sexta-feira, 6 de abril de 2012

QUEM PENSA QUE O BRASIL ATUAL É UMA DEMOCRACIA ESTÁ ENGANADO. TAL ENGANO PODE DESTRUIR A RAZÃO DE VIVER OU A PERDER A LIBERDADE. DEMÓSTENES QUE O DIGA

Aos amigos, tudo, aos inimigos, a lei
Escrito por Leonardo Bruno e publicado no site www.midiasemmascara.org

A fraqueza de políticos como Demóstenes Torres é ignorar que não estão mais numa realidade democrática elementar.

Curioso o alarido histérico de parte da imprensa em torno do senador Demóstenes Torres, que acaba de sair do DEM. Não que os pecados dele devam ir para debaixo do pano. Todavia, o pecado maior não foi o de ser amigo de um delinqüente vulgar, de um bicheiro de caça-níqueis. O pecado maior mesmo foi de não ter sido amigo de delinqüentes bem maiores. E, lembremos delinqüentes maiores de esquerda. Alguém supera o PT neste ínterim? Duvido.

As safadezas do governo Lula e Dilma são coisas de crime organizado, perto das delinqüências menores de pivete de Demóstenes. Lula e Dilma podem ser amigos do tiranete Hugo Chávez, do narcotraficante Evo Morales, dos terroristas das FARCs, do fanático islâmico Ahmadinejad ou do jurássico stalinista do Caribe, Fidel Castro. Ou bem menos, podem ser amiguinhos de Zé Dirceu e Marcos Valério. Mas na imprensa, tudo isso é só silêncio...

Quase sempre desconfio de marchas contra a corrupção. Pois, no final das contas, por trás de tais moralismos, sempre há um corrupto acusando o outro. Neste caso particular, os petistas se promoveram justamente com a tal “ética na política”, criando dossiês e fábrica de espionagem na vida privada alheia, parasitando os podres alheios, enquanto escondiam os seus. Criaram uma ética de delação generalizada, digna dos piores esquemas de patrulhamento soviético.

E foi assim que movimentaram uma turba estudantil de moleques analfabetos funcionais de cara pintada, para fazer coro à derrubada do ex-presidente Collor de Mello. Essa mesma juventude cretina e ignorante, que cospe na cara de inermes velhinhos militares da Reserva, enquanto bajulam e cantam loas à memória de terroristas, assaltantes de bancos e assassinos comunistas.

Concomitante a isso, o PT nos brindou com o mais ardiloso esquema de corrupção que a república presenciou em sua história, o mensalão. Isto porque o esquema petista foi apenas a ponta do iceberg de um completo e descarado aparelhamento do Estado pelo partido. A imprensa, com algumas exceções notáveis, foi condescendente com as falcatruas monumentais do governo. Aliás, foi por causa dela (além da covardia da oposição), que Lula conseguiu se reeleger e ainda colocar sucessora, um poste chamado Dilma.

Foi diferente com Demóstenes? Sim. A Polícia Federal agiu como a KGB, quebrando a sua privacidade, sem qualquer reserva legal. E o STF, omisso, quase pondo na gaveta o processo das falcatruas petistas, foi rápido no ataque ao senador. Quebrou seu sigilo bancário e concluiu a destruição de sua reputação.

Surpreendente foi o posicionamento do DEM com relação a Demóstenes. O partido pediu sua cabeça e a deu de bandeja para os inimigos. Talvez o “problema” dos democratas é que seu espírito de máfia é fraco demais ou talvez ainda sobre uma certa aparência de decoro público. Decoro, inclusive, com o próprio governo, já que a oposição demonstra uma apática e infame covardia. Lula foi bem mais blindado pelos seus acólitos de partido, quando cinicamente dizia que o mensalão não existia e que não sabia de nada. Ou será que alguém acredita que o ex-presidente, com seu entourage todo envolvido com a bandalheira mensaleira, e com José Dirceu, depois cassado, não sabia de nada mesmo? Nem era necessária uma gravação para derrubar o ex-presidente. Bastava o Congresso vergonha na cara, e acabaria com a carreira do PT. Ultimamente, porém, o Congresso prefere cassar ladrões de galinha ou batedores de carteira.

Mas não me iludo com políticos como Demóstenes Torres, ainda que tenha sido um grande estrago para uma oposição cada vez mais insignificante. A fraqueza de políticos como ele é ignorar que não estão mais numa realidade democrática elementar. Daí ter sido espionado e massacrado com relativa facilidade. Por isso, não me surpreendente mais a desproporção do caso. Dentro de uma república cada vez mais deformada, no que diz respeito ao cumprimento da legalidade, o pecado maior do senador foi não ter sido petista. Ou melhor, ter sido opositor do governo. Claro está que aos amigos tudo, aos inimigos, a lei.

E o jugo da lei está nas mãos do PT.

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