sexta-feira, 30 de novembro de 2012

O ISLAMISMO TOTALITÁRIO É IRMÃO DA IRMANDADE MUÇULMANA E REJEITA OS VALORES OCIDENTAIS

O islamismo totalitário e sua origem
Escrito por Luis Milman* e publicado no site www.midiasemmascara.org

Não se pode compreender a doutrina islâmica totalitária e fundamentalista sem que se mencione Sayyid Al- Qutb Ibrahim, o mais importante ideólogo da Irmandade e do pan-islamismo, figura lendária no Oriente Médio, morto por Nasser em 1966.

O problema do islamismo radical apresenta aspectos históricos multicausais e pouco se discute sobre suas características na imprensa e na universidade brasileiras. Desde o fim do Império Otomano, em 1924, surgiram no mundo árabe movimentos nacionalistas que lutavam contra o controle franco-britânico na região. A partir do final da década de 20, o sionismo foi considerado um movimento intruso em meio às aspirações árabes. Na medida em que o nazifascismo tornava-se uma poderosa força política na Europa, grande parte das lideranças nacionalistas dos recém-criados Síria, Transjordânia, Líbano, Iraque e Arábia Saudita, assim como as lideranças palestinas, viam os nazistas e fascistas como aliados contra a França e a Inglaterra, que dominavam o Oriente Médio por meio do sistema de mandatos criado pela Liga das Nações, depois da 1ª Guerra Mundial. Dessa época até hoje, o rejeicionismo anti-israelense nesses países prosperou em progressão geométrica, acirrado pela criação do Estado de Israel, pelas derrotas militares que os israelenses impuseram aos países árabes depois de sua independência, em 1948, e pela ocupação dos territórios palestinos em 1967.

No Ocidente, somente após as recentes revoltas populares na Tunísia, Lìbia, Egito e Síria é que se volta a discutir sobre as origens do islamismo radical e seu nível de inserção na cultura política dos países muçulmanos. O islamismo radical e totalitário não tem início com a revolução iraniana de 1979, como pensam muitos. Ele desenvolveu-se desde 1928, com a criação da hoje conhecida Irmandade Muçulmana (Al Ikhwan al-Muslimun) por Hasan Al Bana e meia dúzia de estudantes, no Cairo. Seu arcabouço doutrinário pode ser resumido em alguns pontos: rejeição ao colonialismo e aos valores ocidentais, retorno à pureza do Islã, sacrifício extremo pela causa, assistencialismo islâmico, tomada do poder político por meios revolucionários, refundação do califado unificado no mundo muçulmano, sob a autoridade exclusiva do Corão e abolição de todas as instituições implantadas no mundo islâmico pelo Ocidente, com a conseqüente extinção dos estados árabes tais como existem, além da eliminação de Israel.

A Irmandade Muçulmana é a organização-mãe de numerosos grupos terroristas islâmicos. Ela foi criada como reação à extinção do califado turco em 1924, decretada pelo reformador Kemal Ataturk, em conseqüência do fim do Império Otomano após 1ª Guerra Mundial. Hassan Al Banna, seu fundador, era um professor egípcio que, na época, denunciava" a doença que reduziu a ummah (comunidade muçulmana) ao seu estado atual" , o que o motivou, juntamente com outros cinco jovens – todos na faixa dos vinte anos – a criar aIrmandade. Limitada inicialmente à reforma moral e espiritual, a Irmandade cresceu de modo impressionante e tornou-se a mais importante organização político-integrista do mundo. Entre os anos 30 e 40, contava com cerca de 500 mil membros no Egito, além de afiliados em todo Oriente Médio. Esse crescimento ocorreu devido às circunstâncias políticas do pós-guerra e aos seus métodos de organização. Quando a 2ª Guerra Mundial terminou,a Irmandade era uma força política expressiva no Egito e jogou papel fundamental na luta contra a antiga ordem colonial dos britânicos e franceses. Seu objetivo era libertar a pátria islâmica do controle dos estrangeiros e infiéis (kafir) e estabelecer um estado islâmico unificado.

Al-Banna construíra uma organização forte e disposta a realizar essa meta, com proto-estruturas de governo paralelo, unidades com funções específicas (propaganda, relações com a imprensa, tradutores das várias línguas do Oriente Médio) seções que controlavam distintos segmentos da sociedade (camponeses, trabalhadores e profissionais liberais),vínculos com o mundo islâmico, comitês especializados em finanças e assuntos legais e redes assistencialistas, organizadas em torno de mesquitas e associações islâmicas de caridade. Essa estrutura não era, entretanto, suficiente para levá-la ao poder político no Egito. Inspirado nos "camisas negras" de Mussolini formou um braço paramilitar (cujo slogan era "ação, obediência, silêncio, fé e luta"). Na realidade, contuituía um aparato secreto (al-jihaz al-sirri) e uma agência de inteligência para coordenar ataques terroristas e assassinatos.

Em 1948, depois de desempenhar papel central na mobilização de voluntários para lutarem na guerra contra Israel e, assim, tentar impedir a criação do estado judeu, a Irmandade pensou estar preparada para lançar um golpe de estado contra a monarquia egípcia. Em 18 de dezembro de 1948, o Primeiro Ministro do rei Farouk, Nuqrashi Pasha, estancou a tentativa. Menos de três semanas depois, aIrmandade retaliou e assassinou Pasha. O governo, por sua vez, desencadeou uma perseguição à Irmandade, assassinando Al Banna e muitos de seus agentes em 12 de fevereiro de 1949. Abalada pelo golpe, a Irmandade mesmo assim estava longe de ser destruída. Sob a liderança do ainda mais radical, Sayyid Qutb, ela continuou a lutar pela tomada do poder e reorganizou-se no inicio dos anos 50 , apoiando os Oficiais Livres liderados por Gamal Abdel Nasser, Mohamed Naguid e Anuar El Sadat, no golpe que destituiu a monarquia do Rei Farouk em 1952.

Não se pode compreender a doutrina islâmica totalitária e fundamentalista sem que se mencione Sayyid Al- Qutb Ibrahim, o mais importante ideólogo da Irmandade e do pan-islamismo, figura lendária no Oriente Médio, morto por Nasser em 1966. Seu pensamento político literalista e revivalista fundamenta-se na ideia de que os homens devem ser governados pelas leis extraídas do Corão (a Sharia), que provêm de Deus e não por suas próprias leis. Sua obra foi traduzida para o farsi (persa) pelo próprio Aiatolá Khomeini e suas idéias, desde a revolução islâmica no Irã, em 1979, têm sido colocadas em prática pelos aytollás. A autoridade política, segundo essa concepção integrista, deve ser exercida por conselhos de doutores na Sharia.

Em seu mais influente livro, Os Marcos (Maalim fil Tarik), escrito em 1964, na prisão, Qutb explicita o seu conceito político anti-ocidental mais conhecido: a jahilya, ou ignorância pagã e rebelião contra Deus. Segundo ele, a "religião é realmente a declaração universal da liberdade do homem sobre a servidão imposta por outros homens e da servidão aos seus próprios desejos, que é uma outra forma de servidão humana; é a declaração segundo a qual a soberania pertence a Deus apenas e que somente Ele é o senhor de todos os mundos" Ainda conforme Qutb: "todo sistema no qual as decisões finais estão referidas as seres humanos e nos quais as fontes da autoridade são humanas, deificam os seres humanos por designarem outros que não Deus como soberanos sobre os homens. Essa declaração quer dizer que a autoridade usurpada de Deus deve ser reconduzida a Ele e que os usurpadores devem ser expulsos - aqueles que por si próprios tramam leis para outros seguirem, assim elevando-se ao status de senhores e reduzindo os outros ao status de escravos. Em suma, proclamar a autoridade e a soberania de Deus significa eliminar todo o domínio humano e anunciar a lei Daquele Que Sustenta o Universo sobre o mundo inteiro, nos termos do Corão." (Qutb, 1964: cap 4)

A Irmandade foi aliada de Nasser e depois combatida por ele, com o apoio da CIA e de agentes recrutados do aparelho de inteligência política nazista. Nasser é geralmente visto como alguém que resistiu aos interesses franceses, ingleses e americanos no Oriente Médio. No entanto, hoje conhecemos fatos que há até pouco tempo circulavam apenas em ambientes acadêmicos restritos, com pouca repercussão na imprensa. Tais fatos revelam que a CIA cumpriu papel importante no apoio ao movimento dos Oficiais Livres que derrubou Farouk. Documentos "desclassificados" há dez anos pelo governo dos EUA, acessíveis no Archives Library Information Center/ National Archives and Records Administration.(NARA) revelam que tanto Nasser como a Irmandade tiveram na CIA uma forte aliada. A CIA recrutou vários membros do primeiro escalão das SS, trazidos para o Egito por Farouk após a 2ª Guerra, com a ajuda do xerife de Jerusalém e líder da Revolta Árabe contra os judeus na Palestina (1936-39), Haj Amin El Husseini, que desde 1936 trabalhava com o apoio dos nazistas. Com a ajuda de Reinhard Gehlen, ex-chefe da Inteligência Militar Alemã no Frente Oriental durante a 2ª Guerra (e, desde 1952, diretor da Agência Federal de Inteligência da Alemanha Ocidental- AFI) e sua rede de espiões que atuava na Europa, durante a Guerra Fria -formada por ex-agentes da Gestapo, a Irmandade apoiou Nasser no golpe contra a monarquia de Farouk.

O movimento liderado por Nasser derrubou Farouk, que abandonou o Egito e foi substituído por seu filho Ahmad Fouad, cuja posição de monarca tornou-se meramente decorativa, porque o país passou a ser controlado pelos militares nacionalistas. Em 1953, Fouad foi finalmente deposto, a monarquia extinta e criada a atual república, com Mohamed Naguid colocado na presidência. Os alemães instalados no Egito por Farouk, colaboraram com os jovens militares liderados por Nasser e com a Irmandade Muçulmana para derrubar a monarquia e continuaram a exercer forte influência no novo regime, sob monitoramento da CIA, que, desde 1953 se aproximara de Nasser, devido ao interesse dos EUA em manter o Egito como regime sob sua influência, afastando-o de ingleses e franceses. Naguid foi deposto por Nasser em 1954 e a CIA ajudou a organizar o serviço de inteligência e segurança externa do novo governo, numa operação conduzida por Allen Dulles, seu diretor desde 1953. Dulles recorreu ao General Gehlen para coordenar as ações no Egito. Gehlen designou Otto Skorzeny para a tarefa. Ex-coronel da SS, Skorzeny era um dos homens-chave da Rede Odessa - que obteve refúgio para membros do 1º escalão nazista da Argentina e no Egito, principalmente.

Skorzeny tivera uma passagem pela Espanha de Franco, depois de fugir de um campo de prisioneiros americano na Alemanha, em 1948, onde aguardava por novo julgamento militar, pois havia sido absolvido de algumas acusações de crimes de guerra, em 1947. Quando chamado por Gehlen, em 1953, Skorzeny estava na Argentina, onde fazia parte do círculo de assessores de Perón. Enviado ao Cairo, passou a assessorar Nasser pessoalmente, juntamente com Miles Copeland, que se reportava diretamente a Dules. Ambos ajudaram a dizimar a Irmandade Muçulmana, então liderada por Sayd Qutb, que havia apoiado o golpe de Nasser contra Farouk, mas logo passou a opor-se ao novo regime laico.

A aliança dos EUA com Nasser perdurou até 1956, mas desde 1954, ao assumir o poder, o líder nacionalista passou a adotar posições independentes, que o confrontaram com ingleses e franceses, ao mesmo tempo que o distanciavam dos EUA e o aproximavam da União Soviética, em busca de apoio militar e financeiro. Em 1956, a tentativa de nacionalizar o Canal de Suez deflagrou uma guerra com os israelenses, apoiados por ingleses e franceses, que enfrentaram a oposição dos americanos, até então mais interessados em manter relações próximas com o Egito e exercerem alguma forma de controle sobre o canal.

A decisão de Nasser de aproximar-se da União Soviética distanciou-o dos EUA, depois da Guerra de Suez. Washington passou a adotar políticas cada vez mais pró-Israel e o Egito tornou-se definitivamente aliado dos soviéticos. Mas Nasser jamais abriu mão de seus colaboradores e assessores alemães. O Egito passou a ser o principal reduto de oficiais da SS graduados, que foram integrados aos seus serviços de informação, à sua polícia política e ao seu sistema de propaganda. Além de Skorzeni, entre os mais conhecidos, fixaram-se no Egito os generais da SS Oskar Dillewanger, chefe da Brigada Penal das SS, Heinrich Siliman, chefe da Gestapo no Ulm, Joachim Daumling, que chefiou a Gestapo en Dusseldorf e depois na Croácia, Alois Moser, que atuou na Ucrânia, o general de exércitoWilhelm Fahrmbacher, incorporado ao estado-maior egípcio, Johannes Von Leers, do Ministério da Propaganda de Goebels e que, depois de fugir da Argentina, após a deposição de Perón, em 1954, transferiu-se para o Cairo, onde converteu-se ao islamismo e chefiou a Agência de Propaganda de Nasser. Skorzeny morreu milionário em Madrid, em 1975.

Qutb e a Irmandade Muçulmana, afastados por Nasser de qualquer influência no novo regime que ajudaram a implantar, aderiram à luta armada para derrubá-lo. Em fevereiro de 1954, a Irmandade foi tornada ilegal e em outubro do mesmo ano seus membros tentaram assassinar Nasser. Quatro mil militantes da Irmandade foram presos e executados. Milhares fugiram para a Síria, Arábia Saudita, Jordânia e Líbano. Qutb foi preso e sentenciado a dez anos de prisão. Ao ser libertado, planejou novo atentado contra Nasser, em 1965. Em 1966, depois de julgado, foi condenado e enforcado.

Integrista radical, antissemita e antidemocrático, Qutb escreveu, entre outros, o ensaio Ma'arakutuna Ma'a al–Yahud (Nossa Luta com os Judeus- 1950), de grande penetração no mundo islâmico de hoje, no qual sustenta que a luta entre o Islã e os judeus é decisiva e definitiva e que os judeus não ficarão satisfeitos até que o Islã seja destruído.. A Irmandade Muçulmana , pela primeira vez em sua história no poder no Egito, é a matriz dos grupos islâmicos radicais palestinos. Da Jihad, que atua, hoje, abertamente nos territórios palestinos sob ocupação israelense; Do Hamas , que controla a Faixa de Gaza, além da globalizada Al Qaida ( A Base). Todos são movimentos que seguem à risca as diretrizes de Qutb. Osama Bin Laden foi discípulo do palestino Abdullah Zallam, ideólogo da Irmandade e professor na Universidade Abd Al Aziz, em Jedah, Arábia Saudita. Em Jedah, Bin Laden associou-se ao médico egípcio Aymann Al Zawahiri, membro da Irmandade desde os 13 anos e, hoje, o primeiro em comando da Al-Qaida. Na visão de grande parte dos muçulmanos, os dois representam a autêntica resistência islâmica aos valores do Ocidente, tal como defendida por Al Bana e Qutb, os primeiros a denunciarem Israel como representante da cultura ocidental.

*Luis Milman é jornalista.

CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA - A ERA DA INTOLERÂNCIA DOS TOLERANTES E A CURA DA HOMOSSEXUALIDADE

A era da intolerância dos tolerantes e a cura da homossexualidade
Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

Estão dispostos a ler um texto longo, que demonstra como o bom senso pode falecer em meio à gritaria histérica?

Qual é o ponto? A Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara realizou ontem uma audiência pública para debater o Projeto de Decreto Legislativo 234/11, de autoria do deputado federal João Campos (PSDB-GO), que pretende revogar parte de uma resolução do Conselho Federal de Psicologia que impõe regras aos profissionais da área na relação com pacientes homossexuais. Participaram do encontro militantes de movimentos gays, representantes de igrejas cristãs e profissionais da área. Assistiu-se a um espetáculo grotesco. A intolerância mais rombuda, envergando as vestes da liberdade, gritou, xingou, espezinhou, partiu para a baixaria. Vamos lá.

Eu considero que homossexualidade não tem cura pela simples razão de que não a considero uma doença. E nisso concordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde) e com o Conselho Federal de Psicologia. Assim, não acredito em terapias que possam converter héteros em gays ou gays em héteros. Mais: sexualidade não é uma opção — se fosse, a esmagadora maioria escolheria o caminho da maior aceitação social, e, nessa hipótese, as escolhas poderiam até ir mudando ao longo do tempo, à medida que determinadas práticas passassem a ser mais aceitas ou menos. Há quem só goste de um brinquedo; há quem só goste do outro; e há quem goste dos dois. Essa minha opinião não é nova — o arquivo está aí. Os espadachins da reputação alheia, como escreveu Balzac, fazem questão de ignorá-la porque gostam de inventar inimigos imaginários para posar de mártires. Muito bem. Até aqui, não haveria por que os gays — ou o que chamo “sindicalismo gay” — estrilar. Mas é evidente que não pensamos a mesma coisa. Entre outras divergências, está o tal PLC 122 que criminaliza a chamada “homofobia”. Trata-se de um delírio autoritário. Já escrevi muito a respeito e não entrarei em detalhes agora para não desviar o foco.

Vamos lá. Desde 22 de março de 1999, está em vigência uma resolução do tal conselho (íntegra aqui) que cria óbices à atuação de psicólogos na relação com pacientes gays. Traz uma porção de “considerandos”, com os quais concordo, e depois as resoluções propriamente. Listo os ditos-cujos:

CONSIDERANDO que o psicólogo é um profissional da saúde;

CONSIDERANDO que na prática profissional, independentemente da área em que esteja atuando, o psicólogo é frequentemente interpelado por questões ligadas à sexualidade;

CONSIDERANDO que a forma como cada um vive sua sexualidade faz parte da identidade do sujeito, a qual deve ser compreendida na sua totalidade;

CONSIDERANDO que a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão;

CONSIDERANDO que há, na sociedade, uma inquietação em torno de práticas sexuais desviantes da norma estabelecida sócio-culturalmente;
CONSIDERANDO que a Psicologia pode e deve contribuir com seu conhecimento para o esclarecimento sobre as questões da sexualidade, permitindo a superação de preconceitos e discriminações;


Retomo
Aí vêm as resoluções. Há coisa corretas também ali, a saber:
“Art. 3° – os psicólogos não exercerão qualquer ação que favoreça a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas nem adotarão ação coercitiva tendente a orientar homossexuais para tratamentos não solicitados.”

Ora, isso é só bom senso. Quem poderá defender que alguém, no gozo pleno de suas faculdades mentais, possa ser submetido a um tratamento contra a sua vontade? Convenham: isso nem é matéria para um conselho profissional.

Mas me parece evidente que a resolução avança o sinal e joga no lixo o Artigo 5º da Constituição quando determina, por exemplo, o que segue:

Parágrafo único – Os psicólogos não colaborarão com eventos e serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades.

Art. 4° – Os psicólogos não se pronunciarão, nem participarão de pronunciamentos públicos, nos meios de comunicação de massa, de modo a reforçar os preconceitos sociais existentes em relação aos homossexuais como portadores de qualquer desordem psíquica.


Qual é o principal problema desses óbices? Cria-se um “padrão” não-definido na relação entre o psicólogo e a homossexualidade. Esses dois trechos são tão estupidamente subjetivos que se torna possível enquadrar um profissional — e puni-lo — com base no simples achismo, na mera opinião de um eventual adversário. Abrem-se as portas para a caça às bruxas. Digam-me cá: um psicólogo que resolvesse, sei lá, recomendar a abstinência sexual a um compulsivo (homo ou hétero) como forma de livrá-lo da infelicidade — já que as compulsões, segundo sei, tornam infelizes as pessoas —, poderia ou não ser enquadrado nesse texto? Um adversário intelectual não poderia acusá-lo de estar propondo “a cura”? Podemos ir mais longe: não se conhecem — ou o Conselho Federal já descobriu e não contou pra ninguém? — as causas da homossexualidade. Se um profissional chega a uma determinada terapia que homossexuais, voluntariamente, queiram experimentar, será o conselho a impedir? Com base em que evidência científica? Há uma diferença entre “verdade” e “consenso da maioria influente”. Ademais, parece-me evidente que proibir um profissional de emitir uma opinião valorativa constitui uma óbvia infração constitucional. Questões ligadas a comportamento não são um teorema de Pitágoras. Quem é que tem o “a²= b²+c²” da homossexualidade? A resolução é obviamente autoritária e própria de um tempo em que se impõe a censura em nome do bem.

Ora, imaginem se um conselho de “físicos” ousaria impedir os cientistas de tentar contestar a relatividade. O que vai ali não é postura científica, mas ideologia. Se conceitos com sólida reputação de verdade, testados empiricamente, podem ser submetidos a um teste de estresse intelectual, por que não considerações que dizem respeito a valores humanos? Tenham paciência! O fato de eu não endossar determinadas hipóteses ou especulações não me dá o direito de proibir quem queira fazê-lo.

Fiz uma pesquisa antes de escrever esse texto. Não encontrei evidências de resolução parecida em nenhum lugar do mundo. O governo da Califórnia, nos EUA, proibiu a terapia forçada de “cura” da homossexualidade em adolescentes. É coisa muito diferente do que fez o conselho no Brasil. Países que prezam a liberdade de expressão e que não querem usar o discurso da liberdade para solapar a própria liberdade não se dão a desfrutes dessa natureza.

Baixaria
Então vamos lá. Eu não estou defendendo terapias de cura da homossexualidade. Eu não acredito que haja cura para o que não vejo como doença. Também não acho que estamos nos universo das escolhas. Dito isso, parece-me uma suma arrogância que um conselho profissional interfira nessa medida na atividade clínica dos profissionais e, atenção!, dos pacientes também! Assim, no mérito, não vejo nada de despropositado na proposta do deputado João Campos.

Atenção, no entanto, para o mais relevante nessa história toda. Tenham as pessoas a opinião que tiverem, é preciso que haja respeito no debate. Fez-se uma audiência pública nesta quarta para debater a Proposta de Decreto Legislativo. O sentido de um evento assim é confrontar opiniões, é permitir que as várias vozes da sociedade se manifestem. Não para os grupos militantes, especialmente os gays. Vejam esta foto.



Um dos convidados a falar foi o pastor Silas Malafaia, que também é psicólogo — já tentaram cassar seu registro profissional. Concorde-se ou não com ele (e, como ele sabe, nesse particular, eu não concordo), tem o direito de dizer o que pensa. ATÉ PORQUE OS QUE DELE DISCORDAM PODERÃO COMBATÊ-LO NO TERRENO DO ARGUMENTO. Ah, mas isso está fora da perspectiva militante!!! O nome do pastor foi associado à suástica nazista; cartazes de puro deboche e achincalhe eram exibidos enquanto ele emitia os seus pontos de vista; ele mal conseguia articular palavra sem que a tropa de choque do sindicalismo gay o interrompesse com vaias e apupos. Lá estava o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), a comandar o espetáculo.

Wyllys pode e deve ter a opinião que bem entender. Foi eleito com os votos do deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), mas hoje, certamente, ganhou voo próprio em razão de sua militância aguerrida. Custa a esse parlamentar, que fala em nome da tolerância, inspirar a tolerância naqueles que o seguem, para que ouçam com respeito os que divergem? Se é inaceitável, e é, que um gay seja alvo de discriminação, objeto de deboche, por que estimular comportamento semelhante contra aqueles que consideram seus adversários? Levantaram-se cartazes com palavras que este blog, que não chega a ser pudico, não se sente à vontade para publicar aludindo a, como direi?, pontos terminais ou focais da anatomia humana.

Eis aí. Essa é a intolerância dos tolerantes. Nesta manhã, escrevi um post sobre um vídeo que, sob o pretexto de combater o racismo e defender as cotas, prega claramente o ódio racial, o confronto de classes e a vingança. Essa gente toda nem se dá conta de uma contradição essencial em sua prática — ou até se dá e acredita estar no caminho certo: a legalidade, hoje, abriga o direito à expressão tanto de Malafaia como de Jean Wyllys — ao menos do ambiente público. No mundo que eles querem, parece que seria Jean Wyllys a dizer quem pode e quem não pode ter direito à palavra, a exemplo do que se viu ontem. Quem é mesmo o autoritário nessa história?

A humanidade viveu períodos em que os antes considerados “oprimidos” venceram e conseguiram eliminar seus inimigos. O comunismo foi isso. O fascismo foi isso. Sem os “adversários”, aconteceu o óbvio: eles começaram a se matar uns aos outros. É um erro achar que os intolerantes não o seriam se não houvesse adversários. Sem seus antípodas naturais, eles se voltam contra os próprios aliados. Reparem como, sem oposição, já há petistas tentando engolir petitas…

Não, eu não acredito na “cura” de homossexuais.

Não, eu não acho que a homossexualidade seja uma doença.

Sim, eu acredito na cura da intolerância.

Sim, eu acho que a intolerância é uma doença moral e ética.Por Reinaldo Azevedo

Tags: intolerância, psicologia, CFP, homossexualismo, ditadura petista, governo do PT, aparelhamento dos Conselhos Profissionais, ateísmo, família, religião, Comissão de Seguridade Social

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

ESCÂNDALO DOS PARECERES - POR QUE A LÓGICA E O BOM SENSO IMPÕEM QUE LUÍS INÁCIO ADAMS SE DEMITA OU SEJA DEMITIDO.

Por que a lógica e o bom senso impõem que Luís Inácio Adams se demita ou seja demitido
Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

A situação de Luis Inácio Adams, Advogado Geral da União, é, a meu ver, insustentável, por mais que se tente dourar a pílula. Abaixo, há trecho de Uma reportagem da Folha informando que um grupo de sindicalistas pediu nesta quinta a sua demissão. Leiam o que segue. Volto em seguida.

Servidores da AGU (Advocacia Geral da União) fizeram nesta quinta-feira (29) manifestação em frente ao órgão, em Brasília, quando pediram o afastamento do ministro Luís Inácio Adams do cargo para que seja apurado se ele tinha conhecimento da participação de José Weber, até sábado seu braço direito no órgão, em suposto esquema de corrupção. Weber participaria de quadrilha que comprava pareceres públicos atendendo a interesses privados, segundo investigação da Operação Porto Seguro da Polícia Federal.

“O escândalo demonstra o equívoco da gestão dele na AGU. A concepção dele é de uma advocacia de governo e não da defesa da União”, afirmou Allan Titonelli, presidente do Sinprofaz (Sindicato Nacional dos Procuradores da Fazenda Nacional). O ministro convocou a imprensa para uma coletiva na tarde de hoje, quando deve comentar o assunto. As pessoas próximas a ele têm afirmado que Adams desconhecia os fatos.

“Não podemos ser levianos, mas os fatos devem ser apurados. Se for necessário, o ministro deve ser afastado para que haja uma investigação isenta”, afirmou Simone Fagá, diretora da Unafe (União dos Advogados Públicos Federais do Brasil).
(…)

Voltei
Não se tem, até agora, evidência nenhuma de que o próprio Adams participasse da quadrilha ora descoberta ou de outra qualquer. Assim, na esfera criminal, nada há de conhecido contra ele. Mas a sua permanência na AGU, não tem jeito, seria politicamente insustentável numa democracia convencional. E o Brasil precisa começar a ser uma democracia convencional.

José Weber, flagrado no esquema investigado pela Polícia Federal, não era um qualquer na AGU, não! Tratava-se do “número dois” do órgão. Todo mundo sabe que o “dois”, no que concerne ao dia a dia de um ente público, é o “um”; é quem realmente toma as decisões. O chefe se dedica às questões de natureza política, à orientação geral, aos debates conceituais, e a rotina administrativa, onde o diabo costuma se esconder, fica para o braço-direito.

O que é um tanto espantoso nessa história é que Weber não era alguém em cuja ficha se devesse apostar cegamente. A Controladoria Geral da União já havia aberto procedimento para apurar o que considerava uma incompatibilidade entre seus rendimentos e seus bens quando era procurador do INSS.

Informou ontem reportagem de O Globo:
“Entre as denúncias que passaram a ser apuradas pela CGU e que resultaram na abertura de procedimentos administrativos disciplinares, há relatos de irregularidades cometidas de 1998 em diante. Naquele ano, Weber era procurador-geral do INSS. A estratégia do procurador para barrar as investigações pela CGU foi recorrer à Justiça. Em pelo menos duas ocasiões, ele obteve da Justiça Federal em Brasília mandados de segurança que determinam a suspensão dos procedimentos administrativos. O Executivo investiga Weber por supostas irregularidades em dois contratos do INSS com a Fundação Universidade de Brasília (FUB), firmados em 1998 por dispensa de licitação. Seis procedimentos administrativos foram instaurados no âmbito da CGU para investigar a participação de Weber no episódio, o último em 2009.”

Passou por cima
Adams passou por cima desses óbices e, contra a orientação da Casa Civil, escolheu Weber para ser o número dois da AGU. Isso é que é confiança pessoal, não é mesmo? A melhor coisa que o advogado geral tem a fazer é pedir para sair. Se não o fizer, a presidente Dilma está moralmente obrigada a, no mínimo, afastá-lo enquanto durar a investigação. Contra a ficha que Weber já tinha na Controladoria, Adams decidiu bancá-lo. Se decidiu, empenhou seu nome na honestidade do outro. Se as evidências são no sentido contrário, o fiador tem de arcar com o custo.

E o fiador é Luís Inácio Adams.

Tags: AGU, Luís Inácio Adams, Servidor do TCU, escândalo dos pareceres, Irmãos Vieira, governo do PT

E chegou o dia em que nem Lewandowski teve a coragem de seguir… Lewandowski! O dia dos absurdos!

Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

Ricardo Lewandowski tentou dar hoje o seu melhor à causa. E provou que pode ser, deixem-me ver como escreverei, esperto. Muito esperto! Vamos ver se consigo sintetizar a quem não viu os passos do espetáculo sórdido a que se assistiu nesta quarta-feira. O lead, a pegada, é a seguinte: tentou-se transformar a condenação do deputado João Paulo Cunha (PT-SP) por lavagem de dinheiro — que se deu por seis a cinco — numa absolvição. Se a manobra tivesse sido bem-sucedida, o petista teria se livrado do regime fechado, já que as duas outras condenações — corrupção passiva (três anos) e peculato (três anos e quatro meses) — somavam seis anos e quatro meses. Confirmada, ao fim da chicana, a condenação também por lavagem, sua pena total é de nove anos e quatro meses — e isso quer dizer que ele terá de começar a cumpri-la em regime fechado. Sim, sim, ainda há os embargos e coisa e tal, e, antes do fim do julgamento, ministros podem mudar de ideia. Mas vamos às cenas grotescas desta quarta, não sem antes recuperar uma informação, que vem lá do passado.

Em julgamento pregresso, que nada tem a ver com o do mensalão, a maioria dos ministros decidiu que só participam da dosimetria de um condenado os que votaram pela condenação. Entendeu-se que aqueles que absolveram eram favoráveis a pena nenhuma; logo, não faria sentido arbitrarem uma punição se achavam que ela era descabida. Quando isso foi decidido — reitero: em passado remoto —, dois ministros divergiram: Gilmar Mendes e Dias Toffoli. Mendes lembrou, então, que um julgamento criminal pode ser feito com maioria simples de ministros — bastam seis. Há a chance de se condenar alguém por 4 a 2. Assim, quatro podem fazer a dosimetria, e não há nada de antirregimental nisso. O ministro objetava, então, que seria desejável uma decisão com mais representantes da corte. Foi voto vencido, e vencido ficou. Causa finita est.

Agora João Paulo
O que se deu hoje com João Paulo? Seis ministros o condenaram por lavagem de dinheiro — Joaquim Barbosa, Luiz Fux, Carmen Lúcia, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Ayres Britto. Cinco o absolveram desse crime: Lewandowski, Rosa Weber, Dias Toffoli, Cesar Peluso e Marco Aurélio. Ora, a exemplo do que se fez em outros casos, os que condenaram decidem a dosimetria, certo?

A falsa questão de Toron – O truque nº 1
Ayres Britto cometeu uma falha que me parece importante: condenou João Paulo, mas saiu sem deixar a sua dosimetria — poderia ter seguido o exemplo de Peluso e deixado redigido o seu voto. Assim, sobraram cinco ministros para arbitrar a pena. Eis, então, que o advogado de João Paulo, Alberto Toron — candidato à presidência da OAB-SP (se eu fosse advogado, não votaria nele de jeito nenhum, e ainda preciso dizer em outro texto por quê) —, levanta uma questão de ordem falsa como nota de R$ 3. Uma suposta minoria de cinco ministros estaria impedida de fazer a dosimetria. Mais: o placar seria agora de cinco a cinco.

Por que a questão é falsa?

Como lembrou o ministro Gilmar Mendes, o quórum para um julgamento criminal é de SEIS MINISTROS. Atenção! ASSIM É PARA O JULGAMENTO, PARA O MÉRITO!!! Há uma questão de lógica elementar aí: se bastam seis para condenar ou absolver, é evidente que dosimetria (já que quem absolve não decide) pode ser definida por cinco e até por quatro ministros, certo? O quórum de seis ministros é para o funcionamento do tribunal em certas matérias, não para decidir a pena.

Reitero: isso já tinha sido decidido em passado distante, em outro julgamento. E sabem o nome de um defensor entusiasmado da tese de que quem absolveu não vota? Acertou quem chutou “Ricardo Lewandowski”. A falsa tese de Toron vinha atrelada a uma outra proposta duplamente esdrúxula: o tribunal deveria aguardar a chegada de Teori Zavascki, que toma posse amanhã, para que ele, então, ajudasse a decidir.
Absurdo 1 – Se, nas outras rodadas da dosimetria, os que absolveram não votaram, por que dar a Zavascki o direito de votar se ele nem participou do julgamento?
Absurdo 2 – Zavascki arbitraria uma pena em lugar de Ayres Britto? Toron tentou inventar nesta quarta o “voto herdado” ou, sei lá, a transferência de votos intervivos…
Absurdo 3 – Nesse próprio julgamento, cinco ministros já haviam arbitrado a pena de dois outros réus. E que se destaque: também na dita Ação Penal 470, ficou claro, mais uma vez, que só decidem a dosimetria os que condenaram.

Regimento dá a decisão a Barbosa – O truque nº 2
O presidente do tribunal, ministro Joaquim Barbosa, indeferiu a questão de ordem de Toron. E fez muito bem, ora essa! O tribunal já havia se manifestado sobre ela em outras ocasiões. O Inciso VII do Artigo 13 do Regimento Interno lhe confere o poder de decidir monocraticamente se acata ou não uma questão de ordem. Ele só a submete ao plenário se quiser. E quem é que se levanta, afirmando que o presidente era obrigado a submeter a questão de ordem ao pleno do tribunal, inclusive aos ministros que haviam absolvido João Paulo? Sim, queridos! Ricardo Lewandowski — que já se tornou uma legenda nesse julgamento. Veio em seu socorro (acredito que pelo simples prazer de divergir, especialmente quando não tem razão) o ministro Marco Aurélio Mello, que defendeu enfaticamente, e até o fim, que, para ele, havia uma situação de empate — cinco a cinco — e que, pois, dever-se-ia arbitrar em favor do réu.

Questão de ordem proposta por um ministro – O truque nº 3
Joaquim Barbosa estrilou. E com razão! Estava-se diante de um estupendo absurdo. Lewandowski e Marco Aurélio forçavam a mão para que uma condenação se transformasse numa absolvição. Este segundo ministro já fazia digressões sobre o mérito mesmo. O outro dizia ser antirregimental que o presidente se recusasse a fazer a questão passar pelo plenário. O presidente da Casa (e relator) alertava para um risco óbvio: a nulificação da condenação, ora!

Lewandowski torcia o regimento e insistia que a questão de ordem tinha de ser apreciada pelo colegiado. Era mentira! Coube a Celso de Mello sugerir aos dois ministros inconformados que apelassem, então, a outro Artigo do Regimento: o 7º, no seu Inciso IV, que estabelece que compete ao plenário “resolver as dúvidas que forem submetidas pelo Presidente ou pelos ministros sobre a ordem do serviço ou a interpretação e a execução do Regimento”. Celso sugeriu que os dois ministros fossem os autores da questão de ordem. Generoso que é, Lewandowski fez questão de que Marco Aurélio virasse o pai da criança, como “homenagem”… Mui amigo!

Barbosa submeteu, então, a questão ao plenário, não sem antes tomar o voto dos ministros que haviam condenado João Paulo por peculato: três anos! Pegou a pena mínima, sem agravante nenhum.
Atenção – Como o relator aplicou a pena mínima — três anos — e como Britto havia condenado o deputado petista, é evidente que ele aplicaria, então, quando menos, essa pena, certo?

Lewandowski discorda de Lewandowski e deixa Marco Aurélio pendurado na brocha – O truque nº 4
Atenção, atenção, gente boa! Já que todos iriam votar, qual era a aposta? Que os cinco que absolveram, ali presentes, decidissem que a questão era procedente, sim. Dando um cinco a cinco, evocar-se-ia o princípio do “empate pró-réu”. Ocorre, e esta é a situação escandalosa, que não havia empate nenhum! João Paulo já havia sido condenado no mérito.

Mas aí se deu a coisa sensacional. Uma das que absolveram o deputado petista do crime de lavagem é Rosa Weber. E foi justamente ela a primeira a votar sobre a procedência ou não da questão levantada por Lewandowski, mas “comprada” por Marco Aurélio. E a ministra preferiu, felizmente, o caminho da dignidade: ela reconhecia, sim, o direito que tinham os cinco que condenaram de decidir a pena de João Paulo, embora ela mesma o tivesse absolvido. Pronto! A fatura estava liquidada: contra o deputado petista e a favor da moralidade. Os cinco que haviam condenado, por certo, continuariam a defender a sua prerrogativa de “dosimetrar” (como diria Ayres Britto). Com o voto de Rosa, formava-se a maioria de seis.

Na sequência, falou Luís Fux, que, obviamente, rechaçou a chicana. Aí chegou a vez de Dias Toffoli. Já sabendo que, no mínimo, far-se-ia uma maioria de seis a três, não teve dúvida: votou com o relator. Pronto: a coisa caminhava para um sete a dois quando chegou a vez de Lewandowski. E o que fez este leão, este gigante, este Colosso de Rhodes da coerência? Sem nem mesmo poder contar com Toffoli — que chegou a dar um bom exemplo contra a tese do companheiro (já falo a respeito) —, o revisor não hesitou: pulou fora da própria tese e largou Marco Aurélio a falar sozinho. Assim, por oito votos a um, o plenário decidiu de novo — e pela enésima vez — que faz a dosimetria quem condena. Tendo havido a condenação com um quórum de seis votantes, o resto é besteira.

O próprio Toffoli, quem diria?, lembrou uma questão pertinente — não sem antes tentar adiar a decisão para outro dia: digamos que alguém seja condenado por seis a cinco por um crime qualquer e que um dos ministros que condenaram venha a morrer antes da dosimetria. A condenação viraria absolvição, então, com base da tese de Marco Aurélio? Cuidado, ministro! A ser assim, juiz da corte suprema ainda acaba virando alvo, não é mesmo? Felizmente, Britto está vivinho da Silva. Só não fez a dosimetria, o que foi um erro considerável.

Chanchada
A chanchada, como a gente vê, tomou conta do tribunal por algum tempo. Toron tentou inventar um artigo no Regimento do Supremo que não está lá. Foi secundado por Lewandowski, que ensaiou inventar outro, destituindo o presidente de suas funções. Marco Aurélio resolveu exercer a sua famosa paixão pela divergência (e existe uma diferença entre a divergir por convicção e divertir por princípio), e, não fosse o bom senso de Rosa Weber (que desestimulou Dias Toffoli e o próprio Lewandowski), correr-se-ia o risco de ter uma condenação sem pena.

E não é que foi o próprio Lewandowski a classificar, repetindo Gilmar Mendes, essa possibilidade de uma “aporia”? Pois é… É quem foi o porta-voz da irracionalidade? Lewandowski!

Encerro lamentando o comportamento do ministro Marco Aurélio. Eu o considero, e não sou o único, um homem muito inteligente. Muito mesmo! Mas ele tem algo perigosamente maior do que a inteligência: a vaidade.
Texto publicado às 23h04 desta quarta

Tags: Mensalão, Ricardo Lewandowski, João Paulo Cunho, Rosa Weber, governo do PT, STF

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Ah, meu Deus! Mais uma conspiração contra o Zé!!! Homem que delatou esquema de corrupção diz ter recebido suborno para atender a pedido de Dirceu

Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

É claro que José Dirceu não tem nada com isso. É claro que tudo não deve passar de uma tramoia das – como é mesmo, Rui Falcão? – “elites sujas e reacionárias”; é claro que devemos estar diante de mais um “golpe da mídia” contra patriotas como o próprio Dirceu, o Apedeuta, Paulo Vieira e até Rosemary Nóvoa Noronha, a “mulher de Lula” no escritório da Presidência da República em São Paulo. O fato, no entanto, é que Cyonil Borges, o que homem que primeiro delatou a mais nova sujeira conhecida da República, diz ter recebido grana para atender a interesses de José Dirceu.

O intermediário, segundo ele, foi Paulo Vieira, diretor de Hidrologia da Agência Nacional de Águas (ANA). Pois é… O PT nem teve tempo ainda de deflagrar a sua campanha suja contra o STF, e eis que já surge um novo escândalo. E lá está o Zé no meio, o “consultor de empresas privadas”. Quando a PF chegou, Rose não teve dúvida: ligou para aquele que tinha sido seu chefe por 12 anos… Ô Zé! Assim as coisas ficam difíceis!

Quem pode estar profissionalmente satisfeito é José Luís de Oliveira Lima, o “Juca”, advogado de José Dirceu – ainda que, pessoalmente, possa estar com o coração partido. Uma coisa é certa: Dirceu não permite que a vida de “Juca” seja aborrecida.

Leiam o texto que vai na VEJA Online.
*
O delator do esquema de corrupção desarticulado pela Operação Porto Seguro afirmou nesta terça-feira ter recebido oferta de suborno de 300 000 reais para beneficiar o ex-ministro José Dirceu. Em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, o auditor do Tribunal de Contas da União (TCU) Cyonil da Cunha Borges afirmou que o pedido de Dirceu foi feito por intermédio de Paulo Vieira, diretor de Hidrologia da Agência Nacional de Águas (ANA). Vieira, que está preso, é apontado pela Polícia Federal como chefe da quadrilha que se infiltrou em órgãos públicos federais para obter pareceres técnicos fraudulentos, em nome de interesses privados.

Cyonil disse ter conhecido Vieira em 2002 e se tornado próximo dele em 2008, quando foi convidado a fazer uma palestra na Advocacia-Geral da União (AGU) sobre portos, sua área de especialização. Em 2010, Vieira convidou Cyonil a participar da festa de aniversário de José Dirceu. O auditor declinou o convite. Segundo Cyonil, o ex-ministro tinha interesse em um processo no TCU sobre a empresa Tecondi, no Porto de Santos (SP).

O auditor diz ter recebido, durante um almoço, uma oferta de propina de Vieira, em uma folha de papel. “Ele escreveu que o processo era de interesse de José Dirceu, escreveu 300 000 reais e passou para mim”, disse Cyonil. “Uma hora, ele dizia que o dinheiro vinha da empresa, em outra, que era interesse de José Dirceu e que o dinheiro vinha dele.”

Cyonil confirmou ter recebido dois pacotes de Vieira, com 50 000 reais cada. O montante, no entanto, foi posteriormente entregue à Polícia Federal, quando o auditor resolveu fazer a denúncia. O delator chegou a enviar e-mails a Vieira pedindo mais dinheiro, segundo Cyonil, uma tática para obter provas da corrupção a serem entregues para a PF. “Eu não tinha provas, eu não tinha nada. Se eu, naquele momento, levasse o caso à PF, seria a palavra de um servidor contra a do diretor de uma agência reguladora.”

Entenda o escândalo
Na sexta-feira da semana passada, a Polícia Federal deflagrou em São Paulo e em Brasília a Operação Porto Seguro. A ação desarticulou uma quadrilha que se infiltrou em órgãos federais para a obter pareceres técnicos fraudulentos, em nome de interesses privados.

O grupo era comandado pelos irmãos Paulo e Rubens Vieira, instalados em cargos de direção de agências reguladoras, e pela chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Nóvoa de Noronha – mulher de confiança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Seis pessoas foram presas e dezenove, indiciadas pelos crimes de formação de quadrilha, tráfico de influência, violação de sigilo funcional, falsidade ideológica, falsificação de documento particular e corrupção ativa e passiva. A investigação partiu de denúncia feita por Cyonil da Cunha Borges.
Texto publicado originalmente à 1h13

Tags: corrupção, Governo Dilma, José Dirceu, Cyonil da Cunha Borges, Paulo e Rubens Vieira, governo do PT, fascismo petista

terça-feira, 27 de novembro de 2012

A FÁBULA DO PARTIDO QUE CRIOU A "CARTEIRINHA CORRUPÇÃO" NUM PAÍS CHAMADO BANÂNIA

A fábula do partido que criou a “Carteirinha Corrupção” num país chamado Banânia. Querem ler um texto estranho? Então lá vai!
Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

Os meus leitores sabem do apreço que tenho por Robert Musil e por “O Homem Sem Qualidades”. Os eventos — ou não-eventos — que ele narra se passam num país chamado Kakânia.

Kakânia é um lugar imaginário, em que a corrupção, quando há, se dá na esfera das vontades; as covardias, nunca grandes demais, se revelam na área do intelecto; a decadência, inexorável, é a da inteligência. As pusilanimidades são quase existenciais, traduzidas por suspiros, nunca por estrondos (esse contraste já é um clichê, mas não resisti).

Falta a Kakânia a exuberância tropical. Não socorrem aquele país os pistoleiros do sangue quente que estão abaixo da linha do Equador, onde só há perdão, nunca pecado. Kakânia não conhece as graças bonachonas e incivilizadas do “homem cordial”. Kakânia não tem nem mesmo o hábito de punir os santos, como se faz, dizem, em certo país ignoto, de que falarei. E é punição preventiva, com características de chantagem e tortura! Põe-se, por exemplo, a imagem do santinho de ponta-cabeça, às vezes mergulhado num copo d’água. Se ele quiser sair daquela situação difícil, que trate de realizar o desejo do esperançoso e doce torturador. É a forma que a crença tomou, dizem, em tal terra estranha.

Chamemos aquelas paragens exuberantes, em homenagem a Musil, de Banânia. Pronto! Em Banânia, os amores e os ódios estão sempre à flor da pele. Banânia não tem ascetas e monges para inspirar uma filosofia da contemplação e da medida; para exaltar as ideias “magras e severas”. Em Banânia, os que pensam a economia do espírito são os sátiros e os beberrões. O direito do outro e o direito dos outros são vistos como censura à liberdade individual e incapacidade para o gozo. Qualquer um, em Banânia, pode ser ruim da cabeça; a única coisa indesculpável é ser doente do pé. Os bananienses são, à sua maneira, fatalistas e acham que não há homem na Terra que resista a certas paixões, como caipirinha (bebida local) e bundalelê (bundalelê local).

A carteirinha
Este país singular, conta-me um nativo, deu à luz uma nova forma de gestão do Estado que é a “Carteirinha Corrupção”. É isto mesmo. Ela é fornecida por um partido político para evitar que os amorosos achacadores, olê, olê, olê, olá, exagerem na cobrança de propina. Eu explico.

Deu-se em Banânia algo realmente notável. Empresas das mais diversas áreas, prestadoras de serviço ou fornecedoras, têm duas tabelas: uma para seus parceiros da própria iniciativa privada e outra para o governo. O Poder Público, em Banânia, costuma contratar serviços por um preço que pode corresponder a cinco vezes o valor de mercado. É que vai embutida, entre outras delicadezas da civilização da cordialidade, a propina que tem de ser paga ao partido (em Banânia, quem dá as cartas é o PTT), ao chefe da área, ao chefão do chefão…

Conta-me um nativo de Banânia que, num desses acertos de conta mensais, o representante do “Sistema” afirmou que o valor que estava na maleta já não era mais suficiente; doravante, teria de ser o dobro. O pagador se espantou e resolveu subir a escala hierárquica para reclamar: “Como pode? Assim o negócio fica inviável!”.

Recebeu, então, uma “carteirinha” — a “Carteirinha Propina”. Foi informado de que o documento o protegia de achacadores fora do controle, entenderam? Aquele documento deixaria claro que ele já era um “colaborador” e que nada de extra lhe poderia ser, então, exigido.

Banânia, vejam vocês, é, então, este país encantador, notório por sua aversão à institucionalização de procedimentos; conhecido por sua hostilidade a um estado impessoal, que fosse gerido por um burocracia regular, estatutária, avessa a arranjos e jeitinhos. Ao contrário: esse país gosta da informalidade e considera que a rigidez legal é coisa de povos tristes, que ainda não se deixaram amolecer pelos trópicos. E é justamente essa Banânia a ter esses caprichos, não é?, que resultam na formalização da corrupção e da propina. É, assim, como se fosse um passe-livre fornecido por um comando militar em tempos de guerra, que dá ao portador o direito de ir e vir sem ser importunado pela soldadesca de mais baixa estirpe.

Isso acontece em Banânia, conta-me o nativo da terra. Ele me disse que o tal PTT sempre considerou que faltava à economia de mercado a devida dimensão ética, que consiste, ele entende agora, não na criação de uma ética do mercado, mas de um mercado da ética.

Eu fiquei espantadíssimo com os sucessos de Banânia. E mais espantado fiquei quando ele me contou que se descobriu que uma quadrilha operava no coração do próprio governo. “Mas a imprensa no seu país, ao menos, é livre, né?”, indaguei. Ele me disse que sim. “Que bom! Ao menos isso!” Mas aí ele emendou: “É livre, sim! E boa parte dela está aplaudindo o governo que nomeou a quadrilha por sua suposta coragem de demiti-la”.

Olhei com tristeza e até com compaixão meu amigo de Banânia!
Texto publicado originalmente às 3h27

Tags: Banânia, carteirinha-corrupção, corrupção, governo do PT, ditadura petista, fascismo, estado intervencionista, socialismo

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

O TAMANHO DO ESTADO É CAUSA DO MAIOR NÚMERO DE CASOS DE CORRUPÇÃO. O MAIS NOVO ESCÂNDALO NA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, DESCOBERTO POR DENÚNCIA DE SERVIDOR DO TCU, TAMBÉM É CONSEQUÊNCIA DO TAMANHO DO ESTADO.

Mais novo escândalo demonstra a falácia do financiamento público de campanha. O problema é definitivamente outro: o tamanho do estado!
Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

Carmen Lúcia, ministra do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, veio a público para demonstrar seu inconformismo com as doações feitas por empresas às campanhas eleitorais. Pois é… Leio essa sua fala, somo-a à campanha que o PT vem fazendo em defesa do financiamento público e submeto o conjunto da obra à luz do mais novo escândalo da República, este que flagra uma quadrilha operando no coração do poder: escritório da Presidência da República, Advocacia Geral da União e Agências Reguladoras. “Não entendi nada, Reinaldo!” Eu explico.

O que esse escândalo de agora tem a ver com eleições ou financiamento de campanhas eleitorais? Nada! Trata-se apenas de uma prática muito antiga (ver texto na home) que consiste em tratar o que é público como se fosse assunto privado. A rigor, outra coisa não era o mensalão, ainda que se tente sustentar a farsa de que tudo não passava de mero caixa dois de campanha. Não! O roubo do dinheiro do Banco do Brasil, que rendeu condenações por peculato, não era, por definição, caixa dois de campanha, certo? Os sobrepreços de obras públicas, as licitações dirigidas, as não-licitações (uma modalidade criada pelo governo petista), nada disso está relacionado ao financiamento do processo eleitoral em si.

Sustentar que a mãe de todos os males é a financiamento privado de eleição é uma falácia. Trata-se de hipótese que, carente de comprovação, resta como mera especulação. Pior do que isso: há evidências várias — e agora estamos diante de mais uma — de que as lambanças se dão fora do processo eleitoral. É certo, e as investigações apontaram isso, que a Delta, por exemplo, financiou campanhas eleitorais. Mas aquele laranjal que criou e as lambanças de que participou se circunscrevem ao processo eleitoral? A resposta, como diria Marco Aurélio Mello, é “desenganadamente negativa”.

A mim me parece irrelevante que empresas ou indivíduos façam suas doações. Não vejo grande diferença entre uma coisa e outra. Fazer carga, como fez a ministra — e seus argumentos me parecem fracos —, contra a doação de empresas só concorre para a tese do financiamento público, que é hoje uma das bandeiras do petismo — e, aí sim, ministra, estaremos em péssimos lençóis.

Ora, apelo à própria experiência de Carmen Lúcia e à lógica: no posto em que está, é observadora privilegiada do processo eleitoral. Se, com as doações privadas permitidas, inclusive as de empresas, o caixa dois já é uma constante, imaginem o que aconteceria se elas forem proibidas. Desdobramento óbvio e lógico: aumentará a circulação de dinheiro ilegal nas campanhas.

Ficha Limpa
Eu não sou entusiasta da Lei da Ficha Limpa. Nada tenho contra o fundamento, mas entendo que não é possível cassar os direitos políticos de alguém antes da sentença transitada em julgado. O texto traz ainda alguns absurdos: permite que um conselho profissional casse direitos políticos — é uma aberração! Mas não quero me ater agora a minudências, não. Noto que a lei, ainda que venha a ser escoimada de arestas indesejáveis, não impediria que uma quadrilha se instalasse na Presidência da República e adjacências. “Ah, mas aumenta a moralidade…” Pode impedir uns dois ou três larápios, mas não o bastante para mudar o estado das coisas.

Não é com desvario legiferante que se resolvem certas coisas, não! A sociedade brasileira precisa é de um outro movimento. A nossa desgraça — e é desgraça mesmo, com ares de sentença condenatória — se chama “tamanho do estado”. Ninguém mais fala disso? Dane-se! Eu falo! Enquanto o governo for o maior empresário do país; enquanto o governo for o maior empregador do país; enquanto os governos (agora no plural) dispuserem de milhares de cargos de confiança e de livre provimento, não haverá legislação eleitoral severa o bastante para coibir a sem-vergonhice; não haverá Lei da Ficha Limpa que chegue para impedir a chegada da canalha ao Poder.

Eu sei que não é um troço que se resolve do dia pra noite. Eu sei que não se mudam essas coisas num estalar de dedos. Eu sei que há três eleições, caminhando para a quarta, vence nas urnas justamente um discurso político que prega o contrário: um estado ainda maior, com mais gente, com mais força, com mais poder. A própria imprensa, antes hostil a esse estado gigante, é cada vez mais servil aos atuais donos do poder. Setores importantes desistiram de forma miserável de fazer a crítica ao “Estado-Patrão”.

Ocorre que esse é, sim, o mal original. Que moralidade é possível quando só o governo federal dispõe de mais de 24 mil cargos de confiança? Em 2002, quando FHC deixou o poder, eram pouco mais de 18 mil — um número já estúpido, mas os companheiros acharam pouco. Somem-se a isso os postos que os partidos disputam nas estatais. Só para comparação: na Alemanha, são apenas 170 os cargos federais de confiança; no Reino Unido, 300. Nos EUA, 9 mil! Se Mitt Romney tivesse vencido Barack Obama, não haveria fatias do Partido Democrata implorando carguinhos ao republicano para apoiá-lo. A razão é simples: não há cargos para isso nem na administração direta nem nas estatais, que praticamente inexistem.

Um dia alguém terá a coragem de propor uma reforma nessa lambança? Qual é a chance de um discurso como esse prosperar? Eu não sei! Sei que é preciso tomar cuidado com as soluções simples e erradas para problemas difíceis. O financiamento público de campanha, com a qual acaba flertando, na prática, a ministra Carmen Lúcia, certamente não é solução para nada. Ao contrário: só agravará o problema. Aumentará a percentual de dinheiro ilegal nas campanhas, assaltará uma vez mais o bolso do contribuinte e manterá intocado o modelo que convida à corrupção.Por Reinaldo Azevedo

Tags: financiamento de campanha, servidor do TCU, ficha limpa, corrupção, reforma política, Carmen Lúcia, Estado Unidos

domingo, 25 de novembro de 2012

LEONARDO BOFF: ECOLOGIA E PANTEÍSMO. JOAQUIM BARBOSA E A PRESIDÊNCIA DO STF

Curtas: Ecologia e Panteísmo, EVP e consciência, aborto e condenação, União Européia e imagens de santos nas moedas, Joaquim Barbosa e a presidência do STF
Do site: Deus lo vult!Publicado por Jorge Ferraz (admin)

- Da Teologia da Libertação para o Ecoterrorismo panteísta: Boff clama pela salvação da “Mãe Terra” crucificada. «“Dentro dessa opção pelos pobres é preciso colocar o grande pobre que é a Mãe Terra, que é a Pachamama, a Magna Mater, a Tonantzin, a Gaia, é o grande pobre devastado e oprimido”, afirmou» o notório herege.

Esta outra fonte coloca as coisas em termos ainda mais ridículos quando cita outro “pensamento” do ex-frei (que, verdade seja dita, eu não encontrei de primeira mão):

Ainda segundo este visionário profeta da “religião” verde, a “Mãe Terra” estaria preparando um novo ser capaz de “receber o espírito”.

Esse “novo homem” – alias, assaz diferente dele – não seria outra coisa senão uma lula gigante.

De qualquer forma, eis os devaneios aos quais se é capaz de chegar quando se abandona a Fé em Cristo!

* * *

- Joaquim Barbosa, presidente do STF: editorial da Gazeta do Povo. «Está agora em suas mãos contribuir para a construção dessa almejada realidade. Mas, data venia, convém que não seja tomado, no exercício do cargo, pela mesma vaidade que por tantas vezes marcou sua atuação em plenário».

Como eu disse aqui há não muito tempo, não há juízes em Brasília. É bom que órgãos da imprensa secular estejam dando a sua contribuição para frear a (compreensível, mas injustificável e perigosa) presente euforia nacional com o STF.

* * *

Na minha pátria, brancos, mestiços, negros, amarelos, vermelhos, héteros, gays, católicos, evangélicos, ateus, corintianos, palmeirenses, adoradores de comida japonesa, detratores de comida japonesa e até admiradores do Bolero de Ravel não se ajoelham diante de partidos, de aiatolás de causas, de chefes de quarteirão do pensamento.

O racismo e os analfabetos morais sustentados por estatais! Até quando, presidente Dilma Rousseff? Ou: É a gramática, petralhas!!! Ou ainda: Este silêncio ensurdecedor que ouço é o dos movimentos negros?
Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

Ah, eu adoro uma boa briga. Quando a canalha se excita, eu fico ainda mais animado. Vamos lá.

O deputado João Paulo Cunha (PT-SP) organizou uma “plenária” para debater o julgamento do mensalão e esconjurar o Supremo Tribunal Federal. Uma das estrelas do evento foi José Dirceu, aquele que disse querer que se faça nas ruas “o julgamento do julgamento”, remetendo-nos, é inescapável, à China da Revolução Cultural, que julgava os juízes traidores, pondo-os de joelhos e submetendo-os a agressões e cusparadas — antes da execução, claro!, em nome do povo! No evento, referindo-se a Joaquim Barbosa, relator do processo e agora presidente do STF, afirmou João Paulo: “[Barbosa] Chegou [ao Supremo] porque era compromisso nosso, do PT e do Lula, de reparar um pedaço da injustiça histórica com os negros”.

O sentido das palavras do deputado é evidente. É também a gramática, não apenas o Reinaldo Azevedo, a qualificar moralmente o que ele disse.

João Paulo estabelece uma relação de subordinação causal — e, por isso, emprega a conjunção causal “porque” — entre a chegada de Barbosa ao Supremo e o “compromisso do PT”. Na sua fala, o tal compromisso do partido é a causa da ascensão de um negro — não outra qualquer, que guardasse relação com o caso em espécie: a competência do indicado, sua formação intelectual, sua independência etc. Alguns tenderiam a ver aí uma oração coordenada explicativa, coisa de que discordo (não vou me ater a isso agora). Uma coisa ou outra, no entanto, revelam a mesma baixeza política. Veja-se no “compromisso de Lula” a causa da ascensão do ministro ou se busque explicá-la por meio dele, e se estará operando a mesma vigarice: SUBTRAIR DO MINISTRO A SUA VONTADE, A SUA LIBERDADE E A SUA INDEPENDÊNCIA; FAZER DELE UM MERO ESBIRRO DE UMA CAUSA E DE UM PARTIDO. Posso ter restrições, e tenho, a certos rompantes de Barbosa, mas uma coisa é certa: ele frustrou a expectativa daqueles que o queriam, nas suas próprias palavras, um “negro servil, subserviente”.

Escrevi ontem um post sobre a fala de João Paulo que se espalhou rapidamente na rede, tornando-se um dos mais acessados e replicados dos últimos tempos. O título é este: “O PT rasga a fantasia: ‘Negro filho da mãe! Negro traidor! Negro que não carrega bandeira! Negro vira-casaca! Negro ingrato! Negro negro!’”. Basta ler o texto para constatar que não atribui tais palavras, na sua literalidade, ao PT ou a João Paulo. O post é escancaradamente interpretativo-opinativo, a exemplo da esmagadora maioria das coisas que escrevo. É o que os leitores vêm buscar aqui — e são muitos milhares (quase 106 mil visitas ontem, num sabadão, com dezenas de coisas mais atraentes para fazer do que ler o Reinaldão, hehe…). Os invejosos roam os cotovelos, ué!

Interpretei o sentido das palavras do deputado à luz da política, da gramática, da história e, como sabe todo jornalista que cobre a área, do que alguns petistas andam dizendo no “breu das tocas” (né, Chico? Uma amiga me proibiu de chamá-lo de Chico Jabuti. Tá bom… O que a gente não faz por amor!!!). O que vai acima são palavras brandas no cotejo com o que realmente se fala. O ódio é muito maior. E, por isso, reitero a minha recomendação para que Barbosa tome cuidado com as esquinas e seus solertes fazedores de dossiês.

Releiam a fala de João Paulo.

Então não há a sugestão de uma traição?
Então não há a sugestão de uma ingratidão?
Então não há a sugestão de uma incoerência?
E tudo isso, na boca do próprio deputado, não está diretamente vinculado à cor da pele do ministro?
O meu título — extraído, literalmente, do texto — vai ao âmago do que está em debate e denuncia uma sordidez política.

A canalha sustentada por estatais — até quando dura essa vergonha, presidente Dilma? —, que é Reinaldo-dependente (os meliantes são viciados em mim; eu os ignoro, mas eles me amam; querem audiência), resolveu ignorar o que ia no texto para me atribuir o que obviamente não escrevi: “Vejam! O Reinaldo afirmou que o PT disse essas coisas…”. Errado! Escrevo para pessoas que sabem ler!!! Escrevo para pessoas dispostas, inclusive, a ler textos longos. O Reinaldo sustentou, sim (E SUSTENTA DE NOVO!!!), que o que vai no título (e no artigo) compõe o sentido político, ideológico e moral da fala de João Paulo — que expressa, de resto, o pensamento de boa parte dos petistas. Para eles, negro bom é negro que sirva à causa; gay bom é gay que sirva à causa; pobre bom é pobre que sirva à causa… Ou o negro tem alma branca, o gay é uma bicha reacionária, e o pobre é um sem-consciência política…

Os vigaristas só ficaram tão nervosos e deram início a uma campanha de satanização do Reinaldo Azevedo na rede porque sabem que eu os peguei no pulo. Sabem que a fala de João Paulo tem um sentido, como direi?, insanável. Sabem que o deputado expropriou Barbosa de todas as suas qualidades para transformá-lo em mero objeto da generosidade de Lula. Sabem que o petista estava atrelando a “nomeação de um negro” a atos posteriores de gratidão, o que colocaria o ministro, não há escapatória, na vexatória posição de devedor do Apedeuta, cujas vontades deveria, então, satisfazer.

Os canalhas assalariados — com dinheiro público — resolveram correr em socorro a João Paulo. Ora, por que eles não tentam, então, dar um sentido virtuoso à fala do parlamentar petista? “Ele quis dizer que…” Pois é. O que, afinal de contas, ele quis dizer, senão cobrar de um negro a gratidão, lastimando, por consequência, a ingratidão? De fato, o próprio João Paulo não é um ariano. Segundo os critérios lassos do racialismo, poderiam até dizê-lo um “negro”. E daí? Negros, mesmo quando negros de fato, podem ser racistas. Assim como judeus — e tratei disso na conversa com os leitores de Porto Alegre, com o que concordaram judeus presentes — podem expressar conceitos antissemitas. O racismo não é exclusivamente uma manifestação do “outro”, do “diferente”, não!

Cadê os movimentos negros?
Sou contra “cotas” — raciais ou outras — nas universidades ou em qualquer lugar, como sabe toda gente. Já expus aqui os meus motivos. O resultado do Enem, aliás, evidenciou, mais uma vez, o desastre da escola pública — não que a média das particulares seja um exemplo a ser aplaudido, é bom deixar claro, mas a distância é imensa. O sistema de cotas, por óbvio, empurra o país para a acomodação. Em vez de se melhorar o ensino público, aplicam-se medidas compensatórias. Mas deixo isso para outra hora. O ponto é outro.

A minha oposição às cotas tem me rendido, ao longo dos anos, protestos vários de militantes dos movimentos negros. A militância política é o sal da democracia. Mas todo partidário de uma causa tem de tomar cuidado com a cegueira que se pretende iluminada, que lhe diz que o “outro” só pode ser contrário o seu ponto de vista porque movido por interesses subalternos ou por inarredável preconceito. As cotas não seriam, assim, uma escolha, mas uma imposição da natureza, uma espécie de bem imanente, não sujeito ao contraditório. Sempre que alguém me apresenta um pacote assim, é batata: eu digo “não!” Recuso-me, como é evidente, a acreditar que as minhas próprias escolhas estejam livres de contraditas. Mas sigo.

A minha opinião sobre o assunto gera muitos protestos — sim, claro, até de “racista” já fui chamado. Pergunto agora: não haverá um só movimento, uma só ONG, um só grupo de combate ao racismo, uma só entidade de defesa dos direitos dos negros para protestar contra a fala de João Paulo e contra a campanha desavergonhada que setores do petismo movem contra o ministro Joaquim Barbosa? Existe até uma “Associação dos Advogados e Advogadas Afrodescendentes”. Seus representantes consideram aceitável que se diga que um negro, com as credenciais de Barbosa, só chegou ao Supremo por causa da vontade de Lula e de um partido? Sim, senhores! A minha primeira tentação sempre é discutir o termo “afrodescendente”. Eu, que sou uma mistura de italiano com índio (e o índio, de verdade!, está bem pertinho, podem acreditar: bisavô) sou o quê? Eurodescendente e nativodescentente? Mas também isso fica pra lá. Só voltarei ao assunto quando reivindicar a parte que me cabe do Mato Grosso, de onde saiu o silvícola, à força… Quero alguns quilômetros de terra para cultuar Tupã, Jaci e Musil… O presidente da OAB diria que eu sou a expressão do multiculturalismo, hehe. Mas retomo.

Nenhum protesto? Nada? Vão repetir o silêncio cúmplice e covarde que se ouviu quando o jornalista Heraldo Pereira, um dos mais competentes e intelectualmente preparados do país, entre brancos ou pretos, foi chamado por certa canalha de “negro de alma branca”? Pior: atribuíram a sua ascensão profissional a seu suposto servilismo — um dos ataques mais asquerosamente racistas a que assisti. Quer dizer que o petismo e algumas moscas que voejam em torno, em busca de alimento, têm garantido o direito à injúria racial e ao racismo porque, afinal, estão situados no chamado “lado progressista” da sociedade? É só uma questão de fidelidade ideológica a um partido, ou estamos diante de coisa ainda pior, já que boa parte dos movimentos militantes — negros ou de quaisquer outras causas — está umbilicalmente ligada ao PT e dele dependem para existir? A causa tem um preço? A causa faz seleção político-partidária de seus alvos? A causa primeiro avalia QUEM está falando para só depois se dar contra DO QUE está sendo falado?

Não! Não estou tentando ensinar aos movimentos negros o seu ofício ou pautá-los. E me dispenso de fazê-lo não porque sou branco (quando escrevo, não tenho cor; ela só é relevante quando escolho o protetor solar) — se negro fosse, é provável que não o fizesse também. Não tento ensinar nada a ninguém porque a minha função é debater. Há muito tempo abandonei a sala de aula. Expresso o meu estranhamento porque me recuso a aceitar que um ente de razão — partido ou movimento ideológico — seja o senhor das vontades, o senhor das causas, o senhor das demandas, o senhor dos debates.

Na minha pátria, brancos, mestiços, negros, amarelos, vermelhos, héteros, gays, católicos, evangélicos, ateus, corintianos, palmeirenses, adoradores de comida japonesa, detratores de comida japonesa e até admiradores do Bolero de Ravel não se ajoelham diante de partidos, de aiatolás de causas, de chefes de quarteirão do pensamento.

Para encerrar
É bobagem achar que a gritaria da escória me intimida. No dia em que essa gente ao menos se financiar no mercado, não dependendo do dinheiro dos miseráveis para sustentar a pança e se comportar como mero esbirro de um partido, talvez eu lhes dê alguma atenção. Sempre precifico o lixo que fazem em residências do “Minha Casa Minha Vida”, em UPAs que Dilma não entrega, em creches que não são feitas, e só consigo vê-los como o que são: ladrões de dinheiro público. Não é por acaso que defendem com unhas, dentes e focinhos corruptores, quadrilheiros e peculadores. Enquanto não se financiarem por sua conta, são o que são: profissionais do nariz marrom. E não pensem que, caso haja alternância de poder, mudarão de profissão. Seu nariz continuará marrom, servindo, então, a novos senhores. Nem mesmo lhes posso dispensar certo respeito que dispenso à coerência estupidamente equivocada. De resto, esses caras, como se vê, não são de todo inúteis. Também eles me estimulam a escrever bons textos. Para que fique claro, ainda outra vez, quem são eles e quem somos nós.
Texto publicado originalmente às 3h15 deste domingo

Tags: Heraldo Pereira, João Paulo Cunha, Joaquim Barbosa, Mensalão, racismo, liberdade, ditadura petista, movimento negro, governo do PT

sábado, 24 de novembro de 2012

Raramente um negro foi tão ofendido por um partido. O PT rasga a fantasia: “Negro filho da mãe! Negro traidor! Negro que não carrega bandeira! Negro vira-casaca! Negro ingrato! Negro negro!”

Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

A questão sempre rondou as más consciências, era enunciada de modo oblíquo, falada nos cantos, nos becos, nas bocas, nas tocas — como diria o sambista… Era sugerida, mas jamais pronunciada. Ontem, finalmente, o ainda deputado João Paulo Cunha (PT-SP), condenado por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, rasgou a fantasia e o verbo, revelou o que realmente pensa o PT, deixou aflorar seu [do partido] racismo asqueroso e primitivo. Inconformado com a atuação do ministro Joaquim Barbosa, que assumiu nesta quinta a presidência do STF, Cunha mandou ver: “[Barbosa] Chegou [ao Supremo] porque era compromisso nosso, do PT e do Lula, de reparar um pedaço da injustiça histórica com os negros”.

Que nojo de João Paulo Cunha!

Já explico onde estava este senhor quando vomitou o racismo de seu partido. Quero me ater um pouquinho ao conteúdo de suas palavras porque elas provam, por A mais B, algumas considerações que andei fazendo neste blog, ao longo dos anos, sobre a questão racial.

No dia 11 de outubro de 2011, escrevi um texto sobre a relação que o PT mantém com as chamadas minorias. Lá se pode ler este trecho (em azul):
Será mesmo o PT um partido especialmente afeito à defesa das mulheres, dos negros, dos gays, dos direitos humanos – de grupos e temas, enfim, que seriam discriminados pela sociedade “reacionária”? Uma ova! Essa gente tem é um desprezo solene por todas essas causas e só as utiliza como instrumento de sua luta pelo poder. O PT defende, sim, o negro, desde que esse negro carregue a bandeira do partido – se não for assim, o sujeito é acusado de “preto de alma branca”. O PT defende, sim, a mulher, desde que ela carregue a bandeira do partido – se não for assim, ela é acusada de agente de machismo. O PT defende, sim, os gays, desde que o gay carregue a bandeira do partido; se não for assim, ele será acusado de bicha reacionária.

Bingo!

Pensemos na enormidade da fala de João Paulo, que representa o pensamento da ampla maioria do PT e de Lula — que também já andou cochichando essa ignomínia por aí em versos, trovas e palavrões, como é de seu hábito.

Na formulação petista, Joaquim Barbosa não chegou ao Supremo por seus méritos, mas porque é preto. Assim, quem o nomeou ministro foi a vontade de Lula, que lhe teria prestado, então, um favor, fazendo uma concessão a uma “raça” — afinal, sabem como é, o PT é contra as injustiças… Mais: por ser negro, Barbosa estaria impedido de julgar segundo os autos, as leis e a sua consciência. A cor da pele lhe imporia, logo à partida, um determinado conteúdo. É por isso, ministro Joaquim Barbosa, que critiquei tão duramente a resposta que Vossa Excelência deu a um repórter. Ainda que ele pudesse estar fazendo uma provocação, condicionar a visão de mundo das pessoas à cor de sua pele é manifestação do mundo das trevas intelectuais, que é de onde parte a fala de João Paulo.

Lula, o PT e os petistas esperavam um negro grato, de joelhos, beijando a mãos dos nhonhôs. Queriam um Joaquim Barbosa doce como uma negro forro, que se desfizesse em amabilidades com o seu ex-senhor e se sentisse feliz por ter sido um dos escolhidos da senzala para receber o galardão da liberdade. Em vez disso, o que se tem, na visão dos petistas, é um negro ingrato, que decidiu olhar a lei, não quem o nomeou; que decidiu se ater aos crimes cometidos pelos réus, não à cor de sua própria pele; que decidiu seguir as regras do estado democrático e de direito, não o projeto de poder de um partido.

Negro filho da mãe!
Negro traidor!
Negro que não carrega bandeira!
Negro vira-casaca!
Negro ingrato!
Negro negro!

Não é de hoje, certamente, que Barbosa recebe pressões. Agora entendo com mais precisão uma resposta que deu numa entrevista concedida à Folha em 2008:
“Engano pensar que sou uma pessoa que tem dificuldade de relacionamento, uma pessoa difícil. Eu sou uma pessoa altiva, independente e que diz tudo que quer. Se enganaram os que pensavam que, com a minha chegada ao Supremo Tribunal Federal, a Corte iria ter um negro submisso. Isso eu não sou e nunca fui desde a mais tenra idade. E tenho certeza de que é isso que desagrada a tanta gente. No Brasil, o que as pessoas esperam de um negro é exatamente esse comportamento subserviente, submisso. Isso eu combato com todas as armas.”

Voltemos a João Paulo e aos petistas. Assim como um escravo dependia da boa vontade de seu dono para obter a alforria, esses meliantes morais estão a dizer que Barbosa dependeu da boa vontade de Lula para ascender ao Supremo. Como ele ousa jogar a lei na cara daquele que tem a certeza de que lhe fez um favor e uma concessão?

Raramente um negro foi tão ofendido por um partido! Raramente os negros como um todo foram tratados com tanto desdém. Que desastre moral para boa parte dos movimentos negros, que certamente se calarão porque funcionam como esbirros do petismo! Este, se querem saber, é o pior de todos os racismos. A besta ao quadrado que sai por aí a vomitar injúrias raciais de modo explícito não é, ao menos, cínica. Os que cobram de um negro a fatura por tê-lo nomeado para a corte suprema do país — onde a única coisa decente a fazer é ser independente — deixam claro que usam as causas apenas como instrumento de poder.

O PT é craque nisso! Lembrem-se que campanhas eleitorais de Lula e de Dilma reuniram cotistas e bolsistas do ProUni — um programa federal, que não pertence ao governo, mas ao Estado — para que expressassem a sua gratidão a seus “benfeitores”, a seus “donos”, a seus nhonhôs… O país do PT não é aquele dos homens livres. O partido só entende a linguagem da ordem e do pau-mandado, como sabe o relator da CPI do Cachoeira, Odair Cunha (PT-MG), que entrega a redação do relatório ao comando de seu partido para que tente as suas vendetas.

Barbosa que se cuide! O ódio dessa gente não é pequeno. A qualquer momento a sua reputação pode ser alvo de um franco-atirador do mundo das denúncias.

Achincalhe da Justiça
João Paulo disse aquela enormidade numa “plenária” feita em Osasco para satanizar o STF e declarar a inocência dos mensaleiros, a que compareceram José Dirceu e José Genoino. Rui Falcão, presidente do PT, e os deputados Jilmar Tatto (SP), líder do PT na Câmara, e Arlindo Chinaglia (SP), líder do governo na Casa, faltaram.

Dirceu pregou abertamente o confronto com o Supremo. Mais do que isso: segundo entendi, quer o tribunal submetido a júri popular, à moda maoísta: segundo ele, o PT deve ir às ruas para “fazer o julgamento do julgamento”. Huuummm… Quanto mais trela lhe dá o jornalismo que lhe serve de porta-voz, mais valente ele fica. Daqui a pouco, o Marcola e o Fernandinho Beira-Mar também proporão formas de luta contra o Judiciário.

Dirceu deixou claro que não aceita as decisões da Justiça de seu país. Conclamou: “É preciso ir as ruas, discutir, debater o que esta acontecendo. Não aceitamos. Estamos revoltados e indignados e somos vítimas de um julgamento injusto”. É evidente que o homem ultrapassou a linha da crítica e do direito a manifestações. Está pregando abertamente a resistência a uma decisão da Justiça. E isso, como sabem, é crime!

Tags: João Paulo Cunha, racismo, Joaquim Barbosa, mensalão, STF, governo do PT, impunidade

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

POLÍCIA FEDERAL INDICIA 18 POR FRAUDES EM ÓRGÃOS PÚBLICOS. HAVIA COMPRA DE PARECERES TÉCNICOS

PF indicia 18 por fraudes em órgãos públicos federais
Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

Por Fausto Macedo, no Estadão Online:
A Polícia Federal divulgou nesta sexta-feira, 23, que indiciou criminalmente 18 investigados pela Operação Porto Seguro, desencadeada em São Paulo, Brasília e, ainda, nos municípios paulistas de Cruzeiro, Dracena e Santos. Segundo a PF, entre os indiciados estão empresários, advogados e agentes públicos, formalmente acusados de corrupção ativa, corrupção passiva, violação de sigilo funcional, falsidade ideológica, falsificação de documento particular e tráfico de influência.

Segundo o delegado Roberto Troncon, superintendente regional da PF em São Paulo, os servidores corrompidos integram os quadros, além da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), da Agência Nacional de Águas (ANA) e da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), da Secretaria do Patrimônio da União, do Tribunal de Contas da União (TCU), da Advocacia-Geral da União (AGU), e do Ministério da Educação (MEC). “Tratavam-se de servidores de segundo e terceiro escalões que também agiram por conta própria”, reiterou Troncon.

O delegado informou que foram cumpridos 43 mandados de busca e apreensão e 6 decretos de prisão, inclusive de dois servidores públicos. Troncon destacou que a investigação teve início em março de 2011, quando um servidor do TCU procurou a PF para denunciar o esquema que consistia na compra de pareceres técnicos de diversos órgãos públicos, como a Anac, a Ana a Antaq.

Tais pareceres técnicos serviam para favorecer empresas que mantinham algum tipo de contrato com órgãos públicos e que, de alguma forma, dependiam dessa documentação.

O servidor do TCU que denunciou o caso à PF contou que foi procurado por um empresário que lhe ofereceu R$ 300 mil por um parecer. Ele aceitou parte do dinheiro, R$ 100 mil, mas depois se arrependeu, devolveu o dinheiro e delatou o caso à PF. O superintendente Roberto Troncon disse que a investigação logo constatou que não se tratava de um caso isolado. “Constatamos que havia um grupo que contava com dois servidores de agências reguladoras. Este grupo prestava serviços para empresários que tinham interesse em agilizar processos mediante pagamento e favorecimento dos servidores públicos, até mesmo a elaboração de pareceres técnicos sob medidas, contratos para favorecerem interesses privados.”, declarou o superintendente.

Segundo a PF, os dois servidores tinham a função de fazer contatos e cooptar funcionários de outros órgãos públicos federais. “Esses servidores chegaram a cooptar outros funcionários de segundo e terceiro escalões de órgãos públicos federais e agências reguladoras”, disse o delegado. Os dois servidores presos integram os quadros da Agência Nacional de Águas e da Agência Nacional de Aviação Civil. Troncon acentuou que os funcionários acusados de corrupção atuavam por conta própria, “sem o conhecimento de seus superiores”, diz a PF.

Em São Paulo, Dracena, Cruzeiro e Santos foram cumpridos, desde cedo, 26 mandados de busca. Em Brasília, outros 17 mandados. Dezoito investigados foram conduzidos coercitivamente à PF. Cerca de 180 policiais federais participaram da operação. “É importante ressaltar que os dois agentes públicos presos hoje, um ocupante de cargo na ANA, outro da ANAC, agiram por conta própria, sem o conhecimento de seus superiores e da cúpula dessas agências reguladoras”, ressaltou o superintendente.

“Os dirigentes máximos dos órgãos públicos colaboraram prontamente para o cumprimento dos mandados judiciais e com a investigação”, afirmou Roberto Troncon. Ele disse que a conclusão da investigação deve ocorrer em 60 dias. A PF informou que ainda não dispõe de dados sobre o volume de pareceres técnicos que foram negociados pelo grupo criminoso.

Tags: corrupção, governo federal, governo do PT, servidor do TCU

ESTADOS UNIDOS: O IMPÉRIO DAS PURAS COINCIDÊNCIAS DEMONSTRA QUE A DITADURA SOCIALISTA ESTÁ PRÓXIMA

O império das puras coincidências
Escrito por Olavo de Carvalho e publicado no site www.midiasemmascara.org
“Afinal, você vai crer em mim ou nos seus próprios olhos?”(Groucho Marx)

O visconde Christopher Monckton de Brenchley, matemático inglês que deu assessoria ao gabinete de Margaret Thatcher como especialista na aplicação da teoria das probabilidades à avaliação da autenticidade de documentos, firmou duas semanas atrás uma declaração juramentada a respeito da certidão de nascimento de Barack Hussein Obama tal como divulgada pela Casa Branca.

Segundo seus cálculos, a possibilidade de que as pequenas e grandes irregularidades encontradas na certidão sejam puramente acidentais é de 1 para 75 trilhões.

Tal é o grau de confiabilidade do documento. Monckton colocou os resultados da sua análise à disposição dos tribunais americanos, sob pena de perjúrio. Charles Neal Delzell, professor de Matemática da Universidade Estadual da Louisiana, fez por sua vez uma declaração juramentada de que os cálculos do visconde estão corretos.

Mas se a Presidência americana, o Partido Democrata e a grande mídia em peso podem exigir que os eleitores apostem numa probabilidade tão ínfima, ridicularizando e estigmatizando como louco quem quer veja nisso um risco excessivo, por que não poderiam também impor a crédula genuflexão ante outras tantas coincidências fortuitas com margem de erro até mais modesta, reduzida, digamos, a alguns bilhões ou milhões? Por que não poderiam exigir que, para não ser acusados de adeptos de “teorias da conspiração” todos se tornassem devotos da “teoria das puras coincidências”?

Por pura coincidência, o general David Petraeus, que estava marcado para depor no Parlamento sobre a omissão de socorro à legação americana na Líbia, foi repentinamente pego em flagrante vexame de adultério com sua biógrafa Paula Broadwell, sendo forçado a pedir demissão do cargo de chefe da CIA, e, para alívio geral do alto comando obamista, automaticamente dispensado de prestar o depoimento.

Os parlamentares não se deixaram ludibriar e decidiram convocar o general para depor assim mesmo. O que ele disse foi, em substância, que desde o primeiro momento informara à Casa Branca que o ataque em Benghazi fora um ato terrorista premeditado, e que alguém do governo convencera a embaixadora Susan Rice a modificar a história, atribuindo tudo a um protesto popular espontâneo contra um ridículo vídeo anti-islâmico amador divulgado pelo Youtube.

O testemunho do general foi tanto mais importante porque agora se sabe que o embaixador assassinado, Chris Stevens, estava distribuindo armas aos insurgentes sírios, entre os quais se encontravam muitos membros da Al-Qaeda e do Hamas que viriam a participar do ataque ao escritório da legação. Depois essas armas foram também usadas para assassinar 28 civis cristãos. O caso assume portanto as dimensões de um crime de alta traição -- que a lei americana define como “dar ajuda e conforto ao inimigo” – seguido de uma operação de acobertamento.

O FBI declarou oficialmente que teria descoberto o affair Paula Broadwell meses atrás, por acaso, por mero acaso, quando estava investigando outra coisa. Ao espalhar essa desculpa, porém, a agência dava com a língua nos dentes, confessando que decidira adiar a divulgação até depois das eleições. Isso sugeria uma premeditação duplamente maquiavélica: se o adiamento livrou Obama de um escândalo à véspera da votação, a súbita pressa de divulgar o caso antes do depoimento do chefe do seu serviço de inteligência foi um esforço desesperado para livrá-lo de um escândalo maior ainda. Na lentidão como na pressa, o controle do fluxo de informações pelo FBI correspondeu ao timing perfeito para evitar danos à imagem do presidente. Mas, evidentemente, quem pensa assim é teórico da conspiração. As pessoas sãs e equilibradas acreditam piamente que foi tudo coincidência, mera coincidência.

Mera coincidência foi também que o computador da campanha republicana, com a lista dos partidários preguiçosos e recalcitrantes a ser visitados nas últimas horas pelos cabos eleitorais e persuadidos a votar, entrasse em pane justamente no dia da eleição, deixando longe das urnas muitos votos que poderiam fazer diferença em favor de Romney. Novamente, o timing perfeito? Honni soit qui mal y pense. Tudo coincidência, mera coincidência.

Mais coincidência ainda foi que Obama saísse perdendo em todas as zonas eleitorais que exigiam carteiras de identidade com foto dos eleitores, e vencedor naquelas que aceitavam identidades sem foto ou mesmo identidade nenhuma. Coincidência, igualmente, o fato de que até agora todas as máquinas de votar apontadas como defeituosas trocassem sempre os votos de Romney para Obama, jamais deste para aquele.

E também quem, senão um paranóico reacionário, veria algo de suspeito no fato de que, em todas as zonas eleitorais das quais foram excluídos os fiscais republicanos, Obama tivesse entre 99 e 100 por cento dos votos, chegando ao prodígio de ter 108 em uma delas? Coincidência, coincidência, pura coincidência.

As autoridades e a grande mídia têm, por definição, o dom daquilo que se chama “fé pública”: expressam o que a sociedade e as pessoas de bem têm a obrigação de acreditar. Quando, porém, os detentores da fé pública desafiam reiteradamente o cálculo das probabilidades, quando o simples uso da lógica se torna uma abominação e quase um crime, é evidente que se atingiu aquele ponto em que o esquema partidário dominante já desfruta da “autoridade onipresente e invisível de um mandamento divino, de um imperativo categórico”, que Antonio Gramsci descrevia como a situação ideal para a mutação revolucionária da sociedade.

Publicado no Diário do Comércio.

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