja, ganância e outros defeitos ou virtudes que mudam aquele ser que, ao nascer, tinha todos os instintos básicos do ser humano, mas era inocente e despreparado para viver e para reconhecer-se como filho de Deus.

O erro dos evolucionistas, progressistas, socialistas, ambientalistas e outros é pretender que a evolução individual torne-se evolução coletiva. Esses indivíduos não conservadores pensam que o estado pode criar um novo homem que viveria mil anos, não precisaria de sexo para se reproduzir e que nunca mais haveria humanos portadores dos pecados originais do recém-nascido.

Discordo dessa visão evolucionista, pois prefiro acreditar que o homem foi criado por Deus a acreditar que o homem veio do macaco. O que desejo aos que me lêem é evolução individual, progresso material coletivo, riqueza e felicidade advinda de reconhecer que não estamos livres dos pecados originais e que devemos pedir perdão a Jesus Cristo e não ao estado, haja vista que este elabora leis para nos tirar a liberdade e a vida.

Portanto, nesse ano que inicia e nos próximos, desejo que você reconheça sua natureza imutável criada por Deus. Uma natureza que pode evoluir individualmente, mas que precisa, antes do final da vida, reconhecer a filiação divina. Isso significa que você deve lutar por mudanças em você mesmo e não nos outros. A mudança imposta aos outros pelo estado nunca ocorre por que este não é doador de nossa vida e nem de nossa liberdade.

Vida e liberdade são atributos que ganhamos e conquistamos seguindo os dez mandamentos da vida, da liberdade, da riqueza e da felicidade escritos por Deus nas tábuas de Moisés.

Feliz 2013!

domingo, 30 de dezembro de 2012

LEI, SECA LEI. Mas o bêbado irresponsável e perigoso, aquele para qual as leis foram feitas e que nunca irá respeitá-las mesmo assim, justamente por ter a formação moral degenerada, é prontamente liberado. Essa lei é apenas mais uma restrição de liberdade

Lei, seca lei
Escrito por Valter Heller Dani* e publicado no site www.midiasemmascara.org

O álcool não é, de forma nenhuma, o maior responsável por esse Vietnã anual das estradas brasileiras.
Alguma coisa está errada na estrutura e na aplicação dessa lei, que trata igualmente os desiguais.


As leis sempre existiram para frear aqueles indivíduos com a bússola moral defeituosa. Para o cidadão moralmente são, as leis são inúteis, pois ele viveria normalmente sem elas e sem tampouco prejudicar ninguém.

Urge na atualidade a necessidade de se resolver problemas nevrálgicos com medidas contundentes de curto prazo, o que, à primeira vista, parece perfeitamente revestido de lógica. O que passa despercebido, como sempre nessas tentativas, é que, em alguns casos, essas medidas contundentes acabam por atingir aqueles que não precisavam ser atingidos e deixam escapar aqueles que deveriam.

A quantia enorme de mortes no trânsito a cada ano levou os brasileiros a aceitar de forma passiva leis abusivas que, à primeira vista, parecem ter vindo para diminuir o problema em foco, mas na verdade só servem para diminuir ainda mais as liberdades individuais e pouco, muito pouco resolvem aquilo que deveriam resolver. O álcool não é, de forma nenhuma, o maior responsável por esse Vietnã anual das estradas brasileiras. Os verdadeiros responsáveis são a imprudência, a negligência, e a imperícia. A combinação destes fatores, sim, é assassina. Mas, quando num caso de grande repercussão é constatada a presença do fator álcool, isso rapidamente se aplica a todos os milhares de ocorrências como se fizesse parte específica de cada uma. Aparvalhados com esses dados, os cidadãos passam a achar certo que lhe restrinjam ainda mais nos seus direitos individuais, dos quais constam dirigir sem ser parado e não ser obrigado a fazer testes sem ter dado motivo algum.

O aumento das mortes no trânsito nesse feriado de Natal em relação a 2011 foi grande em todo Brasil. Só no Sul 28 mortes (veja aqui) sendo que não se flagrou um caso sequer de alcoolemia nos motoristas envolvidos. Ao mesmo tempo, uma verdadeira enxurrada de motoristas que estavam conduzindo seus veículos de forma segura, são autuados todos os dias por uma ingerência mínima de álcool.

Acima do Equador, onde estão as nações que gostamos de denominar como ‘primeiro mundo’, há muito tempo que álcool e direção, combinação que pode causar danos a terceiros, são combatidos pelos governos sem leis que proíbem a ingestão de álcool de forma tão radical como a adotada aqui. Decididamente não há por lá a perseguição de todos os motoristas de forma geral e sem exceções. Ora, por que um motorista que dirige dentro das normas atuais regidas pelo Código Nacional de Trânsito, com seu veículo, bem como sua documentação pessoal, em dia, deve ser obrigado a fazer o teste de alcoolemia? Existem testes de natureza extremamente simples que podem constatar se o motorista tem as condições motoras e cognitivas necessárias para guiar. Por que não aplicar esses testes?

As forças de segurança deveriam direcionar seus recursos logísticos para identificar o motorista embriagado, aquele que dirige em zigue-zague, atropela, etc., que ao ser interpelado por um agente, não consegue concatenar uma frase com sentido lógico. Sobre esse deve-se fazer pesar a dureza da lei, não ao motorista que retorna para casa após ter jantado com a família e ingerido uma quantidade de álcool que nem de longe pode fazê-lo entrar no rol de motoristas irresponsáveis e que, como gostam de rotular os juristas, estão em “dolo eventual”, uma vez que assumiram o risco de matar alguém. Ora, quem após ingerir duas taças de vinho ou uma cerveja, estará pondo a vida de terceiros em risco? É de uma arbitrariedade ímpar tratar um motorista que ingeriu uma quantidade civilizada de álcool como um perigoso risco à sociedade. Esse motorista está fadado a sofrer uma sanção a partir do momento em que for parado por um fiscal de trânsito, não há escapatória. Se fizer o teste e for constatado que ingeriu, mesmo que muito pouco álcool, ficando dentro dos limites aceitáveis em qualquer parte do hemisfério norte, vai ter a carteira apreendida, pagará multa e responderá um processo administrativo. Se por acaso recusar-se a fazer o teste vai ter a carteira igualmente apreendida, pagará multa e responderá a processo. Não há distinção no tratamento. Ou será tratado como um bêbado perigoso, ou será tratado como um bêbado perigoso que não quer fazer o teste.

A partir de agora, o agente da lei terá o poder de decidir, através de um exame visual e quem sabe até através daqueles testes que já são aplicados há décadas nos EUA, se o condutor está ou não alcoolizado. Isso é ótimo. É uma boa maneira de driblar a negativa dos motoristas realmente bêbados em fazer o teste. Nada de errado nisso. Mas por que o agente de trânsito não pode usar esse mesmo discernimento, o que o faz constatar que o indivíduo não tem condições de dirigir, para chegar à conclusão de que um motorista que até tenha bebido um pouco, tem plenas condições de chegar em casa sem botar a vida de ninguém em risco? O mesmo poder que serve para declarar que um motorista não tem condições de dirigir, obrigatoriamente tem que servir para atestar que um motorista que embora tenha ingerido alguma quantidade de álcool, pode dirigir, pois não demonstra estar com suas habilidades comprometidas.

O bêbado irresponsável e perigoso, aquele para qual as leis foram feitas e que nunca irá respeitá-las mesmo assim, justamente por ter a formação moral degenerada, é conduzido a uma delegacia onde faz o famoso teste do bafômetro que afere quantias estratosféricas de álcool, em seguida paga uma fiança miserável e é prontamente liberado. Alguma coisa está errada na estrutura e na aplicação dessa lei, que trata igualmente os desiguais. Acaba se tornando uma lei seca, seca de conteúdo, seca daquilo que mais se espera em qualquer pena que seja aplicada: a proporcionalidade.

*Valter Heller Dani é policial civil.

Tags: direito | Brasil | esquerdismo | cultura | governo do PT, lei seca, restrição de liberdade

sábado, 29 de dezembro de 2012

Márcio Thomas Bastos é do PT e a turma do PT não gosta da liberdade do cidadão. A transgressão maior para um esquerdista é não depender do estado. Ou:

A deformação da lei
Escrito por Nivaldo Cordeiro publicado no site www.midiasemmascara.org

Márcio Thomas Bastos dificilmente tirará as consequências de seu corretíssimo diagnóstico do sistema jurídico nacional.

Não é possível deixar de admirar Márcio Thomas Bastos, o famoso advogado que ficou riquíssimo na profissão pela sua competência. O artigo citado na Folha de São Paulo é uma aula magna de Direito desde o ponto de vista de um operador qualificado. Leigos como eu têm até dificuldades de acompanhar os doutorais argumentos advocatícios.

O fato é que Márcio Thomas Bastos revela uma aguda percepção da deformação do nosso sistema jurídico-penal. As afirmações duras assim comprovam:

“A importância da advocacia criminal é diretamente proporcional à tendência repressiva do Estado. Nunca o esforço do advogado criminalista foi tão importante como agora”;

“Desde que a democracia suplantou o regime de exceção, em nenhum momento se exigiu tanto das pessoas que, no cumprimento de um dever de ofício, dão voz ao nosso direito de defesa”;

Se em 2012 acentuou-se a tendência de vigiar e punir, o ano que se descortina convida a comunidade jurídica a participar do debate público e a defender, com redobrada energia, os fundamentos humanos do Estado de Direito”;

“Não é de hoje que o direito de defesa vem sendo arrastado pela vaga repressiva que embala a sociedade brasileira. À sombra da legítima expectativa republicana de responsabilização, viceja um sentimento de desprezo pelos direitos e garantias fundamentais”;

“Ocorre que, em 2012, a tendência repressiva passou dos limites. Ameaças ao exercício da advocacia levaram ao extremo a “incompreensão” sobre o seu papel social numa sociedade democrática”;

“Um desses diabólicos redemoinhos nos surpreendeu em agosto, com a pretendida supressão do habeas corpus substitutivo. A Primeira Turma do STF considerou inadequado empregar a mais nobre ação constitucional em lugar do recurso ordinário. O precedente repercutiu de imediato nos tribunais inferiores, marcando um perigoso ponto de inflexão na nossa jurisprudência mais tradicional”.


O Márcio Thomas Bastos do artigo é muito diferente daquele que foi apresentado na revista Piauí: o apoiador do PT, o ministro do Lula, o advogado riquíssimo e progressista que aderiu às esquerdas. O que o Márcio não viu é que a turma do PT não convive pacificamente com o Estado de Direito, não gosta de advogado burguês de burgueses e pensa o sistema jurídico não do ponto de vista da sagrada liberdade dos cidadãos, mas da vingança coletivista contra indivíduos que ousam ser o que são, a despeito do Estado. A transgressão maior para um esquerdista é não depender do Estado.

No mundo jurídico desenhado pelas esquerdas não há lugar como homens como Márcio Thomas Bastos enquanto advogado, apenas como militante político que é. O artigo é precioso porque vemos que ele se deu conta disso, que revelou o seu espanto com a nova ordem. É claro que foram os legisladores que quiseram assim. Mas quem são os legisladores? Eles mesmos, o PT e seus aliados. Eles que estão esculpindo a prisão jurídica em que se transformou a Constituição e as leis. Mas foram também os juízes que assim o quiseram, sobretudo os do Supremo Tribunal Federal – STF. Todos ali, de alguma forma, alinham-se com a escola jurídica dos direitos humanos, linha de frente das esquerdas mundiais. Todos são cúmplices, em maior e menor grau, da ascensão do PT ao poder. Alguns são claramente militantes e já deixaram claro que sua militância vem em primeiro lugar e é superior às funções jurisdicionais.

(João Paulo Cunha jamais imaginou que mandar a mulher sacar a misera quantia de R$ 50 mil fosse coloca-lo na prisão e acabar com sua carreira política. O crime de lavagem de dinheiro era para pegar banqueiros e gente rica em geral, não membros da aristocracia do PT. Acontece que os petistas enriqueceram no exercício do poder e que o sistema jurídico é único e mesmo os companheiros togados não podem ignorar as leis. Deve ter sido com espanto que se viu arrolado no processo do Mensalão.)

É claro que a lei está deformada no Brasil. E não apenas no Código Penal e no Código de Processo Penal. Exemplo gritante desse estado de loucura jurídica é a Lei Seca recém aprovada, que consagrou o instituto do pré-crime no Brasil.

Melhor que a inteligência jurídica de Márcio Thomas Bastos tenha acordado para a alucinação em que se transformou o sistema jurídico brasileiro. Espero que a sua inteligência moral possa ajuda-lo a leva-lo às devidas consequências: é preciso fazer oposição ao legislador, isto é, ao PT e seus asseclas. Terá coragem? Terá tutano? Duvido. Embarcou na canoa revolucionária e dela não tem mais condições de escapar. Márcio dificilmente tirará as consequências de seu corretíssimo diagnóstico do sistema jurídico nacional.

Tags: governo do PT | direito | esquerdismo | totalitarismo | Lula | Dilma Rousseff | Brasil | movimento revolucionário

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

1 – Francenildo dos Santos Costa nasceu em 1981 em Teresina, Capital do Piauí. Foi morar em Brasília em 1995. Nasceu o primeiro filho Thiago com a mulher Noelma em 1999

Escrito por João Moreira Salles e publicado na Revista Piauí e no blog do Ricardo Setti: a história de como todos os poderes da República moeram o caseiro Francenildo.

Francenildo dos Santos Costa, ou Nildo, como é chamado, nasceu em 1981, na capital do Piauí. Chegou a Brasília catorze anos depois, levado pela mãe, Benta. Tinha a vaga impressão de que o pai era o dono de uma pequena empresa de ônibus de Teresina. Aos dez anos adoeceu e, sem dinheiro para comprar remédio, pediu a um amigo que o levasse até o homem que diziam ser seu pai. Entrou na garagem, pôs-se diante do proprietário e explicou o que fazia ali. Eurípedes Soares da Silva, um cinqüentão, ouviu o menino e negou a paternidade. Francenildo insistiu e o homem acabou lhe dando o equivalente a 80 reais. “Some daqui”, mandou.

Em Brasília, Francenildo arranjou serviço num bar-mercearia. Tinha 15 anos, trabalhava das seis da manhã às onze da noite. Ao sair do emprego, em 1998, deixou 800 reais com o patrão, por não ter onde guardá-los. Foi para uma chácara fazer trabalho de roça e conheceu Noelma, que se encantou pelo rapaz esguio, magro e tímido, de nariz afilado e braços longos feito galhos finos. Nesse período, seu tio lhe pediu emprestada a poupança da mercearia – “Preciso comprar um terreno em Luziânia” – e ele cedeu. Tinha uma dívida com o irmão de sua mãe, que pagara a passagem para tirá-lo de Teresina.

Noelma e Francenildo tiveram um filho, Thiago, e a vida apertou. Foi preciso ligar para o tio e pedir que adiantasse 200 reais da dívida para o enxoval do menino. Ouviu: “Como é que você quer o dinheiro, se nem sabe se o filho é teu?” Só recuperou uma parte do que emprestara. “Eu tinha consideração pelo meu tio, que me trouxe daquele lugar velho, daquela vida velha que eu tinha”, contou. “Eu vivia jogado na casa de um e de outro. Meus irmãos têm pai, então têm café-da-manhã, almoço e janta. Eu não.” Não deu sorte com os homens da família, mas teve um bom padrasto: “Ele nunca bateu em mim.”

OBS: Dividi em 21 capítulos a história do caseiro Francenildo cujo sigilo bancário foi quebrado pelo governo do PT e cuja vida foi intimamente escancarada a ponto de nunca mais falar com o pai. Veja a história completa no link: Leitura essencial para esses tempos de mensalão e “Rosegate”: ahistória de como todos os poderes da República moeram o caseiro Francenildo.

1 – Francenildo dos Santos Costa nasceu em 1981 em Teresina, Capital do Piauí. Foi morar em Brasília em 1995. Nasceu o primeiro filho Thiago com a mulher Noelma em 1999
2 – Francenildo dos Santos Costa era caseiro da casa que foi alugada a um grupo de pessoas liderado pelo Ministro da Fazenda Antonio Palocci no início do ano 2003
3 – Francenildo viajou a Teresina no fim do ano 2003. Foi acertar o maior problema de sua vida, mas foi chamado de volta a Brasília para encerrar contrato de trabalho
4 – Francenildo, Palocci e os companheiros de Ribeirão Preto
5 – A entrevista com jornalista do Jornal O Estado de São Paulo foi marcante na vida do Senhor Francenildo e no Brasil
6 – Antonio Palocci tentou evitar a publicação da entrevista do Senhor Francenildo
7 – A mão de Deus promoveu o encontro de Francenildo e do advogado Wlicio Chaveiro Nascimento
8 – A manchete do Jornal O Estado de São Paulo dizia: Caseiro desmente Palocci e revela partilha de dinheiro na mansão
9 – Jornalista Helena Chagas atuou contra Francenildo e a favor do governo do PT
10 – Como foi a abordagem organizada pelo governo do PT para que numa próxima entrevista coletiva Francenildo negasse o teor da entrevista dada ao Estadão
11 – Antes do depoimento na CPI dos Bingos, Francenildo e seu advogado rezaram em voz alta. A verdade dita na CPI salvou Francenildo e o Brasil ganhou
12 – Objetivos e resultados da CPI dos Bingos
13 – Francenildo foi indevidamente incluído no Programa de Proteção à Testemunha
14 – Como e quando ocorreu a quebra do sigilo bancário de Francenildo
15 – Meia noite foi a hora da chegada de Francenildo ao abrigo que a Polícia Federal reservara a ele e a um traficante de drogas
16 – Como foi a atuação do governo do PT acionando a moenda que quebrou o sigilo do Senhor Francenildo dos Santos Costa
17 – Francenildo e seu advogado Wlicio marcaram entrevista coletiva à imprensa, pediram proteção divina (“*Senhor*, nos ajude a saber o que dizer, como dizer e quando dizer) e então denunciaram a quebra do sigilo bancário de Francenildo
18 – O governo do PT usou a Polícia Federal e a ingenuidade da oposição para tentar acobertar a quebra do sigilo bancário do Senhor Francenildo
19 – A Polícia Federal abriu inquérito por lavagem de dinheiro contra Francenildo. O advogado Wlicio disse: Procede, a mãe dele é lavadeira. Ministro Palocci pediu demissão
20 – Relatório da Polícia Federal não esclarece como a Caixa Econômica Federal obteve o CPF do Senhor Francenildo. Deduz-se que o governo do PT o conseguiu por intermédio dos seus tentáculos
21 – Francenildo moveu ação de danos morais contra a Caixa Econômica Federal e contra a Revista Época

Tags: nascimento de Francenildo, a mãe Dona Benta, o pai Eurípedes Soares da Silva, o irmão da Dona Benta, a mulher Noelma, o filho Thiago, governo do PTJoão Moreira Salles

2 – Francenildo dos Santos Costa era caseiro da casa que foi alugada a um grupo de pessoas liderado pelo Ministro da Fazenda Antonio Palocci no início do ano 2003

Escrito por João Moreira Salles e publicado na Revista Piauí e no blog do Ricardo Setti: a história de como todos os poderes da República moeram o caseiro Francenildo.

Francenildo dos Santos Costa era caseiro, tinha 24 anos, quatro bermudas, três calças jeans, cinco camisetas, três camisas, cinco cuecas, três pares de meia, dois pares de tênis, um sapato e um salário de 370 reais quando tudo começou, em março de 2006.

Com quadra de tênis, campinho de futebol, piscina e churrasqueira, a casa de que tomava conta desde 1999 era grande, mas discreta. Ficava no final de uma rua sem saída, num pequeno largo formado por cinco casas. Era bege, tinha dois andares e câmeras de segurança no telhado. Sua particularidade eram dois grandes portões de chapa de ferro, brancos, um na frente e outro atrás. O terreno dava fundos para uma via expressa, de modo que um carro poderia deixar a casa sem ser visto. Francenildo e a mulher, Noelma, moravam numa edícula nos fundos do terreno.
Em 2003, o proprietário da casa, o advogado Luiz Antonio Guerra, decidiu alugá-la e entrou em contato com um corretor chamado João Gustavo Abreu Coutinho. João Gustavo trazia clientes para visitar o imóvel, Francenildo abria a porta e ajudava a mostrar as dependências. Com o tempo, os dois ficaram próximos, camaradas.
Um dia, o corretor apareceu com um homem de meia-idade, rechonchudo e simpático, de cabelos ralos e um bigode largo que lhe caía feito um circunflexo sobre a boca. Chamava-se Vladimir Poleto. Vinha de Ribeirão Preto, no interior paulista, e falava em nome de um grupo de amigos que procuravam uma boa casa na capital federal. Depois de percorrer o jardim, avaliar a piscina, medir a sala e ver os quartos, pareceu satisfeito. Abriu a porta do carro e, antes de dizer ao motorista Francisco das Chagas que partisse, avisou ao corretor que entraria em contato.

O negócio foi fechado no dia seguinte. Vladimir Poleto praticamente dobrou o salário do casal de empregados: “Agora você vai ganhar 700 reais e tua mulher também.” Francenildo se alegrou, e não teve problema em concordar – “Claro, é o senhor que está me pagando” – quando Poleto estabeleceu as novas regras: “O que acontecer aqui, você não conta a ninguém, principalmente ao dono da casa.”

Logo veio a mudança. “Encostou um caminhão grande e foi descarregando cama. Só tinha cama e mais um sofá, geladeira, televisão e um aparelho de som”, lembra Francenildo. “A mulher até comentou: ‘Oxe, só tem cama?’” Mobiliaram os quartos e deixaram as salas quase nuas. Compraram uma mesa de sinuca.

A casa ficava vazia boa parte do tempo. Seu uso era restrito a festas, duas por semana, que varavam a noite. Francisco das Chagas, o motorista, trazia as convidadas. O caseiro preparava a carne, acendia a churrasqueira e gelava a cerveja. Volta e meia Poleto lhe acenava com um espeto na mão: “Fica aqui, come uma carninha, toma uma cervejinha…” Era um sujeito simpático.

Aos poucos, Francenildo foi conhecendo o grupo, liderado pelo advogado Rogério Buratti. Eram todos homens de Ribeirão, onde haviam se conhecido durante as duas administrações do Partido dos Trabalhadores. Alguns mexiam com máquinas lotéricas, outros ocupavam cargos públicos. Havia um funcionário da Caixa e um homem de formação mais modesta, secretário de ministro, além de convidados ocasionais, como um homem baixo, calvo e bom de sinuca.

Poleto havia feito uma boa escolha. A casa atendia às necessidades do grupo, era afastada. “Só tem a casa ali do lado”, comentou com um amigo. “É de uma jornalista.” “Pô… Jornalista?”, reagiu o outro.

Na segunda semana, avisaram Francenildo: “Olha, o chefão quer conhecer a casa.” Providenciou-se salaminho, latinhas do energético Red Bull e vinho. Arrumaram a mesa da cozinha, deixaram uns salgadinhos, guardanapos de papel e duas taças de cabeça para baixo. Naquela vez não haveria churrasqueira. “Vai ser discreto”, disseram antes de partir. Pediram ao caseiro que não saísse da edícula.

Por volta das oito da noite, ouviu-se o mecanismo do portão. O carro estacionou no pátio interno sob a luz de holofotes regulados por sensor eletrônico. No quarto escuro, Francenildo e Noelma ergueram a cabeça e, como hipopótamos, deixaram apenas os olhos acima da linha d’água do peitoril. A porta do carro se abriu. “Aquele é o ministro da Fazenda”, cochichou Francenildo.

OBS: Dividi em 21 capítulos a história do caseiro Francenildo cujo sigilo bancário foi quebrado pelo governo do PT e cuja vida foi intimamente escancarada a ponto de nunca mais falar com o pai. Veja a história completa no link: Leitura essencial para esses tempos de mensalão e “Rosegate”: ahistória de como todos os poderes da República moeram o caseiro Francenildo.


1 – Francenildo dos Santos Costa nasceu em 1981 em Teresina, Capital do Piauí. Foi morar em Brasília em 1995. Nasceu o primeiro filho Thiago com a mulher Noelma em 1999
2 – Francenildo dos Santos Costa era caseiro da casa que foi alugada a um grupo de pessoas liderado pelo Ministro da Fazenda Antonio Palocci no início do ano 2003
3 – Francenildo viajou a Teresina no fim do ano 2003. Foi acertar o maior problema de sua vida, mas foi chamado de volta a Brasília para encerrar contrato de trabalho
4 – Francenildo, Palocci e os companheiros de Ribeirão Preto
5 – A entrevista com jornalista do Jornal O Estado de São Paulo foi marcante na vida do Senhor Francenildo e no Brasil
6 – Antonio Palocci tentou evitar a publicação da entrevista do Senhor Francenildo
7 – A mão de Deus promoveu o encontro de Francenildo e do advogado Wlicio Chaveiro Nascimento
8 – A manchete do Jornal O Estado de São Paulo dizia: Caseiro desmente Palocci e revela partilha de dinheiro na mansão
9 – Jornalista Helena Chagas atuou contra Francenildo e a favor do governo do PT
10 – Como foi a abordagem organizada pelo governo do PT para que numa próxima entrevista coletiva Francenildo negasse o teor da entrevista dada ao Estadão
11 – Antes do depoimento na CPI dos Bingos, Francenildo e seu advogado rezaram em voz alta. A verdade dita na CPI salvou Francenildo e o Brasil ganhou
12 – Objetivos e resultados da CPI dos Bingos
13 – Francenildo foi indevidamente incluído no Programa de Proteção à Testemunha
14 – Como e quando ocorreu a quebra do sigilo bancário de Francenildo
15 – Meia noite foi a hora da chegada de Francenildo ao abrigo que a Polícia Federal reservara a ele e a um traficante de drogas
16 – Como foi a atuação do governo do PT acionando a moenda que quebrou o sigilo do Senhor Francenildo dos Santos Costa
17 – Francenildo e seu advogado Wlicio marcaram entrevista coletiva à imprensa, pediram proteção divina (“*Senhor*, nos ajude a saber o que dizer, como dizer e quando dizer) e então denunciaram a quebra do sigilo bancário de Francenildo
18 – O governo do PT usou a Polícia Federal e a ingenuidade da oposição para tentar acobertar a quebra do sigilo bancário do Senhor Francenildo
19 – A Polícia Federal abriu inquérito por lavagem de dinheiro contra Francenildo. O advogado Wlicio disse: Procede, a mãe dele é lavadeira. Ministro Palocci pediu demissão
20 – Relatório da Polícia Federal não esclarece como a Caixa Econômica Federal obteve o CPF do Senhor Francenildo. Deduz-se que o governo do PT o conseguiu por intermédio dos seus tentáculos
21 – Francenildo moveu ação de danos morais contra a Caixa Econômica Federal e contra a Revista Época

Tags: Francenildo dos Santos Costa, casa no Lago Sul de Brasília, Antonio Palocci, Rogério Buratti, Vladimir Poleto, Luiz Antonio Guerra, João Gustavo Abreu Coutinho, motorista Francisco das Chagas, Casa da jornalista Helena Chagas, funcionário da Caixa, CPI dos Bingos, governo do PT, João Moreira Salles

3 – Francenildo viajou a Teresina no fim do ano 2003. Foi acertar o maior problema de sua vida, mas foi chamado de volta a Brasília para encerrar contrato de trabalho

Escrito por João Moreira Salles e publicado na Revista Piauí e no blog do Ricardo Setti: a história de como todos os poderes da República moeram o caseiro Francenildo.

Nos oito meses seguintes, Francenildo levou uma vida tranqüila. No fim do ano, foi a Teresina visitar a mãe. Lá, viu na televisão um rosto que não conhecia, o do bicheiro Carlos Cachoeira, e ouviu a palavra “bingo”, que não lhe dizia grande coisa. Dois dias depois, recebeu um telefonema de Vladimir Poleto: era preciso acertar as contas porque a casa seria desocupada imediatamente. “Nessa coisa de dinheiro eles nunca me deixaram pra trás”, contaria dois anos depois. Tomou um ônibus, atravessou o único trecho do país que conhecia e recebeu o que lhe era devido. Ajudou o ex-patrão a fazer a mudança e nunca mais o viu.

Francenildo retomou seu trabalho. Vieram outros locatários e a vida seguiu até que, no segundo semestre de 2005, a casa perdeu novamente o inquilino, e, como permanecesse desocupada, Luiz Antonio Guerra passou Francenildo de caseiro a diarista.
Com o dinheiro da rescisão, ele pensou, pensou, tomou coragem e comprou uma passagem de avião para Teresina. Ia tentar resolver a maior questão de sua vida: encontrar o pai e pedir-lhe que o reconhecesse como filho. Ficou no Piauí quinze dias e, ao voltar, se sentiu “meio alegre”. Para um rapaz fechado, de fala baixa e voz triste, era muita coisa.

OBS: Dividi em 21 capítulos a história do caseiro Francenildo cujo sigilo bancário foi quebrado pelo governo do PT e cuja vida foi intimamente escancarada a ponto de nunca mais falar com o pai. Veja a história completa no link: Leitura essencial para esses tempos de mensalão e “Rosegate”: ahistória de como todos os poderes da República moeram o caseiro Francenildo.


1 – Francenildo dos Santos Costa nasceu em 1981 em Teresina, Capital do Piauí. Foi morar em Brasília em 1995. Nasceu o primeiro filho Thiago com a mulher Noelma em 1999
2 – Francenildo dos Santos Costa era caseiro da casa que foi alugada a um grupo de pessoas liderado pelo Ministro da Fazenda Antonio Palocci no início do ano 2003
3 – Francenildo viajou a Teresina no fim do ano 2003. Foi acertar o maior problema de sua vida, mas foi chamado de volta a Brasília para encerrar contrato de trabalho
4 – Francenildo, Palocci e os companheiros de Ribeirão Preto
5 – A entrevista com jornalista do Jornal O Estado de São Paulo foi marcante na vida do Senhor Francenildo e no Brasil
6 – Antonio Palocci tentou evitar a publicação da entrevista do Senhor Francenildo
7 – A mão de Deus promoveu o encontro de Francenildo e do advogado Wlicio Chaveiro Nascimento
8 – A manchete do Jornal O Estado de São Paulo dizia: Caseiro desmente Palocci e revela partilha de dinheiro na mansão
9 – Jornalista Helena Chagas atuou contra Francenildo e a favor do governo do PT
10 – Como foi a abordagem organizada pelo governo do PT para que numa próxima entrevista coletiva Francenildo negasse o teor da entrevista dada ao Estadão
11 – Antes do depoimento na CPI dos Bingos, Francenildo e seu advogado rezaram em voz alta. A verdade dita na CPI salvou Francenildo e o Brasil ganhou
12 – Objetivos e resultados da CPI dos Bingos
13 – Francenildo foi indevidamente incluído no Programa de Proteção à Testemunha
14 – Como e quando ocorreu a quebra do sigilo bancário de Francenildo
15 – Meia noite foi a hora da chegada de Francenildo ao abrigo que a Polícia Federal reservara a ele e a um traficante de drogas
16 – Como foi a atuação do governo do PT acionando a moenda que quebrou o sigilo do Senhor Francenildo dos Santos Costa
17 – Francenildo e seu advogado Wlicio marcaram entrevista coletiva à imprensa, pediram proteção divina (“*Senhor*, nos ajude a saber o que dizer, como dizer e quando dizer) e então denunciaram a quebra do sigilo bancário de Francenildo
18 – O governo do PT usou a Polícia Federal e a ingenuidade da oposição para tentar acobertar a quebra do sigilo bancário do Senhor Francenildo
19 – A Polícia Federal abriu inquérito por lavagem de dinheiro contra Francenildo. O advogado Wlicio disse: Procede, a mãe dele é lavadeira. Ministro Palocci pediu demissão
20 – Relatório da Polícia Federal não esclarece como a Caixa Econômica Federal obteve o CPF do Senhor Francenildo. Deduz-se que o governo do PT o conseguiu por intermédio dos seus tentáculos
21 – Francenildo moveu ação de danos morais contra a Caixa Econômica Federal e contra a Revista Época

Tags: Caseiro Francenildo, Deputado Palocci, Luiz Antonio Guerra, Carlos Cachoeira, Pai do Francenildo, felicidade pelo acordo com o pai, governo do PT, João Moreira Salles

4 – Francenildo, Palocci e os companheiros de Ribeirão Preto

Escrito por João Moreira Salles e publicado na Revista Piauí e no blog do Ricardo Setti: a história de como todos os poderes da República moeram o caseiro Francenildo.

A poucos quilômetros da casa, no Congresso, começava a entrar nos eixos a engrenagem que o moeria. A Comissão Parlamentar de Inquérito que investigava a atividade dos bingos acabava de chegar ao nome de Vladimir Poleto e Rogério Buratti. No dia 26 de janeiro de 2006, Francenildo acompanhou pela televisão o depoimento de Antonio Palocci à CPI. Num ambiente de cordialidade, o ministro respondeu a todas as perguntas. “Vossa Excelência não esteve nenhuma vez na casa que ele [Poleto] alugou no Lago Sul?”, perguntou o senador Garibaldi Alves, do PMDB. “Não, não estive nenhuma vez”, respondeu Palocci.

Poucos dias depois, no início de fevereiro, o advogado Rogério Buratti procurou o Ministério Público de São Paulo para reiterar com novos dados a acusação de que Palocci recebera propina de 50 mil reais por mês de uma empresa de Ribeirão Preto, na época em que era prefeito da cidade. Os dois haviam se desentendido por razões que extrapolavam os negócios e a política. A oposição afiou os dentes e mirou em Palocci, o homem a ser derrubado, o esteio da estabilidade econômica, o herdeiro presumido de Lula.

Na mesma semana, depois de meses sangrando por conta de escândalos vários, o presidente Lula ultrapassara os adversários nas pesquisas sobre a eleição presidencial de outubro. PFL e PSDB precisavam reagir. Dizia-se que a casa do Lago Sul era freqüentada por gente de negócios heterodoxos e hábitos mundanos. Se fosse possível confirmar a presença de Palocci ali, estaria provado que ele mentira à Comissão. Ouviram falar de um motorista que trabalhara para Vladimir Poleto.

No dia 8 de março, um senhor de rosto grave e gasto abriu a 61ª sessão da CPI dos Bingos: “Sou um homem humilde, motorista desempregado. Peço desculpas se não puder me expressar direito. Sou homem de poucos estudos, mas estou à disposição dos senhores para responder a qualquer pergunta.” Era Francisco das Chagas.

Na casa, Francenildo foi alertado pelo patrão, Luiz Antonio Guerra: “Olha, o motorista está lá na CPI. O próximo vai ser você.” O caseiro correu até um rádio. Francisco das Chagas contava aos parlamentares que garotas de programa iam à casa e afirmava ter visto o ministro Palocci lá – “mas não para festas”. Com trinta minutos de sessão, Garibaldi Alves perguntou: “Na casa havia duas empregadas e dizem que um caseiro, companheiro de uma delas. É isso?” Francisco das Chagas confirmou: “Isso mesmo, um caseiro.” E nada mais foi dito sobre Francenildo.

Era uma quinta-feira, 9 de março, o início de tudo.

OBS: Dividi em 21 capítulos a história do caseiro Francenildo cujo sigilo bancário foi quebrado pelo governo do PT e cuja vida foi intimamente escancarada a ponto de nunca mais falar com o pai. Veja a história completa no link: Leitura essencial para esses tempos de mensalão e “Rosegate”: ahistória de como todos os poderes da República moeram o caseiro Francenildo.


1 – Francenildo dos Santos Costa nasceu em 1981 em Teresina, Capital do Piauí. Foi morar em Brasília em 1995. Nasceu o primeiro filho Thiago com a mulher Noelma em 1999
2 – Francenildo dos Santos Costa era caseiro da casa que foi alugada a um grupo de pessoas liderado pelo Ministro da Fazenda Antonio Palocci no início do ano 2003
3 – Francenildo viajou a Teresina no fim do ano 2003. Foi acertar o maior problema de sua vida, mas foi chamado de volta a Brasília para encerrar contrato de trabalho
4 – Francenildo, Palocci e os companheiros de Ribeirão Preto
5 – A entrevista com jornalista do Jornal O Estado de São Paulo foi marcante na vida do Senhor Francenildo e no Brasil
6 – Antonio Palocci tentou evitar a publicação da entrevista do Senhor Francenildo
7 – A mão de Deus promoveu o encontro de Francenildo e do advogado Wlicio Chaveiro Nascimento
8 – A manchete do Jornal O Estado de São Paulo dizia: Caseiro desmente Palocci e revela partilha de dinheiro na mansão
9 – Jornalista Helena Chagas atuou contra Francenildo e a favor do governo do PT
10 – Como foi a abordagem organizada pelo governo do PT para que numa próxima entrevista coletiva Francenildo negasse o teor da entrevista dada ao Estadão
11 – Antes do depoimento na CPI dos Bingos, Francenildo e seu advogado rezaram em voz alta. A verdade dita na CPI salvou Francenildo e o Brasil ganhou
12 – Objetivos e resultados da CPI dos Bingos
13 – Francenildo foi indevidamente incluído no Programa de Proteção à Testemunha
14 – Como e quando ocorreu a quebra do sigilo bancário de Francenildo
15 – Meia noite foi a hora da chegada de Francenildo ao abrigo que a Polícia Federal reservara a ele e a um traficante de drogas
16 – Como foi a atuação do governo do PT acionando a moenda que quebrou o sigilo do Senhor Francenildo dos Santos Costa
17 – Francenildo e seu advogado Wlicio marcaram entrevista coletiva à imprensa, pediram proteção divina (“*Senhor*, nos ajude a saber o que dizer, como dizer e quando dizer) e então denunciaram a quebra do sigilo bancário de Francenildo
18 – O governo do PT usou a Polícia Federal e a ingenuidade da oposição para tentar acobertar a quebra do sigilo bancário do Senhor Francenildo
19 – A Polícia Federal abriu inquérito por lavagem de dinheiro contra Francenildo. O advogado Wlicio disse: Procede, a mãe dele é lavadeira. Ministro Palocci pediu demissão
20 – Relatório da Polícia Federal não esclarece como a Caixa Econômica Federal obteve o CPF do Senhor Francenildo. Deduz-se que o governo do PT o conseguiu por intermédio dos seus tentáculos
21 – Francenildo moveu ação de danos morais contra a Caixa Econômica Federal e contra a Revista Época

Tags: Francenildo dos Santos Costa, Vladimir Poleto, Rogério Buratti, CPI dos bingos, Antonio Palocci, Garibaldi Alves, casa no Lago Sul, Luiz Antonio Guerra, motorista Francisco das Chagas, governo do PT, João Moreira Salles

5 – A entrevista com jornalista do Jornal O Estado de São Paulo foi marcante na vida do Senhor Francenildo e no Brasil

Escrito por João Moreira Salles e publicado na Revista Piauí e no blog do Ricardo Setti: a história de como todos os poderes da República moeram o caseiro Francenildo.

Na manhã seguinte ao depoimento de Francisco das Chagas, Francenildo abriu o Correio Braziliense e leu:

A partir do depoimento do motorista, a CPI decidiu procurar uma das empregadas da casa do Lago Sul, chamada Neuma [sic], e seu marido, ainda não identificado, que trabalhava de caseiro no local. Há informações de que ele teria levado malas de dinheiro a Ribeirão Preto, viajando de carro, junto com Poleto.

Francisco das Chagas não falara em malas de dinheiro na CPI, mas, de alguma forma, a falsa notícia chegara ao jornal. Malas, dinheiro e poder – Francenildo ficou com medo: “Quem estava sendo acusado podia vir me pegar.” A campainha tocaria às dez da manhã. Ele deu uma espiada – eram três homens de terno. Ele os atendeu pelo interfone: “Qual é seu nome”, perguntaram. “Raimundo”, ele mentiu. “Você conhece o caseiro que trabalhou na época do Poleto?” “Não.” Pediram que viesse ao portão. Eram policiais federais a serviço do Congresso e queriam ver sua identidade. Disse que era diarista, não andava com documentos. Os homens foram embora.

Francenildo começou a correr na memória as pessoas que conhecia. Precisava de ajuda, e o patrão, Guerra, estava viajando. Parou no nome de João Gustavo Coutinho, o corretor que trouxera Poleto à casa. Devia ter influência e sempre o tratara bem. Desde que o escândalo estourara, João Gustavo lhe dizia, rindo: “Dá pra ganhar um dinheirinho bom com essa história. Uns 30 mil reais, quem sabe? Pra você comprar uma casinha.” (João Gustavo nega ter mencionado dinheiro.)

Francenildo ligou: “Gustavo, preciso de ajuda para encarar os homens.” O corretor pediu uma hora. Quando ligou de volta, disse: “Já falei com uma pessoa de confiança. Amanhã, às dez e meia, passo aí pra te pegar e a gente vai se encontrar com ele no Gilberto Salomão.” Francenildo conhecia o lugar. Era o centro comercial onde ficava a agência da Caixa em que tinha conta.

No fim de tarde, o telefone tocou no gabinete do senador Antero Paes de Barros, do PSDB. Do outro lado da linha, alguém informava que o caseiro fora encontrado e queria falar.

Às oito da manhã do dia seguinte, uma sexta-feira, João Gustavo disse a Francenildo que se abaixasse no banco de trás do carro. O caseiro saiu escondido pelo portão dos fundos, para escapar de policiais que porventura estivessem à espreita. Estacionaram em frente à padaria Lago Sul, no Gilberto Salomão. Cinco minutos depois, um homem barbado, calvo, de uns 60 anos, “fumador de cigarro”, como lembraria o caseiro, caminhou na direção deles.

Era Enéas de Alencastro Neto, assessor de Teotônio Vilela Filho, senador tucano de Alagoas. “Você é o caseiro de quem o motorista falou?” “Sou.” Desconfiado, pediu que Francenildo descrevesse o que vira na casa. Convenceu-se e lhe disse: “Rapaz, sabe quem você é? Você é o homem mais importante do mundo. Vai virar celebridade. Vai derrubar o homem mais poderoso depois do Lula.” Como Francenildo estivesse de bermudas, Alencastro disse que o levaria até a casa para vestir uma calça, pois iriam ao Congresso Nacional. Abriu a porta de um jipinho Mitsubishi, pôs o caseiro para dentro e partiu, deixando João Gustavo para trás.

Chegaram ao Senado por volta de nove e meia. Francenildo foi conduzido por corredores, escadas e salões até uma sala de espera, onde esperou sozinho durante uns vintes minutos.

Foi levado enfim à sala do tucano Antero Paes de Barros, de quem jamais ouvira falar. O senador estava sentado: “E aí, você é o caseiro da mansão lá? Você vai ficar muito famoso. Quer dar a entrevista?” Francenildo disse que estava com medo e precisava de ajuda, mas preferia não falar com a imprensa. “Não dá pra falar sem ser com eles?”, perguntou. Paes de Barros fez que não: “Não te protege. Vou arranjar um jornalista de confiança.” O senador garante que Francenildo quis falar: “Foi decisão dele.”

Paes de Barros e os assessores começaram a discutir. Qual jornalista chamar? “Esse não é confiável, aquele outro também não.” Os nomes eram levantados e imediatamente derrubados. Sentado num sofá, Francenildo ouvia sem nada compreender. Imaginava que, ao dizerem “confiável” ou “não confiável”, referiam-se à proteção dele próprio. “Andrei Meireles!”, exclamou por fim o senador, lembrando-se do jornalista da revista Época em Brasília.

“Andrei, vem aqui que eu tenho uma coisa boa pra você”, disse Paes de Barros, por telefone. Meireles estava no dentista, de boca aberta. Pediu que o senador adiantasse o assunto. “Você sabe que não é assim que funciona”, ouviu em resposta, “mas vem que é uma bomba.” O jornalista insistiu. “Não!”, irritou-se Paes de Barros. Desejou um bom fim de semana a Meireles e desligou.

“Então pensei na Rosinha, que cobria a CPI do Banestado”, diria dois anos depois o agora ex-senador, no terraço de um hotel em Brasília. Referia-se à repórter Rosa Costa, do Estado de S. Paulo. Ele foi direto ao assunto: “Ô Rosinha querida, como é que você está? Tem uma matéria para você soltar.”

Levaram Francenildo de volta à sala de espera. Em silêncio, ele esperou com Enéas de Alencastro durante quase uma hora até que Rosa Costa chegasse. Ela perguntou: “Você quer fazer a matéria?” Em busca de um último conselho, ele olhou para Alencastro e recebeu um sinal afirmativo. Virou-se para a jornalista e assentiu com a cabeça.

Rosa Costa precisava de provas de que estava mesmo com o caseiro da notória casa do Lago Sul. Foram juntos até a casa para que ele buscasse a carteira de trabalho. Com a confirmação, seguiram para a sucursal do Estado, onde foi feita a entrevista.

Já eram três e meia da tarde quando ela lhe fez a primeira pergunta: “Quantas vezes o ministro Antonio Palocci foi à casa?” Cinqüenta minutos depois, saíram. Pararam no Giraffas, uma cadeia de fast-food, onde Francenildo pediu o lanche mais barato. “Eu estava com uma fome danada. E você sabe como é pobre: depois que passa a hora de comer, não come mais nada.” Um fotógrafo do jornal tirou duas fotos do entrevistado, uma diante da casa do Lago Sul, a outra em frente de uma placa que avisava: “Perigo – Altamente inflamável”.

OBS: Dividi em 21 capítulos a história do caseiro Francenildo cujo sigilo bancário foi quebrado pelo governo do PT e cuja vida foi intimamente escancarada a ponto de nunca mais falar com o pai. Veja a história completa no link: Leitura essencial para esses tempos de mensalão e “Rosegate”: ahistória de como todos os poderes da República moeram o caseiro Francenildo.


1 – Francenildo dos Santos Costa nasceu em 1981 em Teresina, Capital do Piauí. Foi morar em Brasília em 1995. Nasceu o primeiro filho Thiago com a mulher Noelma em 1999
2 – Francenildo dos Santos Costa era caseiro da casa que foi alugada a um grupo de pessoas liderado pelo Ministro da Fazenda Antonio Palocci no início do ano 2003
3 – Francenildo viajou a Teresina no fim do ano 2003. Foi acertar o maior problema de sua vida, mas foi chamado de volta a Brasília para encerrar contrato de trabalho
4 – Francenildo, Palocci e os companheiros de Ribeirão Preto
5 – A entrevista com jornalista do Jornal O Estado de São Paulo foi marcante na vida do Senhor Francenildo e no Brasil
6 – Antonio Palocci tentou evitar a publicação da entrevista do Senhor Francenildo
7 – A mão de Deus promoveu o encontro de Francenildo e do advogado Wlicio Chaveiro Nascimento
8 – A manchete do Jornal O Estado de São Paulo dizia: Caseiro desmente Palocci e revela partilha de dinheiro na mansão
9 – Jornalista Helena Chagas atuou contra Francenildo e a favor do governo do PT
10 – Como foi a abordagem organizada pelo governo do PT para que numa próxima entrevista coletiva Francenildo negasse o teor da entrevista dada ao Estadão
11 – Antes do depoimento na CPI dos Bingos, Francenildo e seu advogado rezaram em voz alta. A verdade dita na CPI salvou Francenildo e o Brasil ganhou
12 – Objetivos e resultados da CPI dos Bingos
13 – Francenildo foi indevidamente incluído no Programa de Proteção à Testemunha
14 – Como e quando ocorreu a quebra do sigilo bancário de Francenildo
15 – Meia noite foi a hora da chegada de Francenildo ao abrigo que a Polícia Federal reservara a ele e a um traficante de drogas
16 – Como foi a atuação do governo do PT acionando a moenda que quebrou o sigilo do Senhor Francenildo dos Santos Costa
17 – Francenildo e seu advogado Wlicio marcaram entrevista coletiva à imprensa, pediram proteção divina (“*Senhor*, nos ajude a saber o que dizer, como dizer e quando dizer) e então denunciaram a quebra do sigilo bancário de Francenildo
18 – O governo do PT usou a Polícia Federal e a ingenuidade da oposição para tentar acobertar a quebra do sigilo bancário do Senhor Francenildo
19 – A Polícia Federal abriu inquérito por lavagem de dinheiro contra Francenildo. O advogado Wlicio disse: Procede, a mãe dele é lavadeira. Ministro Palocci pediu demissão
20 – Relatório da Polícia Federal não esclarece como a Caixa Econômica Federal obteve o CPF do Senhor Francenildo. Deduz-se que o governo do PT o conseguiu por intermédio dos seus tentáculos
21 – Francenildo moveu ação de danos morais contra a Caixa Econômica Federal e contra a Revista Época

Tags: Rosa Costa, governo do PT, João Moreira Salles, Jornal O Estado de São Paulo, Enéas de Alencastro Neto, Antero Paes de Barros, Teotônio Vilela Filho, Antonio Palocci, Andrei Meireles, CPI do Banestado, motorista Francisco das Chagas, João Gustavo de Abreu Coutinho, Polícia Federal

6 – Antonio Palocci tentou evitar a publicação da entrevista do Senhor Francenildo

Escrito por João Moreira Salles e publicado na Revista Piauí e no blog do Ricardo Setti: a história de como todos os poderes da República moeram o caseiro Francenildo.

Palocci soube da entrevista e telefonou duas vezes a Sandro Vaia, diretor de redação do Estado, para pedir cautela e se dizer vítima de manobras de adversários. Vaia adiou por dois dias a publicação da entrevista, para que a repórter pudesse checar detalhes.

“Você quer ir para um hotel?”, perguntou Rosa Costa ao caseiro. “O jornal se dispõe a pagar a hospedagem até que a matéria saia.” Francenildo interpretou a oferta de duas maneiras: preocupação com ele ou, então, conforme disse, “medo de eu dar a mesma entrevista em outra imprensa”. Ele recusou o oferecimento, refugiou-se numa chácara e só voltou à cidade na segunda de manhã. Rosa Costa avisou que a entrevista seria finalmente publicada no dia seguinte.

No dia em que ficou famoso – 14 de março de 2006 – Francenildo acordou às seis da manhã. Ligou a televisão e ouviu: Um caseiro afirmou em entrevista ao Estadão que o ministro Palocci freqüentava a casa. E soube que estava intimado a comparecer à CPI dali a dois dias.

Às sete e meia, chegou à casa do Lago Sul. Cortava a grama quando a secretária do proprietário veio chamá-lo: “Chegou um carro de imprensa.” Era a RedeTV! Em seguida, vieram Record, Globo e SBT. A campainha tocava sem parar. Francenildo viu fotógrafos e cinegrafistas da Globo encostarem escadas na fachada da casa vizinha, onde morava a jornalista de quem ouvira falar. Subiam no telhado para filmá-lo e fotografá-lo.

Escondeu-se dentro da casa. Meia hora depois, Luiz Antonio Guerra lhe disse: “Você não pode ficar aqui, não vão te deixar em paz.” Pela segunda vez em menos de uma semana, alguém o deitou no banco de trás de um carro para que pudesse sair fugido da casa.

Guerra o deixou no Gilberto Salomão para que tomasse um ônibus, mas, quando chegou a condução, ele decidiu não entrar. Perambulou, desnorteado, pelo centro comercial. Era, naquele momento, o homem mais procurado do país. “Eu solto no Gilberto, sem noção nenhuma. A única coisa que me passava pela cabeça era que eu tinha que achar uma roupa boa pra ir na CPI. Eu via todo mundo depondo de terno. Pensei no vexame, em alguém dizer ‘Dá um terno aí pro rapaz…’”

À beira do desespero, ligou para João Gustavo: “Vocês disseram que iam me ajudar. E agora isso.” O corretor estava com clientes. Disse ao caseiro que o esperasse na mesma padaria de quatro dias antes. Francenildo comprou uma quentinha e comeu no estacionamento. João Gustavo chegou às 13h30 e abriu a porta do passageiro: “Estou tentando ligar para um primo meu que é advogado. Ele vai pegar o teu caso e não vai cobrar nada.”

OBS: Dividi em 21 capítulos a história do caseiro Francenildo cujo sigilo bancário foi quebrado pelo governo do PT e cuja vida foi intimamente escancarada a ponto de nunca mais falar com o pai. Veja a história completa no link: Leitura essencial para esses tempos de mensalão e “Rosegate”: ahistória de como todos os poderes da República moeram o caseiro Francenildo.


1 – Francenildo dos Santos Costa nasceu em 1981 em Teresina, Capital do Piauí. Foi morar em Brasília em 1995. Nasceu o primeiro filho Thiago com a mulher Noelma em 1999
2 – Francenildo dos Santos Costa era caseiro da casa que foi alugada a um grupo de pessoas liderado pelo Ministro da Fazenda Antonio Palocci no início do ano 2003
3 – Francenildo viajou a Teresina no fim do ano 2003. Foi acertar o maior problema de sua vida, mas foi chamado de volta a Brasília para encerrar contrato de trabalho
4 – Francenildo, Palocci e os companheiros de Ribeirão Preto
5 – A entrevista com jornalista do Jornal O Estado de São Paulo foi marcante na vida do Senhor Francenildo e no Brasil
6 – Antonio Palocci tentou evitar a publicação da entrevista do Senhor Francenildo
7 – A mão de Deus promoveu o encontro de Francenildo e do advogado Wlicio Chaveiro Nascimento
8 – A manchete do Jornal O Estado de São Paulo dizia: Caseiro desmente Palocci e revela partilha de dinheiro na mansão
9 – Jornalista Helena Chagas atuou contra Francenildo e a favor do governo do PT
10 – Como foi a abordagem organizada pelo governo do PT para que numa próxima entrevista coletiva Francenildo negasse o teor da entrevista dada ao Estadão
11 – Antes do depoimento na CPI dos Bingos, Francenildo e seu advogado rezaram em voz alta. A verdade dita na CPI salvou Francenildo e o Brasil ganhou
12 – Objetivos e resultados da CPI dos Bingos
13 – Francenildo foi indevidamente incluído no Programa de Proteção à Testemunha
14 – Como e quando ocorreu a quebra do sigilo bancário de Francenildo
15 – Meia noite foi a hora da chegada de Francenildo ao abrigo que a Polícia Federal reservara a ele e a um traficante de drogas
16 – Como foi a atuação do governo do PT acionando a moenda que quebrou o sigilo do Senhor Francenildo dos Santos Costa
17 – Francenildo e seu advogado Wlicio marcaram entrevista coletiva à imprensa, pediram proteção divina (“*Senhor*, nos ajude a saber o que dizer, como dizer e quando dizer) e então denunciaram a quebra do sigilo bancário de Francenildo
18 – O governo do PT usou a Polícia Federal e a ingenuidade da oposição para tentar acobertar a quebra do sigilo bancário do Senhor Francenildo
19 – A Polícia Federal abriu inquérito por lavagem de dinheiro contra Francenildo. O advogado Wlicio disse: Procede, a mãe dele é lavadeira. Ministro Palocci pediu demissão
20 – Relatório da Polícia Federal não esclarece como a Caixa Econômica Federal obteve o CPF do Senhor Francenildo. Deduz-se que o governo do PT o conseguiu por intermédio dos seus tentáculos
21 – Francenildo moveu ação de danos morais contra a Caixa Econômica Federal e contra a Revista Época

Tags: agência Gilberto Salomão, Caixa Econômica Federal, Francenildo dos Santos Costa, Luiz Antonio Guerra, Sandro Vaia, Rosa Costa, governo do PT, João Moreira Salles

7 – A mão de Deus promoveu o encontro de Francenildo e do advogado Wlicio Chaveiro Nascimento

Escrito por João Moreira Salles e publicado na Revista Piauí e no blog do Ricardo Setti: a história de como todos os poderes da República moeram o caseiro Francenildo.

Wlicio Chaveiro Nascimento tem um rosto divertido. Lembra o personagem Wallace, do desenho animado Wallace & Gromit. Costeleta grisalha, sorriso largo, lábio inferior meio caído para fora e fumante contumaz. Seu pai, Analício, gostava muito da letra W. Batizou o filho juntando-a ao final do próprio nome – “E eu tenho penado a vida inteira.”

Wlicio, ou Ulício, como o chamam, tinha 36 anos em março de 2006. Fazia um pouco de tudo: “Eu gosto de negócios…” Fundou a Câmara de Comércio Brasil-República Democrática do Congo – CINBRACONGO – da qual ainda é presidente, na esperança de vender 500 mil coturnos para o Exército congolês. Não deu certo. No seu segundo dia em Kinshasa, foi detido por tirar fotografias turísticas na beira do rio Congo. Aparentemente, ao fundo divisava-se* uma instalação militar. Foi cercado por soldados que exigiam 200 dólares por cabeça. Num francês macarrônico, acabou comprando o batalhão inteiro por 50. Não vendeu um coturno sequer.

Advogado, Wlicio atendia os clientes numa sala na sobreloja do hotel onde morava. Sua especialidade eram divórcios e contratos de locação. Não lia jornais, não acompanhava política nem se interessava pelos escândalos da República. Na tarde em que Francenildo era procurado por toda a imprensa, Wlicio estava no fórum de Inhumas, em Goiás, quando o celular tocou. Era João Gustavo, amigo de adolescência que tratava por “primo” e a quem prestava ajuda legal. “Primo, estou precisando de um favor teu”, disse-lhe o corretor. “Tenho um amigo que precisa de um advogado, mas não tem dinheiro. Você topa?” Wlicio respondeu que sim. “Mas olha, tem imprensa. Tudo bem?” Wlicio perguntou qual era o problema. “Quando você chegar aqui eu te conto”, disse João Gustavo. O advogado falou que o procuraria no dia seguinte. “Não”, cortou o corretor, “tem que ser hoje. Vem para cá.”

No final da tarde, Wlicio tomou a estrada. Meia hora depois, o celular tocou. “Aqui é a CBN. O senhor confirma o que seu cliente disse ao Estado de S. Paulo?” “Hein?”, balbuciou Wlicio. “O que ele vai dizer na CPI?” Sem muito a acrescentar, repetiu: “Hein?”, e achou melhor fingir que a ligação caíra. O celular voltou a tocar. Folha, Estadão, Veja e Globo, todos com a mesma pergunta: “Seu cliente confirmará tudo na CPI?” Wlicio não sabia quem era o “seu cliente” e muito menos de que CPI estavam falando. Telefonou então a João Gustavo, que havia passado seu número aos jornalistas. “Que porra é essa? O que esse cara fez pra todo esse povo estar atrás dele?” O amigo riu: “Vem pra cá que eu te digo.”

Wlicio chegou à casa de João Gustavo por volta das nove da noite. Francenildo estava assustado. Apertou sem força a mão do advogado, abaixou os olhos e, com um fiapo de voz, começou a contar a história. João Gustavo falou da entrevista ao Estadão. Wlicio pediu silêncio e disse: “Antes de qualquer coisa, eu quero ver essa matéria.” Foi para um canto, leu, releu e, ao terminar, virou para Francenildo e só conseguiu dizer: “Moooooço…”

OBS: Dividi em 21 capítulos a história do caseiro Francenildo cujo sigilo bancário foi quebrado pelo governo do PT e cuja vida foi intimamente escancarada a ponto de nunca mais falar com o pai. Veja a história completa no link: Leitura essencial para esses tempos de mensalão e “Rosegate”: ahistória de como todos os poderes da República moeram o caseiro Francenildo.

1 – Francenildo dos Santos Costa nasceu em 1981 em Teresina, Capital do Piauí. Foi morar em Brasília em 1995. Nasceu o primeiro filho Thiago com a mulher Noelma em 1999
2 – Francenildo dos Santos Costa era caseiro da casa que foi alugada a um grupo de pessoas liderado pelo Ministro da Fazenda Antonio Palocci no início do ano 2003
3 – Francenildo viajou a Teresina no fim do ano 2003. Foi acertar o maior problema de sua vida, mas foi chamado de volta a Brasília para encerrar contrato de trabalho
4 – Francenildo, Palocci e os companheiros de Ribeirão Preto
5 – A entrevista com jornalista do Jornal O Estado de São Paulo foi marcante na vida do Senhor Francenildo e no Brasil
6 – Antonio Palocci tentou evitar a publicação da entrevista do Senhor Francenildo
7 – A mão de Deus promoveu o encontro de Francenildo e do advogado Wlicio Chaveiro Nascimento
8 – A manchete do Jornal O Estado de São Paulo dizia: Caseiro desmente Palocci e revela partilha de dinheiro na mansão
9 – Jornalista Helena Chagas atuou contra Francenildo e a favor do governo do PT
10 – Como foi a abordagem organizada pelo governo do PT para que numa próxima entrevista coletiva Francenildo negasse o teor da entrevista dada ao Estadão
11 – Antes do depoimento na CPI dos Bingos, Francenildo e seu advogado rezaram em voz alta. A verdade dita na CPI salvou Francenildo e o Brasil ganhou
12 – Objetivos e resultados da CPI dos Bingos
13 – Francenildo foi indevidamente incluído no Programa de Proteção à Testemunha
14 – Como e quando ocorreu a quebra do sigilo bancário de Francenildo
15 – Meia noite foi a hora da chegada de Francenildo ao abrigo que a Polícia Federal reservara a ele e a um traficante de drogas
16 – Como foi a atuação do governo do PT acionando a moenda que quebrou o sigilo do Senhor Francenildo dos Santos Costa
17 – Francenildo e seu advogado Wlicio marcaram entrevista coletiva à imprensa, pediram proteção divina (“*Senhor*, nos ajude a saber o que dizer, como dizer e quando dizer) e então denunciaram a quebra do sigilo bancário de Francenildo
18 – O governo do PT usou a Polícia Federal e a ingenuidade da oposição para tentar acobertar a quebra do sigilo bancário do Senhor Francenildo
19 – A Polícia Federal abriu inquérito por lavagem de dinheiro contra Francenildo. O advogado Wlicio disse: Procede, a mãe dele é lavadeira. Ministro Palocci pediu demissão
20 – Relatório da Polícia Federal não esclarece como a Caixa Econômica Federal obteve o CPF do Senhor Francenildo. Deduz-se que o governo do PT o conseguiu por intermédio dos seus tentáculos
21 – Francenildo moveu ação de danos morais contra a Caixa Econômica Federal e contra a Revista Época

Tags: Wlicio Chaveiro Nascimento; entrevista do Estadão, João Gustavo, Cinbracongo, Francenildo, governo do PT, João Moreira Salles

8 – A manchete do Jornal O Estado de São Paulo dizia: Caseiro desmente Palocci e revela partilha de dinheiro na mansão

Escrito por João Moreira Salles e publicado na Revista Piauí e no blog do Ricardo Setti: a história de como todos os poderes da República moeram o caseiro Francenildo.

A primeira página do jornal trazia a foto de Francenildo na frente da casa e a manchete: Caseiro desmente Palocci e revela partilha de dinheiro em mansão.

A entrevista não diferia, na substância, do que o motorista Francisco das Chagas dissera à CPI. A novidade estava no peso da palavra escrita, nas ênfases. Francenildo falou de garotas de programa, de maços de dinheiro e da presença de Palocci, não duas ou três vezes, como afirmara o motorista, mas “umas dez ou vinte”, embora jamais nas festas. “Mas ele disse que nunca foi à casa”, argumentou a repórter. “Ele está mentindo”, contrapôs o caseiro, taxativo.

Pior: ao decidir esclarecer o que Francisco não dissera à CPI e que tanto o assustara – a ida a Ribeirão com malas de dinheiro –, Francenildo acabara corrigindo o que não precisava de correção. A Ribeirão não fora, mas ao estacionamento do Ministério da Fazenda, sim. Ali, segundo disse ao Estadão, viu Francisco das Chagas entregar um envelope ao secretário particular de Palocci, Ademirson Ariosvaldo da Silva. Haveria dinheiro dentro.

Wlicio se aproximou de Francenildo: “Você tem noção do que fez? Tem noção do que está envolvido?” O advogado apontava trechos da entrevista e ia perguntando: teve isso? E isso, teve? E teve até isso aqui? Atordoado, “em transe”, como lembra Wlicio, o caseiro respondia que sim. “Olha, juridicamente isso não vai dar em nada. Mas, politicamente, é uma bomba. Se prepara porque você acabou de entrar numa guerra.”
A oposição não podia desejar presente melhor: um caseiro nordestino e imigrante que desmontava com palavras simples a versão do ministro mais poderoso de um governo presidido igualmente por um imigrante nordestino. “É um Davi capaz de enfrentar vários Golias”, peroraria o oposicionista Arthur Virgílio, falando, como de hábito, para os autos.

Wlicio virou-se para João Gustavo e perguntou: “Gustavo, por que você não me trouxe esse rapaz antes da entrevista? Se ele tivesse sido orientado, é provável que a coisa não tivesse explodido.” Era uma boa pergunta. Se não tivesse falado ao Estadão, ou se tivesse sido lacônico como Francisco das Chagas na CPI, é provável que Francenildo fosse logo deixado de lado. A diferença entre o benfazejo anonimato de um e a brutal notoriedade do outro se explica, em boa parte, pela existência, no caso de Francenildo, de João Gustavo Coutinho e Enéas de Alencastro.

Naquela noite, o caseiro chegou em casa “cansado, cansado”. Ligou para a mãe, no Piauí, para dizer que estava tudo bem. Ela atendeu aos soluços. O filho tinha aparecido em todos telejornais noturnos. Sua avó, de 70 anos, tinha ouvido alguém na rua comentar “Esse filho da Benta só volta pra cá enterrado”, e desmaiou. O caseiro conseguiu dormir já de madrugada.

“Quarta, quinta e sexta vão ficar pra sempre na minha memória”, diz Francenildo. Às dez da manhã, chegou ao Metropolitan, o hotel onde Wlicio morava e tinha escritório. Percebeu que a vida não era mais a mesma. Todos sabiam quem era ele.

Wlicio se deu conta de que o caso não cabia na sua sala de trabalho. Seu cliente era reconhecido por toda parte, dezenas de jornalistas insistiam em entrevistá-lo. Procurou um parente, Elson Crisóstomo, também advogado, mas com escritório bem estabelecido. “Isso é briga de cachorro grande, me ajuda”, pediu-lhe. Precisava de espaço físico e de conselhos; o parente cedeu um escritório maior, no qual poderia receber a imprensa. Wlicio marcou uma entrevista coletiva para as seis da tarde.

OBS: Dividi em 21 capítulos a história do caseiro Francenildo cujo sigilo bancário foi quebrado pelo governo do PT e cuja vida foi intimamente escancarada a ponto de nunca mais falar com o pai. Veja a história completa no link: Leitura essencial para esses tempos de mensalão e “Rosegate”: ahistória de como todos os poderes da República moeram o caseiro Francenildo.

1 – Francenildo dos Santos Costa nasceu em 1981 em Teresina, Capital do Piauí. Foi morar em Brasília em 1995. Nasceu o primeiro filho Thiago com a mulher Noelma em 1999
2 – Francenildo dos Santos Costa era caseiro da casa que foi alugada a um grupo de pessoas liderado pelo Ministro da Fazenda Antonio Palocci no início do ano 2003
3 – Francenildo viajou a Teresina no fim do ano 2003. Foi acertar o maior problema de sua vida, mas foi chamado de volta a Brasília para encerrar contrato de trabalho
4 – Francenildo, Palocci e os companheiros de Ribeirão Preto
5 – A entrevista com jornalista do Jornal O Estado de São Paulo foi marcante na vida do Senhor Francenildo e no Brasil
6 – Antonio Palocci tentou evitar a publicação da entrevista do Senhor Francenildo
7 – A mão de Deus promoveu o encontro de Francenildo e do advogado Wlicio Chaveiro Nascimento
8 – A manchete do Jornal O Estado de São Paulo dizia: Caseiro desmente Palocci e revela partilha de dinheiro na mansão
9 – Jornalista Helena Chagas atuou contra Francenildo e a favor do governo do PT
10 – Como foi a abordagem organizada pelo governo do PT para que numa próxima entrevista coletiva Francenildo negasse o teor da entrevista dada ao Estadão
11 – Antes do depoimento na CPI dos Bingos, Francenildo e seu advogado rezaram em voz alta. A verdade dita na CPI salvou Francenildo e o Brasil ganhou
12 – Objetivos e resultados da CPI dos Bingos
13 – Francenildo foi indevidamente incluído no Programa de Proteção à Testemunha
14 – Como e quando ocorreu a quebra do sigilo bancário de Francenildo
15 – Meia noite foi a hora da chegada de Francenildo ao abrigo que a Polícia Federal reservara a ele e a um traficante de drogas
16 – Como foi a atuação do governo do PT acionando a moenda que quebrou o sigilo do Senhor Francenildo dos Santos Costa
17 – Francenildo e seu advogado Wlicio marcaram entrevista coletiva à imprensa, pediram proteção divina (“*Senhor*, nos ajude a saber o que dizer, como dizer e quando dizer) e então denunciaram a quebra do sigilo bancário de Francenildo
18 – O governo do PT usou a Polícia Federal e a ingenuidade da oposição para tentar acobertar a quebra do sigilo bancário do Senhor Francenildo
19 – A Polícia Federal abriu inquérito por lavagem de dinheiro contra Francenildo. O advogado Wlicio disse: Procede, a mãe dele é lavadeira. Ministro Palocci pediu demissão
20 – Relatório da Polícia Federal não esclarece como a Caixa Econômica Federal obteve o CPF do Senhor Francenildo. Deduz-se que o governo do PT o conseguiu por intermédio dos seus tentáculos
21 – Francenildo moveu ação de danos morais contra a Caixa Econômica Federal e contra a Revista Época

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