sábado, 3 de novembro de 2012

O CORONELISMO VERMELHO DO PT

Por Aluizio Amorim publicado no blog www.aluizioamorim.blogspot.com
Transcrevo a parte inicial de matéria da revista Veja que foi às bancas nesta sexta-feira e que está publicada no excelente blog do jornalista, também de Veja, Ricardo Setti, com link ao final para leitura completa. Faz um inventário resumido da eleição nas grandes capitais, a começar por São Paulo, onde o PT arranjou uma cara nova, enquanto o método de ação petista é o mesmo, ou seja, uma forma de fazer política que faria inveja ao coronelismo que imperou absoluto pelo menos até o século XX. Já o Brasil do século XXI sob o governo do PT fez meia volta e voltou ao passado não apenas no modo de fazer política. O PT continua alimentando a ideia de transformar o Brasil num arremedo da China comunista.
A reportagem está muito boa e é assinada pelo jornalista Otávio Cabral e a foto é de Veja com um tratamento especial. Leiam:


O PT foi protagonista dos dois principais eventos políticos deste ano, o julgamento do mensalão e as eleições municipais.

O fato de ter se saído mal no primeiro e bem no segundo levou alguns de seus próceres a uma conclusão equivocada.

No Supremo Tribunal Federal, o partido criado por Luiz Inácio Lula da Silva foi flagrantemente derrotado. Líderes históricos, como José Dirceu e José Genoino, e nomes estratégicos, como o ex-tesoureiro Delúbio Soares – todos condenados por corrupção e formação de quadrilha -, agora preparam o enxoval com que seguirão para a cadeia.

Já nas urnas, o resultado foi outro. O PT elegeu 626 prefeitos no primeiro turno — 14% a mais do que em 2008. E, neste domingo, coroou seu desempenho com a vitória de Fernando Haddad em São Paulo. Com os dois dados nas mãos, Lula apressou-se em concluir que o julgamento do mensalão não atrapalhou o PT. “O povo sabe discernir, sabe o que é um julgamento e o que é uma votação”, declarou. Trata-se de uma meia verdade.

Frescor de pão amanhecido
Para conseguir manter seu crescimento e reduzir os danos do mensalão, o PT investiu em candidatos novos, sem relação com o escândalo – como em São Paulo. Já nos lugares em que insistiu em apostar em velhos nomes ligados aos mensaleiros, o desastre foi inevitável – caso do Recife e de Belo Horizonte.

Dos dezessete candidatos próprios que lançou nas capitais, nove nunca haviam disputado uma eleição para o Executivo. Essa “renovação”, no entanto, tem o frescor de um pãozinho amanhecido. Se os nomes que o PT apresenta ao público são novos, os métodos que ele segue permanecem os mesmos.

Nestas eleições, a face pública do modus operandi da sigla incluiu a contratação de marqueteiros estrelados – como João Santana, responsável pelas últimas campanhas presidenciais -, o uso intensivo da imagem de Lula e Dilma Rousseff (ela bem mais comedida do que ele) e a utilização explícita da máquina do governo para a conquista de apoio.

Em São Paulo, a ex-prefeita Marta Suplicy só se dispôs a apoiar seu colega de partido depois de receber o Ministério da Cultura. O mesmo se deu com Gabriel Chalita (PMDB). Quarto colocado no primeiro turno, exigiu (e levou) o compromisso de indicar o futuro secretário da Educação na cidade como condição para apoiar Haddad.

Mas só isso não explica o fato de o PT ser o único partido que cresce sem parar desde a sua criação. “O PT é o partido político mais bem organizado do Brasil. Está em todas as cidades, investe na formação de novos quadros e tem uma proposta clara de poder”, diz o historiador Marco Antonio Villa.

Além disso, ele avança porque:
- Tem estratégia: embora abrigue disputas internas, seu centralismo leninista impõe uma ação externa unitária.

- Recorre sem pudor ao aparelhamento: o uso de cargos e programas do governo federal para beneficiar petistas e aliados garante poder aos seus mandatários e votos aos seus candidatos.

- Conta com apoios setoriais: o governo Lula tentou agradar a todos os públicos. Bancos e empreiteiras foram agraciados com benefícios e se tornaram os maiores doadores de recursos ao partido. Movimentos sociais e ONGs passaram a dominar setores do governo. E os mais pobres ganharam com os programas sociais. Resultado: Dilma herdou um governo em que as principais classes organizadas estão com o PT.

- Seus adversários ajudam: a oposição, em termos de estratégia, segue na direção contrária do PT – é mal estruturada, desunida e desorganizada. Desde o início do julgamento do mensalão, parlamentares oposicionistas praticamente ignoraram a tribuna do Congresso como trincheira de ataque ao PT.
O sucesso de Haddad inspirou o PT a seguir o modelo da renovação de nomes nas próximas eleições. Políticos jovens como Alexandre Padiha e Lindbergh Farias estão sendo preparados para a disputa a governador. Do blog de Ricardo Setti =--> Leia MAIS

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