sexta-feira, 27 de abril de 2012

VIADUTO ESTAIADO: NÃO É BELO, NÃO VALE O PREÇO, NÃO É NECESSÁRIO, NÃO É TURÍSTICO E REPRESENTA ADMINISTRAÇÃO INEFICIENTE DO DINHEIRO PÚBLICO

A respeito de reportagem sobre o viaduto estaiado da Avenida das Torres publicada no Jornal Gazeta do Povo de ontem 26/04/2012 (aqui) tenho a dizer que tal viaduto não vale o preço. Não vale pela beleza que não tem e não vale pelos custos que lhe são imputados. Beleza é atributo que se consegue com outras soluções até mais simples e baratas. Em Madrid, por exemplo, a “Puente Monumental de Arganzuela” é uma obra de arte turística que teve custo semelhante ao de um viaduto comum, mas serve muito bem ao objetivo de criar um ponto turístico naquela cidade.

Quanto aos custos constantes do orçamento da licitação, mesmo aqueles só do viaduto estaiado podem ser reduzidos. É o caso dos projetos, da assistência técnica, do acompanhamento técnico e da terra armada. São custos que, se bem avaliados, são desnecessários ou podem ser substituídos por outros mais baratos.

O problema desse viaduto estaiado de Curitiba é que nasceu sem projeto básico. Não fizeram estudos das alternativas mais viáveis até mesmo para atender eventual desejo de embelezamento da Avenida das Torres. Acaso tal beleza ao tal custo fosse um desejo do cidadão curitibano, então ele deveria ser consultado por intermédio de pesquisa integrante de um bom projeto básico. Mas não fomos consultados sobre se aprovaríamos essa alternativa perdulária e a mais desnecessária possível. Além disso, não é bela, não é novidadeira, não é atrativa para turistas, mas é muita cara.

Em termos de preço, é um absurdo que um simples viaduto tenha preço comparável ao corredor metropolitano de 79km entre Colombo e Araucária. Corredor dessa magnitude exige diversas pontes e viadutos da mesma dimensão daquele que seria adequado ao cruzamento da Avenida das Torres com Francisco H. dos Santos.

Opiniões expressadas na reportagem não encontram respaldo na realidade.  Não há necessidade de bloqueio da Avenida das Torres para se construir um viaduto comum. Muito menos de desapropriações de moradias do entorno. Aliás, os moradores da região não sabiam que esse viaduto estaiado exige desapropriações.

A população está cansada de ver obras que atrapalham um pouco o tráfego, mas sempre gostou dos benefícios. Porém, no caso desse viaduto estaiado e já licitado, os benefícios não serão vistos. Aliás, com o gasto desse único viaduto, benefícios seriam vistos se fossem construídos vinte viadutos nos mais diversos pontos de tráfego complicado da cidade. A Rua Ubaldino do Amaral, por exemplo, poderia receber de quatro a cinco viadutos em trincheira e outros quinze poderiam ser distribuídos por Curitiba e como resultado o benefício seria muito, mas muito mesmo, maior que o desse único viaduto estaiado.

Outros viadutos existentes na Avenida das Torres, na Avenida Mal. Floriano e na BR 116 são exemplos que custaram vinte vezes menos e não interromperam tráfego nenhum. Nesse caso do viaduto estaiado faltou foi estudo da alternativa mais viável. Na verdade, a não realização do estudo para escolha da alternativa mais técnica e econômica é um desrespeito ao contribuinte, verdadeiro patrão e pagante desse viaduto espetaculoso.

O tempo de construção de um viaduto comum também é menor. Não dá para entender os argumentos colocados na reportagem que apontam tempo maior para o viaduto comum, haja vista que esse absurdo viaduto empurrado goela abaixo da população foi licitado com prazo de execução até a Copa de 2014. 

Será que o Senhor Prefeito sabe o que está fazendo? Se sabe, então por que insistir numa obra que trará dívidas e prejuízos à cidade? O cidadão curitibano, soberano e verdadeiro patrão que paga as despesas da Prefeitura, aguarda resposta convincente sobre essa obra que não se justifica sob os aspectos técnicos e econômicos levantados até agora.

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