segunda-feira, 31 de outubro de 2011

UM VIRA-LATA



Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

Um dia ele apareceu na vilinha, não se sabe de onde. Já chegou adulto, meio labrador, meio lata, com o rabo cortado. Alguns o chamaram, então, “Cotó”. Outros o tinham por “Martim”, jamais consegui saber em razão de que marca. Estava por ali, entre as casas, havia bem uns 12 anos. Os “cachorristas”, dadas algumas características, lhe atribuíam entre 15 e 18 de vida. Contrariava a máxima de que cachorro de muitos donos morre de fome. Ele não! Estava sempre bonito, garboso, saudável.

Livre, sua simpatia era objeto de disputa. Cotó era personagem das nossas férias, dos nossos fins de semana, de muitos dos nossos momentos de alegria. No sábado, saiu para não voltar. Não dava mais pra ele. Os rins tinham parado de funcionar. Já não conseguia mais se alimentar. Só lhe restava a dor. Dor silenciosa, respiração ofegante, cansaço extremo. Foi levado ao veterinário. Um primeiro remédio o fez dormir, e outro pôs o ponto final.

Os dias podiam ser instáveis; o céu, temperamental; o sol, incerto; a temperatura, variável. Mas Cotó restituía todas as nossas esperanças de dias melhores. Era o portador da memória daquele lugar. Mais do que qualquer um de nós, sabia que um vento podia enegrecer o céu ou, então, abri-lo num azul largo e ancestral.

É provável que voltasse sempre em busca de comida — não aceitava nada que não fosse carne ou derivado, o luxento! —, e a gente confundisse aquilo com afeto. Mas quem se importa? Quem é tão vaidoso a ponto de inquirir os reais sentimentos de um cachorro?

Às vezes ele interrompia a minha leitura ou outra coisa qualquer que estivesse fazendo. Postava-se à minha frente. Encarávamo-nos, então, com camaradagem. “E aí, meu? O que é que manda?” Ele se aboletava por ali, descansava o focinho entre as patas, fechava os olhos devagar e parecia me dizer: “Isso vai se repetir para sempre. A vida pode ser assim, mansa…” E, por alguns segundos, minutos talvez, eu conseguia não pensar em nada, não querer nada, não me importar com nada. Dois camaradas satisfeitos, silenciosos, ocos de anseios, como a paisagem, como a seqüência dos dias, como o marulho mais ao fundo.

Cotó tinha a generosidade das coisas certas. Enquanto estava por ali, era como se nunca tivéssemos sido mais jovens, nunca tivéssemos sido mais saudáveis, nunca tivéssemos sido mais ágeis, nunca tivéssemos sido mais otimistas, nunca tivéssemos sido mais viçosos. Naquela pequena vila, ele nos dava a ilusão da eternidade e alimentava as nossas esperanças.

Morreu Cotó, e o tempo nos invadiu. Terei de aprender a amar outra narrativa na mesma paisagem, da qual ele não é personagem. Eu devo ter imaginado — acho que sim, não estou bem certo — que me viriam os netos e que ele continuaria por ali a atestar que nem tudo nos foge pelos vãos dos dedos, aos poucos, sem nem mesmo um suspiro audível.

Isso não é política, como vêem. É que Cotó tomou seu rumo. Lá se foi ele, sem consultar ninguém, como sempre, dono do seu nariz.

O QUE OS NEGROS QUEREM?


Escrito por Frederick Douglass e publicado no site www.midiasemmascara.org em 31 Outubro 2011

Sou pela imediata, incondicional e universal liberdade do homem negro em todos os estados da União. O que é liberdade? É o direito de escolher seu próprio emprego. Se liberdade significa alguma coisa, este é o seu significado. E quando um indivíduo, ou vários resolvem decidir quando um homem tem que trabalhar, aonde ele vai trabalhar, em que emprego ele vai trabalhar e porque ele vai trabalhar e com que propósito ele vai trabalhar, então este homem é praticamente reduzido à escravidão. Sem a liberdade de escolher seu trabalho sua liberdade é uma zombaria, uma mentira. Sem ela ele pode considerar-se ainda escravo, pois de fato, se não é um escravo de um patrão individual, ele será um escravo da sociedade.

Comentário de Heitor de Paola: Estas palavras, e as que se seguirão, foram pronunciadas num discurso perante a Massachusetts Anti-Slavery Society em Boston, em abril de 1865, poucos dias antes do assassinato do presidente Lincoln, por Frederick Augustus Washington Bailey, mais tarde conhecido por Frederick Douglass, nascido nas docas de Maryland de mãe escrava desconhecida e de pai branco dono de escravos, provavelmente em algum dia de fevereiro de 1818 (ele nunca soube a data de seu nascimento). Quando foi descoberto que a esposa de seu “dono” o ensinava a ler – uma ofensa ilegal de extrema gravidade – ela teve que parar sob pena de prisão. Douglass continuou aprendendo por si mesmo roubando uma cópia do Spelling Book da Webster, e estudando no The Columbian Orator, e aprendeu a escrever estudando as pranchas dos estaleiros Durgin and Bailey de Maryland. Douglass sempre defendeu que os negros americanos deveriam ter igualdade de oportunidade, nunca de resultados e que o trabalho duro e leis igualitárias eram tudo que os cidadãos negros precisavam para florescer. (Mais sobre a biografia de Douglass em http://www.frederickdouglass.org/douglass_bio.html).

Pode-se perguntar: por que você deseja esta liberdade? Eu acredito que as mulheres, tanto quanto todos os homens têm o direito de votar e meu coração e minhas palavras estão com o movimento que amplia o sufrágio para as mulheres, mas esta questão está acima da qual nossos direitos estão baseados. Nenhuma classe de seres humanos pode se contentar com alguma privação de seus direitos. Nós os queremos de volta como um meio de educar nossa raça (humana). A humanidade é constituída de tal maneira que deriva a convicção de suas possibilidades pela estimativa dos outros. Se nada é esperado de uma pessoa, dificilmente ela conseguirá contradizer esta expectativa. Se não temos o direito de votar, vocês afirmam nossa incapacidade de formar um juízo inteligente a respeito de homens públicos e medidas públicas. Vocês declaram perante o mundo que somos incapazes de exercer o privilégio dos cidadãos, e assim, levam-nos a desvalorizar a nós mesmos, a julgar que não temos as mesmas possibilidades de outras pessoas.

Eu nego completa e totalmente que nós somos originalmente, ou totalmente, ou praticamente, ou em qualquer circunstância inferiores a qualquer pessoa neste mundo. Esta acusação de inferioridade é uma velha trapaça, tornada real pela opressão em muitas ocasiões. Há apenas seis séculos que os anglo-saxões de olhos azuis eram considerados inferiores pelos arrogantes normandos que pisavam sobre vocês. Vocês estavam por baixo! E agora estão por cima. Estou feliz que vocês estejam por cima e ficaria contente se vocês nos ajudassem a subir também.

Dizem que somos ignorantes, e eu admito que o somos. Mas se sabemos o suficiente para sermos enforcados, também sabemos o suficiente para votar. Se o negro sabe o suficiente para pagar impostos que mantém o governo, também sabe o suficiente para votar. Taxação e votação devem estar no mesmo pacote. Se os negros sabem o suficiente para portar um fuzil ao ombro, eles sabem o suficiente para votar.
Mas não devemos perder tempos com isto. Isto depende, segundo meu juízo, ao senso de honra americano. E a honra de uma Nação é algo muito importante. Dizem as Escrituras: “O que ganhais se ganhardes o mundo todo e perderes tua alma?” Também podemos dizer: o que ganha uma Nação se ganha o mundo inteiro e perde sua honra?

O que eu peço para os negros não é benevolência, nem piedade, nem simpatia, mas simplesmente justiça. O povo americano sempre ficou ansioso sobre o que fazer conosco. Todos se perguntaram, e aprenderam com os primeiros abolicionistas, “O que devemos fazer com o negro?” Eu só tenho uma resposta, para começar: não façam nada conosco! Seus feitos conosco já fizeram todos os prejuízos. Nada façam conosco! Se as maçãs não conseguem permanecer na macieira por sua própria força, se elas foram comidas desde dentro, se apodrecerem e caírem, deixem-nas cair! Estou longe de tentar amarrá-las e prendê-las à árvore, exceto pelas leis da natureza, e se elas não conseguirem ficar lá, deixem-nas cair! Se o negro não conseguir se levantar por suas próprias pernas, deixem-no cair também. Tudo o que eu peço é que dêem a ele a chance de se levantar por suas próprias pernas! Deixem-no por si mesmo! Se ele estiver caminhando para a escola, deixem-no ir, não o perturbem! Se ele estiver se encaminhando para uma mesa de jantar num hotel, deixem-no ir! Se ele se encaminhar para uma seção eleitoral, deixem-no ir, não o perturbem! Se ele se encaminhar para um posto de trabalho, deixem-no ir por si mesmo – qualquer interferência será uma injúria contra sua condição (de cidadão)! Deixem-no cair se ele não for capaz de se levantar por si mesmo! Se o negro não puder viver pelas leis eternas de justiça, a falta não será sua, mas dele mesmo por não conseguir seguir a linha de justiça e se auto-governar.

Se vocês apenas soltarem suas mãos, e derem a ele uma chance, acho que ele conseguirá sobreviver. Ele trabalhará por si mesmo tanto como o homem branco.


Seleção dos excertos do discurso (pode ser encontrado na íntegra em http://teachingamericanhistory.org/library/index.asp?document=495) por Wynton Hall, visiting fellow da Hoover Institution na Universidade de Stanford e proprietário da Wynton Hall & Co., conhecida agência de ghostwriting e speechwriting, para a revista Townhall.

A ÚNICA COISA DECENTE A FAZER É PROIBIR REPASSE DE DINHEIRO PÚBLICO PARA AS ONGs

Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

A presidente Dilma Rousseff suspendeu o pagamento às ONGs por 30 dias, prazo que pode ser prorrogável. Caso não haja a regularização da situação, o convênio pode ser suspenso, com conseqüências legais para a entidade etc. e tal. É um passo, mas é muito pouco, quase nada. O onguismo é hoje um dos caminhos empregados para a privatização do Estado, para a ladroagem.

O Brasil é um país cheio de delicadezas e particularidades. Vejam só: temos uma Central Única dos Trabalhadores. Além da “única”, há a CGT, a Força Sindical e outras menos votadas. Há coisa, sei lá, de uns 25 anos talvez, houve uma crise no abastecimento de leite no país e se criou, então, o leite Tipo Único (”Tipo U”, vinha escrito nos saquinhos). Além dele, havia o A, o B e o C… A gente é assim. Há até as leis “que pegam” e as que “não pegam”. Chefe de Poder Executivo faz desagravo a pessoas sentenciadas pela Justiça e acha isso a coisa mais normal do mundo. A que vem este “nariz de cera”, como se diz no jargão jornalístico? À diferença do que ocorre no resto deste vasto mundo, o Bananão inventou a Organização Não-Governamental Governamental: a ONGG.

O que, nos outros países, é sustentado com doações e abriga o voluntariado tornou-se parte dos gastos oficiais, com os capas-pretas das ONGGs devidamente remunerados. O não-governamental, por aqui, é sustentado com dinheiro público, seja por meio da injeção direta de recursos, seja por meio da renúncia fiscal. As ONGGs se tornaram, com as exceções de sempre (claro, claro), ou a ocupação de socialites em busca de uma reputação vagamente humanista ou mais um dos tentáculos do PT. Quando não são as duas coisas, e a tal socialite aparece fazendo discurso socialista…

O que vai acima, em itálico, foi escrito aqui no dia 26 de novembro de 2006, no sexto mês de existência do blog. Há pelo menos uns 15 anos aponto a brutal picaretagem na área.Eu era redator-chefe da revista República, em 1997, e alguém propôs uma reportagem sobre o tal “Terceiro Setor”. Entortei um pouco o nariz, mas vá lá, vamos ver e coisa e tal… Quando começaram a aparecer nomes e fontes, alguns deles eram de notáveis vagabundos, que eu conhecia porque estavam, vamos dizer, no mercado da militância fazia tempo…

Há ONGs honestas? Há, sim! Mas são a minoria. Não há — E NÃO HÁ!!! — mecanismo que possa impedir políticos de usar laranjas para criar ONGs e Oscips (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) que depois vão lidar com dinheiro público. Sei que as Oscips são um pouco diferentes, mas também caíram na lambança. O Fantástico de ontem trouxe uma reportagem sobre entidades que já loteiam o programa “Minha Casa, Minha Vida”. Nessas coisas, sou ortodoxo. Não acredito na benemerência com dinheiro público. É o caminho aberto para a fraude. Viva a sociedade que se organiza! Mas, então, não pode haver dinheiro do estado na jogada. Ponto final!

Não se dava muita bola para o desvirtuamento de várias entidades porque se dizia que era um dinheiro marginal, que não tinha grande peso. Hoje, isso não é verdade. Esses grupos movimentam bilhões. Ao lado do superfaturamento de obras, é a maior fonte de corrupção na vida pública. Só que há uma diferença: as empreiteiras são vistas como as suspeitas de sempre, mas essas pessoas “caridosas” são consideradas “amigas do povo”.

Só há uma coisa a fazer: PROIBIR O REPASSE DE DINHEIRO PÚBLICO PARA ONGs E OSCIPs. Sim, já me preparo para a gritaria porque a) a medida seria muito radical; b) isso puniria também os honestos. Respondo assim: seria necessário criar tal estrutura para vigiar a correta aplicação do dinheiro público por essas entidades que a emenda sairia mais cara do que o soneto.

Eu não quero cortar o barato de ongueiro nenhum. Quero apenas que eles atuem no Brasil como seus congêneres no resto do mundo: com dinheiro que conseguem arrecadar na sociedade, doado por aqueles que acreditam em seu trabalho e concordam com suas iniciativas. É por isso que uma “ONG” é “não-governamental”.

Ou perdi alguma coisa? Ora, se uma entidade passa a receber dinheiro dos cofres públicos para executar um serviço, estamos apenas diante de um mecanismo para driblar a Lei de Licitações. Como é que o governo escolhe essa ou aquela entidades? Se há várias, no mínimo, seria preciso abrir uma competição entre elas, certo? Mas qual seria o marco legal?

domingo, 30 de outubro de 2011

O TRIUNFO DO ESTADO MÁXIMO





Caros amigos leitores deste blog.
As fotografias são do evento da Igreja Universal do Reino de Deus no Estádio do Coritiba no dia 21/04/2010.

Hoje, resolvi transcrever o artigo de Nivaldo Cordeiro publicado no dia 16/10/2008 porque concordo tal e qual. Visitem o site www.nivaldocordeiro.net e terão excelente leitura.

O TRIUNFO DO ESTADO TOTAL
16/10/2008

Meu caro leitor, a conseqüência mais inesperada e importante da catastrófica crise que se instalou nas economias ditas ricas (merecem esse qualificativo porque viviam a crédito, dinheiro falso, não eram tão ricas assim) é separar o trigo do joio ideológico. Está muito claro que a raiz da crise é a exorbitância do Estado. O Estado gastou demais, incentivou o surgimento de créditos “podres”, gerou déficits orçamentários inadministráveis, o mesmo se dando no balanço de pagamentos. Todos os desequilíbrios agora aflorados são de responsabilidade exclusiva do Estado.

Mais especificamente: todos os desequilíbrios originam-se de políticas estatais de inspiração socialista. Então atribuir ao mercado – ou, pela variante, à ausência de regulação estatal sobre o mercado – a origem da crise é simples mentira, falsificação dos fatos. Mas é isso que eu tenho lido nos artigos daqueles que professam a fé socialista: que a crise é uma crise do mercado, do neoliberalismo.

O que mais me espanta não é que os defensores das doutrinas socialistas continuem na sua crença infernal. Quem adora Satanás por escolha que o faça! E o fazem, eles que controlam a maioria dos governos pelo mundo. A reação foi instantânea: para se combater os males causados pelo Estado receitam maior agigantamento da Besta. E tome estatizar bancos, emitir moeda, regular tudo. Mais do mesmo. Vale o bordão: é apagar fogo com gasolina. A conseqüência é que vivemos no momento o mais alto grau de estatização fora daquela verificada nas economias centralmente planificadas de toda a História.

O que me espanta mesmo é ver liberais doutrinários, de boa fé, receitando e aceitando esse crescimento da Besta estatal, como se ele fosse solução para os males do mundo. Configura-se um trágico engano, não apenas ideológico, mas científico. A ciência econômica tem a sua utilidade e a principal é demonstrar a superioridade da economia de mercado sobre as economias socialistas. Outra, não menos importante, é demonstrar que confiar no agigantamento do Estado é trilhar caminho da servidão, que bem sabemos onde vai dar: no totalitarismo.

A crise vai cobrar seu preço em empresas falidas, em empregos destruídos, em desordem política e social, em algum grau. Faça o que fizer a Besta estatal não escaparemos à purgação. Agora, na ilusão de que o Estado teria o poder de eliminar essa “destruição criadora”, permitir que a Besta cresça e esmague os indivíduos é mais do que cegueira, é suicídio. Vimos que o crescimento do Estado é secularmente irreversível, como bem o demonstra a participação da carga tributária no PIB.

A atitude certa agora é aceitar os fatos. Quem quebrar, quebrou, como fazemos quando acorre o falecimento de alguém querido: quem morreu, morreu. É fato irreversível. O Estado não tem o poder da ressurreição econômica, como não tem o poder de fazer nenhum defunto retornar à vida. Essa é a grande mentira socialista que engana as multidões, mas que não deveria enganar aqueles que tiveram a luz da ciência econômica. O Estado só tem o poder de gerar injustiça, ao custo de roubar os que trabalham.

Até o momento a vitória ideológica dos partidários do socialismo – os sacerdotes da Besta – foi total. A quantidade de pessoas que percebem a realidade como ela é, a de que o Estado é o grande perigo, na verdade o único grande perigo para a humanidade é cada vez menor. O caminho da servidão está pavimentado, em uma ida sem volta, em escala mundial. Não é só nos aspectos econômicos que os tempos atuais lembram os anos Trinta: é também na subserviência à Besta estatal e na crença irracional de que dele possa vir o Bem.

O altar do holocausto está posto e falta apenas riscar o fósforo. Quem viver verá.

O HOMEM-MASSA COMO BUROCRATA. OU: O BUROCRATA ACEITA FACILMENTE A DITADURA PORQUE É BENEFICIADO POR ELA

Escrito por Leonardo Bruno e publicado no site www.midiasemmascara.org em 29 Outubro 2011

Não é por acaso que, no vácuo de princípios intelectuais e morais genuínos, a burocracia alemã aderiu fielmente à ideologia nacional-socialista. Uma sociedade tradicionalmente servil ao Estado acabou encarnando uma ideologia perversa, pela isenção filosófica e moral e pelo culto da técnica.

Quando o ex-oficial nazista Adolf Eichmann foi capturado na Argentina por agentes do Mossad, o serviço secreto israelense, uma boa parte da opinião pensante achou que encontraria um monstro frio e diabólico. Sentiram-se frustrados. Se ele não fosse o responsável pelo massacre de judeus no Leste Europeu, qualquer pessoa veria no sujeito um burocrata mediano, uma criatura medíocre, que causaria indiferença, enfurnado em uma mesa de repartição pública. De fato, o mesmo se pôde esperar do capitão SS Rudolf Hoess, o chefão todo poderoso do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau.

Em suas cartas e escritos, o sanguinário burocrata fala de seu emprego como um empreendimento maçante, estressante, menos cruel. Não havia remorso no que fazia, nem mesmo uma citação de clemência para suas vítimas. Ademais, ao lado de um dos maiores genocídios da história, o “respeitável” burocrata Hoess voltava em mais um dia de trabalho, beijava seus filhos e sua mulher, passeava pelos campos e parecia dormir calmamente. Jogar zyklon B nos judeus e cremá-los era um expediente tão estressante quanto marcar com carimbo uma boa papelada. Era, em suma, um ato impessoal. Como um burocrata, achava que fazia um bom serviço e tinha senso de dever. Tão assustador quanto o aspecto moral criminoso desses homens, era sua particular obsessão pela técnica, pela eficiência burocrática. Não havia contradição neles em beijar seus parentes e massacrar centenas de milhares de famílias judias inteiras. Eles poderiam ser o nosso vizinho ao lado, o sonolento funcionário que encontramos em uma mesa de escritório, ou mesmo um amigo de trabalho em uma festa de fim de semana.

Aí volto à questão do “senhorito arrogante”, do homem-massa do livro de Ortega y Gasset, “A Rebelião das Massas”. Alguns sujeitos ficaram escandalizados com as críticas que fiz a respeito da legião de bacharéis tecnocratas que hoje em dia são jogados pelas universidades brasileiras. Em particular, referia-me às faculdades de direito, onde os novos reizinhos querem moldar a sociedade pelo horizonte limitado de suas concepções meramente técnicas ou burocráticas. Há, no entanto, um vazio moral e filosófico perigoso na nova cepa de bacharéis. Eles não conseguem refletir em termos morais ou intelectuais genuínos, porém, em meras projeções sistêmicas e academicistas. Ou mais, crêem que as leis são um fim em si mesmo, tal qual a doutrina disseminada pelos juristas.

E existe algo bem pior: alguns se acham, inclusive, acima das leis. Sinceramente, o direito achado na academia dá náusea. É uma mera discussão de burocratas carreiristas por cargos públicos.

Aliás, a filosofia e história do direito, atualmente, são mal vistas. Na verdade, o que se convém chamar “filosofia do direito”, com algumas exceções, é mera discussão de grupos militantes, é mera ideologia. A erudição intelectual é algo virtualmente extinta nas universidades: o que há, de fato, é um proletariado cultural que destrói o conhecimento e o transforma em mera instrumentalização da retórica política. A sabedoria contemplativa, um bem precioso que existia até a época medieval, é um ser maldito nos tempos modernos. A meditação é inútil. O negócio mesmo é modificar o mundo sem entendê-lo. Ou instrumentalizar a técnica como uma interpretação gnóstica ou uma revelação divina do mundo.

Daí a existência de uma penca de juristas, promotores, juízes e advogados exigindo cada vez mais intervenção governamental na vida privada, em nome de “corrigir” ou “transformar” a sociedade, dentro de um voluntarismo pseudomoralizante. São os ativistas profissionais. O excesso de regulamentação que exigem do Congresso Nacional é o alargamento da “técnica” deles. Quando mais burocracia e leis, melhor para eles. Acabam controlando mais... é o mundo moldado pela tecnocracia jurídica.

É claro que em nosso país, essa obsessão por papeladas, por status burocrático e por títulos honoríficos de doutores não é de hoje. O culto da aparência intelectual formal, em detrimento do conteúdo essencial, é uma regra que existe desde que o romancista Lima Barreto escreveu uma sátira aos doutores, no famoso livro “Pais dos Bruzundangas”, no inicio do século XX. No entanto, algumas mazelas parecem se acentuar. O fenômeno da busca desenfreada do concurso público, dado um exemplo, constitui uma anomalia intelectual, social e econômica. É uma anomalia intelectual, pois o direcionamento do que se julga conhecer e desenvolver como “sabedoria” em universidades é meramente uma expressão técnica e formal do Estado. É uma anomalia social, pois constitui um agigantamento do Estado e uma diminuição de força política da sociedade civil privada. E é uma anomalia econômica, precisamente porque o Estado, que jamais foi produtor de riquezas, cada vez mais se apropria destas em favor de uma classe ociosa e inútil.

E há outro aspecto, que é mais grave: a mera instrumentalização da técnica e da retórica implica uma isenção moral dessa classe burocrática que hoje atua. Não me chocaria nem um pouco o porquê de existirem pessoas como Eichmamm ou Hoess no século XX. O burocrata frio que considera seu trabalho deportar populações inteiras a um campo de concentração, apenas no poder do carimbo, tem as mesmíssimas propensões da burocracia voluntariosa que ascende ao poder em nosso país e em alguns lugares do mundo. É uma classe de pessoas extremamente obediente, voluntariosa, corporativista e defensora de seus cargos de carreira. Entretanto, não são morais, no sentido tal como entendemos. Pelo contrário, a falta de um suporte intelectual e moral é ocupada pela técnica e preenchida pela ideologia. A adesão de uma boa parte da burocracia brasileira ao socialismo não é mera coincidência. É uma defesa férrea e apaixonada de um cadinho de poder pelo puro ativismo. A estatolatria se torna, por assim dizer, um “direito natural” do funcionário público.

A burocracia nazista, em parte, herdou a velha tradição prussiana, que via a sociedade como uma expressão técnica e extensiva do Estado. O Estado alemão tinha algo muito mais severo: era uma burocracia militarizada. Os funcionários públicos alemães usavam farda e compunham um exército. A disciplina militar obrigava ao funcionalismo ser obediente, em troca de favores e ascensão aos cargos públicos. E o sonho de cada prussiano médio era usar um uniforme e compor as fileiras do governo. Havia no povo alemão uma espécie de reverência quase religiosa pelos burocratas. Tal como engrenagens de um corpo sistêmico, a obediência estrita era lei. Não é por acaso que, no vácuo de princípios intelectuais e morais genuínos, a burocracia alemã aderiu fielmente à ideologia nacional-socialista. Uma sociedade tradicionalmente servil ao Estado acabou encarnando uma ideologia perversa, pela isenção filosófica e moral e pelo culto da técnica. Ou pelo favoritismo pessoal ativista.

O que o burocrata alemão médio perderia com o nazismo? Uma ideologia que diviniza o governo não somente o promove, como cria uma enormidade de prerrogativas e poderes jamais sonhados por eles. Massacrar judeus poderia ser um incômodo desagradável, maçante e estressante para alguns. E poderia ser até prazer para outros, fanatizados com a ideologia lunática da superioridade das raças de Hitler. Contudo, era algo compensável, já que a burocracia não pensa em outra coisa, senão em buscar status e mais status em órgãos públicos. Uma boa parte, senão a maioria dos alemães, talvez detestasse a idéia de crer que o seu governo estivesse massacrando os judeus. No entanto, o conforto material enganoso do Estado nazista parecia redimir o preço a ser pago por um grande crime. Quando Eichmamm foi interrogado num tribunal israelense, sobre os motivos de ter matado aquelas pessoas, aquele burocrata sonolento, submisso, insignificante, dizia que apenas recebia ordens. O protótipo do homem-massa, do senhorito arrogante, não contemplava outra coisa senão a obrigação de seguir a técnica e o oficio de um burocrata.

Em cada acadêmico tecnocrata pomposo e ativista, em cada burocrata voluntarioso, em cada funcionário público tapado, devemos ver sempre um potencial Eichmamm ou um Hoess, e ficarmos atentos. São “‘senhoritos satisfeitos’ e estupidamente arrogantes”. Os fascismos e demais socialismos têm muito a dever a esses tipos humanos. É a rebelião das massas sob o signo da falsa instrução e a falsa indignação moral, nivelando a cultura e os valores por baixo. E no final das contas, é tão somente o desejo de poder de pessoas medianas, incapazes de entender os dilemas graves de suas responsabilidades e os valores da civilização.

sábado, 29 de outubro de 2011

MALÍCIA, IRRESPONSABILIDADE E INGENUIDADE. OU: A COMISSÃO DA "VERDADE" FAZ PARTE DO PROJETO TOTALITÁRIO DOS TERRORISTAS DE ESQUERDA

Escrito por Percival Puggina e publicado no site www.midiasemmascara.org em 29 Outubro 2011

A própria presidente tem interesses diretos em que não se acendam luzes sobre roubos, assaltos e assassinatos praticados e cometidos pela organização comunista que integrava.

Em "Pombas e gaviões" aduzi, já na capa, o alerta que caracteriza os dez textos que nele se contêm: os ingênuos estão na cadeia alimentar dos mal intencionados. É uma preocupação que os últimos anos vieram acrescentar às que eu já tinha em relação ao futuro de nosso país. Com efeito, considero coisa certa, provada pelos fatos, que a única tese efetivamente abandonada pela esquerda para tomada do poder é a tesa da luta armada. O camarada Gramsci acendeu um farol sobre a formação da hegemonia como estratégia alternativa e mais eficiente (anote aí à margem: fazer do ENEM porta única para entrada da universidade é parte disso).

O Senado Federal aprovou, como se previa, a criação da tal Comissão da Verdade. Haverá prova mais contundente de que usam e abusam da ingenuidade alheia? E de que a encontram, no parlamento brasileiro, em quantidade suficiente para aprovar uma coisa dessas?

A ideia original de Lula e dos seus era bem outra. Era abortar a anistia ainda em 1979. O jornalista José Nêumanne (autor do livro "O que sei de Lula"), em entrevista ao jornal O Globo no dia 29 de agosto passado, contou ter sido procurado, entre 1978 e 1979, pelo então presidente da Arena, Cláudio Lembo, para cumprir uma missão solicitada pelo general Golbery do Couto e Silva. Golbery queria apoio de Lula para a volta dos exilados. A reunião, testemunhada pelo jornalista, ocorreu num sítio. Qual a resposta de Lula? “Doutor Cláudio, fala para o general que eu não entro nessa porque eu quero que esses caras se danem. Os caras estão lá tomando vinho e vêm para cá mandar em nós?…”. O elevado critério moral de Lula não prevaleceu, a anistia aconteceu em 1979 e foi constitucionalizada em 1988.

Pois eis que coube ao próprio Lula, três décadas depois daquela reunião relatada por Nêumanne, enviar ao Congresso Nacional, no ano passado, o projeto da Comissão Nacional da Verdade. O mundo deu umas quantas voltas, é certo, mas em nada se comparam ao efeito giratório que as conveniências políticas determinam sobre a moral de certas pessoas. É esse projeto que foi aprovado pela Câmara dos Deputados e acaba de sair do forno do Senado. Como Lula não conseguiu abortar a anistia em 1979 e a tentativa de matá-la quando já tinha 31 anos foi inviabilizada pelo STF em abril do ano passado, restou a alternativa da Comissão da Verdade.

Os ingênuos acreditam no que está estabelecido no parágrafo primeiro da lei que cria a Comissão, segundo o qual lhe caberá "efetivar o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação nacional". No entanto, qualquer pessoa que junte "b" com "a" para fazer "ba" sabe que o julgamento pretendido pelos que queriam revogar a Lei de Anistia será substituído, agora, por mero linchamento sem processo nem direito de defesa. Durante dois anos (anote aí que isso será prorrogado pelo tempo que convier politicamente à esquerda) teremos uma Comissão de sete membros, escolhidos autocraticamente pela presidente Dilma, para investigar metade da verdade, posto que os crimes cometidos pelos guerrilheiros da luta armada não integram o escopo da Comissão, segundo se depreende do conjunto de suas atribuições. A própria presidente tem interesses diretos em que não se acendam luzes sobre roubos, assaltos e assassinatos praticados e cometidos pela organização comunista que integrava.

A mim não me convence essa defesa dos direitos humanos com foco ideológico e com as refrações óticas determinadas pelo tempo. O SOS Tortura, telefone de denúncia instalado de outubro de 2001 a setembro de 2002, registrou 25 mil comunicações! Relativas a fatos da atualidade. Mas a única tortura que interessa à esquerda militante é a ocorrida num tempo em que esse tipo de crime, embora sempre repugnante e hediondo, sequer estava tipificado como tal no Código Penal brasileiro antes de 1997.

Por fim, reitero: tortura é coisa de degenerados. Torturador é monstro que deve arder na cela mais quente do inferno. Junto com seus assemelhados do terrorismo. Mas a anistia pacificou e encaminhou o país para a normalidade institucional ao longo de três décadas. É importante que se acendam luzes sobre o passado, mas sem essas pretensões de linchamento público, de vender meia verdade como verdade inteira, ou de transformar em heróis da democracia aqueles que lutaram por um regime totalitário infinitamente pior do que o regime autoritário que combatiam.

A verdade sobre períodos históricos nunca foi e jamais será determinada por uma comissão. Conceder autorização legal para que sete pessoas, nomeadas por uma oitava interessada, execute tal tarefa é ato legislativo para cuja aprovação se somam a inequívoca malícia de uns, a inaceitável irresponsabilidade de outros e a ingenuidade das pombas frente a voracidade dos gaviões.

GUERRA CIVIL RIMA COM BRASIL. OU: O TOTALITARISMO ESTÁ QUASE TOTALMENTE IMPLANTADO NO BRASIL

Escrito por Waldo Luís Viana e publicado no site www.midiasemmascara.org em 28 Outubro 2011.

"Porque, agora, vemos como em espelho, obscuramente; então, veremos face a face."
1 Co., 13:12

Quando era criança, adorava um joguinho com lápis e papel, em que aparecia uma série de pontos num quadrado para interligar. Unindo ponto a outro, ao final surgia o gorila. E como era feio o bicho. E eu sorria...

O tempo passou, fiquei adulto, mas permaneceram os olhos e as lembranças do menino. Todavia, não sorrio mais. O que estou vendo hoje, interligando os pontos, é muito perigoso.

Resta apenas desmoralizar as Forças Armadas e o Supremo Tribunal Federal como instituições. Como na Jerusalém do passado, não sobrará pedra sobre pedra, como um dia lamentou Jesus. Advirá o momento em que o diálogo entre o governante e o povo será direto, sem intermediários. Teremos então a flor do Lácio do totalitarismo...

O gorila estará visível e nu, como todo poder anticrístico. As instâncias intermediárias, as forças que auxiliam a sociedade civil a se proteger de nada mais valerão, a não ser para legitimar o estupro da nação. E nem será necessário colocar a oposição na cadeia, como queria Bakunin, porque neste país se opor é ato que beira o mau gosto. Oposição é crime de lesa-majestade!

Nenhuma resistência acontecerá, porque todos se tornaram malandros e não vão colocar a cabeça de fora para ser decepada. E o país rumará ao patíbulo, sem a defesa de seus filhos.

Primeiro, tiveram que desmoralizar a classe política que está misturada ao pior esterco da corrupção; em seguida, a atmosfera de insegurança nas cidades e nos campos se generalizou, com assassinatos e o patrocínio do crime organizado ao delírio geral das drogas; mais adiante, a destruição da educação, da saúde e dos valores morais, como causas antiquadas e "cívicas" a serem minimizadas cotidianamente pela mídia. Vemos até o presidente da República atirando camisinhas ao populacho, nem se importando em discutir uma correta política de controle da natalidade.

Aliás, reproduzindo-se feito moscas, os pobres e miseráveis serão o caldo de cultura para a futura sociedade planificada na vontade de um homem só e seus asseclas. Se isso não for fascismo, não sei como se chama...

Estamos, finalmente, vivendo um filme de terror, em que os brasileiros são os mortos-vivos. Os movimentos sociais e sindicais permitidos vão fazendo o jogo de cena, próprio das ditaduras, fingindo opinião que não mais detêm, emudecidos por verbas oficiais. Estão calados e bem pagos, como estátuas de sal (ou pré-sal)...

Estou emitindo essas considerações, mas não sei até quando poderei fazê-las. A sensação de inutilidade, de malhar em ferro frio, é onipresente, porque é próprio das ditaduras desmoralizar qualquer oposição, colocando o crítico eventual numa situação de paralisia psiquiátrica. Passou-se o tempo em que nos chamavam de "reacionários de direita". Agora, somos loucos mesmo, os que ousam remar contra a pretensa maré da maioria...

Alguns de meus censores, candidamente, me perguntam: por que você critica tanto o presidente? E eu respondo; tenho 53 anos e nasci durante o governo Café Filho, sujeito honestíssimo e de caráter ilibado. Aos catorze anos, na casa de meu pai, em plena ditadura, pude conversar por cinco minutos com um estadista, o ex-presidente Juscelino Kubitschek, e o SNI fotografava todos os que entravam no edifício. Testemunhei o transcurso do regime militar, os governos Sarney, Collor, Itamar, Fernando Henrique e o atual.

Cumprindo o princípio da história brasileira contemporânea, de que o futuro é sempre pior que o passado, jamais vi em minha vida um presidente tão descomposto e hilariante na capacidade de dizer asneiras e batatadas. Pensava que o mais folclórico, nesse sentido, teria sido o general Figueiredo, mas o atual, sem qualquer dúvida, bateu todos os recordes. Ele é o anticristo da estrela de cinco pontas que ainda vai nos trazer enormes tristezas e constrangimentos. E me recuso a crer que o brasileiro se identifique tanto assim com ele por ausência de espírito crítico, cultura e sabedoria.

Não me recordo de ter sentido tanto medo e insegurança como hoje em dia. Mudei do Rio de Janeiro, onde ouvia toda noite, em certo bairro nobre, o som das metralhadoras, como se estivesse ao lado de minha cama. Cansado de tantas balas perdidas por perto, resolvi morar em cidade pequena e felizmente ainda não conquistada pela bandidagem.

A despeito de tudo, não me calei. Quando ouço falar que o MST está matando gente em Pernambuco e que protesta contra o fechamento de suas "madrassas", escolas de alfabetização terrorista e fundamentalista no Rio Grande do Sul, fico boquiaberto.

Sou do tempo em que os estudantes da UNE protestavam contra o regime. Hoje, saem ridiculamente à rua para reivindicar meia-passagem nos ônibus e nos cinemas. Os estudantes "profissionais", empanturrados de verbas públicas, calaram definitivamente a boca e parece que, em contrapartida, a juventude só se interessa mesmo por baladas regadas a maconha, crack, cocaína, LSD e ecstasy, para esquecer a realidade mórbida em que vivemos. E os combativos acadêmicos trotskistas de ontem são apenas os universitários conformistas de hoje, que passam trotes violentos...

Sou do tempo em que havia preocupação com a proletarização das Forças Armadas. Hoje, além de desequipadas e sem opinião, vão ter que curtir os expurgos futuros causados pela ampliação da lei da anistia e da abertura de arquivos acusatórios sobre alguns oficiais de pijama, ainda vivos. É claro que sob o nobre pretexto de não repetir a tortura, sempre hedionda, o governo procura criar um clima de exagero ao comparar o que ocorreu na ditadura militar com o holocausto nazista. A solução é utilizar o erário para recompensar e enriquecer ex-guerrilheiros e alguns falsos terroristas queridinhos do governo vigente.

No entanto, a protoditadura que aí está, não satisfeita, quer ainda armar o circo da divisão social. Como Mussolini, dividir a sociedade em compartimentos estanques para melhor governar e poder sobressair.

Nesse contexto, temos o pobre, como entidade genérica eternamente defendida pelo salvador de plantão, colocado em litígio contra as classes dominantes, que nunca estiveram tão bem protegidas e prestigiadas, como neste governo. Negros insurgem-se contra brancos, homossexuais contra heteros, índios e quilombolas contra agricultores, mulheres contra homens, deficientes físicos contra não deficientes - enfim, onde possam se constituir subdivisões sociais e cotas politicamente corretas, eis aí o solo fértil para a manutenção e continuidade do poder protofascista. Com a palavra, o Duce de Garanhuns: nunca neste país...

Mãos crispadas nos palanques, faces avermelhadas pelo porre da noite anterior, vai o governante cantando loas às próprias realizações, abrindo veredas para a sucessora predileta, um balão de ensaio caprichoso e sem carisma, fruto de teimosia que nenhum de seus acólitos ousa contestar, a não ser através de uma anticandidatura lançada como eram os antigos cristãos às feras famintas...

Nunca neste país o ovo da serpente esteve tão prestes a rebentar. A nação é um paiol de pólvora e não me admirarei se focos de inconformidade, diretamente proporcionais ao terrorismo de alguns movimentos sociais, começarem a surgir. Afinal, guerra civil rima com Brasil e essa licença não pode deixar de ser acolhida com imensa preocupação pelo poeta.

Podem dizer de mim o que quiserem, porque me acostumei a unir os pontos de um desenho de início incompreensível e aparentemente inextricável. E o gorila que aparece hoje, tal como o diabo, é grande ator na tarefa de iludir e fingir que não existe.

Como disse o apóstolo Paulo, sentir como adulto faz com que esqueçamos a imagem de criança, posta no espelho e vislumbremos a verdade, face a face. Mas ao invés de Deus, o que aparece no Brasil é o gorila...

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

A APROVAÇÃO DO CONTRATO DE CASAMENTO HOMOSSEXUAL RETIROU DESSE INSTRUMENTO A VALIDADE COMO DOCUMENTO CONSTITUTIVO DE FAMÍLIA CRISTÃ

Em 2005, ainda cursando Direito numa Universidade do Acre, escrevi artigo mostrando que o contrato de casamento era um mero contrato e que não representava o início da instituição família. Agora, com a aprovação pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ - do casamento civil homossexual, minha tese está provada, haja vista que esse contrato pode ser feito por quem tem mais de dezoito anos.

Se bastam dezoito anos para assinar esse contrato, então se trata de um contrato qualquer. Toda pesssoa mentalmente saudável e maior de idade pode assinar contrato de compra e venda, assim como pode assinar contratos de casamento.

A decisão do STJ está correta, mas representa um estado brasileiro que não está defendendo a família e sim a regra de que todo contrato deve ser cumprido.

O casamento civil deixou de ser a instituição da família. É apenas um contrato, o qual pode ser celebrado até por pessoas jurídicas. Definitivamente, não se fala mais em família e sim em contratos puros.

Se o contrato de casamento pode ser celebrado por homossexuais por compromissos que tenham entre si, então se trata de um contrato comum que não representa a instituição família, cuja constituição não é mais chancelada pelo contrato de casamento civil ou pelo estado.

A partir de agora, a melhor estratégia para cristãos é esclarecer a católicos, protestantes e demais famílias que nossa instituição sagrada deve ser celebrada somente pelo casamento na igreja, seja ela protestante ou católica.

O casamento religioso na igreja garante os direitos civis porque caracteriza a união civil sem assinatura de qualquer outro documento além daquele expedido pela igreja onde foi realizado o enlace.

Deixemos o estado laico cuidar dos contratos, mas não deixemos que mine a nossa fé cristã.

Abaixo o casamento civil. Esse não vale mais nada em termos de família. Celebrá-lo é só para ter problemas com a demorada justiça brasileira. A verdadeira família cristã não precisa do contrato chancelado por um estado que não se pauta por valores cristãos.

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

O GOVERNO ATUAL DO BRASIL EXTORQUE QUEM TRABALHA PARA IMPLANTAR UMA DITADURA SOCIALISTA

O poder está organizado no Brasil para extorquir quem trabalha e alijá-lo das decisões
Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

Nunca antes na história destepaiz um(a) presidente demitiu tantos ministros em tão pouco tempo. Isso enfeixa algumas possibilidades. Pode-se afirmar que Dilma Rousseff é menos tolerante do que seu antecessor com a corrupção. Lembrem-se que há menos de uma semana Luiz Inácio Apedeuta da Silva convocou o PCdoB e Orlando Silva à resistência, num esforço óbvio para desautorizar a presidente da República. Mas também se pode inferir que ao ineditismo da degola corresponde o ineditismo da roubalheira.

Estamos diante de uma questão de lógica. Se a Soberana demitir todos os 8.759 ministros por corrupção, a exaltação de sua severidade não pode esconder o fato óbvio: então era um governo de ladrões. Parece-me que o mais sensato é considerar que o que estava podre no governo Lula começou a cheirar definitivamente mal na gestão de sua sucessora. E o talento dela para o ilusionismo é, sem dúvida, menor do que o dele. Isso, em si, é bom para a formação moral do povo brasileiro. Lula é um deseducador nato. Mas como ignorar que Dilma Rousseff é a beneficiária do modelo instituído por seu antecessor? Como ignorar que ela era a dita gerente de todas essas pessoas cuja permanência no governo se mostra impossível? A presidente ajudou a construir essa herança maldita.

Atenção, minhas caras e meus caros! A questão não diz respeito apenas a nomes, a pessoas, a partidos. O que precisa ser desmontado é um método! E esse, entendo, deveria ser o trabalho organizado das oposições — sem prejuízo de denunciar a corrupção, sim, e cobrar a demissão daqueles que fraudam a confiança da população avançando nos cofres públicos. Segundo o que se noticia, Dilma está disposta a manter o PCdoB no Ministério do Esporte, a exemplo do que se deu nos outros casos de corrupção: o PT continuou com a Casa Civil; o PR conservou os Transportes (embora o partido diga que não reconhece como indicação sua o atual titular); o PMDB manteve a Agricultura, e Sarney não abriu mão do Turismo. Logo, por que o PCdoB teria de deixar o Esporte?

Nessa indagação que eles mesmos se fazem e que reproduzo aqui vai a essência do mal. É preciso começar a mudar uma cultura, ou este continuará a ser o país da safadeza. Estima-se em R$ 85 bilhões anuais a conta da corrupção. O governo federal conta com 89.550 cargos e postos de confiança (números de março deste ano, segundo o site Transparência Brasil), que servem para satisfazer a fome dos partidos. Os EUA, aquele país em que certo articulista brasileiro detectou a falta de um PMDB (imaginem vocês!!!), há apenas 9 mil. Em todo o Reino Unido, são 300.

O sistema, pois, é ruim. E será tanto pior quando o próprio governante estimula a lambança. O Esporte foi um ministério entregue de porteira fechada ao PCdoB. Nota-se ali uma verticalização, não? Do ministro ao laranja que finge ser dono de uma empresa fantasma para justificar gastos inexistentes, passando por ongueiros vigaristas, todos comungam da mesma legenda, são “vermelhos” — jamais de vergonha. Já o Ministério da Saúde é mais “democrático”: o PT fica com a Anvisa, o PMDB com a Funasa, um outro pedaço é dividido entre os dois… Na Agricultura, também há a convivência de partidos distintos. Esses ministérios estão longe de ser exemplos de virtude — e têm muito mais dinheiro do que o Esporte. Não é a porteira aberta ou fechada que faz a corrupção, mas a forma como se organiza o poder.

Para angariar apoios, para demonstrar que “nunca antes na história destepaiz” um governo foi tão democrático, tão camarada, tão amigo dos amigos, Lula criou um sistema que rigorosamente entregou aos partidos o comando da máquina pública. Não se trata daquela “entrega” para que executem um programa. Ao contrário! O governo, o dinheiro público, o aparelho estatal, tudo é posto a serviço de causas que nada têm a ver com as necessidades da população. Uns roubam para si e para os de sua corriola, e outros roubam em nome de uma causa.

A canalhice perpetrada por esquerdistas tem seu lado tragicômico porque, pegos com a boca na botija, eles tentam encontrar justificativas morais para a sua canalhice e logo se apressam em pregar “controle dos meios do comunicação”, como fez há dias um editorial do PCdoB em seu site. As evidências de corrupção derrubaram dois ministros do PMDB: Pedro Novais e Wagner Rossi. Em seu encontro nacional, o partido recusou peremptoriamente qualquer forma de controle da informação. Também não se viu nada parecido no PR, por exemplo.

Que desvio de dinheiro é melhor? Os do PMDB e do PR, que não querem censurar a imprensa, ou os do PT e do PCdoB, que atribuem tudo a uma conspiração da mídia? Ora, perguntem aos desdentados, aos miseráveis, aos pobres. A resposta, obviamente, é uma só: NENHUM! Deveriam estar todos na cadeia. Apenas destaco que os ladrões de esquerda têm o mau-caratismo adicional de tentar transformar a apropriação do bem público numa categoria política superior.

E por que o fazem? Respondi hoje a uma entrevista feita por estudantes universitários para um trabalho de conclusão de curso. Afirmei que o relativismo é a essência do pensamento da esquerda, o que Trotsky deixou consubstanciado no livro “Moral e Revolução” (que vivo citando aqui), mais especificamente no texto “A Nossa Moral e a Deles”. Ele diz algo terrível, que reproduzo literalmente. Fazendo a si mesmo a pergunta se tudo é permitido na luta revolucionária, ele responde:

“É permitido tudo aquilo que leve realmente à libertação dos homens. Já que este fim não pode ser atingido senão por via revolucionária, a moral emancipadora do proletariado tem necessariamente um caráter revolucionário. Como aos dogmas da religião, esta moral se opõe a todos os fetiches do idealismo, gendarmes filosóficos da classe dominante. Ela deduz as normas de conduta das leis do desenvolvimento social, isto é, antes de tudo, da luta de classes, que é a lei das leis.”

Eis aí. Ele afirma que a luta revolucionária tem compromisso apenas com a moral revolucionária. Todos os outros valores são inferiores e são meros “gendarmes” do idealismo burguês. Mas o que é a moral revolucionária? Quem define o seu conteúdo? O partido! Assim, aquilo que o partido decidir está automaticamente certo, qualquer coisa — inclusive a morte. Lênin mandou matar o czar e sua família, também as crianças, sem processo, numa operação secreta, que ele escondeu até do comando do partido. Como o Partido Comunista tinha o chamado “centralismo democrático” — a direção decide em nome do coletivo —, a decisão nem pôde ser contestada.

A esquerda dinheirista de hoje evoca essa antiga moral revolucionária para se locupletar e se quer diferente dos demais ladrões. Mas não é! Se diferença há, ela está apenas em seu escandaloso cinismo.

ANA ARRAES TOMA POSSE NO TCU E MANTÉM DISCURSO SUBMISSO AO EXECUTIVO; DE ORLANDO A ANA, O TEMA É UM SÓ: PRIVATIZAÇÃO DO ESTADO

Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

A demissão de Orlando Silva do Ministério do Esporte evidencia que o Brasil e os brasileiros sempre perdem quando os entes do estado e as instituições passam a atender a interesses de grupos. No estado de direito, a única coisa aceitável a fazer é cumprir a lei. A incrível interferência do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), na eleição da deputada Ana Arraes (PSB-PE), sua mãe, para a vaga aberta no TCU já tinha sido o fim da picada. O discurso de Ana logo depois da vitória foi vexaminoso, deixando claro que pretendia se comportar como mera procuradora do Poder Executivo naquela que é uma instância do Legislativo. Escrevi vários textos a respeito. Um deles está aqui. É aquele em que recorro à gramática para denunciar a intenção política de sua fala.

Muito bem. Ana Arraes tomou posse hoje. Leiam o que informa Christiane Samarco no Estadão Online. Volto em seguida:

Exatos 35 dias depois de ser eleita ministra do Tribunal de Contas da União (TCU) com um discurso contrário à paralisação de obras públicas suspeitas de irregularidade, a mãe do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e ex-líder do PSB na Câmara, Ana Arraes, tomou posse hoje, condenando o controle que paralisa o governo. A nova ministra assumiu o posto anunciando que tem “compromisso com a decência e a moral” e será “implacável e zelosa com o dinheiro da Nação”. Mas defendeu a adoção de um “controle inteligente”, lembrando sua pregação em favor da tese de que “o controle deve servir a aperfeiçoar a gestão dos governos e não a paralisá-la, quando não, inviabilizando-a, pois é fugaz o tempo de quem governa”.

A observação de Ana Arraes foi feita diante dos olhos atentos da presidente Dilma Rousseff, presente à mesa que dirigiu a solenidade de posse ao lado do presidente do Tribunal, Benjamin Zymler. Neste momento, ela arrancou aplausos da latéia que lotava o plenário do TCU, incluindo ministros de Estado, parlamentares e líderes de partidos governistas e de oposição. Também compareceram à cerimônia os governadores Cid Gomes (CE), Renato Casagrande (ES), ambos do PSB da nova ministra; o petista Marcelo Deda (SE),o tucano Teotônio Vilela (AL) e o interino do DF e vice-governador Tadeu Filippelli (PMDB), além do pernambucano Eduardo Campos.

Entre as 17 obras que apresentaram problemas de fiscalização no ano passado, com recomendação do TCU para que fossem paralisadas, está a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Talvez por isto Ana Arraes tenha declarado que será “implacável no combate à improbidade e ao crime”, com a ressalva de que o “controle moderno” tem que buscar o princípio da eficiência e “não pode ser dissociado do compromisso com o resultado das políticas públicas”.

Em conversa reservada em meio à fila de cumprimentos, um dos ministros do TCU que prestigiaram a chegada da colega observou que “ninguém é a favor de paralisar uma obra” e disse que o Tribunal só manda parar “em último caso”, quando as irregularidades são graves e o responsável não corrige. Ele avalia que Ana Arraes “se expôs de graça” no discurso de posse, porque todas as decisões do tribunal são coletivas e embasadas em parecer das unidades técnicas e do Ministério Público. “Para mudar o rumo do Tribunal ela terá que convencer os demais ministros, ou perderá de goleada em plenário”, concluiu.

Voltei
Se vocês lerem o texto a que remete o link acima, ali eu lembrava justamente o que afirma esse ministro do TCU: é mentira que o tribunal, ao menor sinal de irregularidade, mande paralisar a obra. Se os ministros não puderem, por limites legais ou em razão da pressão, recorrer a esse expediente, então aí é que a ilegalidade vai correr solta. Ana Arraes diga o que quiser: seu discurso continua a concorrer para a impunidade. No fim das contas, de Orlando a Ana, estamos debatendo uma só questão: a privatização do estado por grupos políticos que põem o próprio interesse acima do interesse público.

Pior: como vocês leram, ela foi aplaudida. Os que a aplaudiram não suportam viver numa República democrática.

UnB - Alunos democratas vencem eleição no DCE - Vitória contra partidos esquerdistas/socialistas infiltrados entre estudantes


UnB – Alunos de verdade vencem os brucutus dos partidos de esquerda que se fingem de estudantes; agência oficial da Universidade, dirigida por esquerdopatas, faz trabalho sujo ao reportar o fato
Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

A partidarização do ensino, a patrulha ideológica, o — ai, meu Deus!!! — socialismo tardio, a ignorância arrogante, a militância de minorias que tentam se impor no berro, o autoritarismo, a intimidação… Tudo isso passou a fazer parte do dia-a-dia da Universidade de Brasília (UnB), que já conheceu a excelência — e bolsões de qualidade resistem na instituição, apesar de tudo. De vez em quando, até um grupo de pelados decide confrontar a “moral burguesa” expondo suas partes pudendas contra o chapadão… Soubesse que ofendem mais a estética do que a ética, guardariam suas borboletinhas e seus pingolins e se internariam numa biblioteca. Nem que fosse para se entupir de literatura política ruim. Afinal, Karl Marx, o pai de todos, passava horas em Londres sentado sobre os seus furúnculos, em vez de expô-los ao vento. Um fato auspicioso se deu na UnB: a chapa “Aliança pela Liberdade”, a única não-esquerdista das oito concorrentes, venceu a disputa pelo DCE. Quem sabe seja o primeiro sinal de uma volta ao bom senso.

“Bom senso, Reinaldo? Isso é juízo de valor!” Claro que é! Chamo bom senso, numa universidade, a convicção de que uma instituição de ensino tem de ser pautada pela qualidade; tem de se esforçar para preparar os estudantes para o mercado de trabalho; tem de se equipar para que seus formandos possam disputar posições entre os melhores da área|; tem de zelar pela investigação científica, essas coisas. A dita “politização” não é matéria que diga respeito à instituição. Os estudantes têm de ser livres para seguir a orientação que lhes parecer melhor e para expor, sem chances de represália, as suas convicções, desde que balizados pela Constituição DEMOCRÁTICA, como é a nossa, do país.

Não é o que se tem visto na UnB. Muito pelo contrário. Nos últimos tempos, sob o estímulo e o patrocínio de uma reitoria aloprada, os patrulheiros estão mais salientes e violentos do que nunca. Daqui a pouco, demonstrarei o lixo moral que orienta os valentes.

No dia 5 de julho deste ano, escrevi um texto conclamando os estudantes da UnB à resistência. O título é este: “AOS ESTUDANTES E PROFESSORES LIVRES DA UnB: REAJAM CONTRA OS MARCOLAS E FERNANDINHOS BEIRA-MAR DA IDEOLOGIA! DIGAM ‘NÃO’ À OPRESSÃO E À VIOLÊNCIA! LUTEM EM DEFESA DE UM PATRIMÔNIO QUE É DO POVO BRASILEIRO, NÃO DE FACÇÕES OU DE UM PARTIDO”. Não estou dizendo, é óbvio, que eles me seguiram. Estou afirmando que captei um sentimento que já parecia presente entre muitos estudantes.

As coisas pioraram muito na UnB, no que respeita à tolerância com a divergência, depois que o militante petista José Geraldo Sousa Júnior assumiu a reitoria. Ele é a maior, digamos assim, “autoridade” naquela estrovenga chamada “Direito Achado na Rua”. Esse link remete a um texto que expõe as linhas gerais de um pensamento segundo o qual o direito é definido por quem consegue impor a sua vontade “nas lutas sociais”. E é assim que a UnB passou a ser administrada: quem berra mais, quem consegue ser mais truculento, quem é mais eficiente na intimidação acaba como dono da razão!

Os jovens estudantes da “Aliança Pela Liberdade” se cansaram da violência imposta pelas minorias de esquerda, que, apesar de minorias, comprometem a qualidade do ensino ministrado à maioria. Reproduzo trechos de um questionário respondido pela chapa:

Quais são as organizações com as quais vocês têm afinidade? (coletivos, partidos, entidades de classe, etc)
Não somos ligados a partidos, coletivos, tampouco a entidades de classe. Somos um grupo de estudantes independentes, unidos por princípios em comum (a liberdade, a pluralidade e a meritocracia).
(…)
Qual é o conceito que a chapa tem de DCE?
A Aliança pela Liberdade compreende a importância do DCE para coordenar as demandas dos estudantes, porém entende que a maneira como o Diretório é organizado há décadas na UnB - e em outras universidades brasileiras - é arcaica e centralizadora. Há pouco espaço para os centros acadêmicos se manifestarem, e as pautas externas (geralmente advindas de interesses político-partidários) se sobrepõem às questões que envolvem mais diretamente a universidade. Sendo assim, a nossa proposta principal (DCE parlamentarista) é justamente para tornar o Diretório mais próximo dos CAs - e, por conseqüência, dos estudantes.
(…)
O que significa, para vocês, o movimento estudantil?
O movimento estudantil é importante à medida que é um espaço no qual os estudantes começam a se desenvolver como cidadãos e pessoas preocupadas em contribuir para a comunidade/sociedade em que vivem. Infelizmente, nas últimas décadas o movimento estudantil vem se desvirtuando, e um dos motivos principais é a cooptação por partidos políticos, estejam eles no poder ou não. (…) A União Nacional dos Estudantes e (…)a maioria das entidades representativas dos estudantes brasileiros passam por uma “crise de representatividade”, pois estão afastadas das preocupações do dia-a-dia dos discentes. Chegam ao ponto de considerar essas demandas “menores” perante os supostos “problemas nacionais e internacionais”. A Aliança pela Liberdade, mesmo que de forma modesta, pretende apresentar uma nova forma de fazer movimento estudantil: volta-se para a excelência acadêmica e para a melhoria das condições intelectuais e materiais para que o estudante possa se desenvolver plenamente em suas atividades de ensino, pesquisa e extensão.


Voltei
Que essa meninada — E ELES SÃO JOVENS MESMO!; NÃO SÃO OS TIOZINHOS BARRIGUDOS E DE CABELOS BRANCOS DO PCdoB, PT, PSOL E AFINS QUE SE FINGEM DE ESTUDANTES — consiga levar adiante o seu trabalho, sabendo que vai enfrentar as milícias da desqualificação. De saída, esses estudantes têm uma dificuldade: eles realmente estudam; não são profissionais da militância. Seus adversários passam o dia tramando formas, vocês sabem, de destruir o capitalismo a partir de Brasília… Conseguem, no máximo, baixar a qualidade da universidade. Para quem não estuda mesmo, já é uma conquista, né?

Delinqüência intelectual, moral e política
A delinqüência intelectual, moral e política que toma conta da UnB foi longe, especialmente na gestão José Geraldo. O Agência UnB, órgão oficial de informação da universidade, alojada em seu site, noticia o resultado da eleição em tom de lamento. Vale dizer: a reitoria está dizendo que não gostou do resultado e faz uma espécie de campanha subliminar contra os vitoriosos.

Ao noticiar a vitória da “Aliança Pela Liberdade”, o “repórter” da Agência escreve coisas assim (em vermelho):
“‘Se for verdade (vitória da 8), guardadas as proporções, é como se o DEM ganhasse a Presidência, na contramão do que ocorre na realidade’”, avaliou especialista em política estudantil que pediu anonimato, comportamento generalizado dos especialistas diante da forte possibilidade de as especulações se tornarem realidade.
Para outra fonte, que também conhece a intimidade do ME, a troca de comando ideológico no DCE da UnB significa que ‘uma crise de representatividade tomou conta do campus’. O voto de esquerda pulverizou-se por sete chapas, a partir do racha da atual gestão, liderada por uma tendência do PT, reeleita no ano passado.”


Viram só? Em primeiro lugar, ficamos sabendo que existe uma coisa chamada “especialista em política estudantil”, que deve ser amigo íntimo do “especialista em cabeça de bacalhau”. Mas o bruto prefere o “anonimato”, que seria o “comportamento generalizado” dos demais especialistas. Então há vários. Como eles não têm nome, cara, pensamento, obra, nada, tanto faz se existem mesmo ou se são uma invenção da Agência da UnB. Segundo se entende de raciocínio tão especioso, se a vitória da chapa está na “contramão da realidade”, então realidade é só o que é do agrado da esquerda.

Já a outra “fonte” — em que buraco se escondem esses covardes? — vê na vitória de um grupo não-esquerdista uma “crise de representatividade”. Sei. Ela só é saudável quando os comunas vencem. Eles não têm nome? Não têm cara? Ótimo! Então lá vai: CANALHAS, VIGARITAS, FARSANTES, MENTIROSOS, BRAÇOS DO CRIME ORGANIZADO E DO NARCOTRÁFICO DENTRO DA UnB, FERNANDINHOS BEIRA-MAR DA IDEOLOGIA! Gente sem cara não se ofende porque não tem caráter, certo?

Um outro parágrafo do choroso texto afirma:
“O grupo que formulou a estratégia eleitoral da “Aliança pela Liberdade” representa estudantes de linha mais realista ou despolitizada. Defende a aproximação da universidade com empresas, critica o viés excessivamente político das lideranças atuais e sonha com um diretório de inclinação mais acadêmica.”

É a primeira vez na história da humanidade que a palavra “despolitizada” vira sinônimo de “realista”. O autor certamente pretendeu desqualificar os vitoriosos, mas lhes fez o maior elogio que lhes poderia ser feito. Se há pessoas que se opõem àqueles bandos de esquerda que tomam de assalto a universidade, a qualificação de “realistas” lhes cai certamente muito bem.

Ainda volto à questão. Abaixo, vocês vêem a meninada comemorando a vitória, alegres e civilizados, e os seus adversários de punhos cerrados, sonhando com o socialismo… Na UnB. em muitos anos, é a primeira vitória dos estudantes de verdade contra os esbirros de partido que aparelham a instituição e a bandidagem que intimida a maioria.

É a juventude, de cara limpa, contra a decrepitude dos caras-de-pau!

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

MANIFESTO PELO VOTO DISTRITAL

http://www.euvotodistrital.org.br/assine/

A essência de um regime de liberdades públicas está na representação popular. Numa democracia, os Três Poderes da República nascem da manifesta vontade do povo, mas é o Legislativo que simboliza a efetiva participação dos cidadãos nos destinos da nação. É o Congresso que, quando independente e ciente de suas responsabilidades, colabora para o fortalecimento das instituições democráticas.

Só as democracias podem exercer a devida autocrítica, aprimorando seus mecanismos de representação, buscando mais eficiência nos sistemas de tomada de decisão, deixando florescer os espaços para o contraditório, para o debate, para as ideias, para a pluralidade e para a diversidade. O Congresso brasileiro tem prestado relevantes serviços à sociedade, mas precisa buscar o aprimoramento da representação, de modo que espelhe com maior fidelidade a vontade do povo.

Sair às ruas e conversar com as pessoas é sentir a indignação pulsando contra uma política que já não representa como deveria, da qual pouquíssimos ousam se orgulhar. Política que sistematicamente vem legando ao segundo plano o compromisso com a legitimidade do sistema democrático. Política que, simplesmente, deixou de prestar contas de suas ações e distanciou-se da sociedade, definitivamente. O Poder Legislativo tem hoje como referência muito mais o governo do que os eleitores.

O atual modelo de representação, baseado na proporcionalidade, teve seus méritos e contribuiu para o progresso do país, mas se tornou, infelizmente, fonte de graves problemas para o próprio Poder Legislativo, contribuindo para o descrédito da instituição. Não podemos manter um sistema de representação que acaba conduzindo à Câmara dos Deputados parlamentares ignorados ou repudiados pelos próprios eleitores, que obtêm assento no Poder Legislativo com a ajuda de “puxadores de votos”, pinçados, muitas vezes, no mundo das celebridades. O voto distrital, ademais, baratearia enormemente o custo das campanhas eleitorais, processo que, por si mesmo, contribuiria para diminuir o financiamento ilegal de candidaturas.

Defendemos o voto distrital. Acreditamos que o eleitor tem de manter vivo na memória o seu voto, o que certamente acontecerá quando um parlamentar representar o seu “distrito”. Esse voto, condicionado também pela geografia, traz o benefício adicional de evitar que a Câmara dos Deputados se limite a uma Casa de representação de lobbies. O Congresso não pode ser uma reunião de meras corporações a serviço de interesses setoriais. Justamente porque queremos um eleitor mais próximo do eleito de seu distrito, repudiamos ainda o chamado “voto em lista fechada”, proposta que fortaleceria unicamente as burocracias partidárias, permitindo a eleição de parlamentares sem rosto.

O voto distrital, ao dar poder ao eleitor para fiscalizar e cobrar o desempenho de seus representantes, contribuirá para melhorar o Poder Legislativo, o que elevará a qualidade da nossa democracia. Abracemos essa ideia e façamos chegar a nossa vontade ao Poder Legislativo, que, em boa hora, mostra-se disposto a fazer a reforma política.

Que os deputados, tornados quase anônimos logo depois das eleições, assumam um rosto: o rosto do povo brasileiro!

PSD, COM 55 DEPUTADOS JÁ É A TERCEIRA MAIOR BANCADA DA CÂMARA, SUPERANDO O PSDB

Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br

Por Julia Duailibi, no Estadão:
O PSD, do prefeito Gilberto Kassab, fechou as últimas adesões à sua bancada de deputados federais. Ao todo, o partido contará com 55 deputados federais, além de um suplente. A legenda tornou-se a terceira maior força da Câmara dos Deputados, ultrapassando o PSDB e ficando atrás apenas do PMDB e do PT. As últimas adesões, consumadas na sexta-feira passada, foram dos deputados Jorge Boeira (SC), que deixa o PT, e Ricardo Izar (SP), que sai do PV. Até o dia 27, prazo final para o PSD receber novos parlamentares, o partido pode levar mais um deputado, que mantém conversas com a cúpula partidária.

Veja abaixo quem são os nomes da bancada do PSD na Câmara dos Deputados:
01- João Lyra
02-Átila Lins
03-Carlos Souza
04-Silas Câmara
05-Edson Pimenta
06-Fernando Torres
07-José Carlos Araújo
08-José Nunes
09-Paulo Magalhães
10-Sérgio Brito
11-Manoel Salviano
12-Armando Vergílio
13-Heuler Cruvinel
14-Thiago Peixoto
15-Vilmar Rocha
16-Hélio Santos
17-Nice Lobão
18-Ademir Camilo
19-Alexandre Silveira
20-Diego Andrade
21-Geraldo Thadeu
22-Marcos Montes
23-Walter Tosta
24-Eliene Lima
25-Homero Pereira
26-Roberto Dorner
27-Hugo Napoleão
28-Júlio Cesar
29-Eduardo Sciarra
30-Reinhold Stephanes
31-Arolde de Oliveira
32-Dr. Paulo César
33-Felipe Bornier
34-Liliam Ssá
35-Sérgio Zveiter
36-Fábio Faria
37-Moreira Mendes
38-Berinho Bantim
39-Raul Lima
40-Francisco Araújo
41-Danrlei De Deus Hinterholz
42-João Rodrigues
43-Jorge Boeira
44-Onofre Santo Agostini
45-Paulo Bornhausen
46-Guilherme Campos
47-Guilherme Mussi
48-Junji Abe
49-Marcelo Aguiar
50-Ricardo Izar
51-Roberto Santiago
52-Eleuses Paiva
53-Walter Ihoshi
54-César Halum
55-Irajá Abreu

Por que o sucessor de Orlando Silva não pode ser do PCdoB. Ou: Eis a velha “moral” justificadora de crimes

Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

O problema do Ministério do Esporte não é a pessoa do ministro Orlando Silva, ainda que ele não pareça especialmente competente. O problema do Ministério do Esporte é o que o PCdoB fez com ele, transformando-o num aparelho, que é o que costumam fazer as esquerdas no poder.

O aparelhamento partidário se estendeu à rede de ONGs e é comprovadamente incompetente. Quem quer que assuma vai ter de desmontar essa máquina. É prudente entregar a missão a um quadro do próprio partido, como o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP)? Só se Aldo estiver disposto a ser o Krushev do Ministério do Esporte, mas acho pouco provável. Os comunistas do Brasil ainda não aceitaram o Krushev original…
Gosto do deputado Aldo Rebelo. Até onde sei, ele é uma pessoa séria. Foi um bom presidente da Câmara e teve a coragem de enfrentar desafios importantes no caso do Código Florestal. Por isso mesmo, para usar uma imagem cristã, deveria manter afastado esse cálice. O risco de que não consiga moralizar a máquina e de que a sua própria reputação seja enredada pela lambança criada pela dupla Agnelo Queiroz-Orlando Silva é imensa.

“A nossa moral e a deles”
Lula viajou outro dia com Dilma Rousseff. O ex-presidente, que havia convocado o partido e Orlando Silva a resistir, estava jururu, um tantinho deprimido. É que ele achava que o PCdoB não pode ser tratado como um partido qualquer. Partido qualquer, para o Babalorixá de Banânia, é o PMDB, por exemplo. Wagner Rossi e Pedro Novais foram despachados sem velas nem lágrimas. Partido qualquer é o PR. Alfredo Nascimento foi defenestrado sem manifestações de pesar.

Mas um comunista do Brasil? Ah, aí se convoca na memória o mito fundador da esquerda. O que quero dizer com isso? Leiam o estatuto do PCdoB, cuja ética, nesse particular, é idêntica à do PT. O objetivo declarado dos partidos que se dizem de esquerda não é servir à nação e aos brasileiros. Sua primeira tarefa é construir “o partido”. Porque é “o partido” que vai construir o futuro. Entenderam? Se esse partido conhece a forma e o conteúdo do porvir, tudo o que se fizer para fortalecê-lo é bom; tudo o que não concorre para a sua grandeza é ruim. É a essência daquela formulação de Gramsci (não estou dizendo que Gramsci tenha inspirado o PCdoB; estou apenas lembrando alguém que sintetizou a ética esquerdista), segundo quem o partido deve se impor como um “imperativo categórico”.

Não custa lembrar a passagem de novo. Gramsci chama “o partido” de “Moderno Príncipe”:

“O Moderno Príncipe, desenvolvendo-se, subverte todo o sistema de relações intelectuais e morais, uma vez que seu desenvolvimento significa, de fato, que todo ato é concebido como útil ou prejudicial, como virtuoso ou criminoso, somente na medida em que tem como ponto de referência o próprio Moderno Príncipe e serve ou para aumentar o seu poder ou para opor-se a ele. O Moderno Príncipe toma o lugar, nas consciências, da divindade ou do imperativo categórico, torna-se a base de um laicismo moderno e de uma completa laicização de toda a vida e de todas as relações de costume”.

Está tudo dito aí. A SOCIEDADE É QUE NASCE DO PARTIDO, NÃO O PARTIDO DA SOCIEDADE, entenderam? É evidente, e isto é muito importante, que os próprios esquerdistas, no íntimo, não levam mais essa porcaria totalitária a sério. No dia-a-dia, o que vemos é essa gente se locupletar como qualquer outra. Mas eles fingem, até para si mesmos, que O SEU ROUBO É MORALMENTE SUPERIOR AO ROUBO DOS OUTROS. É por isso que não se vertem lágrimas para larápios de legendas ditas “conservadoras” ou “de direita”. Vejam ali: se é para o bem do partido, o crime deixa de ser crime.

Essa gente pretende fingir que a demissão de um comunista ou de um petista representa, realmente, uma agressão ao projeto de “libertação do povo”. Uma ova! Para o brasileiro que trabalha e estuda, que estuda e trabalha; para o brasileiro que arca com uma das cargas tributárias mais elevadas do mundo; para o brasileiro que suporta um dos estados mais incompetentes e perdulários do mundo; que diferença faz se o sujeito rouba para encher a própria pança ou a pança do partido?

Por incrível que pareça, a cada vez que o passado de suposto martírio e heroísmo da esquerda é relembrado com o ânimo da reparação — sim, a “Comissão da Verdade” é um desses episódios —, usa-se um passado de suposta superioridade moral para justificar os roubos do presente. Enquanto houver um partido ou um grupo que acredita ter direito a uma moral exclusiva, diferente daquela “pequeno-burguesa”, o caminho para a roubalheira supostamente ética estará aberto.

Volto ao início
Quem quer que assuma o Ministério do Esporte tem como tarefa desmontar a rede de pilantragens criadas pelo PCdoB. É uma questão institucional, não partidária. Aldo teve uma trajetória reta até agora. Seria uma estupidez sacrificá-la em nome do partido que, idealmente, segundo a moral comunista, é a fonte dessa retidão.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

A ALMA MILITANTE: TODOS CONTRA UM. OU: OS ESQUERDISTAS PERSEGUEM COVARDEMENTE PAIS DE FAMÍLIA INOCENTES E DESPROTEGIDOS

A alma militante: todos contra um
Escrito por Olavo de Carvalho e publicado no site www.midiasemmascara.org em 25 Outubro 2011.

Quem os doutrinou para crer que qualquer desafio às suas convicções é crime e não pode ser tolerado nem por um minuto?

Saudosos tempos aqueles em que os jovens esquerdistas investiam galhardamente contra cavalarianos armados de sabres! Atualmente eles se reúnem às centenas para intimidar um homem só, minoria absoluta no Congresso, e se acham uns heroizinhos por isso. Ou, montados no apoio do Estado e de ONGs bilionárias, se articulam maquiavelicamente para cortar os meios de subsistência de um pai de família que, perseguido e acuado em sua terra, vaga de país em país com a mulher e quatro filhos, rejeitado e humilhado por toda parte, sem ter onde cair morto.

Quem quiser conhecer a alma da juventude militante hoje em dia, dê uma espiada nos sites www.pheeno.com.br e www.midiasemmascara.org.

Em ambos os casos, os ativistas imaginam, sentem e acreditam, no interior do seu teatrinho mental, que são ousados combatentes pela liberdade lutando contra o centro mesmo do poder opressor, quando na realidade são eles próprios o braço do maior esquema de poder que já se viu no mundo, a aliança do Estado com os organismos internacionais, as grandes fortunas globalistas e a mídia em peso, todos juntos contra focos isolados de resistência, ingênuos e desamparados idealistas que, certos ou errados, nada ganham e tudo arriscam para permanecer fiéis a seus valores.

É a caricatura grotesca, a inversão total da coragem cívica, a perda radical do senso da equivalência de forças, das leis do combate honroso que um dia prevaleceram até em brigas de rua, entre malandros, e hoje desapareceram por completo nos corações daqueles que, para cúmulo de ironia, continuam se achando a parcela mais esclarecida da população.

Quem os ensinou a ser assim? Quem arrancou de suas almas o sentimento mais elementar de justiça, de honra, de amor ao próximo e até mesmo daquela tolerância que tanto exaltam da boca para fora, substituindo-o pelo ódio projetivo, insano, misto de terror, que só enxerga no rosto do oponente a imagem do demônio que os intimida por dentro e os leva a sentir-se ameaçados quando ameaçam, perseguidos quando perseguem, oprimidos quando oprimem, odiados quando odeiam?

Quem os ensinou a temer a tal ponto os argumentos vindos de uma voz solitária que, ao menor risco de ouvi-la, sentem a necessidade de sufocá-la com gritos e ameaças, e acreditam ser isso a apoteose da democracia, da liberdade e dos direitos humanos? Quem os doutrinou para crer que qualquer desafio às suas convicções é crime e não pode ser tolerado nem por um minuto? Quem os ensinou a imaginar a estrutura do poder de cabeça para baixo, com dois ou três cidadãos isolados e sem recursos no topo, e o conjunto das forças internacionais bilionárias em baixo, gemendo sob o jugo implacável de algum Jair Bolsonaro, Julio Severo ou Padre Lodi?

Quem os ensinou a enxergar "crimes de ódio", imputáveis à consciência religiosa, em cada assassinato de homossexuais praticado por garotos de programa, com toda a evidência homossexuais eles próprios, e desprovidos, é claro, de qualquer vestígio de escrúpulos religiosos? Quem os ensinou a proclamar, diante desses assassinatos, que "a Igreja tem as mãos sujas de sangue", quando o próprio Movimento Gay da Bahia confessa ser a maior parte deles cometida por profissionais do sexo e até hoje não se exibiu nem um único caso de homicídio cometido contra homossexuais por motivo de crença religiosa ou sentimentos conservadores?

Quem os ensinou a desprezar a tal ponto a realidade e apegar-se a lendas insanas, carregadas de ódio injusto contra inocentes que nunca lhes fizeram mal algum, além de discordar de suas opiniões, e que não têm aliás o mais mínimo meio de defesa contra os ataques multitudinários e bem subsidiados que se movem contra eles?
Posso explorar essas perguntas em artigos vindouros, mas nenhuma resposta vai jamais atenuar a estranheza de um fenômeno deprimente, abjeto, moralmente inaceitável: a perda do sentimento de justiça e de honra por toda uma geração de brasileiros.

Eu mesmo, quando escrevi O imbecil juvenil em 1998, não esperava que o mecanismo sociológico ali descrito se tornasse, por assim dizer, oficializado, consagrando como virtudes cívicas a covardia, o servilismo grupal e o assalto coletivo a bodes expiatórios desproporcionalmente mais fracos.

Publicado no Diário do Comércio.

PT É COMO UMA EMPRESA QUE FUNCIONA CONTRA O POVO TODOS OS DIAS; VEJA COMO FUNCIONA APARELHO DE "INFORMAÇÃO E CONTRAINFORMAÇÃO" DENTRO DO PT

Publicado por Aluizio Amorim no blog www.aluizioamorim.blogspot.com.

O ex-prefeito do Rio, Cesar Maia, analisa no seu boletim diário Ex-Blog, as denúncias de corrupção e sua ligação com suposto grupo de "informação e contrainformação" dentro do PT criado em 1989. Maia sustenta que parte das denúncias partiriam de um grupo de dentro do próprio partido e obedeceria a uma estratégia de poder. Em parte, faz sentido. Leiam:

1. Desde a eleição de 1989, fala-se que o PT teria organizado internamente um serviço especializado em informação e contrainformação. Muitas vezes funcionou. Outras vezes, como no caso dos "aloprados", naufragou. Nas CPIs de Collor e dos Anões do Orçamento, e no caso do Dossiê Cayman (alertando ser falso), etc., se dizia que o serviço de informação do PT funcionou com seus links de militantes nas áreas de investigação federal, PF, MP... A mensagem divulgada na intranet da Abin, em 2005, durante a CPI dos Correios, onde seu diretor chamava os parlamentares de "bestas-feras no picadeiro", e que culminou com o seu afastamento, insinuava uma ação de contrainformação naquele momento, desde dentro do órgão.

2. O mensalão de 2005 tirou da direção do PT o "grupo" dito revolucionário e, em função disso, os ex-dirigentes da CUT assumiram o partido de lá para cá. A autoridade de Lula passou a valer para dentro do partido e, em seguida, legitimada com sua popularidade, para fora. O "grupo" se acomodou e se encolheu. A escolha de Dilma, por Lula, fora da máquina partidária, e a montagem de uma base de apoio que vai da direita da direita, à esquerda da esquerda, empurrou o governo para o Centro-Difuso, isolando o "grupo".

3. Claro que essa situação não agrada aos "revolucionários". Apesar do PT ser amplamente favorecido na montagem do governo, administrações direta e indireta, empresas, bancos e fundos, a correlação de forças no parlamento não o favorece. São apenas 16,5% dos deputados federais. As votações do Código Florestal e da Emenda 29 (Saúde) mostraram isso.

4. Como não há como aumentar a bancada do PT, o caminho trilhado foi debilitar relativamente os aliados, inventando um partido e desintegrando, inclusive, aqueles que não tinham e não têm a confiança do "grupo", como Palocci. A cada ministro -aliado- levado a pique, se via que as ações anteriores (algumas delas identificadas e divulgadas) iam criando o ambiente para o tiro de misericórdia.

5. O que se garante nos restaurantes e corredores em Brasília é que os vazamentos de personagens e fatos caem no colo da imprensa vindos diretamente do "grupo", desde dentro do governo. Claro que é mais fácil atacar com fatos reais que com suposições. Independente disso e de qual bola é a da vez, vai se debilitando a "base aliada" e, com isso, transformando os ministérios dos aliados em uma burocracia sem expressão. Alguns são mortos-vivos esperando a reforma ministerial.

6. Os ministros -que ficam- perdem o poder que tinham, de decidir, e de nada adianta terem portas abertas aos deputados. Os parlamentares da "base aliada" não têm mais canal com os ministérios de seus partidos e têm que ir buscar no PT -dentro do governo ou no Congresso- a autorização ou a aprovação de que precisam.

7. Os 16,5% quantitativos passam a ser o dobro, qualitativos. Os ministérios da base aliada, na substituição dos desviantes ex-ministros, perdem expressão. E o ministério passa a ser de ministros de primeira do PT e de segunda dos demais. Basta acompanhar a agenda da Presidente e ver a frequência de despachos com uns e outros.

8. A cada dia fica mais claro que todo esse desmonte interessa ao PT. Poder-se-ia dizer que há razão para esse desmonte. É verdade. Mas essas razões são as mesmas dos últimos anos e com os mesmos personagens. Só que a presença de Lula inibia a ação do "grupo", pois se atingisse a imagem de Lula, o castelo de cartas desmancharia e o PT iria junto. Agora não há esse risco e, com isso, toda ousadia é válida.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A MENTALIDADE DA SERVIDÃO


Escrito por Leonardo Bruno no site www.midiasemmascara.org em 22 Outubro 2011.

Caminharemos para a servidão, como dizia Tocqueville “até que cada nação seja reduzida a nada além de um rebanho de animais tímidos e trabalhadores, cujo pastor é o governo”?

Um colóquio me fez refletir a respeito dos estereótipos mais comuns de várias opiniões deste país. Uma amiga minha muito inteligente, e, como ninguém é perfeito, crédula nos princípios socialistas, ficou particularmente furiosa com minha provocação. Eu fiz a seguinte pergunta: “ Sabe qual a diferença entre um coronel nordestino e Fidel Castro?” Resposta: “Fidel Castro tem muito mais poder!” Pronto! Minha doce a sábia criatura me fuzilou com aquele olhar inquisidor digno dos expurgos soviéticos. O curioso foi a justificativa de minha amiga, como, aliás, sempre ouço dos meus amigos socialistas, que é o cânone da mania cubana: o governo cubano “dá” educação, alimentação, saúde, segurança, entre outras maravilhas do Éden caribenho. E ela finalizou, entre o sereno e patético, tal como uma filha que fala de um pai: “Fidel sabe o que faz!”. Se os intelectuais do século XVIII inventaram o mito do “bom selvagem”, o século vinte inventou o mito do “bom ditador”.


Essa última argumentação saída de sua boca lembrou-me um trecho de uma das obras de Alexis de Tocqueville, A Democracia na América. Eis o que para mim tornou-se profético:

“Após ter agarrado cada membro da comunidade e tê-los moldado conforme a sua vontade, o poder supremo estende seus braços por sobre toda comunidade. Ele cobre a superfície da sociedade com uma teia de normas complicadas, diminutas e uniformes, através das quais as mentes mais brilhantes e as personalidades mais fortes não podem penetrar, para sobressaírem no meio da multidão. A vontade do homem não é destruída, mas amolecida, dobrada e guiada; os homens raramente são forçados a agir, mas constantemente impedidos de atuar; tal poder não destrói, mas previne a existência; ela não tiraniza, mas comprime, enerva, ofusca e estupefaz um povo, até que cada nação seja reduzida a nada além de um rebanho de animais tímidos e trabalhadores, cujo pastor é o governo”.

Quando vejo pessoas afirmarem tais questões a respeito da ditadura cubana, ou de qualquer outro regime despótico, nada me impressiona tanto como a falta de autoestima daqueles que não valorizam algo tão sagrado como a liberdade. Como bem previra este grande visionário francês do século XIX, as pessoas são capazes de abdicar da liberdade por pequenas coisas. Se um reles ditador como Fidel Castro não passa de um velho coronel nordestino todo poderoso, seus admiradores não passam de reles camponeses e capangas, obedientes a um pai onipresente, ainda que com a pretensa pecha de “intelectuais”.

Não vou longe. Uma coisa que ninguém se pergunta, quando repete a cantilena da “educação”, “saúde”. “segurança”, é o preço que um governo tirano cobra para oferecer o que não passa de farelos. Quase todos os regimes autoritários e totalitários do século XX, dos nazistas, fascistas aos comunistas, utilizaram-se dos chamados “direitos sociais” para reduzirem a população em uma nova casta de servos do governo. Em outras palavras, o Estado “dá” educação, mas ele decide o que o cidadão pensa. Ele “dá” saúde, como se fosse um deus que tivesse o poder de vida e morte sobre as pessoas. Ele “dá” alimentação, embora escolha o que o cidadão come. Ele “dá” segurança, apesar de ser o fator motriz da insegurança, visto que é um poder arbitrário e onipotente. De fato, o poder monopoliza tudo, inclusive o direito de violência. O que sobra de uma sociedade como esta nada mais é do que um rebanho de ovelhas tímidas e adestradas. Ela tem os elementos mais odiosos de um antigo autoritarismo, mesclados como novos métodos de poder, controle e coerção.

O pior, todavia, é que tais ideais não são partilhados por pessoas tolas, e sim, por gente esclarecida, pretensamente culta e letrada. Talvez seja o sonho dessa turma alienada, avoada, ou mesmo inconseqüente, a falsa crença da segurança, numa suposta idéia de proteção onipresente de um ente superior. Parte-se de uma idéia ingênua da mitificação do poder, de uma autoridade moral paternal do Estado. Mais ingênuo ainda é afirmar que o Estado “dá” alguma coisa, mal sabendo que quando o Estado administra é justamente os bens alheios, que muitas vezes não lhe dizem respeito.

Malgrado essa gritante tolice, é mais tolo ouvir de certas pessoas que o Estado oferece serviços “gratuitos”. Realmente, até parece que os “virtuosos” funcionários públicos trabalham de graça, por algum dever cívico. Claro, não ocorre nas cabeças desses mentecaptos estatólatras, algo como servidores fazerem greves, abandonarem a população ao “Deus dará”, criarem gastos supérfluos e privilégios obtusos e sufocantes com o dinheiro dos outros. Além das panelinhas e castas de eleitos pelo poder público, por regalias que um trabalhador privado nem sonha ter, porém, que paga pelos outros através dos impostos. Ademais, para certas pessoas, o Estado não vive do que a sociedade trabalha, é um fim em si mesmo, auto-gerador. E o mais cômico: ainda escuto essa história de “gratuidade” na boca de muitos economistas!

O mais terrível dentro desta mentalidade servil é que tal pensamento não rouba somente o direito de escolha, em qualquer âmbito da vida social. Simplesmente rouba a alma das pessoas e a capacidade de terem vontade própria. Cada pessoa é reflexo de um grupo, de um rebanho domesticado, cada sujeito não age por si mesmo, e sim segue pelo instinto da massa, tal qual maria-vai-com-as-outras, sob a égide de um obtuso poder centralizado. A espiritualidade livre, independente, é substituída pela cultura do unanimismo, da uniformidade dos espíritos, pela esterilidade do discurso repetido do chavão.

De fato, este país está sofrendo uma crise letárgica de espiritualidade servil, uma anti-espiritualidade, uma anti-pessoa. Malgrado os horrores do século XX, a tentação totalitária ainda domina certos espíritos.

Caminharemos para a servidão, como dizia Tocqueville “até que cada nação seja reduzida a nada além de um rebanho de animais tímidos e trabalhadores, cujo pastor é o governo”?. Se as almas destes homens “cultos” desta nação são capazes de abdicar da liberdade pelo mito da proteção de um governo déspota, tudo leva a crer que sim. Que o digam os amantes da ilusória segurança dos “direitos sociais” da vida, do Pai Terrível Estado, acima dos direitos individuais sagrados da liberdade. Abdicam da liberdade pela segurança, porque antes que eles convençam a sociedade a renunciar a liberdade, eles mesmos já a renunciaram.

Como diria um outro pai, não um pai terrível, porém, o grande pai da pátria norte-americana, o estadista Benjamim Franklin: “Aqueles que se dispõem a renunciar a liberdade essencial em troca de uma pequena segurança temporária não merecem liberdade nem segurança”.

Governantes fazem de conta que são obrigados a nos tolerar; é o contrário: nós é que os toleramos

Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, homem dado a juízos um tanto inusitados — imaginem: ele é até cristão e marxista ao mesmo tempo, que é, assim, como ser um corintiano palmeirense ou um flamenguista vascaíno… —, afirmou que a presidente Dilma Rousseff quer decidir com calma o que vai fazer no Ministério do Esporte, sem se deixar influenciar pela “histeria” da mídia. Ai, ai…

Que coisa, né, gente? O Brasil precisa se livrar logo dessa “mídia” que fica apontado os malfeitos dos homens públicos e escolher logo os malfeitores. Essa imprensa que fica denunciando corrupção é muito histérica. Boa é aquela que se dedica ao elogio cotidiano do governo, financiada com dinheiro público.

Cristina Kirchner, a candidata a Hugo Chávez de saias, está tentando resolver isso à sua maneira. Eu entendo Carvalho: não fosse a “histeria” da mídia, mensaleiros, aloprados, vagabundos que fabricam dossiês, ladrões do Dnit, do turismo, dos esportes, dda agricultura… Toda essa gente, em suma, estaria por aí, dando a sua contribuição ao Brasil.

Os governantes fazem de conta, às vezes, que são eles que nos toleram por bondade. Não! É o contrário: é sempre o povo que tolera o governo. O Estado é que é fruto de uma concessão da sociedade, não o contrário. A razão é óbvia: nós trabalhamos para que eles gastem. Governos não geram dinheiro. Nós garantimos o circo. O palhaço tem de trabalhar a sério.

De resto, quem quer punir ladrão não é histérico; é apenas uma pessoa séria. Do contrário, ou se é ladrão também ou se é amigo de ladrões. Alguém consegue imaginar uma categoria intermediária?

ARGENTINA: A CONSAGRAÇÃO DE CRISTINA E A TENTAÇÃO AUTORITÁRIA

Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

Cristina Kirchner se reelegeu presidente da Argentina no primeiro turno. Estima-se que possa chegar perto dos 55% dos votos. Com quase 50% da apuração, o segundo colocado, Hermes Binner, socialista, estava com 17%. A oposicionista União Cívica Radical saiu humilhada: Ricardo Alfonsin deve ficar com algo em torno de 12%. Pior sorte tiveram os peronistas que desafiaram a força de Cristina: Rodrigues Saá vinha com 7%, e Eduardo Duhalde, que abriu as portas da política nacional para o casal Kirchner, com apenas 5%. A presidente pode também obter a maioria no Congresso.

Estive na Argentina em julho. Nos táxis, nos cafés, nas ruas, nas lojas, nos restaurantes, em todo lugar, dava-se a sua reeleição como certa. E notei um dado curioso: todos tinham consciência, por exemplo, de que o governo manipula os índices de inflação. O jovem recepcionista do hotel em que fiquei, estudante universitário, tinha a pior impressão da luta de Cristina contra a imprensa, mas iria votar nela porque não reconhecia uma alternativa na oposição. Na verdade, o sentimento mais ou menos generalizado era este: qualquer alternativa seria pior. Comentei com Dona Reinalda que esse era um risco que corríamos e corremos aqui no Brasil: consolidar-se a impressão de que a oposição não tem grande coisa a oferecer, ainda que o governo seja mais ou menos.

O casal Kirchner teve um grande ativo: pegou o país no caos, conseguiu estabelecer um pacto para sair da desordem e passou a ser beneficiário e monopolista da reconstrução, isolando seus adversários internos no peronismo e demonizando as forças de oposição. Ela ainda agregou a essa narrativa a personagem das viúva chorosa, mas batalhadora. Durante o mandato de Néstor e parte do mandato de Cristina, o kirchnerismo contou com o apoio entusiasmado da imprensa, que teve fim quando começou a ficar claro que os sinais iniciais de cesarismo da dupla era mais do que um estilo, mas um perigo real.

Cristina está em guerra com a imprensa — uma guerra marcada por golpes baixos, ilegalidades, autoritarismo… Dá-se como certo, nos meios políticos, que vai tentar mudar a Constituição para se candidatar uma terceria vez. A consagração das urnas tende a reforçar seu lado delirante. Hoje, está naquela categoria de governantes que acreditam que a popularidade lhes serve para violar as leis que existem e impor as que não existem, sempre em benefício da manutenção do próprio poder. A vitória esmagadora de Cristina tende a concorrer para o seu fim. Já aconteceu antes.