quarta-feira, 30 de novembro de 2011

ESQUERDOPATIA, A PSICOPATIA DA POLÍTICA. OU: PRIMEIRO ELES TENTAM DESUMANIZÁ-LO PARA, ENTÃO, MATÁ-LO. FOI ASSIM QUE ELIMINARAM MAIS DE 100 MILHÕES.

Esquerdopatia, a psicopatia da política. Ou: Primeiro eles tentam desumanizá-lo para, então, matá-lo. Foi assim que eliminaram mais de 100 milhões no século passado
Por Reinaldo de Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

Por que os psicopatas são capazes dos piores horrores sem sentir remorso? Faltam-lhes mecanismos, e os motivos ainda não estão muito claros, que lhes permitam fazer um exercício simples, comezinho, a que nos dedicamos várias vezes ao longo do dia: colocamo-nos no lugar do outro. É o senso de proporção e de justiça que nos empurra para isso. Aliás, dessa prática nasce uma das boas recomendações da ética aplicada: ao praticar uma determinada ação, especule se ela poderia ser generalizada — vale dizer: se todos agissem como você age, o mundo seria melhor ou pior, um lugar mais agradável ou menos? O psicopata não reconhece a humanidade do outro; não se comove com o seu sofrimento. Ao contrário até: a dor alheia excita a sua imaginação. Estudos comprovam que o psicopata acredita que as vítimas são as verdadeiras culpadas pelo mal que ele lhes fez. Na sua imaginação delirante, elas queriam ser molestadas.

Existe na política o correlato da psicopatia, manifestado, no caso, não como uma doença mental, do indivíduo, mas como uma moléstia coletiva, ideológica. Há tempos emprego a palavra “esquerdopata” (já usado por blogueiros portugueses, o que muito me honra; atravessamos o mar, depois de a palavra “petralha” ter ido parar no dicionário!) para definir certo tipo de comportamento. Alguém tocado pela esquerdopatia está sempre justificando os malfeitos daqueles da sua turma. Até aí, dirá alguém, assim fazem todos. Mas isso ainda não o define: além da justificativa, há a tentativa de nos convencer de que o crime atende aos anseios dos “oprimidos” e tem uma função libertadora. A exemplo do psicopata, seu padrão moral é elástico o bastante para justificar qualquer coisa, desde que concorra para atingir seus objetivos ou os do grupo.

Mas a caracterização ainda está incompleta: também o esquerdopata precisa desumanizar o adversário, transformá-lo num portador de todos os horrores: pode, assim, eliminá-lo sem constrangimento, acusando-o de ser o verdadeiro responsável pelo mal que o atinge. Isso explica por que os esquerdistas, no século 20, mataram tanto e de forma tão contumaz! No seu delírio, aqueles muitos milhões morreram porque estavam criando entraves para o avanço da história. Se a libertação dos homens de seus algozes custa mais de 100 milhões de vidas, fazer o quê?

Denunciei ontem aqui, como viram, uma página criada no Facebook com o fito único de me atacar. Pior do que isso: há ali o incentivo claro, inequívoco, à violência, à agressão física, ao linchamento — não apenas o moral. Esta é uma novidade do Brasil do lulo-petismo: a organização de falanges, de milícias, com o objetivo de calar aqueles de quem discordam. A origem desse movimento está em algumas penas de aluguel, que recebem dinheiro do governo ou de estatais para manter no ar blogs e sites que têm o fito exclusivo de difamar aqueles que são considerados “adversários do regime”. Há casos até de notórios inimigos figadais que se tornaram aliados íntimos porque descobriram que uma mesma paixão os une: a pistolagem a mando. Estes, ao menos, sabem por que fazem o trabalho sujo: dinheiro! Papel triste, patético mesmo!, desempenham os idiotas que trabalham, sem saber, de graça para os pançudos. Nota à margem: fui, aos 16, tratado como “inimigo do regime”, durante a ditadura. Aos 50, sou tratado como inimigo do “regime petista”. Fui menos esperto do que alguns: eram amigos antes; continuam amigos agora.

Não, senhores! Não havia gente dessa espécie no governo FHC. Esse trabalho de ataque sistemático, organizado, a alguns nomes da imprensa nasce do esforço frustrado do PT — a turma de José Dirceu e companhia — de criar mecanismos para censurar a imprensa. Como malograram no seu intento, então recorrem aos matadores de aluguel.

Eu sou um dos alvos e não vou aqui tirar onda de ingênuo. Sei muito bem por que me atacam. Não gostam das minhas opiniões. Até aí, bem! O QUE ACHO FABULOSO É QUE NÃO GOSTEM SOBRETUDO DAS OPINIÕES QUE JAMAIS EMITI. Defendem, abertamente, que eu seja empalado, espancado, agredido, hostilizado… Alguns traços de civilidade subsistem em sua formação. Sabem que isso não é coisa de gente de bem. Então precisam encontrar um culpado para seus crimes. E eles não hesitam: o culpado sou eu, a vítima.

Na tal página asquerosa, acusam-me, vejam que fabuloso, de “racista”. Mas não peçam a esses delinqüentes morais que dêem um só exemplo do meu racismo, porque eles não conseguirão. Ao contrário: eu sou o criador da expressão “racismo de segundo grau”, desvio que consegue ser ainda mais desprezível do que aquilo que se entende habitualmente como preconceito. Se há os cretinos que acreditam que um negro está impedido de aprender isso ou aquilo porque negro, há os que acham, julgando-se muito progressistas, que os negros estão condenados a determinados conteúdos ou talentos naturais porque negros. Esse é o texto em que denuncio — eu mesmo!!! — o “Machado de Assis branco” da propaganda da Caixa Econômica Federal. Propaganda que foi refeita!

Eu sou, isto sim, contra cotas raciais — e chamar isso de racismo é coisa de pilantras, de vagabundos. Até porque há muitos negros que também são! Eu sou contra, isto sim, a que ONGs subam os morros do Rio ou cheguem à periferia das grandes cidades para ensinar meninos pretos e pobres a bater lata, a fazer rap e a dançar funk. Por que eles não podem aprender Machado de Assis — o próprio — morando na periferia, como aprendi? Aos 14, eu lia Machado numa casa de dois cômodos. Aos 18, eu me libertava da pobreza dando aula sobre Machado.

Eu tenho é um profundo desprezo por esses cretinos que acreditam que a carência é um parque de diversões para que exercitem a sua má “boa-consciência”, é uma variante antropológica, uma cultura de outro planeta. A pobreza, seus delinqüentes morais, é apenas algo que precisa acabar. Parem de fazer subliteratura com a miséria alheia, seus nojentos!

Por que não exemplificam com um texto, uma entrevista, um livro: “Aqui está a prova do racismo”?! Não o farão porque não existe! Ao contrário! Racistas e antipobres são eles! Querem que eu exercite a sua mesma suposta piedade babona e vagabunda! Sim, eu sou contra cotas. Entendo que são, inclusive, inconstitucionais! Eu quero é uma escola pública de qualidade, como a que cheguei a ter, para que os pobres, pretos ou brancos, possam também competir. Acusam-me de “racista” porque, assim, podem se entregar ao linchamento e ainda se desculpar: “Ele é culpado pelas agressões que praticamos”.

“Ah, mas Reinaldo é homofóbico”. Sou? Cadê o texto, a entrevista, a declaração, o que seja, que o evidencie? Esses idiotas repetem o que lêem nas páginas de gente que é paga pra me atacar — e a outros jornalistas que não rezam segundo a cartilha oficial — sem nem se preocupar em saber se há alguma base de verdade no que propagam. Já escrevi aqui mais de uma vez, o que me rendeu críticas de alguns leitores que costumam gostar do que escrevo, que não me oponho à união dos gays, nem mesmo à adoção de crianças. Literalmente: “Note-se: crianças abandonadas, no Brasil, são um verdadeiro flagelo social. Os orfanatos estão cheios. Parece que as famílias tradicionais não têm acorrido em seu socorro em número suficiente. Não posso crer que seja um ato de amor impedir que dois homens ou duas mulheres - dotados das devidas condições psicológicas, morais e financeiras - as adotem. Nesse caso, essa é minha escolha moral. E não me parece generoso, ademais, que uma pessoa impedida de escolher a sua sexualidade também seja impedida de ser feliz ao lado de quem ama.”

Isso é o que eu penso. E há o que os canalhas dizem que eu penso. Eu sou, sim, contrário é à tal lei que criminaliza a homofobia porque já demonstrei aqui, mais de uma vez, que se trata, antes de mais nada, de censura. Fiz, sim, picadinho da tal PL 122, que é uma coleção de absurdos, que impunha, inclusive, na sua forma original, discriminação religiosa. E critiquei também o encaminhamento que o STF deu à “união estável”, ignorando o que diz a Constituição, que afirma explicitamente que ela se realiza ente “homem e mulher”. O Supremo decidiu contra a letra da Carta. Não é assim porque eu quero; é porque é. Homem tem pingolim; mulher tem borboletinha, ainda que seja um pingolim que goste de outro pingolim, e uma borboletinha que aprecie a outra. Mas seguem sendo “homem” e “mulher”. O que sustentei, e sustento, é que uma corte suprema age de modo temerário quando decide contra a letra da Constituição: o mal que potencialmente faz é superior ao bem que pretende fazer. Homofóbico é quem acha que uma autoridade é gravemente ofendida se associada à homossexualidade. Eu só acho isso uma bobagem. O que as pessoas fazem entre quatro paredes, não envolvendo crianças e não sendo forçado, não é da minha conta. Eu debato é legislação e cultura democrática.

“Ah, mas Reinaldo é contra o aborto”. Sou! “É contra a descriminação das drogas”. Sou! “É contra a invasão de propriedade privada”. Sou (eu e a família Safatle, diga-se!). “É a favor da internação compulsória de drogados que moram nas ruas”. Sou! “É a favor do novo Código Florestal”. Sou! “É a favor de bandido dentro da cadeia”. Sou!

E produzi quilômetros de textos tratando de cada um desses assuntos. Tenho, sim, muitos milhares de leitores: gente que gosta de debater, de argumentar, de contra-argumentar e que, à diferença do que dizem por aí, nem sempre concorda comigo. A questão que resta sem resposta é esta: por que eu não poderia defender cada um desses pontos de vista?

Não, senhores! O que os esquerdopatas pretendem é agir à moda dos psicopatas: desumanizando-me, caracterizando-me como um ogro, podem, então, exercer à vontade a sua pistolagem. Um sujeito chamado “Renato” tentou explicar o comportamento dos linchadores: “Se você fosse imparcial em suas matérias, como todo bom jornalista deveria ser, provavelmente não teríamos comentários tão absurdos como os citados por você. Lembre-se que a pessoa só colhe aquilo que planta.” Viram só? “Ser imparcial”, para ele, é certamente concordar com o que ele pensa. Ele reconhece os tais comentários como “absurdos”, mas acha que a culpa é minha. Na Alemanha dos anos 30, teria dito aos judeus: “Se vocês fossem mais discretos; se vocês cobrassem juros menores; se vocês não se metessem em conspirações…”. Em suma, ele usaria contra as vítimas todas as acusações de seus algozes para poder lavar as mãos, não sem antes dizer: “Quero deixar claro que não concordo com a perseguição, mas…” Acreditem: um colunista de um grande jornal já escreveu o mesmo…

Já uma tal “Marina” é mais direta: “Sou contra qualquer violência, mas vc, Reinaldo, bem que poderia morrer de câncer nas mãos ou na língua. Seus artigos são, sim, tendenciosos. É um arrogante. Come merda e rota (sic) caviar.” Marina é contra a “violência”, mas a favor do câncer, castigo que, parece, tem, na sua imaginação, algo de divino. Talvez acredite que os cânceres de Dilma e Lula tenham nascido da praga de algum antipetista…

Estamos diante de um padrão moral! O espírito que anima aquela página, reitero, matou mais de 100 milhões de pessoas no século passado. Vivemos dias um tanto bárbaros. O rapaz que administra aquele lixo tenta se justificar: “A questão não é ter coragem para criar um blog, e sim dizer algo suficientemente plausível. Tudo o que Reinaldo faz é denegrir as pessoas que pensam diferente dele.” Entenderam? Ser “plausível”, claro!, é concordar com ele, que me acusa, entre outras coisas, de “racista”. Ele, que se considera certamente um anti-racista, emprega, não obstante, a palavra “denegrir” como sinônimo de “desqualificar”.

Merecíamos coisa melhor até para nos atacar, não?

terça-feira, 29 de novembro de 2011

UMA ÉPOCA REVOLUCIONÁRIA


Escrito por Felipe Melo* e publicado no site www.midiasemmascara.org em 28 Novembro 2011

A reportagem da revista Época não passa, em última instância, de um grande desfile dos mitos e mentiras que, ao longo dos anos, foram meticulosamente construídos pela esquerda.

A revista Época dessa semana publicou duas matérias – "Os Arquivos Secretos da Marinha" e "Os Infiltrados da Ditadura" – sobre o regime militar. O objeto das matérias é um conjunto de documentos microfilmados do Centro de Informações da Marinha (Cenimar) que, de acordo com a revista, "revelam o submundo da repressão às organizações de esquerda durante a ditadura militar". O propósito da matéria, pode-se pensar, é o de expor a realidade do combate aos grupos terroristas de esquerda, que atuavam no Brasil desde o início da década de 1960; entretanto, essa esperança ingênua é deliberada e meticulosamente desconstruída em doze páginas de mentiras ruminadas e propaganda pró-esquerda. Abaixo, reproduzo alguns dos trechos mais enviesados da reportagem.

Reveladores, os papéis microfilmados divulgados por ÉPOCA antecipam alguns dos debates mais importantes previstos para a Comissão da Verdade, cuja lei de criação foi sancionada recentemente pela presidente Dilma Rousseff. Aprovada pelo Congresso, a comissão foi criada com o objetivo de esclarecer os abusos contra os direitos humanos cometidos, principalmente, durante a ditadura militar. Se investigar a fundo o que se passou nas entranhas do aparato repressivo, chegará à participação de militantes de esquerda nas ações que levaram à prisão, à morte e ao desaparecimento de antigos companheiros.

Os elementos do raciocínio que compõe o trecho acima são claros: 1) a comissão vai investigar abusos contra os direitos humanos; 2) tais abusos foram cometidos, em grande parte, durante o regime militar; 3) tais abusos, igualmente, foram cometidos exclusivamente pelo regime militar; 4) apenas os militantes de esquerda que colaboraram com o regime é que cometeram abusos contra os direitos humanos. Esses mesmos militantes, entretanto, não podem ser responsabilizados por quaisquer dos crimes contra os direitos humanos, pois, como afirma a própria reportagem, "foram recrutados pelos serviços secretos entre os esquerdistas, por pressão ou tortura." Trocando em miúdos: todo e qualquer crime potencial ou efetivamente danoso aos direitos humanos foi cometido exclusivamente pela ditadura militar.

Para compreender bem o confronto sangrento entre as Forças Armadas e as organizações de inspiração comunista, é necessário lembrar o contexto da época. O mundo vivia a Guerra Fria, período de polarização ideológica em que Estados Unidos e União Soviética disputavam o controle de regiões inteiras do planeta. O Brasil importou o conflito internacional. O governo militar tinha o apoio dos Estados Unidos, e parte da oposição aderiu aos regimes comunistas, com forte influência de Cuba e China. O PCB se dividiu em dezenas de siglas adotadas por grupos radicais que adotaram a luta armada como instrumento para a derrubada dos militares. O PCB defendia a via pacífica para a chegada ao poder. Nem assim escapou da perseguição do aparato repressivo e muitos de seus seguidores foram mortos e desapareceram com a participação direta da comunidade de informações.

O PCB (Partido Comunista Brasileiro), fundado em 1922, faz parte atualmente da base aliada do governo do PT. Recentemente, esse partido publicou nota oficial lamentando a morte do narcoterrorista colombiano Alfonso Cano, líder das FARC, morto recentemente em uma incursão do exército da Colômbia. Em um documento oficial do PCB sobre sua estratégia de ação, lê-se: "A luta pela hegemonia das ideias socialistas e comunistas compreende a utilização de todas as formas disponíveis e todos os espaços políticos aos quais tenhamos acesso para difundir e desenvolver as ideias políticas socialistas e comunistas e para promover a denúncia contumaz e radical do capitalismo." Durante o regime militar, o PCB fez jus à "utilização de todas as formas disponíveis" e serviu de manjedoura para grupos guerrilheiros cujas práticas envolviam assalto, seqüestro, tortura e assassinato – inclusive de seus próprios membros, sobretudo aqueles suspeitos de traição.

O Brasil não importou a Guerra Fria para o território nacional. Foi a ação dos grupos subversivos no País – que contavam com amplo apoio financeiro, logístico e de treinamento da União Soviética desde o governo Vargas – que não apenas ensejou a Revolução de 1964, como também a atuação constante dos serviços de segurança. Ao contrário do que afirma a reportagem, os terroristas não "adotaram a luta armada como instrumento para a derrubada dos militares": seu objetivo era a instauração de uma ditadura comunista no Brasil aos moldes do que se viu na União Soviética, em Cuba e na China, onde os governos se converteram em um gigantesco e horrendo moedor de carne humana. O foco não era derrubar os militares, mas instaurar um regime totalitário marxista.

Mais adiante, a reportagem a morte do estudante Edson Luiz, ocorrida em março de 1968, "foi um dos fatos mais marcantes daquele período, que culminou com o recrudescimento da repressão pelo regime militar e a implantação do Ato Institucional Número 5 (AI-5) no final de 1968". Mentira das mais desonestas! Antes da instauração do AI-5, foram cometidos 19 assassinatos por terroristas comunistas. Fora as vidas que foram tiradas, assaltos e seqüestros eram promovidos com freqüência. A instauração do AI-5 constituiu-se, portanto, em uma reação às atividades criminosas dos militantes de esquerda – ao contrário do que prega a esquerda, que justifica a ação armada como uma reação legítima ao endurecimento do regime.

Os papéis microfilmados constituem um valioso acervo para a compreensão dos métodos empregados pelos órgãos de repressão. Por razões óbvias, nos registros não constam as práticas mais hediondas, como tortura, prisões ilegais, assassinatos ou desaparecimento de pessoas. Mas eles têm o mérito de expor personagens e mostrar o roteiro das perseguições aos inimigos do regime.

Esse trecho em particular mostra, de maneira bastante ilustrativa, a negação hegeliana do princípio da não-contradição que reside no seio do pensamento revolucionário. Acompanhem: os documentos detalham os métodos que foram utilizados pelas forças de segurança; esses documentos não trazem nenhuma informação quanto às "práticas mais hediondas" que, propagandeia-se, foram uma verdadeira política de Estado do regime militar; nesse caso, a prova de que essas práticas existiram é, justamente, a ausência de quaisquer provas!

Além disso, enquanto os militares cometeram "assassinatos", os militantes de esquerda cometeram "execuções" e "justiçamentos". A palavra "execução" inspira uma morte limpa, rápida e, em certo sentido, misericordiosa, como um tiro na nuca; a palavra "justiçamento", por sua vez, evoca praticamente a manifestação da infalível Justiça Divina. O recurso neurolingüístico embutido na utilização desses termos é claro: conferir legitimidade e superioridade moral, de maneira sub-reptícia, às mortes provocadas pela esquerda. Poderia o bárbaro assassinato do tenente Alberto Mendes Jr., cuja cabeça foi esmigalhada a golpes de coronha de fuzil, poderia ser considerada, sob qualquer aspecto, uma morte limpa, rápida ou misericordiosa?

A reportagem da revista Época não passa, em última instância, de um grande desfile dos mitos e mentiras que, ao longo dos anos, foram meticulosamente construídos pela esquerda. Perpetua-se a ilusão de que aqueles que recorreram ao assassínio, ao roubo e ao seqüestro como forma de promover uma ideologia responsável por dezenas de milhões de mortes ao redor do mundo foram, na verdade, guerreiros impávidos movidos pelo mais puro amor à democracia e à liberdade. Fossem esses "cavaleiros da esperança" bem-sucedidos em sua luta, estaríamos hoje vivendo em um grande cemitério de mortos-vivos, todos reduzidos a engrenagens humanas de um Estado totalitário desprovido de Deus e entronado pela Morte.

*Felipe Melo edita o blog da Juventude Conservadora da UNB.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

PODER PÚBLICO PERDE CONTROLE E OBRAS DA COPA JÁ ESTÃO R$ 2 BILHÕES MAIS CARAS. OU: A LEI GERAL DA COPA SUPERFATURA O PREÇO DE MERCADO?

Poder público perde controle e obras da Copa já estão R$ 2 bilhões mais caras
Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br

Por Rafael Moraes Moura, no Estadão:
A fraude no Ministério das Cidades que abriu caminho para a aprovação do projeto de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) em Cuiabá, R$ 700 milhões mais caro que o original, é apenas um dos exemplos de como o custo das obras da Copa do Mundo escapou do controle público. No que diz respeito à mobilidade urbana, os gastos totais aumentaram R$ 760 milhões, quando comparada a atual estimativa à previsão inicial de janeiro de 2010. O caso de Cuiabá foi revelado pelo Estado na última quinta-feira. Levando-se em conta a alteração orçamentária dos estádios, o aumento total das obras da Copa supera R$ 2 bilhões.

A mudança de planos em Cuiabá atendeu aos apelos do governador de Mato Grosso, Sinval Barbosa (PMDB). Além de Cuiabá, houve aumento de preço nas obras de mobilidade urbana em outras cinco cidades: Belo Horizonte, Manaus, Porto Alegre, Recife e Rio de Janeiro.

Em Belo Horizonte, o BRT da avenida Cristiano Machado saltou de R$ 51,2 milhões para R$ 135,3 milhões, acréscimo de 164,3%. Em Manaus, o valor global das duas obras previstas - um monotrilho, já criticado pela Controladoria-Geral da União (CGU), e uma linha rápida de ônibus - aumentou 20%.

O prolongamento da Avenida Severo Dullius, em Porto Alegre, ficou 70% mais caro. Todas as cinco obras de mobilidade urbana programadas para Recife encareceram - entre elas, o BRT Leste/Oeste - Ramal Cidade da Copa, que aumentou de R$ 99 milhões para R$ 182,6 milhões (84,40% de diferença). O Corredor Caxangá (Leste/Oeste), por sua vez, agora custa R$ 133,6 milhões, ou 80,54% a mais.

domingo, 27 de novembro de 2011

O DEUS NATUREZA. OU: CERTO TIPO DE DEFESA DA NATUREZA É A EXPRESSÃO DO FASCISMO PÓS-MODERNO. OU: A GOTA D'ÁGUA E O OCEANO DA IGNORÂNCIA CONVICTA

Certo tipo de defesa da natureza é a expressão do fascismo pós-moderno. Ou: A gota d’água e o oceano da ignorância convicta
Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

O que levou aqueles atores da TV Globo a estrelar aquele vídeo patético sobre Belo Monte, articulando bobagens constrangedoras e mentiras deslavadas, ancorados na mais escancarada desinformação? O que motivou outros tantos, às vezes os mesmos, a dizer sandices sobre o novo Código Florestal, passando um incrível atestado de ignorância no assunto sobre o qual pontificavam? A “natureza” virou a religião e a ideologia dos idiotas propositivos. É, finalmente, possível “participar”, ser “cidadão”, “pertencer a uma causa” sem que isso cobre disciplina, coerência, trabalho, método, estudo e mesmo comprometimento com as próprias palavras. Estamos diante de um influente “obscurantismo das luzes”. “Todo defensor da natureza é idiota, Reinaldo?” Ora…

É claro que o Brasil e o mundo precisam se preocupar com o meio ambiente e devem buscar formas de conciliar a preservação da natureza que pode ser preservada com as necessidades do desenvolvimento. Isso é matéria de bom senso. É simplesmente mentirosa a tese de que, no Brasil ou em qualquer outro país, as pessoas se dividam entre as preocupadas com a sustentabilidade e as despreocupadas — ou, mais precisamente, entre agentes da conservação e agentes da depredação. Os que fazem essa acusação, reparem, consideram-se do “lado do bem”, verdadeiros membros das seitas que reivindicam o monopólio da virtude. Mimetizam o comportamento dos convertidos a crenças fundamentalistas, que distinguem a humanidade entre os que tiveram acesso à verdade revelada e os que não tiveram.

Crenças religiosas que vivem a fase do proselitismo agressivo, em busca de fiéis, ou mesmo aquelas já tradicionais que disputam o poder secular para submetê-lo à autoridade divina, como os vários islamismos, costumam apontar no presente os sinais antecipatórios ou de uma Nova Aurora ou de um Novo Apocalipse — quando não, das duas coisas: acontecimentos apocalípticos seriam o preço que pagamos por nossa descrença, por nossa incúria, por nossa irresponsabilidade, por nossos malfeitos. Haverá, então, a depuração, e os justos herdarão a bonança. E esses justos são convocados então para a luta.

Nada disso é estranho, eu sei, ao cristianismo também. Ocorre que essa religião, notadamente nas suas duas principais expressões — o catolicismo e o protestantismo histórico —, sem abandonar alguns fundamentos da crença, como a Parúsia (a segunda vinda do Messias), estão presentes na vida das pessoas mais como um conjunto de valores morais e éticos do que propriamente como uma mística, daí a sua convivência pacífica com as democracias. O cristianismo se espalhou nas cidades greco-romanas, lá nas origens, porque se fez a religião da solidariedade. A sua vitória se deveu, em grande medida, à sua dimensão laicizante. Sigamos.

Tanto a religião como a política emprestam aos homens um sentido de pertencimento e impõem certa disciplina militante, que organiza a experiência e a vida prática. Nas sociedades democráticas, são domínios distintos, mas lidam com matéria semelhante: a crença. Ocorre que essa crença, nos dois casos, não pode ser vivida apenas na sua dimensão subjetiva, pessoal, idiossincrática. A fé e a política são essencialmente comunitárias, cobram a ação e estão sob o constante escrutínio dos outros. E isso, evidentemente, dá trabalho. Os novos “profetas” ou “apóstolos” da “Natureza” têm conseguido reunir muitos adeptos Brasil e mundo afora — especialmente em tempos de redes sociais na Internet, quando basta um clique para participar de uma “cerimônia” — porque foram bem-sucedidas, vejam que coisa!, em criar uma religião sem Deus, mas com a dimensão apocalíptica, e uma política sem “pólis”, em que o estado, mesmo e especialmente o democrático, é visto como o “outro” que conspira contra as verdades reveladas.

No dia 14 de novembro, Marina Silva, aquela que finge não ser política — ou que quer uma “nova política” — deu uma palestra no tal SWU, que deve ter produzido apenas o bom carbono, aquele das boas intenções. O Estadão registrou parte de sua intervenção. Assim (em itálico):

Marina considera que o mundo vive uma de suas maiores crises, “uma crise civilizatória”, que se espraia pelas áreas social, ambiental, política, estética e até mesmo de valores. Para ela, o homem terá de integrar economia e ecologia em um mesma equação se quiser que o planeta tenha futuro. Citou Freud (”Não podemos abandonar o princípio da realidade em nome do princípio do prazer”) e Edgar Morin (”A intolerância é apenas um desvio”) para justificar uma tese que, revelou, elaborou ontem em um quarto de hotel.
“Eu pensei: ‘estamos vivendo um momento de democracia prospectiva’. Fui até a janela respirar e pensei: ‘Meu Deus! Eureca!’ Segundo ela, as diversas formas de participação social, das manifestações da Primavera Árabe aos atos dos estudantes na Espanha, demonstram que o antigo sistema político, que se manifestava primeiro nos partidos, nos sindicatos, nos Congressos, hoje está começando direto na participação popular.

Para Marina, “as bordas estão se movimentando para encapsular o centro”, um centro que está estagnado por ter se agarrado a um projeto de poder.

Ufa!

Está tudo ali. A religião de Marina, como se vê (e eu me refiro à “natureza”, não ao cristianismo, de que ela se diz adepta), nota os sinais da Nova Aurora. Ou nos penitenciamos e passamos a fazer a coisa certa, ou então sobrevém o Apocalipse. A “crise” é, como posso chamar?, totalizante: nenhum setor da experiência escapa. Um cristão, diante dessa percepção, encontra o caminho óbvio: a Palavra de Deus. Para Marina, até a resposta estética está na comunhão entre ecologia e natureza.

Nota-se, segundo o relato do Estadão, que ela claramente se atribui dons demiúrgicos, elaborando teorias na ponta do joelho e sentindo até certo frêmito místico diante da sua descoberta. Na sua estupenda confusão mental, que seus crentes julgam entender, faz uma citação absolutamente inepta de dois conceitos freudianos — tão inepta que, na prática, fosse o caso de metaforizar, a “natureza” é que seria íntima do princípio do prazer (ao menos na escatologia marinista), e o desenvolvimento é que nos convocaria para o princípio da realidade e para o mundo da necessidade.

Nota-se que ela se deixa sufocar pelos próprios delírios místicos. Pensou na expressão “democracia prospectiva”, seja lá que diabo isso signifique, e concluiu que há um mesmo movimento que une Egito, Espanha, Brasil… Seriam, diz, “as bordas encapsulando o centro”, que estaria agarrado “um projeto de poder”. Ocorre que é “centro”, que estaria sendo encapsulado, que abriga todos os mecanismos da representação democrática. Até parece parece que os financiadores de Marina — embora magrinha, não vive de vento, tampouco as suas causas — estão nas “bordas”, não, como de fato estão, no “centro”.

Mussolini disse coisas parecidas nos primeiros anos de sua pregação. Aquele outro, o do bigodinho, também! Essa é uma conversa, lamento dizer, que nasce daquela religiosidade sem Deus e daquela política sem pólis, mas que remete a todos os delírios fascistóides de uma sociedade sem mediação, que, sob o pretexto de se organizar para a democracia direta, consegue ser nada menos do que corporativista, autoritária, dominada por milícias — ainda que milícias do pensamento, que se querem do bem. Se Marina um dia se tornar presidente da República, vai governar com quê? Com os Sovietes Verdes? Com as Corporações da Clorofila?

Nada mais do que a crença ignorante
Marina fez dia desses um evento para debater a sua “nova polícia”. Não apareceu quase ninguém. Nem precisa. O que importa para ela é a “rede”; são aqueles bobalhões a negar a necessidade de usinas hidrelétricas no Brasil (”por que não eólica ou solar?”, indagava o rapaz, com aquele ar propositivo e bucéfalo de quem só quer ajudar a humanidade…), a afirmar que Belo Monte só alimenta o nosso egoísmo (a loura que quer carregar a bateria do iPhone)…

Marina perdeu o fôlego de excitação mística por muito pouco. Deveria, pra começo de conversa, ler Freud e parar de falar besteira. Também não custa fazer as devidas distinções entre o que se passa no Egito, em que se assiste ao mal-estar da ditadura, e o que se viu na Espanha, em que se assiste ao mal-estar da democracia. Pra ela, tanto faz. Esse discurso da simplificação mobiliza, sim, milhares de pessoas — ao menos na rede — que não estão dispostas a queimar a mufa para saber, afinal de contas, que diabo se passa no mundo.

Quando chamei atenção para o fato de que o alagamento de Belo Monte corresponde a 0,019% da parte brasileira da floresta amazônica e a 0,017% da floreta como um todo, alguns bobalhões resolveram se indignar: “Mas não é melhor que mesmo isso fique lá, preservado?” Claro! Talvez jamais devêssemos ter saído da caverna, não é? Talvez o erro ancestral tenha sido a interdição do incesto, para lembrar Freud… Talvez a civilização tenha sido um grande erro…

“Ah, está dizendo que desenvolvimento não é compatível com a natureza!!!” Não! Ao contrário: estou afirmando justamente a compatibilidade, ainda que seja preciso sacrificar alguns pedaços de pau em nome do princípio da realidade.

Quanto àqueles artistas, vão procurar um roteiro melhor. Ou, então, deixem de preguiça, desistam de influir no debate como celebridades e tentem se informar, como cidadãos da pólis, a respeito dos temas sobre os quais pontificam.

sábado, 26 de novembro de 2011

SOBRE A JUSTIÇA DO HOMEM CAPITALISTA. OU: AS PRINCIPAIS FUNÇÕES DO ESTADO SÃO DIRIMIR CONFLITOS E GARANTIR LIBERDADE INDIVIDUAL E ECONÔMICA

O Ministro do STF, Eros Roberto Grau, escreveu o livro “A ordem econômica na constituição de 1988”. Mais de trezentas páginas para concluir de maneira singela: A constituição do Brasil é uma constituição capitalista com possibilidade de intervenção do estado na Economia.

Absolutamente certo. A Constituição da República do Brasil foi escrita somente por homens capitalistas. Não há nenhuma exceção. Isso porque até mesmo aquele que se diz socialista tem desejo de posses sobre coisas e pessoas e exige direitos de propriedade.

A intervenção do Estado serve para regular o mercado, evitar agravamento de crises e serve também para contentar aqueles que desejam o estado socialista que concentra todas as propriedades nas mãos de um homem só. Na verdade, o estado socialista nunca existiu e nunca existirá. No máximo existiram ou existirão ditaduras castradoras das individualidades e das iniciativas privadas.

O arcabouço teórico da sociedade capitalista considera que todo ser humano tem algum atributo de ser trabalhador, ser engenhoso ou de ser inovador. Todos deveriam pensar no melhor para si e para a sociedade. Muito trabalho, engenho, tentativos, erros e perdas existiram em nome da solução para grandes ou velhos problemas. Contudo, apesar de todos quererem ganhar em benefício próprio, a criatividade, as inovações e a soma do trabalho de todos foram integralmente apropriadas pela sociedade.

O empresário inovador, ao correr atrás do lucro, funciona como o motor da sociedade capitalista. Mesmo nessa posição de puxador e não de condutor da produção social, ele é apenas remunerado pelo trabalho desenvolvido ou honrado pelo seu gênio.

Cesare Beccaria (Dos delitos e das penas, 1763) escreveu sobre as honras sociais: ”Que o mais engenhoso tenha maiores honras e que sua fama resplandeça em seus sucessores; e quem é mais feliz ou mais honrado tenha maiores aspirações, mas não tema, menos que os outros, violar os acordos com os quais se elevou acima dos outros.”

Nota-se que o mais engenhoso tem as maiores honras. O capitalismo dá as maiores honras ao empresário, mas é só isso. Não há outras vantagens. Deve-se lembrar que esse comportamento social, desde quando foi descrito pela primeira vez, sempre teve como essência a busca do lucro. Não só do empresário, mas de todos, pois sempre se busca “levar vantagem em tudo” (lembrar da famosa Lei de Gerson).

Porém, como o leitor já percebeu, não dá para levar vantagem sempre. Aliás, a essência do capitalismo é contrária à garantia de vantagens. Deve-se correr atrás delas, mas consegui-las é mera probabilidade, sendo impossível ganhar sempre. Até mesmo para o monopolista: um dia a crise lhe tira os lucros.

A injustiça que alguns vêem fica por conta daqueles empresários que só aplicam capital em troca da maior taxa de retorno e que não trabalham. É uma injustiça apenas aparente, haja vista que o sistema capitalista remunera a todos, pois até mesmo os ociosos são remunerados com juros se aplicarem o dinheiro que herdaram.

No capitalismo de concorrência pura há grande diferença entre o empresário inovador e empresário mero aplicador de capital. Um trabalha e o outro vive de rendas. Mesmo assim, na inexistência de vantagem permanente para alguns, o capitalismo é justo.

Porém as leis são imperfeitas, pois são feitas por aqueles que delas se beneficiam e as injustiças que ocorrem não devem ser debitadas ao capitalismo, mas sim ao homem ganancioso que pensa até em se apropriar do estado em nome do socialismo.

A respeito da conclusão de do Ex-Ministro do STF: é necessário conhecer as verdades internas dele para saber se considera a intervenção do estado na economia como prejudicial à liberdade de busca do lucro. É de se ressaltar que respostas dizendo que o estado incrementa o socialismo ou que é a salvação do capitalismo são duas verdades do mesmo lado esquerdista e autoritário do pensamento econômico. Na verdade, o estado só serve para dirimir conflitos entre seres humanos sempre capitalistas que não querem o estado diminuindo a liberdade individual ou econômica, base da criação de mais riqueza para todos.

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

ASSISTA AO VÍDEO 180 graus. ABORTO, VIDA E MORTE NAS DECISÕES E OPINIÕES


Vídeo “180” alcança mais de 1 milhões de visitas e provoca “milhares” de conversões à causa pró-vida

Por Kathleen Gilbert no site www.noticiasprofamilia.com
2 de novembro de 2011 (Notícias Pró-Família) — O criador do filme pró-vida “180”, que se tornou um fenômeno na internet, diz que está recebendo “milhares” de testemunhos descrevendo como a lembrança inesquecível do Holocausto no filme e os argumentos sobre o aborto convenceram os que escreveram as cartas a se opor ao aborto legalizado.

O vídeo se tornou um grande fenômeno no YouTube depois de seu lançamento em setembro, alcançando a segunda colocação entre os vídeos mais debatidos e assistidos e a terceira colocação entre os filmes favoritos do mês passado, de acordo com dados postados na página de Facebook de Pro-Life Rocks. Mais de 1 milhão de pessoas já o assistiram. Para assistir ao filme é só clicar acima.

O documentário pró-vida de 33 minutos tem uma abertura com cenas perturbantes de vários jovens que não conseguem reconhecer Adolf Hitler, uma ignorância que o autor e entrevistador Ray Comfort liga à aceitação generalizada do moderno Holocausto: o aborto legalizado. Enquanto jovens adultos que são entrevistados no filme são forçados a conectar a matança legalizada de judeus com o fato de que a sociedade está aceitando a matança de bebês em gestação, eles são vistos mudando de opinião, passando a se opor ao aborto.

“Assistir ao 180 é como andar na montanha-russa — uma experiência que provoca emoções —, pois assistimos pessoas se contorcendo enquanto são colocadas num dilema moral com perguntas do tipo ‘se enterraríamos judeus vivos (algo que aconteceu na Segunda Guerra Mundial), sob a ponta de um revólver nazista’”, disse Comfort. “O filme testa o caráter para mostrar o quanto as pessoas valorizam a vida humana. Ficar ignorante do que é possivelmente a parte mais sombria da história humana inevitavelmente resultará na desvalorização da vida, e uma repetição do Holocausto”.

Comfort diz esperar que o filme “possa estar chegando até uma escola secundária perto de você”: no mês passado, entre 180.000 e 200.000 exemplares do DVD de 33 minutos foram distribuídos para as 100 mais importantes universidades dos EUA, e agora o autor, que é judeu e co-apresentador de um programa de TV, está voltando a atenção para as escolas secundárias.

Embora alguns possam fazer objeção à iniciativa de dar lição sobre o Holocausto para adolescentes da escola secundária, Comfort, que é pastor evangélico e judeu, diz que os Estados Unidos hoje precisam muito de tal educação.

“Voltei aos nossos estúdios [depois de filmar 180] com 14 entrevistas com pessoas que acham que [Hitler] era comunista, ou um ator, ou que até mesmo nunca tinham escutado o nome dele”, disse ele. “Esses jovens são um tanto ignorantes quanto ao que é possivelmente a parte mais sombria da história humana, pois o sistema de educação dos EUA os deixou na mão”.
Comfort disse que os vídeos do 180 estão “rapidamente desaparecendo das prateleiras, como se fossem sorvetes vendidos em pleno verão quente”, nas campanhas locais de doação.

Mas a coisa mais fascinante sobre 180 não é sua popularidade, mas seu impacto em audiências que são a favor do aborto, diz ele. “A coisa estupenda é que as pessoas que assistem a esse filme mudam da posição pró-aborto para a posição pró-vida”, disse Comfort. “Temos recebido milhares de e-mails de pessoas, muitas das quais mudaram enquanto estavam assistindo ao filme”.

Uma estudante de escola pública secundária na Virginia Ocidental escreveu um e-mail sobre como o 180 ajudou a mudar a mente da sala de aula inteira dela acerca do aborto. “Nesta semana passada em nossa aula de educação cívica estávamos escrevendo trabalhos didáticos sobre leis que desejávamos mudar nos EUA. Depois de assistir a esse vídeo, minha escolha é mudar as leis de aborto, e como eu desejava que fosse ilegal”, escreveu ela.

Depois que eu havia acabado de ler meu trabalho didático, surgiu um debate na aula (obviamente) sobre como é que eles achavam que o aborto deveria ser uma escolha, principalmente se o bebê está doente ou a causa da gravidez é um estupro. Mas logo que começamos a comparar essa situação com Hitler e os judeus, a mente de todos começou a mudar… Por causa do filme 180, pude mudar a opinião da minha classe inteira sobre o aborto e no final da aula, todos os 25 estudantes e meu professor haviam levantado a mão concordando que o aborto propositado deveria ser ilegal.

Outro escreveu simplesmente: “Eu costumava votar em candidatos pró-aborto. Mas nunca mais farei isso. NUNCA”.

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Traduzido por Julio Severo: www.juliosevero.com
Fonte: http://noticiasprofamilia.blogspot.com

"NOOOSSSA, TIO FALCÃO, POR QUE ESSAS UNHAS TÃO GRANDES E ESSE BICO 'VORTEADO'"?


Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br
Reproduzo um trecho de uma reportagem da VEJA Online, que trata da atuação de Rui Falcão, presidente do PT, no tal seminário sobre mídia. Leiam (em vermelho):


O presidente nacional do PT, deputado estadual Rui Falcão, fingiu fazer um mea-culpa pelas declarações de companheiros de partido que voltaram à carga contra a imprensa em um seminário do partido para discutir um marco regulatório para as comunicações, nesta sexta-feira, em São Paulo. “Assim como a imprensa critica e é direito dela, ela também pode ser objeto de crítica”, disse Rui Falcão. E seguiu representando o papel de bom moço, que evitava atacar os meios de comunicação: “Nosso papel não é ficar julgando a imprensa”.
Questionado se o PT desistiu de controlar a imprensa por meio de uma tal “sociedade civil”, Falcão reagiu: “Não queremos controlar ninguém. Queremos mais participação, para que a população também possa produzir essa informação. Não há uma palavra em nossas resoluções que aponte na direção do controle.” Em um caderno distribuído aos participantes do evento, não constam mecanismos de controle, mas há referência vaga à participação social na elaboração de políticas de comunicação.
O documento defende ainda o fortalecimento da cultura brasileira e da indústria nacional criativa. E aí Falcão mostrou seu objetivo: suavizar o termo “controle”, substituindo-o por “proteção”. “Onde não existe regulação, quem domina é o mercado; e o mercado é a lei da selva”, disse Falcão. “Temos que proteger a imprensa nacional.”


Voltei
Que coisa mais fofa! Agora entendi por que Falcão quer proteger as rolinhas… Ele acha que o mercado é a lei da selva. Ainda bem que existe o PT pra cuidar da gente!

— Nooosssa, Tio Falcão, por que essas unhas tããão graaandes?”
— Pra te proteger do capitalismo selvagem, patinho!
— Nooossa, Tio Falcão, por que essa cara tããão brava?
— Pra te proteger da concorrência desleal, patinho!
— Nooossa, Tio Falcão, por que esse bico ‘vorteado’ que nem gavião?
— É pra te comer, pato burro!

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Meus heróis não morreram de overdose. Alguns dos meus amigos de infância é que morreram no narcotráfico! E foi uma escolha!


Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo/
Este será um texto difícil, leitores! Avançarei por um trilho que sempre evitei porque tenho tal horror à demagogia que o risco remoto de que nela pudesse resvalar sempre me impediu de continuar. Mas chega a hora, como disse o poeta, em que os bares se fecham. E então restamos com nossas verdades. E elas precisam ser não exatamente anunciadas, mas enunciadas. Chegou a hora de vocês saberem um pouco mais deste escriba. Mas vamos devagar nesta longa viagem noite adentro.

Enganam-se aqueles que supõem que tenho debatido, nestes dias, a formação de chapas para disputar o DCE da USP, da Unirio ou da UFPR. A questão, entendo, é bem mais ampla: trato aqui de regras de civilidade, da democracia e do estado de direito. Espanta-me que seja justamente nas universidades — em particular nas públicas — que direitos essenciais garantidos pela Constituição sejam aviltados; direitos que custaram os esforços de gerações de brasileiros. Modestamente, fiz parte dessa trajetória e corri riscos, desde bem menino, por isso. Constato, não surpreso, mas nem por isso menos indignado, que a defesa da lei no Brasil pode ser, sim, uma atitude perigosa, daí que eu tenha sido obrigado a tomar medidas para a minha proteção. Nem por isso vou desistir. Releiam o título deste post. Eu vou chegar lá.

Ontem, enquanto alguns leitores de Vladimir Safatle, o professor pró-invasão, liam a sua corajosa fuga do debate (ver post abaixo), um panfleto era distribuído na USP, com tiragem anunciada de 3 mil exemplares. Ataca-me com impressionante violência. Mais do que isso: incita o ódio, a agressão. Acusa-me, em última instância, de interferir numa questão que seus autores parecem considerar privada. Isto mesmo: eles privatizaram a Universidade de São Paulo e rejeitam por princípio a crítica. O curioso é que, em sua não-resposta, Safatle me acusava — este rapaz precisa tomar cuidado com seu eventual lado mitômano — de promover a violência retórica. Escreveu em sua “não-resposta” que ele pertence àquela categoria de pessoas que “nunca responderão a situações nas quais a palavra escrita resvala para o pugilato, nas quais ela flerta com as cenas da mais tosca briga de rua com seus palavrões e suas acusações ‘ad hominen‘. Seria, simplesmente, ignorar a força seletiva do estilo.” Bem, noto à margem que o latim de Safatle não é melhor do que seu português, sua filosofia, seus argumentos e seu talento de polemista. O certo é “ad hominem”, com “m”. A alternativa é não recorrer ao latim.

Não, eu não desferi um só palavrão contra este rapaz. Em compensação, aqueles aos quais ele dá suporte — costuma ministrar “aulas” em áreas públicas ocupadas, como já fez em Salvador! — percorrem todo o vocabulário da desqualificação para me atacar, com impressionante vulgaridade e boçalidade. Em suma: acusam-me de promover aquilo que eles próprios promovem. Quando um delinqüente intelectual divulga um panfleto asqueroso, que faz a apologia da pancadaria e da tortura, em vez de pedirem cadeia para o autor, preferem jogá-lo nas costas de seus adversários. É uma gente, parece, para a qual o crime sempre é útil, os próprios ou os alheios.

Ataques e povo consumidor
Nos ataques que prosperam na rede, as Mafaldinhas e os remelentos mimados me acusam, ora vejam!, de ser um representante da “classe dominante” — ou de estar a serviço dela — e fechar os olhos e tapar os ouvidos ao sofrimento do povo, de que eles seriam os procuradores. Se o povo os ignora e, na verdade, repudia a sua pauta, então é porque está ainda esmagado pela opressão do capital e pelas artimanhas da ideologia dominante, que lhe incute uma falsa consciência que o impede de ter clareza de seu papel revolucionário. É aí que entra, então, o partido — o deles — com o seu papel de vanguarda e de organizador da luta. Escrevo isso e dou um meio-suspiro. Imaginem vocês se Marx estabeleceria esse encadeamento se os “revolucionários” em questão fossem estudantes universitários…

O que essa gente sabe “do povo”, Deus Meu? No máximo, tem notícia dele por intermédio de suas respectivas empregadas, certamente mais “reacionárias” do que eles próprios. Esses radicais, que hoje se querem à esquerda do PT — os petistas assistem aos absurdos da USP pensando apenas em como tirar proveito eleitoral do episódio —, explicam por que foi um operário meio ignorantão, Luiz Inácio Lula da Silva, a empurrá-los para a absoluta indigência intelectual e para o flerte com o banditismo.

Se Lula e seu PT têm promovido o que considero um contínuo rebaixamento institucional do Brasil por conta do aparelhamento do estado e de sua vocação para se estabelecer como partido único, o que certa esquerda considera “progressista”, é fato que o sucesso do Apedeuta, desde quando era sindicalista, se deve justamente a aspectos de sua pregação que esses radicalóides consideram “conservadores”, até mesmo reacionários. Desde quando era presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, Lula prega a uma platéia de consumidores, não de revolucionários. As três campanhas eleitorais vencidas pelo PT exercitaram, todos sabemos, à farta a lógica do “nós” contra “eles” — aquela bobajada tipicamente esquerdista —, mas sempre ancoradas na democratização das conquistas do capitalismo. Há, sim, uma vasta literatura de esquerda que provaria que Lula é um grande “reacionário”.

O ponto, meus caros, é que o povo vive o, como chamarei?, “malaise” da carência, enquanto esses esquerdistas enfatuados conhecem o “malaise” da abastança. PCO, LER-QI, PSOL e assemelhados oferecem “consciência revolucionária” aos pobres, e estes querem é geladeira nova. Os extremistas do sucrilho e do toddynho lhes propõem utopias, e eles estão de olho no computador. Os delirantes, em suma, lhes acenam com o socialismo, e eles só esperam que o capitalismo também lhes sorria. Foi Lula quem conduziu esses delinqüentes intelectuais para o hospício da política. Em certa medida, ninguém foi, segundo a ótica deles, mais contra-revolucionário do que o ex-presidente — o que não quer dizer que ele seja um democrata convicto. Eu não considero.

Desconhecem o povo
Esses extremistas de terceiro grau, sejam alunos, professores ou funcionários, não sabem o que é o povo, quem é o povo, o que quer o povo — e o resultado que logram nas urnas deixa isso muito claro. E então virá a pergunta fatal: “E você, Reinaldo, conhece?” Pois é, conheço, sim! SEM ME CONSIDERAR SEU REPRESENTANTE PORQUE NÃO FUI ELEITO POR NINGUÉM, DEIXO CLARO! E agora começa o caminho um tanto pedregoso, que sempre evitei, porque tenho verdadeiro asco de certas parvoíces sociologizantes. Mais do que isso: a cada vez que vi Lula tentando justificar algumas de suas escolhas equivocadas por causa de sua infância pobrezinha, meu estômago deu alguns corcovos. O Lula que mobilizou os consumidores, se querem saber, merece o meu respeito. O Lula que tenta fazer da pobreza uma cultura merece o meu solene desprezo.

Vamos lá, Reinaldão, coragem! Sabem os meus familiares, sabem os meus amigos próximos, alguns deles jornalistas (sim, os tenho, e queridos!), que fui muito pobre, muito mesmo! E nunca dei uma de coitadinho porque não pode haver poder mais discricionário e asqueroso do que o das vítimas — de quaisquer vítimas — se transformado em categoria de pensamento. A pobreza não existe nem para culpar nem para enobrecer ninguém. Vamos lá ao título. Não! Os meus heróis não morreram de overdose porque isso é luxo que não se consente a determinadas faixas de renda. Essa “overdose” sempre supõe que o tal “herói” foi uma espécie de paladino da luta contra a opressão. Qual opressão? Qualquer uma que possa servir de pretexto para enfiar o pé na jaca.

Se meus heróis não morreram de overdose, tive, isto sim, amigos de infância e pais de amigos que se meteram com a bandidagem e o narcotráfico e que hoje estão mortos. Morreram de “overbalas”. Meu pai trocava molas de caminhão; minha mãe chegou a trabalhar como doméstica. Não me orgulho da profissão que tiveram. Orgulho-me das pessoas que eram — minha mãe, felizmente, viva, forte e ainda mais cheia de opiniões do que eu, hehe. Orgulho-me de seu caráter. Orgulho-me de seu senso de honra. Morei em dois cômodos de madeira até os 5 anos; depois, em dois cômodos de alvenaria até os 15. No fundo do terreno, corria um rio fétido. Nas chuvas, a água invadia a casa. O que isso me ensinou? Digo daqui a pouco. E talvez surpreenda muita gente!

Eu era livre para escolher
Tive todas as oportunidades de delinqüir, às quais alguns sucumbiram, numa periferia aonde o asfalto chegou tardiamente, para ter um “Kichute” novo (ainda existe?), uma calça “Lee Americana”, como chamávamos à época, uma “vitrola” para os bailinhos — faziam-se “bailinhos” então. E sempre disse “não!” E fiquei sem o Kichute, a Lee Americana e a vitrola. Eu tenho uma novidade para esses delinqüentes encapuzados e seus professores picaretas: OS POBRES TAMBÉM FAZEM ESCOLHAS MORAIS. Não são umas bestas à espera da iluminação que vocês possam proporcionar. Aliás, eles as fazem mais freqüentemente do que os abastados porque, de fato, suas carências são maiores e maiores as chances de tentação de encontrar um caminho mais curto para obter o desejado.

Disse “não” muitas vezes — e não vai nisso heroísmo nenhum! Não fui o único. Sempre que leio textos de supostos especialistas a demonstrar como os pobres da periferia são vítimas passivas das circunstâncias, sou tentado a pegar um chicote. Porque essa gente não sabe O que nem DO que está falando.

Não, eu não acho que essa minha origem me qualifique para isso ou para aquilo. Não me liguei a grupos socialistas porque quisesse subir na vida (claro!) ou porque achasse que o estado tinha a obrigação de me dar moradia ou o que fosse. A minha questão, desde sempre, tinha a ver com a democracia. Achava, e ainda acho, inaceitável que um governo possa decidir o que devemos pensar, o que devemos dizer, o que devemos calar. Nem governos nem milícias comuno-fascistas da USP ou de qualquer outro lugar.

A propósito da ignorância dos extremistas. Lembro-me, eu tinha 15 anos, de uma “aula” com um “intelequitual” da Convergência Socialista (que está na pré-história do PSTU) a esculhambar o então apenas “sindicalista” Lula, em começo de carreira, porque este seria um “reformista”, empenhado “apenas” em conquistar salários melhores, o que, entendi, era ruim para a libertação dos trabalhadores. O que aquela gente sabia do povo, Deus Meu? Nada! O que sabe ainda hoje? Nada!

Todos os dias, recebo centenas de comentários mais ou menos assim: “Você, que nunca andou de ônibus…”; “Você, que nunca andou de trem…”; “Você, que nasceu em berço de ouro…” Costumo ignorar porque tenho outra novidade para os delinqüentes encapuzados: a abastança pode ser tão opressora quanto a carência! Os que não sabem o que fazer dos benefícios que herdaram podem ter um destino tão ou mais duro do que os que não sabem o que fazer das carências que herdaram. O ponto, desde sempre, não é o que fizeram de você, mas o que você vai fazer do que fizeram de você, compreenderam?

Ignorância com efeitos trágicos
Essa ignorância do que são e do que querem os pobres tem efeito terrível na vida dos próprios pobres. A cada vez que vejo ONGs nas favelas do Rio ou na periferia de São Paulo ensinando criança pobre a batucar, a fazer rap, a fazer funk (lá vem chiadeira…), vem-me de novo a vontade de pegar o chicote. Por que pobre tem de batucar? Aos 14 anos, eu já tinha lido toda a poesia de Cecília Meireles e boa parte do que sei de Drummond, por exemplo. Ali, na cozinha de casa. Não porque eu fosse um gênio, o que não sou, mas porque há pobres que se interessam por literatura e não estão dispostos a representar o papel de pobres para satisfazer os anseios dos remelentos e das Mafaldinhas revolucionárias. E não estão dispostos pela simples e óbvia razão de que… JÁ SÃO POBRES. NÃO PRECISAM REPRESENTAR!

Eu conheço o povo, aqueles alunos e professores remelentos não conhecem. Para a chateação e a fúria deles todos, conheço também os textos que lhes servem de referência, com a ligeira diferença de que os li. Safatle, aquele rapaz do cinturão do agronegócio, a esta altura, deve estar radiante: “Eu sabia! Esse Reinaldo é um pobre que se tornou reacionário para subir na vida; um arrivista!” E se sentirá, então, pacificado. Ele, das classes abastadas, se regozijará com a generosidade de sua entrega à causa popular, mesmo vindo das camadas superiores. Já eu, vejam que desastre!, em vez de estar na rua, carregando bandeira; em vez de estar empenhado na libertação da minha classe; em vez de estar exercendo o papel que me foi reservado pelo marxismo sem imaginação dessa canalha, eu, olhem que coisa!, estou aqui a dizer para Safatle que sua citação de um texto de referência é descabida. Corrijo também o seu português. Corrijo, para arremate dos males, o seu latim. Pobre reacionário é mesmo uma merda, né, Safatle? É só ler alguma coisinha, já sai corrigindo os ricos progressistas…

Por que isso tudo?
Por que isso tudo? Para tentar ganhar algumas credenciais junto à escumalha moral que anda me satanizando por aí? Eu quero mais é que essa gente se dane. Mas não venha, como se dizia na minha vila, “botar panca” (sim, o certo é “banca”) pra cima de mim, tentando me dar aula do que é povo, do que é pobreza, do que é carência. Eu lhes ensino, seus delinqüentes, como transformar dois ovos e um tomate numa refeição para quatro pessoas, com o acréscimo de farinha de rosca numa omelete sem queijo e sem presunto. A boa notícia para nós é que era gostoso. Fiz Dona Reinalda preparar o prato dia desses. Ficou bom, mas não era a mesma coisa, porque, para citar um trecho que decorei de “No Caminho de Swann, de Proust (só trechinhos, viu? Não quero passar falsas impressões, hehe), “tentamos achar nas coisas, que, por isso, nos são preciosas, o reflexo que nossa alma projetou sobre elas, e desiludimo-nos ao verificar que as coisas parecem desprovidas, na natureza, do encanto que deviam, em nosso pensamento, à vizinhança de certas idéias”. No caso, a omelete de farinha de rosca estava ali, mas as circunstâncias eram outras, como a água do rio que não passa duas vezes pelo mesmo lugar.

A minha história não me faz nem mais nem menos qualificado para coisa nenhuma! Também a pobreza pregressa não é categoria de pensamento. Eu espero que aqueles vagabundos que ficam demonizando meu nome por aí me desprezem ainda mais por isso. Têm a chance de descobrir que as nossas diferenças não estão apenas nas escolhas, mas também nas origens. A pobreza não me ensinou nada de especial. Cabe a cada um de nós o esforço ao menos de tomar a rédea do nosso destino, feito muito mais de opções do que freqüentemente supomos. Mas isso não é uma particularidade da pobreza. Também os ricos, reitero, podem ser oprimidos pela riqueza. “Mas qual opressão é melhor?”, pode perguntar um cínico.

Olhem aqui, minhas caras, meus caros, é claro que governos e políticas públicas têm de se ocupar da melhoria das condições de vida do povo. Com uma escola melhor, uma saúde melhor, uma segurança melhor, aumentam as chances de felicidade. Negá-lo seria uma estupidez. Chances de felicidade, no entanto, não são felicidade garantida. Na pobreza ou na abastança, o que quer que nos faça infelizes sempre está dentro de nós. E não há revolução que dê jeito.

Ah, sim: algum anseio insatisfeito da pobreza ainda me assalta hoje, já que “o menino é o pai do homem”, como escreveu Wordsworth, frase depois retomada por Machado de Assis em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”?

Um ferrorama lindão, gigantesco, cheio de traquitanas. No mais, nada faltou, nada excedeu. Cada vida existe na sua exata medida.

Beijo do Tio Rei.

EXISTE UM VAMPIRO VELHO NO MARANHÃO E OUTRO NOVO NO RESTANTE DO BRASIL?



Gente, agora estou mais tranqüilo: Nosferatu Sarney não está magoado com a gente! Que bom! Dá, então, para largar a nossa carótida?
Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/

Ai, meu Jesus Cristinho, como diria Manuel Bandeira!

Vocês viram esse filmete do horário político do PMDB, em que o ator e militante do partido Milton Gonçalves pergunta a “Sarney-mais-de-50-anos-de-vida-pública” se lhe restou “alguma mágoa”? Então vejam. Volto em seguida.

Voltei
Não é comovente? Ele não está magoado com a gente! Que bom! Na verdade, ele se apaixonou. Por isso não larga a nossa carótida.

Em meio século de poder no Maranhão, estado que não sofre com as agruras do semi-árido, os Sarney conseguiram produzir o mais baixo Índice de Desenvolvimento Humano do país. Qualquer que seja a desgraça brasileira, ela sempre será pior naquele estado, não por determinação da natureza, mas por uma escolha dos homens.

Que país este, não? Não é por acaso que Sarney conclui a sua intervenção saudando Lula. Os atrasos se juntaram: o do velho vampiro com o do novo vampiro. Vejam isso. Volto depois.

Encerro
É isto aí: no país em que Delúbio Soares é chamado por “estudantes” para dar palestra, Sarney manda dizer ao povo que não está magoado…

Nojo dessa gente é pouco!

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Moças e moços livres de todo o Brasil, uni-vos! Ou: Por que a liberdade é superior ao pão. Ou: Professores, tirem barbicha, saião; quero-os sérios

Moças e moços livres de todo o Brasil, uni-vos! Ou: Por que a liberdade é superior ao pão. Ou: Professores da área de humanas, tirem essa barbicha ou esse saião que eu quero vocês sérios!
Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

Sinto que chegou a hora de fazer um texto de mais fôlego sobre o processo de libertação que teve início das universidades brasileiras. Acho que sairemos todos ganhando. Vocês é que vão dizer. Peço que leiam até o fim. Se gostarem, espalhem o texto por aí.


Tenho me batido aqui já há alguns dias na crítica à violência que as correntes de extrema esquerda submetem a maioria dos estudantes das universidades brasileiras, especialmente nas instituições públicas. Um ou outro leitores chegaram a reclamar que estou dedicando tempo excessivo à questão. Discordo! Creio que tenho feito algo mais amplo do que debater se a chapa A ou a chapa B sairá vitoriosa num embate eleitoral. Eu estou escrevendo sobre a liberdade. Hoje, quero me aprofundar no tema um tanto mais do que nos dias anteriores. Aproveito também para responder a uma indagação freqüentemente feita por leitores que gostam e que não gostam de mim: “Como foi que você migrou da esquerda na juventude para as opiniões de agora? Como chegou aí?” Vamos ver.

Na USP, a maior universidade do país, as ações da extrema esquerda ganharam, como vimos, a mímica do terrorismo, com burgusotas e burguesotes encapuzados a estocar gasolina na reitoria e a fabricar coquetéis molotov. A invasão do prédio foi promovida por uma miríade de “revolucionários” que talvez pudessem aspirar à condição de vanguarda em meados do século retrasado. Eles se dividem em correntes, partidos e seitas, e as razões das dissensões internas, não raro, estão ainda na Rússia revolucionária de 1917. O centro de suas especulações teóricas e de sua formação intelectual nada tem a ver com o Brasil de 2011, tampouco com os estudantes de verdade. Usam o aparelho universitário e a representação estudantil para o mero exercício da retórica revolucionária.

Não agem de modo diferente alguns de seus professores, aboletados naquilo que é, afinal, uma função pública, sustentada pelo dinheiro do contribuinte, para fazer pregação contra a organização do estado que lhes garante o sustento e o discurso. Não que a crítica reformista ao estado seja inaceitável. Mais do que aceitável, ela é desejável. Mais ainda: trata-se de um imperativo da universidade. Mas essa minoria de extremistas entre alunos, professores e funcionários da USP e de boa parte das universidades não quer reformar o sistema. Ao contrário: no fundo, acha que reformas criam obstáculos adicionais à revolução — aquela que nunca haverá. Seu propósito é exacerbar tensões para… construir o socialismo!!!

Tenho dado notícias da formação de chapas que não estão comprometidas com o suposto horizonte revolucionário e que repudiam a tomada dos órgãos de representação das universidades por seitas e partidos políticos. E tenho sido, como sabia que aconteceria, satanizado a valer nas redes sociais. Mas também há milhares de pessoas que se sentem algo amparadas pelas minhas afirmações, análises, opiniões. Julgavam-se quase sozinhas. Jamais endossaram os métodos da extrema esquerda, mas não encontravam um canal para que pudessem expressar sua indignação.

O movimento “caça-Reinaldo” (”cassa-Reinaldo” também serve) é violento, ameaçador, truculento mesmo. Falam em “bater”, “esfolar”, “quebrar a cara”, “te dar uma lição”. De tal sorte que tive de tomar medidas para a minha proteção e segurança. É que eu rejeito aquela que eles consideram a pauta “progressista”. Porque julgam ter a verdade e porque se consideram heróis do humanismo, os que a eles se opõem só podem ser representantes do atraso e ter motivos escusos para pensar de outro modo. Quando perceberam que seriam derrotados no processo eleitoral da USP, por exemplo — que reconheciam como legítimo enquanto achavam que podiam vencer —, deram um golpe, prorrogando seus próprios mandatos, à moda de qualquer ditador vagabundo da América Latina da década de 70.

Intimidam, fazem piquetes, promovem arruaças, invadem, depredam, silenciam opositores, ameaçam… Não obstante, gritam: “Reinaldo Azevedo fascista!” É uma piada! Ontem, recebi, como viram uma mensagem do autor daquele ignominioso panfleto que sugere atos violentos contra os maconheiros da USP e que traz a imagem do corpo de Vladimir Herzog, morto no DOI-CODI depois de torturado.

Ele está bravo comigo porque acho que ele merece cadeia. E acho porque seu panfleto nojento faz uma ironia sórdida com o cadáver de um homem que foi torturado. A tortura é um crime tipificado, inafiançável e imprescritível. Não creio que a liberdade de expressão abrigue esse tipo de coisa. Felizmente, o cara não gosta de mim. Também não gosta da Nietzsche, que supõe entender. Afirma ele a meu respeito:
“És apenas a antítese do super-homem de Nietzsche: um careca frango, fraco, uma tripa seca esquálida, incapaz fisicamente de defender a si mesmo em qualquer situação, e cuja existência é uma ofensa pras leias da natureza. Se ponha no seu lugar, pateta!”.

Também os guevaristas de extrema esquerda da Unirio, de um certo “Coletivo Vamos à Luta”, acham que sou uma pessoa detestável:
“Azevedo quer resgatar o perfil dos estudantes dos tempos da ditadura militar. Onde supostamente o interesse ‘cívico’ deveria comandar o espírito das entidades estudantis, regada na moral e bons costumes da marcha da família, com Deus pela liberdade.”

Como vocês podem notar, não sirvo para a causa dos trogloditas do fascismo. Como vocês podem notar, não sirvo para a causa dos trogloditas do comunismo. Eles têm razão! SIRVO APENAS À CAUSA DA LIBERDADE. Como deixei claro aqui no sábado, o comando do DCE não quis enfrentar o autor daquela baixaria. Quem chamou a coisa pelo nome fui eu. E, então, ele se voltou contra mim. Essa união de extremistas contra a liberdade de opinião, contra a liberdade de expressão, contra as liberdades públicas, contra o liberalismo e contra o individualismo tem história, não é?

Como você chegou aí, Reinaldo?
Cheguei aqui quando percebi, felizmente muito jovem, que não era exatamente “socialismo” que eu queria. Eu gostava mesmo era da liberdade. E fui descobrindo que a liberdade, que eu tanto prezava, não tinha, para os esquerdistas e para as esquerdas, a menor importância. Ao contrário: constatei, escandalizado, que a literatura política esquerdista é farta em textos que se encarregam de justificar a opressão. Se o velho conservadorismo o fazia em nome de alguns interesses objetivos transformados em abstrações imobilistas — “lei”, “ordem”, “decoro”, “bons costumes”, “pátria”, “nacionalismo” —, as esquerdas esmagavam o homem, muito especialmente os pequenos, em nome da libertação da… vítima!!! E não tenho a menor dúvida de que a esquerda, nesse particular, consegue ser ainda mais imoral do que a direita mais escancaradamente reacionária. Esta, ao menos, não espera contar com a colaboração da vítima na consecução de sua própria desgraça.

Inexiste marxismo militante sem a consideração de que a “consciência” do oprimido será necessariamente “falsa consciência” se sua ação não estiver afinada com os interesses de sua classe. Expresso-me em termos que me parecem ainda mais exatos e consoantes com a teoria: para os ditos marxistas, a consciência do oprimido será sempre falsa consciência se sua ação não estiver afinada com o horizonte histórico de sua classe. E o que é esse horizonte histórico? Cai do céu? Nasce na árvore da vida? Nasce, para usar uma expressão do próprio Marx, da “árvore dos acontecimentos”? Não! Quem define o seu conteúdo são os próprios revolucionários, organizados num partido. Não duvidem: cada um daqueles bobalhões que integram partidecos de esquerda nas universidades está certo de que conhece o “horizonte histórico” da classe operária e dos oprimidos, em nome dos quais julgam falar.

O modelo é muito parecido com o das religiões, que tendem a distinguir aqueles que conhecem a palavra revelada daqueles que não conhecem. Para as esquerdas, ou os homens aderem à sua causa e seguem a sua pauta ou são seres que estão à margem da marcha da história. Quando aquelas almas truculentas organizam um piquete para impedir a entrada de estudantes ou de professores num prédio, acreditam ter o direito de impor a sua vontade à maioria, ainda que ela queira o contrário, porque ou se vêem enfrentando os reacionários, que criam obstáculos à marcha revolucionária, ou se consideram os iluminadores, cuja tarefa é revelar aos próprios oprimidos qual deve ser a sua “verdadeira consciência”.

Debate ideológico
Não por acaso, meus queridos, com as exceções que sempre existem, os cursos da nossa querida “Fefeleche”, da USP (e é assim nas faculdades de humanas do Brasil inteiro), são quase sempre variações em torno do mesmo tema: na Filosofia, na História, nas Ciências Sociais, na Geografia e até nas Letras, a esmagadora maioria dos professores — e os alunos sabem que estou dizendo a verdade — está quase sempre empenhada na, como vou chamar?, “desconstrução do discurso ideológico”. É como se o mundo fosse uma maquinaria infernal, uma tramóia de potentados, a criar falsas narrativas que fizessem a realidade girar em falso para enganar incautos, cabendo-lhes, então, a tarefa do deslindamento, do desvelamento, da revelação. Isso também é muito freqüente nas escolas de jornalismo. Os alunos são treinados para tentar “desconstruir” a ideologia de seus chefes ou dos veículos nos quais vão trabalhar. Antes que a garotada consiga fazer um lead direito e possa organizar uma apuração, não incitados a “caçar” intenções sub-reptícias.

Muito bem! Foi contra esse fundamentalismo estúpido que me rebelei há muitos anos e do qual, felizmente, me libertei, passando a enxergar, então, um mundo novo: nem melhor nem pior, mas outro, em que os indivíduos respondem por suas escolhas; em que não me julgo portador da verdade revelada com que medir a consciência alheia; em que a vontade do outro é, afinal, a vontade do outro, e não me cabe ser juiz de sua escolha ou da pureza de suas opções. Ele que arque com as conseqüências da alternativa que abraçou! É absolutamente legítimo que eu tente convencê-lo, mas será sempre uma violência, numa democracia, tentar impedi-lo de fazer alguma coisa ou forçá-lo a fazê-la se não há uma lei que a tanto o obrigue.

Bem fundamental
Sim, meus caros, a liberdade é um bem fundamental e inegociável. E é uma lástima que ela seja tão desprezada, maltratada, ignorada, violentada justamente nas universidades. É uma lástima, mas não uma surpresa. É no ensino universitário que se encontra o maior número de esquerdistas por metro quadrado. Alguns bobalhões hão de dizer que a esquerdização é diretamente proporcional à informação. Bobagem! O problema é que o marxismo surge e se consolida num período em que as teorias de engenharia social eram muito influentes. E certa casta de intelectuais chamou para si a tarefa de desenhar um novo homem — daí que, acreditem!, há quem chame o marxismo de “ciência”. No mundo inteiro, sem exceção, essa onda passou. Por alguma razão, a universidade brasileira é a última a cultivar esse atraso e a infernizar a vida dos jovens com seus delírios.

Há dias, na Folha, um grupo de seis professores, liderados pelo “psolista” Chico de Oliveira, vituperava contra uma universidade aberta para as empresas e para o mercado!!! Vejam que absurdo, não é mesmo? Onde já se viu a USP fazer o que fazem Harvard, Oxford ou o MIT, lá onde o comuna Noam Chomsky dá aula: dialogar com o mercado?!?!?! Não pode! Chico de Oliveira, teórico do PSOL, quer uma universidade empenhada em fazer revolução. Como não dá e como ele sabe que a revolução não vai acontecer, ele se contenta com uma universidade cheia de psolistas… Já está bom!

Pão e liberdade
Há dias, num debate, o escritor Fernando Morais, que já se declarou um bolivariano, partidário de Hugo Chávez, brindou os que o ouviam com uma de suas rotineiras indignidades. Ao defender ainda outra vez o regime cubano — os Irmãos Castro são os maiores assassinos por 100 mil habitantes da moderna história latino-americana —, contestou a fala do outro debatedor, que citou Nelson Rodrigues: “Prefiro liberdade ao pão”. Com a vigarice intelectual característica da esquerda, apimentada por outra de que só ele é capaz — é bem verdade que Morais foi um esquerdista que ganhou o direito a uma vida estável nos braços do quercismo!!! —, deu a resposta que, historicamente, serviu para o assassinato de 25 milhões na União Soviética, de 70 milhões na China, de 3 milhões no Camboja, de 100 mil em Cuba (só para não esquecer). Afirmou então: “Vá perguntar para uma mãe que está enterrando um filho de quatro anos o que ela prefere.”

Que bom que eu não estava presente. Ou teria vomitado nele! O pão sem liberdade, seu clown dos tiranos, é o pão da humilhação, é o pão da sujeição, é o pão da indignidade, é o pão das ditaduras, é o pão da vilania, é o pão da chantagem. “Mas o que é a liberdade sem pão?”, podem gritar a moça e o moço que são reféns desses “revolucionários” pendurados na universidade pública, que acenam aos jovens com suas utopias do século 19 e depois vão brigar por seus qüinqüênios (ainda cheio de tremas…) com a agudeza burocrática dos guarda-livros…

Sou tentado a afirmar, para escândalo de muitos, que uma liberdade realmente digna do nome traz consigo, necessariamente, o pão. Mas aí seriam necessários outros tantos quilômetros de texto. Então prefiro uma saída oferecida pela lógica elementar, que um comunista folgazão e pançudo, que adora as conquistas do capitalismo, como Fernando Morais, é incapaz de reconhecer: quem é livre pode lutar por pão, mas quem come o pão que a tirania amassou pode ser condenado a ainda mais sujeição.

Encerro
A minha repulsa, como se nota, aos trogloditas das universidades públicas, sejam professores, alunos ou funcionários, ou àquele fascistóide que produziu aquele cartaz ignominioso não decorre só do meu ânimo para a polêmica. Eu realmente acho inconcebível que alguém outorgue a si mesmo ou a seu grupo o direito de impor ao outro uma vontade, uma agenda ou uma pauta ao arrepio dos direitos fundamentais garantidos pela Constituição e pelas leis que regem a democracia brasileira.

Moças e moços das universidades brasileiras, apeiem do poder, pelo voto, esses que os oprimem. Vocês não têm nada a perder a não ser os grilhões. Vocês não estão condenados a suportá-los. Todos estamos condenados, isto sim, à liberdade. E o seu exercício, acreditem, não é assim tão fácil.

NÓS SOMOS AQUELES QUE LUTAM PELA LIBERDADE QUE SE FAZ PÃO!

“O erro de Foucault”. Ou: A FFLCH não é um quintal de delírios

Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

Nem sempre concordo com o professor Luiz Felipe Pondé. Com certeza, nem sempre ele concorda comigo. O bom de você não pertencer a uma igreja de pensamento, a um partido, a uma seita é poder pensar com a sua própria cabeça, não é? Agora, com o magnífico artigo publicado hoje na Folha, intitulado “O erro de Foucault”, ah, com este, eu concordo da primeira à ultima palavra.

*

O erro de Foucault

Você sabia que o pensador da nova esquerda Michel Foucault foi um forte simpatizante da revolução fanática iraniana de 1979? Sim, foi sim, apesar de seu séquito na academia gostar de esconder esse “erro de Foucault” a sete chaves.

Fico impressionado quando intelectuais defendem o Irã dizendo que o Estado xiita não é um horror.

O guru Foucault ainda teve a desculpa de que, quando teve seu “orgasmo xiita”, após suas visitas ao Irã por duas vezes em 1978, e ao aiatolá Khomeini exilado em Paris também em 1978, ainda não dava tempo para ver no que ia dar aquilo.

Desculpa esfarrapada de qualquer jeito. Como o “gênio” contra os “aparelhos da repressão” não sentiu o cheiro de carne queimada no Irã de então? Acho que ele errou porque no fundo amava o “Eros xiita”.

Mas como bem disse meu colega J. P. Coutinho em sua coluna alguns dias atrás nesta Folha, citando por sua vez um colunista de língua inglesa, às vezes é melhor dar o destino de um país na mão do primeiro nome que acharmos na lista telefônica do que nas mãos do corpo docente de algum departamento de ciências humanas. E por quê?

Porque muitos dos nossos colegas acadêmicos são uns irresponsáveis que ficam fazendo a cabeça de seus alunos no sentido de acreditarem cegamente nas bobagens que autores (como Foucault) escrevem em suas alcovas.

No recente caso da USP, como em tantos outros, o fenômeno se repete. O modo como muito desses “estudantes” (muitos deles nem são estudantes de fato, são profissionais de bagunçar o cotidiano da universidade e mais nada) agem, nos faz pensar no tipo de fé “foucaultiana” numa “espiritualidade política contra as tecnologias da repressão”.

E onde Foucault encontrou sua inspiração para esse nome chique para fanatismo chamado “espiritualidade política”?

Leiam o excelente volume “Foucault e a Revolução Iraniana”, de Janet Afary e Kevin B. Anderson, publicado pela É Realizações, e vocês verão como a revolução xiita do Irã e seu fascínio pelo martírio e pela irracionalidade foram importantes no “último Foucault”.

As ciências humanas (das quais faço parte) se caracterizam por sua quase inutilidade prática e, portanto, quase impossibilidade de verificação de resultados.

Esse vazio de critérios de aplicação garante outro tipo de vazio: o vazio de responsabilidade pelo que é passado aos alunos.

Muitos docentes simplesmente “lavam o cérebro” dos alunos usando os “dois caras” que leram no doutorado e que assumem ter descoberto o que é o homem, o mundo, e como reformá-los. Duvide de todo professor que quer reformar o mundo a partir de seu doutorado.

Não é por acaso que alunos e docentes de ciências humanas aderem tão facilmente a manifestações vazias, como a recente da USP, ou a quaisquer outras, como a dos desocupados de Wall Street ou de São Paulo.

Essa crítica ao vazio prático das ciências humanas já foi feita mesmo por sociólogos peso pesado, em momentos distintos, como Edmund Burke, Robert Nisbet e Norbert Elias.

Essa crítica não quer dizer que devemos acabar com as ciências humanas, mas sim que devemos ficar atentos a equívocos causados por essa sua peculiar carência: sua inutilidade prática e, por isso mesmo, como decorrência dessa, um tipo específico de cegueira teórica. Nesse caso, refiro-me ao seu constante equívoco quanto à realidade.

Trocando em miúdos: as ciências humanas e seus “atores sociais” viajam na maionese em meio a seus delírios em sala de aula, tecendo julgamentos (que julgam científicos e racionais) sem nenhuma responsabilidade.

Proponho que da próxima vez que “os indignados sem causa” ocuparem a faculdade de filosofia da USP (ou “FeFeLeCHe”, nome horrível!) que sejam trancados lá até que descubram que não são donos do mundo e que a USP (sou um egresso da faculdade de filosofia da USP) não é o quintal de seus delírios.

Agem com a USP não muito diferente da falsa aristocracia política de Brasília: “sequestram” o público a serviço de seus pequenos interesses.

No caso desses “xiitas das ciências humanas”, seus pequenos delírios de grande “espiritualidade política”.

MOVIMENTO EM FAVOR DA LIBERTAÇÃO TAMBÉM NA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ: “Nós Vamos Invadir Sua Praia”

Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

O movimento em favor da libertação da maioria, tiranizada pela minoria de extrema esquerda, está presente também na Universidade Federal do Paraná. Nos dias 30 de novembro e 1º de dezembro, há a eleição para o DCE. “Nós Vamos Invadir Sua Praia” é o nome da chapa que reúne os “estudantes que estudam”.

Alô, alunos da Universidade Federal do Paraná; alô, maioria silenciosa,
vocês podem deixar o DCE nas mãos daqueles de sempre, que ignoram suas reais necessidades porque estão ocupados em “fazer a revolução” ou podem tentar uma gestão voltada para os alunos de verdade.

A exemplo da “Aliança Pela Liberdade”, chapa vitoriosa da UnB; da “Reação”, que seria vitoriosa na USP e foi golpeada (mas vencerá!); da “Unirio Livre”, que agora é alvo da maledicência na extrema esquerda na Federal do Estado do Rio, este escriba nada tem a ver com o grupo “Nós Vamos Invadir Sua Praia”. Também nesse caso, não conheço as moças e os moços que a integram.

Eu sou apenas o veículo da notícia. Nada mais! E, claro!, saúdo e aplaudo a chapa porque acho que a pauta dos esquerdistas que aparelham as universidades é boa para a Europa de 1848!!! Como estamos no Brasil, em 2011, prefiro algo mais afinado com a realidade, entendem?

Não, eu não represento qualquer interferência externa na Universidade Federal do Paraná - ou em qualquer outra universidade. Sou um brasileiro, como milhões, que ajudam a manter as universidades federais. Apenas um cidadão comum!
- Interferência externa é a do PSOL:
- interferência externa é a do PT;
- interferência externa é do PCdoB.

Interferência externa é a da PQP!!!

Seguem trechos do manifesto da chapa “Nós Vamos Invadir Sua Praia”. Ah, sim: a moça escreve bem! Já sai na dianteira! Como a universidade deve ser um centro de excelência intelectual, não um ninhal de “revolucionários” financiados pelo papai…


O atual movimento estudantil da Universidade Federal Paraná é uma praia dominada por grupos que se fecham ao diálogo, apresentando interesses externos à universidade e linhas de atuação que não representam as reais necessidades dos estudantes. A chapa NÓS VAMOS INVADIR SUA PRAIA foi criada com o intuito de invadir esta praia e mudar esta realidade.

Somos um grupo de estudantes que surgiu a partir de uma vontade de se criar um verdadeiro vínculo entre todos os centros acadêmicos, setores e campi da nossa Universidade. Fica muito clara a falta de comunicação entre as diferentes realidades de cada curso, o que gera um descompasso de pensamento e impossibilita a construção de um movimento estudantil forte e com a sua cara! Sem sua opinião e participação, este descompasso possibilita o domínio do movimento estudantil por um pequeno grupo.

Acreditamos que uma boa gestão do Diretório Central dos Estudantes da UFPR deve ter seu foco no estudante. Nós vamos invadir esta praia com um compromisso de construir um movimento estudantil junto com você.
(…)
Todo estudante já teve alguma ideia de como melhorar seu curso, campus ou até mesmo a UFPR em si. Contudo, não existe hoje um DCE que o auxilie na execução e expansão dessas ideias. Queremos que boas iniciativas sejam levadas à UFPR como um todo, utilizando o DCE para tornar isso possível, seja através de recursos humanos, financeiros ou políticos. Uma gestão não transforma uma universidade sozinha, ela é um simples reflexo de demandas e ideias de toda a comunidade acadêmica.

Apesar de estarmos priorizando a relação entre estudantes e entre as entidades internas, não vamos nos esquecer de inserir a nossa Universidade no todo. A sociedade necessita de profissionais capacitados que contribuam para o seu crescimento. Mais do que isso, necessita de cidadãos. O movimento estudantil deve servir de facilitador para que o estudante possa retribuir à sociedade o conhecimento adquirido na sua formação universitária. Desta forma, entendemos que o DCE deve fomentar debates, inserir a Universidade nos movimentos sociais e promover projetos de extensão.

Tendo isto como base, damos como quatro os pilares fundamentais da nossa chapa.
- Não aparelhamento do DCE por partidos políticos;
- Gestão política voltada ao estudante e as suas respectivas demandas;
- Comunicação e transparência;
- Viabilização de iniciativas e projetos criados por estudantes de diversos Campi;

Queremos que estes quatro pilares se tornem o norte do movimento estudantil da Universidade Federal do Paraná. Queremos que as coisas mudem e que os estudantes mostrem a sua força. Para isso precisamos não só do seu apoio, mas é fundamental que você nos ajude na construção desse movimento democrático, plural e independente.

É FUNDAMENTAL QUE VOCÊ NOS AJUDE A INVADIR ESSA PRAIA!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

ALMEIDA LIMA DEIXA PMDB E ADVERTE QUE PT CONSTRÓI PROJETO AUTORITÁRIO E MAIS ADIANTE DESCARTARÁ TODOS OS PEEMEDEBISTAS


Almeida Lima: PT liquidará democracia
Escrito por Aluizio Amorim no blog www.aluizioamorim.blogspot.com

Em tempos de PSD - o partido nem de direita, nem de esquerda, nem de centro - e de uma oposição minguada, o deputado federal Almeida Lima é uma exceção.

Eleito por Sergipe, ele deixou o PMDB recentemente para ingressar no oposicionista PPS. Além de estar de olho na eleição municipal de 2012, quando almeja conquistar a prefeitura de Aracaju, o parlamentar diz que se cansou de tentar alertar os peemedbistas sobre as reais intenções do PT no poder.

Para Almeida Lima, os petistas estão construindo um projeto autoritário e pretendem descartar os partidos aliados assim que possível.

Ex-senador, ex-presidente da Comissão Mista de Orçamento e atual presidente da Comissão de Reforma Política, Almeida Lima concedeu entrevista ao site de VEJA.

Selecionei como segue a resposta formulada por Almeida Lima a uma das perguntas e ao final o link para leitura completa dessa entrevista muito importante, haja vista para o fato de que o Brasil corre o risco de se render ao autoritarismo comunista do PT face à leniência da oposição e a ignorância da maioria dos eleitores. Leiam:

E qual é o caminho?
Há, nessa aliança, digamos um saco de gatos muito grande e pessoas com projetos díspares. O PT, por exemplo, tem um projeto de dominação de todo o establishment, de todo o espaço de poder para levar o Brasil a um governo autoritário, antidemocrático. Vez por outra eles botam as asas de fora e a imprensa poda aqui ou acolá. Mas não se esqueça: aos poucos eles vão avançando mediante o financiamento corrupto que eles têm. Eu nunca vi a UNE com tanto dinheiro em caixa quanto hoje. Nunca vi entidades sindicais e do movimento social com tantos recursos e tão bem aparelhadas quanto hoje. O PT chegou ao poder, mas era minoria no Senado. Hoje está lá em cima. Era minoria na Câmara, hoje tem a maior bancada. Há um aparelhamento do estado, com cargos e mais cargos, há uma corrupção desenfreada financiando tudo isso. Por outro lado, existem partidos, como o PMDB, que estão nessa aliança de gaiato: não com um projeto político de poder, mas com esse projeto que todo mundo já conhece, de interesses regionalizados e sem uma proposta maior. O PMDB e os outros partidos que compõem a base não estão percebendo - ou estão percebendo mas estão tendo lucro e preferem continuar fazendo parte de uma aliança quando se sabe que o PT tem um projeto completamente diferente dos outros. E lá pelas tantas, com essa evolução, tenha certeza: cada um desses outros partidos, separadamente, serão descartados na medida em que se tornarem desnecessários. Eles vão ser descartados pela desnecessidade. Usa-se os instrumentos da democracia para derrotar a democracia. É isso que vai acontecer. Clique AQUI para ler a entrevista completa

domingo, 20 de novembro de 2011

ALUNOS POBRES da Unirio, da USP, da UFPR e de todo o Brasil, vejam como os esquerdistas de butique seqüestram o seu futuro, mas têm o deles garantido.

Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

Alunos da Unirio, da USP e de todo o Brasil, leiam este post. Se acharem que ele diz a verdade, espalhem! E votem na liberdade!

Desde que eu participei do movimento estudantil, a realidade é a mesma: esse rapazes e moças de extrema esquerda que vocês vêem desfilando pela universidade, muitos deles com suas roupas CUIDADOSAMENTE ESQUISITAS, com aquele estilo mulambento-fashion e o cabelo RIGOROSAMENTE DESPENTEADO — uma coisa, assim, “Luan Santana leninista” —, essa gente, na sua maioria, vem de famílias abastadas, cheias da nota. PODEM LUTAR PELA REVOLUÇÃO QUE NUNCA HAVERÁ PORQUE SEUS PAIS JÁ ACUMULARAM PATRIMÔNIO POR ELES E PARA ELES.

Alunos da Unirio, da USP e de todo o Brasil, a esmagadora maioria dos “comunistas” que vocês conhecem na universidade é composta de pessoas muito mais ricas do que vocês. Eles têm uma “desculpa” histórica para isso: Lênin era filho de um alto funcionário público da burocracia czarista, e o pai de Trotsky era da aristocracia rural. Stálin, o assassino profissional, era filho de sapateiro — daí que os trotskistas em particular detestem essa conversa de debater a origem social dos “revolucionários do toddynho”. Eles acham que revolucionário pobre acaba fazendo cagada! E acham que o não-revolcionário pobre é só um arrivista que quer subir na vida! Como não precisam disso, então cuidam da “revolução”, entenderam?

Pensem bem: na opinião de vocês, qual a chance de o Brasil passar por uma revolução socialista nos moldes que eles imaginam? Zero!!! LOGO, A LUTA DELES NÃO TEM FUTURO, MAS O FUTURO DELES ESTÁ GARANTIDO. Vão ficar alguns anos nessa brincadeira, com seus papais e mamães acompanhando tudo a uma prudente distância, e depois voltam para os braços da “burguesia” que dizem detestar. Assumirão os negócios da família, a administração de seu patrimônio etc. E pronto!


Mas e vocês? E vocês que realmente dependem da conclusão do curso para ter uma vida mais confortável? E vocês que, já hoje, só estudam porque trabalham para se manter? E vocês que não têm tempo para participar de suas assembléias intermináveis, plenárias intermináveis, reuniões intermináveis? Vocês não têm para onde correr. São vocês por vocês mesmos! Não estão na universidade para torrar alguns tostões do patrimônio familiar. Ao contrário! Ainda precisam construir o seu próprio patrimônio para poder dar uma vida mais confortável do que tiveram a seus filhos.

É justo que essa gente fique tiranizando a universidade porque já está com a vida garantida? É justo que essa gente fique promovendo greves e invasões, ameaçando o seu futuro? Vocês estão dispostos a perder o ano porque PSOL, PT, PCO, PCdoB ou sei lá quem decidiram que a universidade é só um lugar para eles aplicarem os princípios dos seus respectivos partidos? Deve haver um ou outro militantes pobres! Mas são exceções. O Globo publicou uma reportagem com alguns pais de invasores da Reitoria da USP que foram detidos. Um é um empresário bem-sucedido. Outro é engenheiro. Três outros são professores que exercem cargos importantes nas universidades em que atuam.

Durante a invasão da Reitoria, VEJA flagrou dois “revolucionários” deixando o prédio por alguns instantes. Foram tomar um banhinho em casa, comer a papa na mama, para voltar em seguida. Um deixou o prédio num Polo sedan; outro saiu num Kia Soul estalando de novo! Nota: a invasão da Reitoria foi promovida por seitas de extrema esquerda. Trotsky ao menos rompeu com a família e passou um tempo morando num quintal de um jardineiro. Os Lênines e Trotskys da USP, da Unirio ou da UnB não abrem mão do conforto. E não cobre nada deles, hein? Dirão que são a favor de Kia Soul para todo mundo!!!

Vocês, estudantes que estudam; vocês, estudantes que trabalham e estudam, vocês todos são reféns de gente que está com a vida ganha e que apenas está a fim de exercer por algum tempo seus hormônios revolucionários. Se eles perderam um ano, tanto faz! Na hora de disputar o mercado de trabalho, não raro, o paizão mobiliza um pistolão e dá uma ajudinha. Já vocês terão de se virar por conta própria.

Mas eles não têm dúvida: os reacionários são vocês!
Mas eles não têm dúvida: os conservadores são vocês!
Mas eles não têm dúvida: os alienados são vocês!

Notem que, em certa medida, eles têm razão. Explico-me. Há mesmo uma “luta de classes” nas universidades públicas: entre os pobres que querem estudar porque precisam construir o futuro e os ricos que querem fazer a revolução porque seu futuro já está garantido por seus respectivos papais reacionários.

Pensem nisso!
Vote, maioria silenciosa da Unirio!
Vote na qualidade do seu curso!
Vote por uma “Unirio Livre” dos burguesotes de extrema esquerda!
E que, de fato, o movimento em favor da liberdade ganhe o país.

sábado, 19 de novembro de 2011

ONGs e Oscips: NOVOS TENTÁCULOS DO PODER POLÍTICO CENTRALIZADO E ANTIDEMOCRÁTICO

Novos tentáculos do poder político
Escrito por Percival Puggina e publicado no site www.midiasemmascar.org em 19 Novembro 2011

“Como fiscalizar as ONGs? Houve problemas, ninguém nega. E quem tiver cometido erro tem que pagar”.

Quando Aldo Rebelo, escolhido para substituir Orlando Silva no Ministério dos Esportes, fez essa declaração, ficou claro, no conjunto da entrevista que concedeu, que responsabilizar as ONGs foi um modo de livrar a cara do camarada antecessor. Eu entendi a manifestação como exercício de um dever de solidariedade. A culpa era dessas só organizações e da dificuldade de as fiscalizar. Foi na mesma linha que entendi o novo ministro quando, em outras entrevistas, disse que não pretendia prosseguir com tal prática. Ele não mais se valeria de instituições que não tinha como fiscalizar e passaria a destinar os recursos da pasta para estados e municípios.

Passado menos de um mês, fica-se sabendo que Aldo Rebelo cancelou convênios com 50 ONGs. Mas se era possível cancelar assim, por que, raios, esses convênios existiam? Por outro lado, deduz-se que das organizações que mantinham convênio com o ministério, malgrado a decisão de trabalhar com nenhuma, remanesceram 250 (!) em atuação (segundo o noticiário, cerca de três centenas de ONGs operavam nos programas de esporte do governo).

Aliás, quando fiquei sabendo desse número, para todos surpreendente, pus-me a indagar o seguinte: se em torno do PCdoB, um partido pequenininho, numa pasta também periférica, orbitavam três centenas de ONGs, quantas não agiriam no complexo universo comandando pelo PT e PMDB, os dois gigantes do governo federal? Pois é. A resposta, colhida na mídia, chega a quase uma dezena de milhar. É toda uma rede, financeira e politicamente subordinada, envolvendo um contingente humano que pode alcançar um milhão de pessoas se considerarmos todos os dirigentes, servidores assalariados e voluntários. Trata-se de uma nova máquina que se agrega ao gigantismo do poder central, estatal, e que tantas vezes - sabe-se agora - está incorporada aos vetores da corrupção por ele polarizada.

Com enorme surpresa já ouvi de alguém: "Eu tenho uma ONG". E com surpresa ainda maior, já li, várias vezes: "Fulano de tal, dono de uma rede de ONGs...". Que tal? Donos de ONGs? Só podia dar no que deu. Entende-se, então, o motivo pelo qual a CPI das ONGs, nascida em 2006, morreu de inanição, quatro anos mais tarde, sob total desinteresse da maioria governista. Na nota oficial em que fez o necrológico da finada CPI, a Associação Brasileira de ONGs (http://www.abong.org.br/noticias.php?id=2576) fala em "criminalização dos movimentos sociais" e em "setores conservadores". Quem conhece o idioma da esquerda sabe que tal vocabulário que não deixa dúvidas quanto à devoção filial dessa instituição a padrinhos bem conhecidos, com acesso à grana dos esfolados contribuintes.

Ressalve-se que organizações dessa natureza compõem uma estrutura admirável se usadas para o bem. Mas como são terríveis, sob o ponto de vista moral e institucional, se convertidas em tentáculos do poder político! Nos negócios em que então se envolvem elas não ofendem apenas as leis penais. Elas atacam a própria democracia.

Muito tenho escrito, aliás, contra a centralização em nosso país. Ela se dá ao arrepio da forma federativa, que aponta para uma direção, enquanto a prática política, fiscal, legislativa e administrativa age no sentido inverso. A isso se acrescenta agora, nestes anos de decadência moral das instituições, a vasta e multiforme rede de ONGs dependente dos favores e das vistas grossas de seus financiadores governamentais, conjugadas com subterrâneos canais de retorno das verbas recebidas. A existência de uma rede não implica, necessariamente, descentralização. No caso, ocorre o contrário disso, seja pela dependência financeira que cria, seja pelas verbas que refluem, mediante artifícios contábeis, para os dutos da corrupção política.

A presidente Dilma, energicamente, no final do mês passado, determinou uma paralisação de 30 dias em todas as transferências de recursos para que um pente fino fosse passado no emaranhado cabelo dessas ONGs com dono, com jatinho e prodigalidades semelhantes. Já se foram dois terços desse prazo. Eu, ao menos, estou contando.