segunda-feira, 21 de maio de 2012

BONS ECONOMISTAS

Bons economistas
Escrito por Walter Williams e publicado no site www.midiasemmascara.org

Você pode dizer, “Williams, a Casa Branca e o Congresso deveriam fazer algo”. O histórico de não fazer nada é bem melhor comparado a fazer alguma coisa.

É difícil ser um bom economista e simultaneamente ser visto como compassivo. Para ser um bom economista, tem que se lidar com a realidade. Para parecer compassivo, frequentemente tem que se evitar perguntas desagradáveis, usar terminologia “amável” e ver a realidade como opcional.

Acesso à moradia e saúde são termos com considerável apelo emocional que políticos exploram, mas não tem absolutamente significado útil ou valor analítico. Por exemplo, pode alguém me dizer em dólares e centavos reais o preço de um carro, casa ou miomectomia[1] acessíveis? É mais provavelmente mais agradável fingir que há um consenso universal a respeito do que é ou não acessível.

Se você pensa que minha crítica à acessibilidade é desagradável, detestará minha visão de dano. Um bom economista reconhece que dano não é uma via de mão única; é de mão dupla. Por exemplo, se eu tenho um terreno e ergo uma casa em frente a sua e obstruo sua visão de uma linda paisagem, eu prejudiquei você; entretanto, se eu evito construir minha casa na frente da sua, eu sou o prejudicado. De quem é o dano mais grave? Você diz, “Willians, você não pode dizer”. Você pode impedir-me de prejudicar você persuadindo alguns asseclas do governo a obstar-me de construir. É a mesma coisa com o fumo. Se eu fumo um cigarro, você fica prejudicado – ou pelo menos incomodado. Se eu sou impedido de fumar um cigarro, estou sendo prejudicado pela redução de meu prazer. De quem é o dano mais grave? Mesma coisa, você pode dizer. Mas como no exemplo da construção, a pessoa que é prejudicada pode usar asseclas do governo para ter as coisas do seu jeito.

Quantas vezes temos ouvido que “se isto salvar ao menos uma vida, vale à pena” ou que “a vida humana não tem preço”. Ambas são declarações sem sentido. Se tanto uma como outra fossem verdadeiras, veríamos limites de velocidade mais baixos, proibições ao automobilismo e pouquíssimos aviões no céu. Sempre podemos estar mais seguros do que estamos. Por exemplo, carros poderiam ser produzidos de maneira que os ocupantes pudessem sobreviver ilesos a uma colisão de 80 km/h, mas quantos de nós poderiam comprar tal carro? Não me leve a mal. Eu devo pensar que minha vida não tem preço, mas eu não vejo a sua da mesma maneira. Admiro a objetividade de Greta Garbo sobre a vida dela. Ela disse: “Sou uma mulher completamente sem valor e nenhum homem deveria arriscar sua vida por mim”[2].

Falando em coisas sem valor, eu seria inútil como conselheiro, seja da Casa Branca, seja do Congresso, porque se eles me perguntassem o que deveriam fazer para a economia andar, eu responderia: “Não façam nada!” Vamos verificar. Entre 1787 e 1930, nosso país sofreu recessões econômicas tanto leves quanto graves. Não houve intervenção para estimular a economia, mas ela sempre se recuperou.

Durante a década de 30, houve maciças intervenções, começando com o Presidente Herbert Hoover e depois com Presidente Franklin D. Roosevelt. Suas ações transformaram o que seria uma acentuada recessão econômica de três a quatro anos num problema de dez anos. Em 1930, quando Hoover começou a “consertar” a economia, o desemprego era de 6%. FDR fez ainda mais para “consertar” a economia. Como resultado, o desemprego permaneceu em dois dígitos durante toda a década e alcançou 20 por cento em 1939. O Presidente Roosevelt culpou seu antecessor pelo alto desemprego. Culpar antecessores é prática presidencial que permanece até hoje.

Você pode dizer, “Williams, a Casa Branca e o Congresso deveriam fazer algo”. O histórico de não fazer nada é bem melhor comparado a fazer alguma coisa. Nenhuma de nossas recessões econômicas no século e meio antes de 1930 durou tanto quanto a Grande Depressão.

Seria suicídio político para um político seguir meu conselho – e por uma boa razão. Americanos foram deseducados para pensar que o “New Deal” de Roosevelt salvou nossa economia. Esta desinformação estende-se à maioria dos acadêmicos, incluindo economistas em nossas universidades que são arrogantes o suficiente para acreditar que é possível para umas poucas pessoas em Washington ter a informação e conhecimento necessários para gerenciar as vidas econômicas de 313 milhões de pessoas. Bons economistas reconhecem nossas limitações, fazendo de nós pessoas não agradáveis de se ter por perto.

Notas:

[1] Cirurgia para extração de mioma no útero.
[2] NT: Na verdade a frase é de uma personagem de Greta Garbo chamada Marguerite Gauthier e é dita em um diálogo no filme Camille (1936).

*Walter E. Williams é professor de Economia na Universidade George Mason. Artigo publicado originalmente em 18/04/2012. COPYRIGHT 2012 CREATORS.COM

(http://econfaculty.gmu.edu/wew/articles/12/GoodEconomists.htm)

Tradução: Daniel Antonio de Aquino Neto, professor de Direito da Universidade do Estado do Amazonas.

Tags: economia | história | Estados Unidos | liberalismo | conservador | esquerdismo | socialismo | cultura

Nenhum comentário: