domingo, 4 de dezembro de 2011

AS INJUSTIÇAS DO CAPITALISMO NÃO SÃO DO SISTEMA, MAS SIM DO PRÓPRIO HOMEM



Millor Fernandes disse que o capitalismo não é um sistema. Essa também é a opinião emitida neste blog. Considero que o capitalismo nasceu com o homem e não foi inventado por ninguém, mas o socialismo é um sistema porque foi inventado para combater o próprio homem, sempre imperfeito.

Não se pode dizer que a sociedade construída pelo homem, sempre capitalista, é justa, mas se pode dizer que a garantia de lucro é uma injustiça, pois o homem capitalista não dá lucro a ninguém. Também não dá ou não garante mais valia que é o mesmo que lucro.

Contudo, o capitalismo valoriza o empresário engenhoso, pois, no mais íntimo do homem que fez o contrato social está o seguinte pensamento:
Que o mais engenhoso tenha maiores honras e que sua fama resplandeça em seus sucessores; e quem é mais feliz ou mais honrado tenha maiores aspirações, mas não tema, menos que os outros, violar os acordos com os quais se elevou acima dos outros (CESARE BECCARIA: Livro => Dos delitos e das penas).

Nota-se que o mais engenhoso tem as maiores honras. O capitalismo dá as maiores honras ao empresário, mas é só isso. Não há outras vantagens. Deve-se lembrar que esse comportamento social, desde quando foi descrito pela primeira vez, sempre teve como essência a busca do lucro. Não só do empresário, mas de todos, pois sempre se busca “levar vantagem em tudo”.

O leitor deve ser lembrado da LEI DE GERSON: Gerson foi um grande jogador de futebol, tricampeão pela seleção brasileira de 1970. Comentarista de futebol. Ele fez propaganda de cigarro dizendo: “queremos levar vantagem sempre”. A propaganda fez sucesso. Na verdade, levar vantagem não é a essência do capitalismo, a essência é buscar a vantagem. Ressalte-se que em qualquer negócio bem feito, ambas as partes levam vantagem. No capitalismo, há vantagens para todos, mas a vantagem não é o lucro, é a troca de utilidades, pois a vantagem que um ofereceu para o outro não seria possível para si mesmo. Na verdade, o capitalismo não é um jogo de soma zero em que um perde e outro ganha, mas é um jogo que todos pensam que levaram vantagem. Porém, apenas receberam pelo que trabalharam.

Mas como o leitor já percebeu, não dá para levar vantagem sempre. Aliás, a essência do capitalismo é contrária à garantia de vantagens. Deve-se correr atrás delas, mas consegui-las é mera probabilidade, sendo impossível ganhar sempre. Até mesmo do monopolista: um dia a crise lhe tira os lucros.

Correr atrás da esperança de um dia viver melhor é bom e produtivo para a sociedade, mas considerar que o produto da vantagem alcançada é somente de quem a alcança é um engano. A vantagem é de toda a sociedade e o lucro é alcançável apenas no curto prazo, pois, num lampejo de tempo, ele desaparece das mãos daquele que o ganhou.

Por fim, cada um dos participantes do contrato social realizado só fica com o produto do próprio trabalho. Momentaneamente cada um fica com uma vantagem. Tanto o empresário quanto o trabalhador só ficam com o produto do trabalho. Se só o valor do próprio trabalho é a “vantagem”, então é mais rico quem trabalha mais, mas o empresário inovador amealha as maiores honras.

A injustiça que alguns vêem fica por conta daqueles empresários que só aplicam capital em troca da maior taxa de retorno e que não trabalham. É uma injustiça apenas aparente, haja vista que o capitalismo remunera a todos, pois até mesmo os ociosos são remunerados com juros, se aplicarem o dinheiro que herdaram.

No capitalismo de concorrência pura há grande diferença entre o empresário inovador e empresário mero aplicador de capital. Um trabalha e o outro vive de rendas. Mesmo assim, na inexistência de vantagem permanente para alguns, o capitalismo é justo.

As injustiças ocorrem contra um ou outro, mas não é derivada do sistema e sim dos defeitos do homem capitalista que criou leis imperfeitas, haja vista que elas são feitas por aqueles que delas se beneficiam. Logo, as injustiças que ocorrem não devem ser debitadas ao capitalismo, mas sim ao próprio homem.

Tags: injustiça, homem natureza, competição honestacapitalismo, trabalho, concorrência, direito natural, homem capitalista, empresário inovador, empresário empreendedor, honra no capitalismo, lucroempresário especulador, monopólio, esperança, Lei de Gerson, dos delitos e das penas, Cesare Beccaria, Millor Fernandes

Nenhum comentário: