quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

PIMENTEL USA SEU PASSADO DE ESQUERDISTA PARA JUSTIFICAR SEU PRESENTE DE CONSULTOR. DIZ QUE ERA UM DEMOCRATA. MENTIRA! NÃO ERA, NÃO!

Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

O ministro Fernando Pimentel concedeu uma entrevista em Genebra e, confrontado com os fatos, preferiu dar risada. Comentando a pressão da oposição para que se explique no Congresso, saiu-se com uma afirmação curiosa: “Essa é a opinião dela, mas eu tenho a minha. Esse é o ponto. Eu sou um democrata por convicção. Pela democracia, lutei na juventude, fui preso, torturado, de maneira que conviver até com a injustiça faz parte da minha história”. Epa! Aí, não! Pimentel participou, vejam o post abaixo, de uma mentira escandalosa sobre o presente (as suas consultorias e palestras). E, ontem, contou uma mentira escandalosa sobre o passado. Vamos, então, cuidar um pouco da história?

Faço isso em atenção especial às moças e moços que lêem este blog, alguns deles, talvez muitos (a julgar pelo volume de comentários que excluo), de esquerda. Não quero mudar a convicção de ninguém. Não sou o Gabriel Chalita da ideologia, aquele do partido “que vai dar o que você merece”. Não invisto na auto-ajuda ideológica. Cada um sabe de si. Mesmo escolhendo o caminho errado, essas vítimas da mistificação têm o direito de conhecer a verdade. Se continuarem militantes de esquerda depois disso, aí não há nada a fazer; é uma questão de caráter.

Resumi aqui outro dia a trajetória de Fernando Pimentel. Lembrei que foi aluno da Escolinha de Marxismo da Professora Dilma Rousseff quando ainda era um adolescente. Ele acabou ingressando em seu grupo político, o Colina (Comando de Libertação Nacional), que tinha sua base principal em Belo Horizonte. Mais tarde, o Colina se fundiu com a VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), liderada por Carlos Lamarca, dando origem à VAR-Palmares. O marido de Dilma, um dos chefes da organização, despachou Pimentel para Porto Alegre. Lamarca não gostou da “holding” e decidiu desfazê-la, refundando a VPR, e Pimentel preferiu segui-lo. Foi como seguidor do militar desertor e ladrão de armas que o agora ministro “consultor” assaltou o carro pagador de um banco e tentou seqüestrar o cônsul americano, que se safou, mas saiu ferido, com um tiro no ombro.

Compreendo que, de cara, a Mafaldinha e o Remelento não acreditem em mim — “esse reacionário”. Bem, então acreditem nos fatos. Jacob Gorender, historiador de esquerda e autor do livro “Combate nas Trevas”, afirma que o Colina, o primeiro grupo a que Dilma pertenceu e do qual era uma das dirigentes, foi um dos poucos a fazer a defesa clara do terrorismo. Talvez, como escrevi certa feita, ela pertencesse à facção lítero-musical da turma, que organizava chás beneficentes com as senhoras respeitáveis da sociedade mineira. Enquanto alguns pegavam o berro, outros pegavam o cabo da xícara. Pimentel, pois, como Dilma, fez parte de um grupo que a própria esquerda considera que fazia a defesa clara do TERRORISMO. Não era democracia o que queria Pimentel quando tentou seqüestrar o cônsul.

Que importância tem isso hoje? Ora, quem tem de responder essa pergunta é Pimentel, não eu. Foi ele quem evocou o seu passado para justificar o injustificável no presente. Que ele pensasse à época que o assalto ao carro pagador do banco, de que foi um dos protagonistas, era uma “roubo social”, vá lá, não é? Que, em 2011, justifique a sua “consultoria” com o seu amor pregresso pela democracia, aí é de lascar. Até porque, se for assim, a consultoria continua injustificada, já que ele, resta claro, não queria democracia, certo? Seu chefe esmagava cabeças de adversários a coronhadas depois de um julgamento feito por um “tribunal revolucionário”.

Aliás, a VAR-Palmares de Pimentel e Dilma era tão democrática, mas tão democrática, que nem mesmo os militantes de esquerda estavam absolutamente seguros. Havia o “justiçamento” — condenação à morte dos próprios companheiros — caso se suspeitasse que o militante era um traidor ou estava prestes a trair. Já publiquei aqui um vídeo em que um ex-militanhte da ALN conta como matou um parceiro de luta porque havia a suspeita de que ele pudesse trair o movimento. Atenção! Havia apenas a suspeita de que dia ele pudesse fazer isso… O coitado apenas havia pedido para deixar a organização.

Muito bem! Em 29 de maio de 1970, Dilma Rousseff, uma das chefonas da VAR-Palmares, estava presa havia cinco meses. Tinha sido detida em janeiro. Consta que foi torturada por longos 22 dias, o que, todos sabem, era prática inusual nos porões. Os trogloditas queriam quebrar a resistência do preso bem depressa para não dar tempo de seus aliados fugirem. Mas tudo bem! Não vou contestar isso, não. Uma coisa é certa. Dilma teve mais sorte do que Geraldo Ferreira Damasceno, militante da Dissidência da VAR-Palmares, assassinado pelos próprios esquerdistas no dia 29 de maio de 1970. Em 1969, outro militante do grupo havia sido condenado à morte pelos “companheiros” : Antonio Nogueira da Silva Filho. Só não morreu porque conseguiu escapar. Teve de sair do país.

Só a título de ilustração e para que constatemos até onde chega o humanismo, eventualmente a cara-de-pau, dos democratas de esquerda, saibam: no dia 28 de junho de 1973, um comando da ALN assassinou, dentro de uma escola, o professor Francisco Jacques Moreira de Alvarenga, também esquerdista, da Resistência Armada Nacionalista (RAN). Foi acusado de delação. Maria do Amparo Almeida Araujo, então militante da ALN, participou do grupo que levantou dados sobre a rotina de Alvarenga etc. Mais tarde, vejam que coisa!, ela foi uma das fundadoras do grupo “Tortura Nunca Mais”. Hoje, é secretária de Direitos Humanos e Segurança Cidadã na Prefeitura do Recife. Não fundou o grupo “Justiçamento Nunca Mais”. É coerente. Mas isso, reitero, é só mais uma nota de instrução aos jovens. Volto a Pimentel.

O esforço revisionista da história, como já perceberam, busca criar um passado em que, de um lado, estavam os bandidos e, de outro, os heróis. Não é por acaso e tem pouco a ver com os tempos idos. O propósito é mesmo criar um álibi para os malfeitores do presente e os do futuro.

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