quinta-feira, 10 de maio de 2012

O barateamento da produção por meio de máquinas e processos cada vez mais complexos e a democratização do consumo

Escrito por Alexandre Barros e publicado no site www.ordemlivre.org

A revista The Economist publicou (na sua edição de 21 de abril de 2012) um especial sobre o que ela chamou de “terceira revolução industrial.”

A primeira com as máquinas tocadas a vapor, a segunda com a linha de montagem e, agora, a terceira, dependente de computadores, mas, sobretudo das “impressoras em 3D.”

Nos seus primórdios, elas eram apenas capazes de moldar blocos de um material, mas evoluíram para serem “impressoras em 3D por camadas.” Trocado em miúdos, isso significa que estas impressoras recebem os insumos de um produto em seus cartuchos e, a partir daí, serão capazes de “imprimir,” (que, no caso, quer dizer fabricar) desde telefones celulares até carrocerias de automóvel ou pás de hélices internas de motores de jato.

Tecnologicamente, tudo isso parece milagroso, chega-se ao cada vez mais complexo através de produtos ainda mais complexos, só que, cada dia, mais acessíveis aos usuários finais.

Daqui a alguns anos, você, não só não precisará sair de casa para receber seu telefone celular (que hoje você já pode receber entregue por uma transportadora), mas poderá receber eletronicamente o “arquivo” de fabricação do telefone e fabricá-lo em casa em sua “impressora 3D em camadas.” Em outras palavras, muitas fábricas serão trazidas para dentro de sua casa. Imagine-se, nos dias de sua infância, podendo produzir em casa os brinquedos que quisesse.

Hoje, inúmeras fábricas robotizadas operam 24 horas, no escuro e dispensam operários. É por isso, entre outras razões, que cada vez mais produtos ficam mais baratos.

No mundo dos intelectuais o grande troféu era escrever e publicar um livro impresso (ou fazer um filme se você fosse candidato a diretor de cinema). Hoje você já pode fazer os dois sem sair de casa. E o melhor, você já tem possibilidade de divulgá-lo totalmente por conta própria.

O tíquete de entrada na produção cultural ficou mais barato e além de não depender mais de papel ou película, pode circular por um público muito maior, a um custo muito menor, ou, às vezes, desprezível.

Por isso ficou cada vez mais possível atingir números cada vez maiores de pessoas com investimentos mínimos. Que diferença hein…? Quem diria?

E ninguém ainda é capaz de dizer o que provocará um “quem diria” daqui a 10 ou 20 anos.

Há cerca de dois anos, frustrado de ver tantos estudantes de pós-graduação sofrerem nas mãos de orientadores autoritários e vaidosos, resolvi usar minha pouca, mas longa, experiência de fotógrafo para fazer alguns vídeos sobre como fazer uma dissertação. Com intervalo de pouco mais de um ano fiz os dois primeiros em português.

Amigos e amigas que viram, sugeriram-me a mesma coisa em inglês. Fiz uma versão do primeiro vídeo em inglês e coloquei no YouTube há cerca de dois meses.

No caso do primeiro vídeo, na semana passada ele chegou às 20 mil exibições. Volta e meia recebo mensagens de pessoas que os viram, agradecendo-me por ter-lhes economizado sofrimento no processo de elaborar uma dissertação.

Há também quem não goste, mas, como diz o Prêmio Nobel de Economia, Gary Becker, se todos concordassem a respeito de qual cavalo ganharia a corrida, não haveriam apostas.

Em suma, tudo está ficando cada dia mais barato. Claro que economias bem administradas facilitam para que esse barateamento atinja um número cada vez maior de pessoas.

Se consumo tem alguma coisa a ver com felicidade (e parece que, pelo menos, estatisticamente tem), a felicidade está cada dia mais acessível a mais pessoas, por um preço mais barato.

Na equação da democratização do consumo, o ritmo anda cada vez mais rápido e o governo brasileiro pretende mandar 100.000 estudantes para serem treinados no exterior nos próximos poucos anos. Acho que dará certo, como em tudo, haverá apostas certas e apostas erradas, mas esses são os riscos da vida.

Relacionado, ouvi no rádio, há uma semana, uma técnica do Instituto Nacional de Propriedade Industrial dizer, numa entrevista, que o tempo médio de registro de uma patente no Brasil é de cinco anos e quatro meses. Como todas as médias há umas que andam mais rápido e outras mais devagar. Às vezes, disse a técnica, que podem chegar a demorar oito anos.

Para alguém que já terá fabricado vários modelos de telefone celular, cada vez mais sofisticados, nos mesmos cinco anos e quatro meses, como poderemos ser competitivos?

O setor privado facilita e barateia cada vez mais o acesso a processos complexos, enquanto os órgãos regulatórios dos governos dificultam e encarecem cada vez mais o acesso a processos que deveriam ser simples para facilitar a inovação.

Um saco de jujubas para quem conseguir botar essas bandas para tocar no mesmo ritmo. Nenhum prêmio para quem disser que o Brasil continuará a patinar na inovação.

Alex@eaw.com.br

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