segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A PRISÃO DO FUTURO: O ANO É 2030 E O NOVO PRESIDENTE DO GABÃO VEIO AO BRASIL APRENDER COM O PT COMO FICAR 27 ANOS NO PODER


Por Rodrigo Constantino no site www.ordem.livre.org
O ano é 2030, e o novo presidente do Gabão veio ao Brasil aprender com o PT como ficar 27 anos no poder. Sabendo que as prisões andavam abarrotadas de gente, e que este era um dos grandes segredos do governo, qual seja, manter a população refém de leis arbitrárias, o presidente decidiu fazer uma visita ao presídio de Bangu, um dos mais famosos. Acompanhando o presidente, o Ministro da Justiça, Cesare Battisti, ia explicando cada caso dos prisioneiros:

– Aquele senhor foi preso porque deu uma palmada no filho. Parece que o garoto se recusou a estudar, xingou a mãe e bateu no irmão mais novo. O pai, um selvagem, em vez de conversar com o filho e lhe dar uma educação mais livre, deixando o pobrezinho se expressar nos moldes ensinados pela cartilha do governo, apelou para a violência física e deu uma palmada no garoto. Por sorte uma testemunha viu e denunciou o bandido. Pegou dez anos.

– Aquele outro ali tem concessão para um canal de TV por assinatura, mas se recusou a cumprir a cota estabelecida de 90% de conteúdo nacional e sócio-educativo. Resolveu, em vez disso, passar em horário nobre um enlatado de Hollywood, louvando as conquistas do imperialismo estadunidense. Os nossos ilustres burocratas da Ancine, muito atentos, detectaram o crime no ato, e minutos depois o empresário estava atrás das grades. Doze anos de xilindró para valorizar o interesse nacional.

– O que está no canto, cabisbaixo, foi preso em flagrante pelos nossos Agentes da Saúde, tentando comprar uma aspirina sem receita médica na farmácia. Ele alegou que sofria de fortes dores de cabeça, mas não tinha dinheiro para ir ao médico. Como se isso fosse justificativa para cometer um crime! Pegou cinco anos.

– O ruivo alto do canto direito foi pego em nossa famosa Lei Seca, que há décadas vem salvando vidas (ano passado, por exemplo, morreram somente 80 mil pessoas em acidentes de carro). Ele disse que tomou apenas uma taça de vinho, informação que batia com o teor etílico do bafômetro. Por este crime, ficaria preso só dois anos. Mas resolveu gritar com o policial, e por desacato pegou outros dois anos.

– Aquele branquelo da esquerda foi enquadrado na lei contra o racismo. Foi surpreendido por um de nossos agentes à paisana contando piada de negro em plena praça pública! Tentou argumentar que era apenas uma piada, que na roda tinha até um amigo negro que também ria da piada, mas claro que nada disso serviu para livrar a cara do racista safado. Sabemos como uma piada pode ser subversiva e espalhar o ódio racista de forma sub-reptícia. São sete anos para o branco azedo!

– O malandro deitado ali foi preso por calúnia, difamação e atentado contra a ordem pública. Escreveu uma coluna para aquele jornal de oposição acusando nosso governo de viés autoritário. Os juízes aproveitaram para condenar os donos do jornal também, que terão de pagar uma multa de cem milhões. O articulista vai ver o sol nascer quadrado por oito anos, para aprender a não inventar coisas absurdas.

– Está vendo aquele obeso jogado ali no canto esquerdo? Pois é, esse pegou treze anos por desobedecer à rotina de exercícios diários e, ainda por cima, ser pego comendo fritura e gordura em local público. Só falta agora querer resgatar aquela imagem proibida de um Papai Noel gorducho!

– Aquele outro ao lado dele foi punido pela lei anti-homofobia. Testemunhas o viram afirmar aos quatro ventos que ele preferia ter um filho heterossexual em vez de um homossexual ou bissexual. Onde já se viu uma coisa dessas? Vai ficar preso seis anos para ver se supera este preconceito pequeno-burguês.

– O magrinho ali no meio foi preso quando desafiava a lei da garupa, levando sua namorada, segundo ele diz, na garupa da moto. E se fosse um assaltante? Não podemos tolerar estes abusos sob risco de cair na barbárie. Todos sabem que muitas motocicletas são usadas para a prática de assalto pelo comparsa da garupa. Desde 2014 esta prática está proibida. As taxas de assalto teriam subido bem mais do que os 13% ao ano sem esta medida!

– O mais novinho foi preso por descumprir o toque de recolher. Ousou ficar vagando pelas ruas depois das onze da noite. E o garoto não tem nem 25 anos! Prendemos seus pais também, por irresponsabilidade. Um aninho só para aprenderem como educar direito o filho.

– O moreninho foi pego em uma clínica clandestina para bronzeamento artificial. Depois que a Anvisa vetou esta prática, surgiram algumas clínicas de fundo de quintal com aparelhos de péssima qualidade. Agora o narciso terá que tomar banho de sol natural no pátio do presídio!

Os dois caíram na gargalhada. Enquanto o ministro contava cada caso, o presidente do Gabão anotava tudo com a maior atenção, preocupado em não perder nenhum detalhe. Ele sabia estar diante de uma mina de ouro, de uma receita infalível para se perpetuar no poder. Chegou a vez do último preso daquela unidade:

– O careca ali foi preso por fumar um cigarro dentro de casa, na presença de sua empregada! Mesmo depois de tantas campanhas, dos cadáveres estampados nos maços do cigarro, o imbecil ainda tem a cara-de-pau de acender um cigarro com sua pobre empregada em casa! Colocando em risco um fumante passivo! Expondo a coitada ao risco enorme de um câncer mortal. Vai passar duas décadas na cadeia para aprender o que é bom para a tosse! Até porque o desgraçado não para de tossir por causa do pigarro…

Nova gargalhada. Enquanto Cesare Battisti ciceroneava seu convidado pelo presídio, um subalterno preparava os comes e bebes na sala de visitas, com direito a uma enorme carreira de cocaína para animar a festa.

PS: Para quem acha a ironia absurda demais, recomendo o filme “O Homem do Futuro”, com Wagner Moura e Alinne Moraes. Há uma cena que capturou minha atenção. Zero, o personagem de Wagner Moura, entra em um bar no passado, em 1991, e pergunta ao barman se pode fumar ali. O atendente faz cara de espanto e rebate algo assim: “Isso aqui é um bar, meu amigo, claro que pode fumar!” Pois é. Passaram-se apenas duas décadas, e o que era inimaginável e absurdo de se pensar na época, tornou-se realidade agora. Um bar onde fumar é proibido! Alguém ainda acha a distopia acima tão inacreditável mesmo?

SOBRE O AUTOR
Rodrigo Constantino é economista pela PUC-Rio, com MBA de Finanças pelo IBMEC e trabalha no mercado financeiro desde 1997. É articulista e autor de diversos livros, dentre os quais o novo Liberal com orgulho.

2 comentários:

Águia Negra disse...

Meu Caro Rodrigo:
Parabéns pelo seu belíssimo trabalho!
Uma sátira recheada de possíveis perigos vislumbrados num futuro próximo. Aliás, se pararmos para observar a miúde, muitas coisas já estão a acontecer e, o profetizado em seu artigo, sem dúvidas, deixa evidente que não estamos longe disso.
Meu forte e fraternal abraço.
Walmir Battu
aguianegrabattu.blogspot.com

Anônimo disse...

Parabéns pelo artigo, achei excelente.
Continue escrevendo sobre o tema, é fundamental para o nosso futuro e de nossos filhos.
Kahlil.