segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

DESDE QUANDO PARTIDO TEM ONG?

Desde quando partido tem ONG?
Artigo publicado por Percival Puggina no site www.midiasemmascara.org em 28 Fevereiro 2011.

Para uma ONG bem aparelhada, com o cordão umbilical ligado à placenta de um partido a serviço da causa (é sempre a mesma causa, em nome da qual a moral se ajoelha penitente), milhões são distribuídos.

Jamais especulo sobre a honra de quem quer que seja. Deixo esse trabalho para o jornalismo investigativo, para as instituições policiais e para o Ministério Público. É uma praia onde não sei nadar. O que me interessa nessa pauta não é a possibilidade de que alguma ONG esteja cobrando comissão de prefeituras para prestar serviços, recebendo por atividades que não executou, ou repassando recursos para partidos políticos. Quem tiver competência institucional ou funcional para averiguá-lo que o faça. E cadeia para os responsáveis.

Interessa-me algo que está por trás dessas notícias. É a informação, surpreendente, de que existem ONGs que são ligadas ou aparelhadas por partidos políticos. Que funcionam como braços dos partidos. E que recebem dinheiro do governo. Mas desde quando partidos têm ou controlam ONGs que prestam serviços ao poder público? Que negócio é esse? Eu sei que a noção de limite acabou quando Getúlio se matou. Ele foi o último. Os que vieram depois e se viram em mar de lama parecem ter jurado a si mesmos que avançariam sempre, derrubando as barreiras do pudor e que resistiriam sob quaisquer circunstâncias. E o povão aplaude quem é persistente. Mesmo que no crime. Já não se trata, nesse nosso modelo institucional que funciona como um moedor da democracia, de os partidos fazerem o que lhes compete: consolidarem sua doutrina, planejarem sua ação, formarem seus quadros para o exercício do poder, analisarem as realidades nacionais, elaborarem diagnósticos e definirem estratégias de intervenção na realidade. Qual! Isso seria pedir muito a organizações que, no moinho do modelo institucional, viraram farinha de si mesmos. Ou, menos metaforicamente, se transformaram em cartórios políticos para viabilização dos processos eleitorais. Ou, mais incisivamente, varreram a dignidade como lixo para baixo dos espessos tapetes do poder.

Quando comecei a vasculhar na rede informações sobre essas ONGs, fiquei sabendo, aparentemente com uma década de atraso, que se existe algo para o que não falta dinheiro no Brasil é para essas instituições. Curioso, não é mesmo? Não há recursos para o SUS, para Educação, para a Segurança Pública, para a infraestrutura nacional, para modernizar o transporte urbano e os aeroportos. Mas para uma ONG bem aparelhada, com o cordão umbilical ligado à placenta de um partido a serviço da causa (é sempre a mesma causa, em nome da qual a moral se ajoelha penitente), milhões são distribuídos com aquela prodigalidade de Silvio Santos lançando notinhas de cem ao auditório. Talvez o leitor não saiba, mas essa conta é grande e de todos nós. Trata-se da velha malandragem que venho apontando como pináculo das estratégias políticas nacionais, pela qual se toma dinheiro de todos para dar a alguns que se bronzeiam nas suaves enseadas do poder. A edição da Revista Exame do dia 23 de fevereiro, em sua Carta ao leitor, entra no coro e adverte para o "preço que será pago pelo desleixo público, pela gastança em prol de benesses políticas, pelas bondades voltadas para alguns e pagas com o dinheiro de todos".

Não estou generalizando sobre o vasto conjunto das Organizações Não Governamentais. Inúmeras delas se dedicam a nobres funções, envolvem intenso voluntariado e executam tarefas socialmente valiosas por muito menos do que custariam se cumpridas pelo setor público. Mas, convenhamos, ONG aparelhada por partido político e atendendo demandas do governo é uma bofetada no rosto do contribuinte.

O FACEBOOK DERRUBOU O FARAÓ?

O Facebook derrubou o faraó
Artigo publicado por Félix Maier no site www.midiasemmascara.org em 28 Fevereiro 2011

O Facebook derrubou o faraó? De certa forma sim, considerando o relevante papel dessa rede social, para reunir os manifestantes que pediam a queda do ditador. Se Mubarak, ao renunciar, não passou ou não conseguiu passar a presidência a seu substituto constitucional, o fato é que houve simplesmente mais um golpe militar e ponto.

Os recentes acontecimentos observados no Egito e outros países árabes foram descritos pela revista Istoé como as "Revoluções pela Internet". No Egito, a queda de braço entre os manifestantes e Hosni Mubarak, desde o dia 25 de janeiro, ocasionou a renúncia do presidente no dia 11 de fevereiro, após um saldo de mais de 300 mortos.

Tudo começou na Tunísia, quando um vendedor ambulante ateou fogo ao próprio corpo, em protesto contra a truculência da polícia. As redes sociais, como o Facebook e o Twitter - além dos telefones celulares - foram os principais meios utilizados para reunir os manifestantes tunisianos e culminou na renúncia do presidente Zine El-Abidine Ben Ali, que fugiu para o exílio após surrupiar o erário. Num efeito dominó, os "anseios da rua árabe" se alastraram ao Marrocos, Mauritânia, Iêmen, Omã, Egito, Sudão, Líbia, Jordânia, Argélia e Bahrein, com reflexos até na Tailândia e no Irã. O regime comunista da China tratou de apagar a palavra "Egito" nas pesquisas do Google. Segundo a ONU, já existem 2 bilhões de internautas e 5,3 bilhões de celulares em nosso planeta.

Eu, particularmente, torço para que ocorra uma "revolução" similar em Cuba. Infelizmente, isso é praticamente impossível, já que na Ilha a internet é precária e censurada, com serviço regular só disponível para os que lá vão fazer turismo, incluindo o sexual, como ocorre com os petistas e tipos como o ator Jack Nicholson, que ficam encantados com aquele país, que se deliciam com tragos demojitos antes e baforadas de havana depois de fogosas montadas nas jineteras locais...

A propósito, a blogueira cubana Yoani Sánchez, em artigo no Estadão (13/2), assim escreveu:

"A cena durou alguns segundos na tela, um clarão fugaz que nos gravou na retina a imagem de milhares de pessoas protestando nas ruas do Cairo. A situação era descrita pela voz empostada de um locutor cubano, que sustentava que a crise do capitalismo havia feito explodir o inconformismo no Egito e as diferenças sociais estavam afundando o governo. (...) A alusão entre nós à prolongada permanência no poder de Hosni Mubarak foi - como observa o cancioneiro popular - o mesmo que 'falar de corda em casa de enforcado' ".

A revista Época afirmou que se trata de "O grito árabe pela democracia". Entre os 22 países que compõem a Liga Árabe, apenas o Líbano tem um governo considerado democrático, embora precário - além do laboratório americano chamado Iraque, que ainda é uma incógnita. Pode até ser um grito pela democracia, embora seja uma democracia diferente da que conhecemos no Ocidente. O verdadeiro grito dessas massas é contra o desemprego, a miséria endêmica e a corrupção generalizada de governantes que vivem no luxo extremo, com contas secretas no exterior, e com o apoio de um sistema policialesco só visto em ditaduras. A gota d'água no Egito foi a intenção de Mubarak fazer seu sucessor o filho Gamal Mubarak, numa espécie de dinastia existente na Coreia do Norte e em Cuba.

O principal local das manifestações egípcias foi a Praça Tahrir, um nome bem sugestivo, pois significa "Libertação", onde também ficam o Museu Egípcio e o temido Ministério do Interior. Entre Tahrir e a torre da TV estatal fica a embaixada do Brasil, de onde, provavelmente, tivemos as primeiras imagens vistas no Brasil, restritas a um trecho da avenida Corniche El-Nil e ao local de atracação das barcas, nas margens do Nilo.

Os protestos iniciais, de 25 de janeiro, foram convocados no Facebook, pela página Somos Tudo o Que Khaled Disse, uma referência ao jovem Khaled Said, espancado até a morte por policiais em Alexandria, em junho de 2010. Outro grupo, também nascido no Facebook, em 2008, é o Movimento Jovem 6 de Abril, com origem na cidade fabril de Mahalla.

A reação do regime foi convocar partidários, que utilizaram cavalos e camelos para fustigar os manifestantes, além de atirar pedras e destroços do alto dos prédios. Esse ataque da "camelaria ligeira" foi o último ato que tentou salvar o faraó e irá passar à história como um fato burlesco do tipo "brancaleone".

O Egito, com cerca de 85 milhões de habitantes, é um país superpopuloso. Quase a totalidade dessa população habita os 4% de suas terras férteis - o Vale do Nilo e o Delta. O país é mais ou menos do tamanho do Pará. Imagine 85 milhões de pessoas vivendo às margens do Amazonas, dentro do Pará, incluindo a Ilha de Marajó!
O país importa 2/3 dos alimentos. Do Brasil importa, principalmente, carne bovina, frango e açúcar. Com um PIB de 180 milhões de dólares, as principais fontes de divisas fortes são obtidas pela cobrança de taxas dos navios que navegam pelo Canal de Suez, pelo turismo e pela exportação de petróleo e gás, em pequena quantidade.
O governo Hosni Mubarak era uma ditadura de fato sob uma roupagem democrática. O Egito (Misr, em árabe) é uma república presidencialista desde 1953. O Parlamento egípcio, unicameral, com 454 deputados, é chamado de Assembleia do Povo, uma denominação de origem socialista. De acordo com a Constituição de 1971, a cada 6 anos um candidato a presidente é apontado por pelo menos 1/3 dos deputados. Esse nome deve ser confirmado por pelo menos 2/3 dos parlamentares. Só um nome é apontado para ser escolhido em plebiscito pelo povo. Como o Partido Nacional Democrático, ao qual Mubarak pertencia, é o mais forte do país, este passou a ser indicado a presidente indefinidamente, desde a morte de Anwar Sadat, ocorrida em 1981. Com uma Lei de Emergência imposta ao Egito desde a morte de Sadat, Mubarak tinha amplos poderes sobre o país e as Forças Armadas, podendo dissolver o Parlamento quando quisesse. Tinha também direito de indicar 10 membros do Parlamento e nomear os dirigentes das governadorias (províncias) do Egito, compostos principalmente por militares de altas patentes. Mubarak era, de fato, um faraó, um Ramsés dos tempos modernos, como já havia escrito no livro de minha autoria, EGITO.

O Egito milenar, berço de nossa civilização junto com a Grécia, após as dinastias faraônicas foi dominado por diversos povos: persas, gregos, romanos, bizantinos, árabes, franceses, ingleses e turcos otomanos. Com a Revolução de 1952, promovida pelo Movimento dos Oficiais Livres, o Rei Farouk foi obrigado a abdicar em nome de seu filho, Fuad. Em 18 de junho de 1953, foi proclamada a República, presidida pelo general Muhammad Naguib. Em 1954, o coronel Gamal Abdel Nasser obriga Naguib a renunciar e assume o governo. Em 1956, depois da retirada das tropas britânicas do país, Nasser nacionalizou o Canal de Suez, ocasionando uma guerra contra Israel, que invadiu a Faixa de Gaza e o Sinai. Para implementar a paz, foram enviadas as Forças de Emergência das Nações Unidas (UNEF) na região, com participação de boinas azuis brasileiros, que chegaram em Port Said em 4 de fevereiro de 1957. Em 1958, o Egito, a Síria e o Iêmen formam a República Árabe Unida, que teve vida efêmera. O Egito viria a sofrer outra derrota humilhante, em 1967, na chamada Guerra dos Seis Dias, quando Israel novamente tomou a Faixa de Gaza e o Sinai, além das Colinas de Golã, na Síria. Nasser, apesar das derrotas militares, foi o maior líder do Egito moderno. Até hoje é considerado um mito naquele país.

Em 1970, assume a presidência Anwar Al-Sadat. Ao contrário de Nasser, que havia nacionalizado quase toda a produção egípcia, sob influência soviética, Sadat começa a introduzir no Egito a infitah, a abertura econômica, e começa a aproximação com o Ocidente, principalmente com os EUA. Em 1972, Sadat expulsa do país cerca de 20 mil "conselheiros" soviéticos. Vale lembrar que a represa de Assuã foi construída por Moscou.

O Egito e a Síria, com apoio dos países árabes, atacaram Israel no dia 6 de outubro de 1973, iniciando a Guerra do Ramadã, como é conhecida entre os egípcios, ou Guerra do Yom Kippur (Dia do Perdão), como é conhecida em Israel e no Ocidente. Essa guerra levantou a moral de todo o povo egípcio, devido às vitórias iniciais que quase varreram Israel do mapa. Hoje, no Egito, 6 de outubro é feriado nacional e nome de importante ponte sobre o Nilo no Cairo. Existe também a Cidade Seis de Outubro, criada em pleno deserto, ao sul do Cairo, onde existem vários complexos industriais para desafogar o Grande Cairo. As guerras contra Israel tornaram o Egito pobre e o êxodo rural aumentou espantosamente, inchando o Cairo, com protestos da população frente à carestia, gerando prisões em massa, em 1977. Desde então, as massas ficaram caladas, voltando às ruas somente neste início de ano.

Em 1979, Sadat assinou um Acordo de Paz com Israel, que redundou na devolução do Sinai, só efetivado em 1982. A Faixa de Gaza foi rejeitada pelo Egito, ficando esse pequeno território, altamente povoado e explosivo, sob administração israelense. Esse acordo, aliado à política econômica de Sadat, além de ter abrigado no país o deposto Xá do Irã, revoltou ainda mais os extremistas egípcios. Na parada militar de 6 de outubro de 1981, Sadat foi morto por um membro da Jihad Islâmica do Egito (do qual fazia parte o atual número 2 da Al-Qaeda, Ayman al-Zawahiri), sob os gritos eufóricos: "Eu matei o faraó!" Além do Egito, só a Jordânia mantém um acordo de paz com Israel no mundo árabe.

Assume então a presidência o vice de Sadat, o marechal Hosni Mubarak, herói da Guerra do Ramadã, quando era comandante da Força Aérea. Ele procurou manter a linha político-econômica de Sadat e se tornou importante aliado dos EUA, que ainda remetem, a fundo perdido, cerca de US$ 1,5 bilhão por ano a este que é considerado o maior ativo estratégico da região. Um exemplo desse alinhamento com os americanos observou-se na Guerra do Golfo, em 1991, quando o Egito integrou as forças aliadas contra Saddam Hussein, que tinha invadido o Kuwait.

A rejeição contra Mubarak, nas últimas décadas, era maior por parte dos fundamentalistas islâmicos, como a Irmandade Muçulmana, que promoveram atentados às autoridades egípcias, aos cristãos coptas e, desde 1992, a turistas estrangeiros, como o observado no templo da rainha Hatshepsut, em Deir al Bahri, no Alto Egito, quando, em 1997, mais de 60 turistas foram metralhados pelo Grupo Islâmico. Outro ataque violento, reivindicado pel Al-Qaeda, com 88 mortos, foi contra um hotel de luxo no paradisíaco balneário de Sharm E-Sheikh, em 2006, no sul do Sinai, no Mar Vermelho, para onde Mubarak se refugiou após a renúncia. Durante seu governo, Mubarak sofreu uma dezena de atentados, incluindo um no exterior, em Adis- Abeba, em 1995. Com mão de ferro, Mubarak conseguiu neutralizar os ataques terroristas, enforcando muitos radicais islâmicos. No Egito, essa é a modalidade de pena de morte, normalmente aplicada a homicidas, traficantes de drogas e estupradores. Nessa empreitada repressiva, Mubarak teve a ajuda inestimável do chefe da temível Mukhabarat (camisa escura), o serviço secreto chefiado por Omar Suleiman, nomeado vice-presidente no início dos protestos egípcios.

Mubarak não conseguiu diminuir a pobreza no país, onde, diz-se, 50% da população vive com o equivalente a 2 dólares, nem conseguiu criar empregos para a massa humana que cresce 2 milhões a cada ano, deixando milhares de jovens sem perspectiva de melhoria de vida. A inflação e a taxa de desemprego são muito superiores aos índices oficiais, alardeados como 11% e 9%, respectivamente - uma manipulação comum em regimes autoritários. É um caldo extremamente favorável aos extremistas, como a Irmandade Muçulmana, que presta assistência social nos moldes do Hamas em Gaza, do Hezbollah no Líbano e da Al-Qaeda na Bósnia e no Afeganistão. Assim, compreende-se a apreensão do mundo democrático frente à possibilidade do Egito cair nas mãos dos clérigos sunitas, que têm por objetivo transformar o país numa teocracia regida estritamente pela Sharia, a exemplo do Irã e do Sudão. Por que não se observaram esses levantes nos ricos países do Golfo Pérsico, como o Kuwait e os Emirados? Porque lá a maioria da população tem uma vida decente e pouco se lixam para dinastias corruptas que governam há séculos.

Mubarak quase consegue realizar a proeza de um Ramsés II, que governou o Egito por ainda mais décadas. Só faltou o novo faraó morrer e ser mumificado. Porém, o povo egípcio se cansou do regime, que desde o início da República impôs 4 presidentes militares. Ocorre que os tempos são outros, não existem mais guerras contra Israel, nem ataques terroristas sendo perpetrados no país, apenas a guerra diária pela comida e por uma dignidade humana elementar.

Engana-se quem pensa que o Egito irá se tornar uma democracia. Isto não existe em nenhum país islâmico, a rigor nem mesmo no Líbano, um país que se tornou dividido e violento depois da guerra civil, onde uma milícia externa, o Hezbollah, com apoio da Síria e do Irã, tem grande representação parlamentar. Para haver democracia em um país, é necessário que haja ampla liberdade de opinião e respeito às diferenças étnicas, sociais e religiosas. O islamismo não prega o diálogo, mas o confronto. Não aceita a liberdade de culto religioso, porém tenta impor seu credo, eliminando os não-crentes. Prova disso são a emigração forçada de cerca de 25.000 judeus egípcios após a guerra de 1956 contra Israel, quando tiveram todos os bens confiscados, e os constantes ataques aos cristãos coptas, que têm suas lojas e suas igrejas incendiadas constantemente.

Provas da intolerância islâmica são os movimentos separatistas existentes na Chechênia, no Kosovo, no Sudão, na Cachemira. Os muçulmanos não se aculturam, porém sempre procuram impor sua cultura à força nos países para onde emigram. Por qualquer motivo, fazem levantes na França, onde já somam mais de 10 milhões de pessoas, com incitação à desordem promovida pelossheiks nas mesquitas, incendiando prédios e carros, embora tenham ampla rede de amparo social naquele país, principalmente educação e saúde. Cospem no prato em que comem. Eles não irão sossegar até o dia em que consigam transformar a Europa na Eurábia, pois não têm receio de portar placas, em suas passeatas, com os dizeres "um dia, o mundo inteiro será islâmico" nos países que os acolheram, como a Grã-Bretanha, a Alemanha, a Bélgica e a França, principalmente.

Antigamente, o Catolicismo tinha um objetivo universal, de evangelizar todos os povos, muitas vezes à força. No século passado, esse objetivo foi perseguido pelo Movimento Comunista Internacional, que pretendeu socializar todos os meios de produção e escravizar todos os povos em nome do Leviatã estatal. Hoje é o Islamismo que tem esse objetivo estratégico, de criar um califado mundial, subjugando todos os povos aos preceitos de Alá. Um clérigo islamita falar em paz e cooperação com outras religiões é o mesmo que um petista falar em estado democrático de direito. É pura enganação.

John Laffin, no livro The Arab Mind, afirma: "A lei islâmica não reconhece a possibilidade de paz com descrentes e infiéis. A parte do mundo não-muçulmano é conhecida na teologia islâmica como território de guerra . A maior parte dos militantes muçulmanos acredita que a tarefa de Maomé não será bem-sucedida enquanto não-mu-çulmanos tiverem controle de qualquer parte do planeta". Ou seja, "território de guerra" é "território a ser conquistado".

Mubarak foi um herói nacional, tinha inicialmente um grande respeito da população. Porém, aproveitou-se disso para se perpetuar no poder, como verdadeiro ditador, tornando-se onipresente, com fotos em inúmeros outdoors, com apoio da máquina de triturar carne humana chamada Mukhabarat, livrando as Forças Armadas desse trabalho sujo. Por isso, o exército do Egito tem, ainda, uma força moral bastante elevada, necessária para comandar a transição para um novo governo.

O Facebook derrubou o faraó? De certa forma sim, considerando o relevante papel dessa rede social, para reunir os manifestantes que pediam a queda do ditador. Se Mubarak, ao renunciar, não passou ou não conseguiu passar a presidência a seu substituto constitucional, o fato é que houve simplesmente mais um golpe militar e ponto. O Conselho Supremo das Forças Armadas, presidido pelo antigo ministro da Defesa, Mohamed Hussein Tantawi - o preferido de Washington -, aboliu a Constituição, dissolveu o Parlamento, prometeu realizar eleições dentro de seis meses e retirou à força os últimos manifestantes da Praça Tahrir. Não aboliu a Lei de Emergência e vai governar mediante decretos. Com isso, as Forças Armadas se tornaram ainda mais poderosas no Egito, onde o Exército controla 30% do PIB.
O que vem pela frente é uma verdadeira esfinge egípcia a ser decifrada, já que o "democrata" Nobel da Paz que caiu de paraquedas na Praça Tahrir e se apresenta como o salvador da pátria, Mohamed El-Baradei, tem o apoio da Irmandade Muçulmana.

ISLÃ: O CHÃO AFUNDA SOB OS PÉS

ISLÃ: O CHÃO AFUNDA SOB OS PÉS
Artigo publicado por Nivaldo Cordeiro no site www.nivaldocordeiro.net em 27/02/2011.

“Em alemão, mente quem é cortês.” Goethe, no Fausto
[Acrescento: em português também. NC]

Certa vez o grande Goethe escreveu, observando o dia a dia da política da Corte de Weimar e da Europa em geral: “Nosso mundo político e moral está minado por galerias, porões e cloacas subterrâneas, como costuma ser uma grande cidade, em cujas conexões com a situação geral de seus habitantes ninguém pensa nem cogita; só aquele que possui alguma informação a respeito poderá entender melhor as coisas no momento em que, de repente, o chão se fundar, subir ali uma fumaça [...] e se ouvirem aqui vozes espantosas.” (Citado por Walter Benjamin no Ensaios Reunidos, Editora 34, São Paulo, 2009).

É perfeita a descrição para nós, que observamos os acontecimentos do momento no mundo islâmico. O chão afunda sob os pés, tudo que é sólido desmancha no ar. E penso que não deveríamos nos surpreender: o que está em marcha é um processo revolucionário que é, ele mesmo, o passo 2 depois da derrubada das Torres Gêmeas. Explico-me. A revolução no mundo islâmico só pode ser compreendida nesse esforço em curso para destruir o Ocidente, que vem de décadas. Nessa empreitada é preciso, na visão estratégica do novo califa, Bin Laden, destruir os apoiadores do Ocidente no mundo islâmico, o núcleo do seu futuro império.

Podemos lembrar aqui do famoso verso posto na boca de Mefistófeles por Goethe, no Segundo Ato do Livro 2, do Fausto: “Busquei de oculto-áureo tesouro a Meca/E carvão negro e horrível recolhi”. O fogo dos infernos queimará no meio sarraceno como detonador da bomba que deverá incinerar o Ocidente, ao menos na cabeça delirante de Bin Laden.

Quem ousou derrubar as Torres Gêmeas não se deterá diante de nada. A vida individual de seus seguidores islâmicos nada vale, menos ainda a dos ocidentais. Depois do ato surpreendente e audaz, Bin Laden sabe que perdeu o elemento surpresa, restando pois fazer o mais fácil e o mais perto: arrasar a ordem estabelecida nos países islâmicos, sobretudo aqueles pró-ocidente. De repente, como no movimento inicial de uma orquestra movida por implacável maestro, quebrando o silêncio unânime, o chão afundou e, um a um, os países estão caindo como um castelo de cartas nas mãos dos revolucionários. Era previsível e óbvio, mas os governos ocidentais, especialmente o obâmico e hilário, foram surpreendidos. Na Folha de São Paulo de hoje tivemos a apoteose obâmica: pediu a cabeça de Gaddafi, o malvado terrorista aposentado, como se isso não agravasse o problema e não fosse o gesto mais estúpido dentro da realidade mais dura. A ciência política está reduzida a trapos na Casa Branca com Hussein no poder.

Bin Laden, no seu quartel-general, o grande maestro das revoluções no mundo islâmico, pede que o coro de acólitos jihadistas suicidas repita o coro dos insetos inserido por Goethe no Fausto, em homenagem a Hussein Obama:

“Bem-vindo! Bem-vindo,
Velho amo de antanho!
Voando, eis-nos, zunindo,
Não nos és estranho.
Sozinhos e aos pares,
Semeaste este bando.
Eis-nos aos milhares,
À volta dançando.
Malandros, os espinhos
Em seu peito encobrem,
No velo os piolhinhos
Sem mais se descobrem.”

Quem tem ouvidos para ouvir, que ouça!

domingo, 27 de fevereiro de 2011

A PETIÇÃO JUDICIAL VASSALA

Uma petição judicial deve informar ao juiz o que a parte reclama como direito próprio. A outra parte apresenta petição contrária. O juiz deve decidir qual das partes tem razão. Deve ser claro e justo na decisão para que ambas as partes saiam satisfeitas do tribunal. Isso se chama prestação jurisdicional do estado ao cidadão sempre capitalista.

Cada uma das partes é detentora do direito que reclama. Se alguém é detentor do direito, então o direito deve ser reconhecido e não dado. No entanto, dois vícios ocorrem na prestação jurisdicional: o primeiro é o de que o juiz dá o direito e o segundo é o de que ele diz a lei. Mas o juiz não dá, ele apenas deve decidir qual das partes está ao lado da lei ou da justiça. O juiz não diz a lei, ele apenas aplica a lei escrita pelo poder legislativo.

Advogados fazem petições judiciais pedindo, quase que de joelhos, ao excelentíssimo senhor doutor máxime sapientíssimo e divino juiz. Pedem um direito como se ele fosse dado e não como se fossem detentores do direito. O resultado disso é advogado pedindo direitos que não são dele e juiz dando o que não possui.

Só se pode dar aquilo que se é dono. O juiz não pode interpretar a lei conforme seus desejos de dar ou não dar o que uma das partes pede. Deve apenas descobrir, com muito trabalho, discernimento e conhecimento da lei qual das partes está com a razão. O juiz não dá, não concede e não exerce poder sobre nada.

No entanto, as petições judiciais consideram o juiz como um rei irresponsável que pode tudo, tem tudo, concede tudo, diz a lei e que tem imenso poder. Por isso, o advogado torna-se um vassalo do juiz. Logo, sua petição é vassala e o cliente é apenas aquele que pagará honorários ao advogado e altos salários ao juiz e ao promotor. Parece que o direito do cliente não importa, importando tão somente a corporação de advogados e o poder que o juiz não devia ter.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

O JUIZ COM IDEOLOGIA SOCIALISTA NÃO FAZ JUSTIÇA

O juiz socialista não existe porque só existe o homem capitalista. Aquele juiz que decide como socialista é um arremedo de ditador. Pensa que é dono das coisas do cidadão e decide injustamente contra a propriedade do cidadão sempre capitalista.

É frequente algum juiz aplicar ideias socialistas ao decidir processos. Consideram-se a vanguarda de um estado socialista e mais igualitário. Na verdade, são asseclas de uma ditadura disfarçada.

O estado foi concebido para dirimir nossos conflitos e para nos proteger do mais poderoso. O juiz é apenas o estado prestando serviço ao cidadão, portanto não pode tomar partido de qualquer tipo de ideologia. Apenas deve aplicar a lei vigente.

Se o juiz é socialista (não reconhece a propriedade), então como reconheceria com justiça a propriedade de um em detrimento de outro? Muitas decisões que agridem ao direito de propriedade e de liberdade derivam desse comportamento equivocado. Infelizmente, o STF também está contaminado por alguns que se consideram socialistas.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

DIREITO NATURAL, DIREITO POSITIVO, DIREITO ACHADO NA RUA E O LADRÃO DA ESQUINA

A lei natural sai do coração do homem e é anterior à norma escrita. A natural era vigente antes da criação do estado que a positivou (escreveu-a). Houve deturpações nessa passagem na natureza para o papel. Os legisladores escrevem a lei e os juízes a interpretam em compatibilidade com o sentido natural.

O problema é que o coração do homem muda e a nova lei escrita deve refletir o sentimento de justiça atual. Nesse sentido, a norma escrita deve mudar, mas não todo dia. O juiz também não deve reinterpretar a lei dando o novo sentido porque ele deve aguardar a positivação do legislador eleito pelo cidadão.

Mas tanto legisladores quanto juízes apressam-se em mudar o sentido da lei natural. Quando isso ocorre, estamos no direito achado na rua. É o juiz pensando que faz a lei. Infelizmente, até o STF está contaminado pelo direito achado na rua. O resultado disso é que a aplicação da lei afasta-se do direito natural e sentimentos de justiça presentes no coração do cidadão capitalista não prevalecem.

Com isso, pode-se dizer que o legislador que muda a lei para atender interesses próprios e o juiz que a reinterpreta apenas para exercer poder ou para reequilibrar aquilo que ele considera injustiça social são tão malfeitores quanto o ladrão da esquina porque usurpam direitos naturais e a justiça desaparece.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

PROFESSOR QUE "ENSINA CIDADANIA" É SÓ UM VAGABUNDO DE PARTIDO DISFARÇADO DE AMIGO DA HUMANIDADE

Professor que “ensina cidadania” é só um vagabundo de partido disfarçado de amigo da humanidade
Publicado por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo

Ainda sobre o Movimento Passe Livre, mas com camiseta da Hollister, o Jefferson me envia o que segue. Vou poupá-lo de si mesmo, como recomenda o Corão — comecem a estudar o livro, viu? Será cada vez mais útil… —, e omitir o sobrenome. Leiam:

Não concordo com a reivindicação de que a passagem do transporte publico deveria ser gratuita, mesmo sendo estudante universitário e utilizando deste transporte. Acredito, sim, em um valor justo, o que não é a realidade que temos.

Apesar desde posicionamento, discordo categoricamente do senhor. Seu discurso é elitista, me enoja. Utilizar de um meio de comunicação tão forte para desacreditar os movimentos sociais é uma vergonha. E não pense que sou “daquela terra-de-ninguém chamada ‘área de humanas’”, não use deste argumento estúpido para desvalorizar minha opinião ou de qualquer outra pessoa. Sou engenheiro, curso mestrado em engenharia, mas tenho censo crítico, sei no que acredito. Quando o senhor diz “Professores de história, geografia, filosofia etc são pagos para ensinar história, geografia e filosofia” eu me pergunto: e cidadania, onde se aprende? O senhor deveria ter vergonha de escrever algo tão ignorante.

Atenciosamente,
Jefferson J.R.


Comento
Sei… O Jefferson diz que meu comentário o “enoja” — gosta de palavras fortes o moço —, mas se despede “atenciosamente”. Seu tom fica entre o petismo de calçada e a vocação relatorial. Embora suposto mestrando em engenharia, ele se ofendeu com a expressão “terra-de-ninguém da chamada ‘área de humanas”. Ok. O mundo está cheio de “advogados putativos” — há até quem queira botar fogo na cidade em defesa de ônibus mais baratos mesmo sem usar o serviço…

Ele acha que o fato de eu criticar um falso movimento social, que arregimenta “os revolucionários da Diesel”, expressa meu desamor pelos “movimentos sociais”. Não que eles excitem muito a minha imaginação, é fato… No dia em que o PT desaparelhar os movimentos, levem-me ao chefe deles que eu quero saber quem é… Mas volto ao Jefferson.

Ele tem uma angústia. Quer saber “quem ensina cidadania”. Ora, Jefferson, ninguém! Essa disciplina não consta da grade curricular. Você é seu professor de cidadania, rapaz, com a soma, multiplicação e síntese de tudo o que vai aprendendo pela vida. Até a minha musa, a Laura Capriglione, pode ajujdar… Professor que “ensina cidadania” é só um vagabundo disfarçado de amigo da humanidade. É preferível pedir para decorar a altura do Pico do Aconcagua e os afluentes das margens direita e esquerda do Amazonas. Aliás, eu ainda sei todos de cor…

E para encerrar este post, Jefferson, mas continue curioso: “CENSO crítico” deve ser este que faz o IBGE, não é mesmo? Você certamente tentou escrever ”senso”. É claro que a sua opinião não é ruim por isso. Eu só o alerto para o fato de que, mesmo para um engenheiro, a ortografia não é uma disposição subjetiva, como não é a quantidade de concreto e ferro que se deve usar numa ponte. Uma obra da engenharia muito intimista ou idiossincrática corre o risco de cair, né?

Ah, sim: você se diz favorável a “um valor justo” para os ônibus. Quer saber, Jefferson? Eu também sou! Hoje, ela custa R$ 3,27, não 3,0. Eu sou favorável a que todos paguem o valor justo. E os R$ 800 milhões anuais de subsídio devem ser usados na melhoria da infra-estrutura do setor. Em cinco anos, teríamos R$ 5 bilhões a mais em investimentos, e eu posso garantir que os transportes melhorariam para todos, o que acabaria levando à queda do preço.

A desgraça do subsídio é justamente esta, Jefferson: é caro e concorre para a ineficiência. Mas isso os “professores de cidadania” não dizem porque a) não sabem fazer conta; b) ignoram o funcionamento da economia; c) estão apenas praticando vagabundagem partidária.

Fui claro, Jefferson?

INVENTORES DO FUTURO

Inventores do futuro
Publicado por Olavo de Carvalho no site www.midiasemmascara.org em 24 Fevereiro 2011
Artigos - Globalismo

Os movimentos mais disparatados, como abortismo, gayzismo, feminismo, vegetarianismo, "direitos dos animais", anticatolicismo, antitabagismo e liberação de drogas, vêm todos da mesma fonte.

O conceito mesmo de "engenharia social" implica que os membros da sociedade a ser modificada ou reconstruída não sejam concebidos como agentes livres, conscientes de suas escolhas, mas como peças inermes de um mecanismo que, no conjunto, não podem compreender e em geral nem mesmo enxergar.

As metas finais da operação não devem portanto ser apresentadas de modo direto e franco que arrisque fazer delas alvos de discussão, mas devem ser atingidas por vias indiretas. Para tanto, são subdivididas em operações parciais, à primeira vista separadas e inconexas, que, uma vez bem sucedidas, produzirão o desejado efeito global de maneira aparentemente impessoal, espontânea e quase mágica, de modo que ninguém possa ser responsabilizado por ele e seja fácil atribuí-lo retroativamente a um determinismo histórico anônimo, inelutável e irreversível.

A oposição que essas várias campanhas parcelares pode gerar será ela também parcelar e inconexa, esgotando-se em discussões periféricas que deixam a salvo de ataques o coração do empreendimento, de modo que as metas finais possam ser atingidas mesmo ao preço de recuos e abdicações pontuais e localizadas.

Diante das inúmeras campanhas soi disant progressistas, libertárias ou humanitárias que vêm se espalhando pelo mundo desde os anos 70, sempre bem subsidiadas e tendo como garotas-propaganda as mais destacadas figuras do show business, o cidadão comum não tem jamais a ideia - ou os meios intelectuais - de rastrear as ligações entre as entidades envolvidas e o fluxo de dinheiro que as move. Se pudesse investigar isso, descobriria que os movimentos mais disparatados, como abortismo, gayzismo, feminismo, vegetarianismo, "direitos dos animais", anticatolicismo, antitabagismo e liberação de drogas, vêm todos da mesma fonte e, por meios aparentemente inconexos, servem a um objetivo comum: reduzir a população do planeta.

O controle demográfico é uma obsessão da elite globalista - especialmente da família Rockefeller - pelo menos desde os anos 40. As primeiras campanhas nesse sentido, na década seguinte, vinham com objetivo declarado, promoviam a esterilização em massa e visavam a atingir sobretudo o Terceiro Mundo, mas deram resultado inverso: em vez de deter o crescimento populacional nas nações pobres, baixaram drasticamente o das nações desenvolvidas (vejam o livro de Pat Buchanan, The Death of the West, para a descrição de um panorama estatístico apavorante).

Nada mais natural, nessas condições, que uma mudança de estratégia. Assim nasceram as campanhas de que estou falando.

Notem, de um lado, que, independentemente dos demais resultados socioculturais que delas podem germinar, cada uma das mudanças de conduta que essas campanhas visam a produzir tem pelo menos um ou dois de três efeitos necessários, imediatos e evidentes:

(1) Reduzir a duração média da vida humana. Gays, vegetarianos e drogados vivem notoriamente menos que as outras pessoas.

(2) Reduzir a capacidade procriativa. No caso das drogas ilegais, como maconha e cocaína, isso é mais que evidente. A abstinência de carne tem o mesmo efeito. A campanha antitabagista pareceria tender na direção contrária, mas, como ela está associada na fonte à luta pela liberação das drogas pesadas e não passa de uma preparação de terreno para induzir populações inteiras a trocar de vício, a correlação estatística entre diminuição do consumo de cigarros e redução populacional não é de maneira alguma mera coincidência. (Os pretextos médicos do combate ao fumo revelam-se cada vez mais falsos à medida que nenhuma, absolutamente nenhuma redução da incidência das doenças "associadas ao fumo" se verificou nas áreas mais afetadas pela onda antitabagista.)

(3) Reduzir o desejo de procriar. Quem negaria que o feminismo radical, o divórcio fácil e a oferta maciça de operações de aborto sob demanda desembocam nisso necessariamente?

Várias são as modificações socioculturais periféricas que essas diversas campanhas podem produzir, e tanto seus apóstolos quanto seus detratores dirigem o foco das discussões para essas mudanças, sem reparar que, mesmo alguma destas falhando, o efeito de redução populacional terá sido atingido. A lógica do processo causal bastaria, por si, para sugerir fortemente a coerência global por trás de tantos e tão disparatados fronts de combate, mas a sugestão plausível se transmuta em certeza factual quando se nota que tanto as várias concepções quanto o dinheiro para implementá-las vêm sempre da mesma fonte: a elite globalista, que por sua vez tem muitos objetivos, mas um acima de todos - o controle demográfico mundial.

Como toda operação complexa de engenharia social, essa conta não só com seus planejadores e militantes conscientes, mas com a colaboração frenética e servil de milhões de idiotas úteis, sobretudo entre "formadores de opinião" e mini-intelectuais, que de repente se apaixonam por algum slogan solto e, sem cogitar dos efeitos sociais de conjunto, passam a defendê-lo com aquele ardor cretino que vale por um juramento de nunca entender nada. Alguns, no arrebatamento da paixão retórica, inventam até novos argumentos que, por sua ousadia insana, surpreenderiam os próprios formuladores originais do projeto.

Outro dia, o Sr. Paulo Ghiraldelli, que de boa fonte me informam ser uma voz influente naquilo que no Brasil, não sei por quê, se chama de "educação", publicou um artigo em que declarava ser uma imposição tirânica da sociedade repressora a expectativa de que as mães, normalmente, amem seus bebês. Sim, por que não seria mais humano, mais democrático, mais coerente com o espírito destes tempos iluminados, consentir que as pobres senhoras odiassem, espancassem ou jogassem pela janela os filhos recém-nascidos, aqueles miúdos seres horríveis que não têm outra missão na vida senão ficar berrando no bercinho e sujar fraldas com uma obstinação reacionária e - digamos logo - nazista?

MOLESTADOS E MOLESTADORES ESCREVEM O QUE PENSAM! OU: DEPOIS DE FALAR AOS PAIS DOS ALUNOS DE ESCOLAS PARTICULARES, FALO AGORA AOS DIRETORES

Molestados e molestadores escrevem o que pensam! Ou: depois de falar aos pais dos alunos de escolas particulares, falo agora aos diretores
Publicado por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo

Estou convencido de que abri uma espécie de Caixa de Pandora ao denunciar aqui que o Movimento Passe Livre está recrutando estudantes nas escolas particulares mais caras de São Paulo — gente que não tem nem mesmo noção de como funciona o sistema público de transportes —, usando a moçada cheia de disposição como massa de manobra de sua “luta”. Pior: muitos professores dessas escolas estão incitando os estudantes a participar de confrontos de rua e tentativas de ocupação de prédios públicos como forma de exercitar a “cidadania”. Na manifestação da semana passada, os vereadores do PT, diligentes como sempre, estavam lá dando suporte à “manifestação”. Quando rojões começaram a ser lançados contra o prédio da Prefeitura, a Polícia — que, no estado de democrático e de direito é a democracia de farda — reprimiu os “baderneiros do papai”. Cuidado com as camisetas da Hollister e os jeans da Diesel, crianças…

Ontem, eu me dirigi aos pais que pagam a farra. Hoje, dirijo-me aos diretores dessas escolas e coordenadores pedagógicos. Sim, vocês têm responsabilidades técnicas, profissionais e morais. É preciso saber a forma que o “discurso da cidadania” está tomando na sala de aula. “Educação crítica”, como dizem por aí, vá lá: partidarização da sala de aula é outra conversa e caracteriza, reitero, uma forma de assédio moral. O professor exerce uma liderança intelectual em sala. Em muitos casos, torna-se uma referência. Já bastam as quantidades industriais de bobagem contidas nos livros didáticos, boa parte deles produzida também por prosélitos. Aulas de história, geografia, sociologia e filosofia são, com freqüencia, verdadeiros manuais de militância petista, em que a verdade costuma ser a primeira vítima. Se pouco se pode fazer — a dificuldade realmente é imensa — para evitar a distorção, o incitamento à ação direta tem como ser contido.

Os molestados
Uma verdadeira corrente resolveu invadir o blog. Um sujeito que se assina RFF admite que seus professores fazem pregação política em sala. Escreve (segue com a gramática que veio):
“Os professores que nos dão aula e ‘assediam nossas mentes com ideias petistas’ além de nos ensinarem o que é preciso para passar no vestibular, nos ensinam também a abrir nossas cabeças para além de nossas vidinhas de filhinhos de papai. Não somos menos favorecidos de sabedoria ou de opinião porque estudamos em escolas particulares. Até porque se o ensino público fosse decente em todos os aspéctos necessários, nós não precisariamos das benditas escolas particulares. Acho que o problema é mais embaixo né?!”

Eis aí. Trata-se de uma confissão. Em seguida, ele especula sobre a minha vida de nababo:
“Então não venha com esse humor cínico infantil, ridicularizando todos os estudantes e nos colocando em uma posição como se tentar mudar um pouco o país é a atitude mais imbecil, se olhe no espelho quando acordar e veja o quão triste é sua vida (…). Depois vá tomar seu belo café da manhã no qual sua empregada teve de acordar as 5h da manhã, pegar 3 ônibus e um trêm para prepará-lo. Quando terminá-lo, leve seus queridinhos filhos (…) à escola (…) em seu carro que trocou mês passado. Depois vá para seu trabalho onde um homem irá abrir a porta para você, uma mulher irá colocar seu café importado na mesa. Ah! depois sente em sua deliciosa cadeira, ligue seu computador e faça mais uma de suas esdrúxulas ‘análises políticas’.”

Esse é um daqueles com a cabeça cheia da titica contra “a sociedade de consumo”, ainda um hit de 10 entre 10 esquerdistas pés-de-chinelo que infestam as salas de aula. Huuummm… Ele exagera um pouco. Acertou no meu café: de fato, é importado! E é pago com o mesmo dinheiro que paga o café dos petistas: O MEU. Fui muito sutil?


Outro abduzido, este se identifica como “Chico” — manda e-mail e tudo —, repete a cascata lulo-petista sobre a “mídia”. Vejam que primor:
“(…) quase toda a mídia de massa é comandada por indivíduos ou grupos que apoiam a direita e estão muito acomodados em sua riqueza sem ao menos considerarem as pessoas de classe social, mais baixas e, portanto, as mais afetadas pelo aumento da tarifa.
Nos primórdios do partido, o PT era sim um partido focado na esquerda com um discurso lindo e cheio de promessas, porém é impossível que a esquerda assuma o governo pela votação pois TODOS (ou quase todos) OS MEIOS DE COMUNICAÇÃO ÀS MASSAS SÃO PRÓ DIREITA, por decorrência disso, para chegar ao poder foram provavelmente necessários acordos com quem possui enormes quantias de capital, pois elas mandam e desmandam nas mentes populares, que são, em sua maioria, alienadas devido o histórico de governos corruptos e defensores dos direitos da elite.”


O Chico também confessa o assédio moral:
“Em relação as manifestações contra o aumento da tarifa do ônibus, são realmente organizadas, em sua maioria, pela elite estudantil que realmente frequenta colégios caros. Porém não são jovens desocupados que resolvem badernar no centro, mas sim pessoas, que estão indignadas com a desigualdade social e com as péssimas condições de vida das outras pessoas. Serem pessoas ricas ou de classe média alta não significa não se importar com os mais pobres, é exatamente pela classe social avantajada dos manifestantes, que esperam ter mais aparição e com isso conquistar os direitos que todos devemos ter: liberdade para transitar para onde quisermos e isso deve também ser garantido pelo Estado.”

O truque consiste em fazer com que a garota e o garoto se sintam pessoalmente responsáveis — ou culpados — pelas mazelas do mundo. Não! Isso nada tem a ver com consciência e responsabilidade sociais. Trata-se apenas de uma variante rebaixada, vigarista e cretina de uma estupidez maior, que é a suposição de que a luta de classes move o mundo, uma idéia bastante ousada para… o século 19!

O Chico, tadinho, segue adiante, num comentário de um três quilômetros:
“Eu, assim como creio que a maioria dos manifestantes que são avantajados em relação à classe social a que pertencem, o que nos permite mais acesso a cultura dentre outros conhecimentos que constroem o caráter de alguém, não tenho a função nem vontade de abaixar o preço do ônibus para mim, mas para as outras pessoas que sofrem mais com questões financeiras a fim de pelo menos, em um mínimo grau aumentar a igualdade social que afinal de contas, toda população merece.”

Como se nota, ele só quer ser bom. É o menino bom dos homens maus…

Os molestadores
Até agora, citei trechos de comentários dos molestados. Agora eu os colocarei em contato com os molestadores. Um certo “Diego” escreve:
“Pelo menos um professor de filosofia conhece, baseado no bom senso ou, se preferires, razão, a noção de direito de opinar sem oprimir a opinião do outro. Se você tiver realizado as leituras fundamentais que qualquer pessoa desse mundo com voz na opinião pública deveria conhecer, com certeza terá lido Descartes. Se você leu Descartes, posso afirmar, com base na leitura do seu texto, que ou você discorda das idéias do pai da filosofia moderna ou você simplesmente as ignora motivado por alguma ideologia pessoal, pois não respeita a opinião do seu semelhante e a ataca com tréplicas que se fundamentam em falácias informais clássicas do medievo.”

Andei lembrando Paulo Francis esses dias e o faço de novo. Diante de textos assim, ele só pedia uma coisa: “chicote” — metafórico, claro (que peninha!). Descartes “pai da filosofia moderna”? “Falácias informais clássicas do medievo”? Esses analfabetos estão dando aulas para nossos filhos!!!

O Diego achou que não tinha barbarizado o bastante nos conceitos, já em língua trôpega, e decidiu exagerar:
“Se você puder ‘provar’ que os alunos (menores de idade) estão sendo incitados a participar dos protestos e não os aderindo por vontade própria, então me calarei; do contrário, use a propriedade singular que a natureza te concebeu, a razão, para opinar de maneira construtiva e não para desmerecer os argumentos dos outros por meio de chulas falácias informais.”

“Aderir” até suporta um objeto direto, mas não nessa acepção. O Diego precisa parar de molestar adolescentes e pegar correndo um livro. Qual livro? Qualquer um! Serve até um de poemas do neoesquerdista Gabriel Chalita!!!

O presunçoso
O Pedro — não publico o sobrenome, assim posso esculhambá-lo à vontade — resolveu posar (Emir Sader escreveria “pousar”) de sábio pra cima de mim:
“Vá ter você uma aula de História que te explique os princípios da revolução francesa pra depois vir falar alguma coisa a respeito de como a sociedade progride ou regride de acordo com a sua perspectiva absurda e hipócrita. Volte você à alfabetização e se desprenda do estruturalismo passando à decência. Absurdo é o Brasil ter de ver, publicada em uma revista de tão alto renome, a representação VIVA da ignorância que ronda os locais onde o poder está centrado. Eu sou um educador e não admito, definitivamente não admito que um profissional tão despreparado fale o que você está falando. Você, sim, é exemplo de vergonha. E espero que pai nenhum deixe filho algum ler esta maldita reportagem, sob o risco de crescerem jovens que venham a ser INSANOS como você.”

Esse é do tipo ignorante valente! Taí! Eu gosto da Revolução Francesa! É um dos temas que estudo regularmente. Se há tarado sanguinário cujo traseiro chuto com gosto é Robespierre. Ele até inspirou, pelo avesso, um artigo de quatro páginas que escrevi na última VEJA de 2010. Gosto tanto do período que chamo “A Marselhesa” de “banco de sangue em versos”…

O seu problema, Pedro, é menos a arrogância do que a ignorância. Eu poderia considerar que a salada que você faz entre a segunda e a terceira pessoas é só a opção pela informalidade. Mas não é, não! É coisa de gente xucra mesmo. O emprego da palavra “estruturalismo” em seu comentário evidencia que você não tem a menor noção do que está falando. Você é um “educador”? NÃO, PEDRO! VOCÊ É UMA PROVA DO QUE ESTOU DENUNCIANDO! Nunca antes na história do pensamento alguém havia oposto o “estruturalismo” à “decência”. É de tal sorte boçal que é irrespondível! E olhem que eu jamais fui um admirador dos estruturalistas — mas nunca me ocorreu chamá-los de “indecentes”. Você não sabe o que diz! Tire as duas mãos do chão e vá estudar. Renuncie a essa mistura desagradável de prepotência e burrice.

Para encerrar
Já o França decidiu apelar ao capeta para justificar as Santas Escrituras. Chamando-me de “esse cara”, escreve:
“Se esse cara se desse o trabalho de olhar o site do mec, veria que em determinada seção dele, há uma seção chamada “mobilização social pela educação”, dentro da qual vêm contempladas as bandeiras da diversidade, dos movimentos sociais do campo, dos pais de alunos, dos movimentos estudantis, das instituições sindicais e das confederações sindicais e patronais.”

Sentiram o cheiro, não? Esse é do tipo que considera que a escola é mero pretexto — apenas um lugar — para o exercício da militância. Imaginem! Ele vem me oferecer o MEC de Fernando Haddad como referência. Haddad é aquele agora ministro da Educação, antes suposto intelectual, que escreveu um livro provando as virtudes do sistema soviético pouco mais de um ano antes de a União Soviética acabar! Eu juro!

O França tenta nos explicar:
“Os mais enfezados (no melhor sentido que essa palavra pode ter) podem alegar que as manifestações ferem seu direito de ir e vir. Mas podemos comparar situações de exceção (como parar uma rua para uma manifestação) à impossibilidade completa de se locomover de uma parte a outra da cidade, enfrentada por boa parcela da população? E mais: há uma boa diferença entre falar dos movimentos sociais em sala de aula e obrigar os alunos a irem a uma manifestação. Ou seja, é do desejo do aluno aderir ou não a uma causa, bem como é facultado ao professor seu direito de opinião.”

Qual será a disciplina ensinada pelo bruto? Seja lá qual for, aposto que ele é do tipo que deixa de lado o conteúdo a ser ensinado para ministrar “aulas de cidadania”, como se fosse esse o seu papel. Bem, o vocabulário dele não engana, querem ver?
“Dando uma de showman, Azeredo conseguiu foi desmerecer os esforços de estudos e a inteligência de todo um grupo de trabalhadores da educação que simplesmente pensa diferente dele. E essa intolerância à diferença, caracterizada justamente pela maneira como se reporta à área de humanas, tratando-a como se pudesse ser ocupada por qualquer “idiota”, é que é lastimável e antidemocrática.”

O “Azeredo” sou eu! Chamou “professor” de “trabalhador da educação” já entrega o serviço. É militante do PT e e é sindicalista. Eu agora vou me identificar como “trabalhador do jornalismo”. Os médicos serão “trabalhadores da saúde”; os faxineiros, trabalhadores da limpeza; e os esquerdistas, aproveitadores do trabalho alheio!

Eis aí, leitores! O que vai acima, como vocês notam, são confissões de um crime continuado. E esse assunto está longe de acabar. Eu mal comecei.

Por uma escola sem partido!

EMBATES ENTRE PT E PMDB REDUZEM CHANCE DE APROVAR REFORMA POLÍTICA

Embates entre PT e PMDB reduzem chance de aprovar reforma política
Publicado por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo

Por Marcelo de Moraes, no Estadão:
Apontada como prioritária por senadores e deputados, a proposta de reforma política caminha rapidamente para repetir a fórmula que impediu sua aprovação no Congresso nos últimos anos: excesso de projetos, divergências radicais de posições e falta de acordo entre Senado e Câmara em torno de uma agenda comum. Na prática, os dois maiores partidos da base governista, PT e PMDB, defendem ideias opostas em relação a um dos eixos principais da reforma: a manutenção ou não do sistema de eleição proporcional.

O PMDB quer adotar a eleição por voto majoritário, a chamada “Lei Tiririca” ou “distritão”. Por essa regra, quem tem mais votos é o eleito. Já o PT quer manter o sistema de eleição proporcional. Os peemedebistas defendem a modificação no sistema por entender que existem distorções na utilização do chamado coeficiente eleitoral, que contabiliza todos os votos recebidos pelos partidos e suas coligações e calcula quantas vagas serão destinadas por legenda.

Reação do eleitor. O vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), defensor do “distritão”, avalia que a população não entende mais por que um deputado bem votado fica fora do Congresso, abrindo espaço para outro candidato com menos votos (mas cuja legenda teve um coeficiente eleitoral maior). O PT discorda da posição, pois isso marcaria o fim de uma de suas grandes vantagens, o voto em legenda, que acaba aumentando significativamente seu coeficiente. Na verdade, os petistas acreditam que o voto proporcional fortalece os partidos como instituição.

Independentemente do conteúdo do texto a ser votado, o fato é que, politicamente, a divisão entre os dois maiores partidos do Congresso e da base governista aponta para um impasse em torno dessa discussão. Desde 1999, quando a primeira discussão organizada sobre a reforma política foi fechada pelo Senado, sempre que um ponto desse tema gerava conflito, a tramitação emperrava. Aqui

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

PAIS, CASO SEUS FILHOS SEJAM MOLESTADOS POR PROFESSORES QUE OS INCITEM A PARTICIPAR DE CONFRONTOS DE RUA, PROCESSEM A ESCOLA POR ASSÉDIO MORAL

Pais, caso seus filhos sejam molestados por professores que os incitem a participar de confrontos de rua, processem a escola por assédio moral
Publicado por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo

Mas era batata! Há delinqüentes intelectuais querendo brincar de Praça Tahir no Brasil, alusão ao local em que se concentravam, no Cairo, os que pediam a renúncia de Hosni Mubarak. Só que há uma diferença: aquilo era — e é — uma ditadura. O Brasil é uma democracia. Os nossos “jovens revolucionários”, assim tratados por esquerdistas chulés das rádios, jornais e sites, seriam os manifestantes do Movimento Passe Livre. Em seu site, eles dizem que o socialismo começa pelos transportes. A CBN de São Paulo, do grupo Globo, deve adorar, dada a ampla cobertura que dispensa aos “meninos”. Já identifiquei simpatizantes também na Folha e no Estadão. Denunciei aqui, reitero e vou mais longe: a mão-de-obra ou massa de manobra desses protestos está sendo arregimentada em escolas particulares cuja mensalidade chega perto dos R$ 2 mil. A maioria não sabe a diferença entre um ônibus e uma camiseta da Hollister. Ou melhor: sabe. Afinal, eles têm camiseta da Hollister e nunca andaram de ônibus.

Professores, geralmente daquela terra-de-ninguém chamada “área de humanas”, estão incitando os estudantes a “participar” do que seria um movimento de cidadania. Isso é uma informação, não um chute. Trata-se de um crime contra a educação e contra os fatos. Tivessem vergonha na cara, tratariam, sim, do tema em sala de aula, lembrando que a cidade de São Paulo gastará, em 2011, quase R$ 800 milhões em subsídios de passagem — ela passou a R$ 3, mas custa R$ 3,27. Poderia ser gratuita? Claro! Custaria uns 10 bilhões por ano só em bilhetes. Aí haveria os gastos com infra-estrutura, investimentos, etc. Quem paga a conta?

Recebi dezenas de comentários bucéfalos. Uma estudante, revoltadinha, diz assim:

“Sim, os professores insentivam (sic) os alunos a irem nesses protestos, pois, até onde sei o papel da escola é ensinar e eles nao estariam nos ensinando dizendo-nos coisas absurdas como as ditas por voce, e sim, nos incentivando a ir lutar por causas justas como essa.”

Sim, ela escreveu “insentivam”. Vocês sabem: quem quer mudar o mundo não tem tempo de aprender ortografia! Um outro, professor, apelando à linguagem típica dos molestadores, escreve-me um longo e perturbado arrazoado. Destaco um trecho:

“Ora! Se sua opinião é a de que por alguém possuir vantagem social e econômica não tem o direito de tomar as dores dos desfavorecidos da sociedade, podemos concluir que o senhor concorde com a ideia de que nossos queridos representantes nas diversas câmaras, assembléias, no senado, etc, nada teriam que fazer alí, pois estão todos muito longe de sofrer algum tipo de dificuldade parecida com as do trabalhador comum deste país. Aliás, sendo assim, perdoe-me mas, por que então o incômodo com o salário mínimo? Não se poderia julgar o senhor, pelo mesmo meio que o senhor julga os estudantes por não ter nada a ver com o assunto? acaso o senhor recebe apenas um salário mínimo? pela aparência na foto acima não.”

Em primeiro lugar, o senhor demonstra claros índices de déficit de alfabetização. Em segundo, exibe um incrível déficit de informação. Os parlamentares foram ELEITOS, representam a sociedade. Os seus “depredadores” não representam ninguém — nem mesmo os que andam de ônibus, já que esse não é o caso deles. Que “incômodo” com o salário mínimo? O MEU INCÔMODO É COM A QUESTÃO CONSTITUCIONAL, NÃO COM O VALOR. E a Constituição é de todos. Quanto à minha aparência, se eu aparecesse pelado, você diria que eu sou um sem-renda?

A isso estão expostos os estudantes!

Senhores pais, informem-se. Procurem saber o que está sendo dito a seus filhos em sala de aula. Vocês pagam para que eles tenham acesso a informações qualificadas, não para se comportar como vândalos “em nome da cidadania”.

Assédio moral é o nome desse crime. E os diretores das escolas são responsáveis pela política educacional implementada na sala de aula.

PS - Não pensem que eu ignorava o vespeiro em que estava mexendo quando comecei a tratar desse assunto. Comecei e não vou parar. Professores de história, geografia, filosofia etc são pagos para ensinar história, geografia e filosofia, não para ministrar a cartilha petista do bom militante. Ou será que é impossível ter consciência crítica e admitir que o preço da passagem de ônibus em São Paulo pode ser justo? Será impossível pensar fora do manual das esquerdas?

Educação não tem partido. Se tem, é crime!

MULHER DE PRESIDENTE DO TCU GANHA CARGO NO PR, QUE COMANDA TRANSPORTES, MAS DESISTE DE TOMAR POSSE

Mulher de presidente do TCU ganha cargo no PR, que comanda Transportes, mas desiste de tomar posse
Publicado por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo

Por Marta Salomon, no Estadão:
Maria Lenir Ávila Zymler, mulher do presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Benjamin Zymler, foi nomeada assessora do PR no Senado, partido de Alfredo Nascimento, ministro dos Transportes - o órgão com o maior número de obras com irregularidades graves apontadas pelo TCU.

A nomeação foi para o cargo de assistente parlamentar 2, informa a edição de segunda-feira do Diário Oficial da União. O posto tem salário bruto mensal de R$ 8.168 e rende líquidos R$ 6.959, já considerado o pagamento do auxílio-alimentação. Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) consultados pelo Estado classificaram a nomeação da mulher do presidente do TCU para um cargo no Congresso de nepotismo.

Ontem, ao ser procurado pelo Estado, Zymler telefonou para a mulher. Os dois combinaram que ela não tomaria posse. A liderança do PR no Senado, onde Lenir deveria assumir o cargo, não havia sido informada no fim da tarde da desistência.

Zymler informou que a mulher pediria a anulação do ato que a nomeou. Num primeiro momento, disse que não se manifestaria sobre suposto conflito de interesses. Mais tarde, informou que a desistência do cargo ocorreria apesar de não haver, segundo análise do TCU, nenhum obstáculo do ponto de vista legal à nomeação.

Nepotismo. De acordo com interpretação do STF, publicada na Súmula Vinculante n.º13, é proibida a nomeação de cônjuge e parentes até o terceiro grau de autoridade para cargo de confiança na administração pública em qualquer um dos Poderes. O TCU é um braço do Congresso para o exercício do controle externo. Sua principal função é fiscalizar os atos do Executivo.

O mais recente relatório do Sistema de Fiscalização de Obras Públicas do TCU (Fiscobras) aponta o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), vinculado ao Ministério dos Transportes, como o recordista em número de obras com irregularidades graves. O Fiscobras de 2010 mandou parar 9 das 66 obras avaliadas na área dos Transportes.

“É também a unidade orçamentária que possui o maior número de empreendimentos com pendências de irregularidades graves advindas do ano anterior”, informa o texto. Aqui

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

REFORMA POLÍTICA TEM DE PÔR FIM A JUÍZES QUE VIRAM "ELEITORES"

Reforma tem de pôr fim a juízes que viram “eleitores”
Publicado por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo

A reforma política também precisa cuidar de outro absurdo. Em caso de impedimento de governador ou prefeito, tribunais eleitorais estão empossando os segundos colocados. É uma barbaridade! Trata-se de eleger o derrotado, o que certamente trai o princípio da democracia. A saída? A única decente é fazer outra eleição. “E se for em fim de mandato?” Apela-se às assembléias e às câmaras de vereadores. Dar posse a quem perdeu a eleição é uma coisa asnal — e antidemocrática!

É PRECISO ACABAR COM O SUPLENTE DE SENADOR. MAS O QUE COLOCAR NO LUGAR?

É preciso acabar com o suplente de senador. Mas o que colocar no lugar?
Publicado por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo

Uma reforma política que tenha de respeitar a vontade do eleitor — e só isso a justifica — é muito mais complexa do que parece. Peguemos o exemplo da suplência no Senado. Hoje, temos esta excrescência no país: cada senador leva consigo um suplente, invariavelmente ignorado pelo eleitor. Caso o eleito vá ser ministro de Estado ou decida concorrer a algum cargo — prefeito ou governador — , o suplente assume o seu lugar; no caso da eleição do titular a outro cargo, ele o faz em caráter definitivo. Vale dizer: o sujeito pode ficar até oito anos num cargo para o qual não foi eleito.

Pior ainda: com alguma freqüência, o suplente costuma ser uma espécie de financiador da campanha do titular — na prática, usa o outro como mera fachada. É uma ignomínia.

Pois bem: uma das propostas em debate no Senado extingue a suplência. Ótimo! E dá posse ao segundo colocado: péssimo! Explica-se a razão: eleição de senador é como a de governador; trata-se de voto majoritário. Se a maioria da população escolheu que seu senador seria “A” e não “B” ou “C” (especialmente quando a renovação é de um terço do Senado, e apenas um é eleito, não dois), dar posse ao segundo colocado é trair a vontade das urnas. A única coisa razoável é fazer outra eleição. Democracia dá trabalho. “E se for no fim do mandato?” Aí é preferível que se entregue a tarefa de escolher o senador-tampão à Assembléia Legislativa — que, afinal, representa o eleitorado. E ele haveria de ser do mesmo partido do titular que deixou o cargo.

Mas e o senador ou deputado que se tornam ministros e continuam, na prática, titulares do cargo? Vamos ser claros? Eles estão traindo o que prometeram a seus eleitores, não é mesmo? Que escolham o Executivo e deixem a vaga no Parlamento para quem foi eleito para isso. Na minha proposta, se o sujeito for senador ou deputado distrital (eleitos majoritariamente), far-se-ia nova eleição. “Isso não vai acontecer”. Eu sei. Seria o correto. Não vai acontecer…

REFORMA POLÍTICA: COMISSÃO DO SENADO JÁ COMEÇA A DEBATER O PROBLEMA ERRADO. OU: QUEREM UMA CÂMARA SÓ DE TIRIRICAS

Reforma política: comissão do Senado já começa a debater o problema errado. Ou: querem uma Câmara só de Tiriricas
Publicado por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo

Qual seria o único propósito decente da reforma política? Melhorar a qualidade da representação e aproximar o eleito do eleitor. O divórcio que se estabelece logo depois da eleição entre o Poder Legislativo e a população é um dos nossos problemas. E, como se sabe, parte — SÓ PARTE — desse problema se deve ao sistema proporcional vigente. Estabelecido o quociente eleitoral, cada partido tem direito a um número “x” de cadeiras, e as bancadas são definidas segundo os mais votados em cada legenda, obedecida essa quota. Um Tiririrca, com o seu caminhão de votos, leva junto alguns sem-votos.

Este blog os convidou a assinar uma petição em favor do voto distrital — para assiná-la, clique aqui. Como funciona esse modelo? Os estados seriam divididos em distritos, levando-se em consideração o número de deputados a que cada um teria direito, e os partidos apresentariam candidatos únicos nesses distritos. Dou um exemplo: o ABC paulista poderia ser um distrito; a Zona Leste da cidade de São Paulo, outro; o Centro e a Zona Oeste, mais um… Far-se-ia uma espécie de eleição majoritária nesses lugares, escolhendo-se “o” deputado dessa região.

Pior do que o inimigo radical de uma boa idéia é aquele adversário que, sob o pretexto de adotá-la, a perverte. Foi o que fez Michel Temer, candidato a ocupar, um dia, a vaga de Sarney no castelo da Transilvânia mental do Brasil. O vice-presidente da República e chefão do PMDB veio com a proposta do “distritão”. Em que consiste? A exemplo de hoje, os partidos lançam a sua pletora de candidatos e tal. Mas seriam eleitos os mais votados em cada estado. E ponto final! O estado seria o distrito.

De longe, parece bom; de perto, é uma porcaria. Se o sentido do que propõe Temer é impedir que um Tiririca leve junto os seus sem-votos — por isso a proposta recebe o apelido de “Lei Tiririca” —, a proposta convida o sistema política a buscar uma coleção de Tiriricas, enfraquecendo os partidos em vez de fortalecê-los. Mais: a idéia de aproximar o eleito do eleitor vai para o beleléu, o que só seria possível com essa forma de eleição majoritária em distritos menores.

Haveria um efeito secundário até positivo da proposta de Temer? Sim, os nanicos, essas legendas que representam apenas o estado mental de meia-dúzia de doidos e aproveitadores, teriam menos chance de prosperar, mas o malefício que traz consigo não compensa o benefício. Atenção! Não haveria, há estudos indicando, mudança substancial na composição da Câmara. Não são tantos assim os sem-votos que os Tiriricas levam consigo. ESSE NÃO É O PROBLEMA PRINCIPAL DO ATUAL MODELO. O problema principal é o descolamento que existe entre eleito e eleitor.

O que quer o PT
O pior desse debate é que, na contramão da proposta de Temer, há o que defende o PT: o voto em lista. O Apedeuta é entusiasta da idéia. Nesse caso, alguns candidatos “famosos” servem para puxar votos para o partido — desloca-se a eleição para a escolha da legenda —, e os eleitos serão aqueles que encabeçare as listas feitas pelas burocracias partidárias. Vale dizer: o eleitor não sabe em quem está votando. Alguns pretendem conciliar as coisas: parte dos eleitos seria pelo voto majoritário, outra parte, pela lista. Na prática, teremos o que se tem hoje: os “Tiriricas” puxam votos para a legenda, e os famosos “ninguéns” da lista se elegem no vácuo.

Sabem por que a reforma política nunca prospera? Porque não há nada que os habitantes do Castelo da Transilvânia mental que se alimentam da seiva democrática não possam piorar.

O SENADO DÁ O PONTAPÉ INICIAL - OU FINAL? - NA REFORMA POLÍTICA

O Senado dá o pontapé inicial — ou final? — na reforma política
Publicado no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo

O presidente do Senado, José Sarney — que disputa com aquele conde da Transilvânia um lugar na eternidade — resolveu dar o tom do que entende deva ser a reforma institucional. Leiam o que vai abaixo. Volto no próximo post:

*
O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), afirmou nesta terça-feira (22) que a reforma política proposta pela Casa deve ter como enfoque principal a discussão sobre o sistema majoritário para a eleição do Congresso, no qual são eleitos os políticos mais votados. O vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), já defendeu essa regra para a eleição de deputados e vereadores.

“Nós estamos dando um início definitivo para resolver esse problema da reforma política. [Resolvendo a questão do sistema proporcional] nós resolvemos cerca de 60% do problema da reforma política”, disse Sarney. “Eu acho que nos temos que encontrar a forma na qual nós tenhamos que combinar o voto majoritário com o voto proporcional”, completou.

A Casa instala hoje a comissão que vai discutir a reforma política, presidida pelo senador Francisco Dornelles (PP-RJ) - o grupo terá 45 dias para elaborar o projeto. Participam do evento Temer, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) José Antonio Dias Toffoli e o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS).

NANICOS
O presidente do Senado não acredita que as mudanças prejudiquem bandeiras defendidas por pequenos partidos. “Hoje um presidente de sindicato se tiver expressão opina muito mais do que qualquer político. Não há mais apenas o Congresso onde as ideias possam circular. Esse problema eu acho que é mais de natureza de interesse de pequenos grupos do que realmente um problema de fundo”, afirmou.

De acordo com estudo do Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), a adoção do sistema majoritário no Congresso Nacional tende a extinguir as legendas nanicas ou diminuir ainda mais sua presença no Legislativo.

COMISSÃO DO SENADO ATRASA REFORMA POLÍTICA

Comissão do Senado atrasa reforma política
Publicado por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo

Por Rosa Costa, no Estadão:
A intenção do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), de controlar os rumos da discussão da reforma política vai atrasar a votação no plenário de propostas já aprovadas ou prontas para ser votadas pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Já existem na CCJ 70 projetos e emendas que abrangem todas as questões da reforma política, desde a fidelidade partidária até a adoção do financiamento público de campanha.

Foi justamente o excesso de temas que sempre impediu a reforma política de sair do papel. Pior: sem negociações entre os principais líderes partidários, nem mesmo matérias já votadas conseguem avançar. Há quatro anos, por exemplo, a CCJ aprovou mudanças para acabar com a farra da posse dos suplentes de senadores, mas desde então nada foi feito para incluir o texto na pauta de votação do plenário.

A comissão da reforma política foi criada por Sarney e será instalada amanhã. Ele se valeu de critérios aparentemente pessoais para escolher seus integrantes, deixando de fora os desafetos políticos Jarbas Vasconcelos (PE) e Pedro Simon (RS), apesar de serem os peemedebistas que mais discutem o assunto no Senado.

Os convites feitos por Sarney para formar a comissão incluem dois ex-presidentes da República Fernando Collor (PTB-AL) e Itamar Franco (PPS-MG) e senadores recém-eleitos cuja proximidade lhe interessa.

Há quatro dias, Sarney atendeu a uma queixa do PC do B, do PSOL e da bancada feminina, que reclamavam da ausência de mulheres na comissão especial. Nomeou mais três membros para o colegiado: as senadoras Vanessa Grazziotin (PC do B-AM), Ana Rita (PT-ES) e Lúcia Vânia (PSDB-GO). O prazo de trabalho da comissão é de 45 dias, sob a presidência do senador Francisco Dornelles (PP-RJ).

A própria existência da comissão é questionável. Na conversa com colegas, Dornelles reconhece que o colegiado não pode avançar além do que já fez o Senado. E que, para dar resultado, tem de definir as mudanças prioritárias, preferencialmente com base nas propostas já em tramitação.

Para tentar contornar o problema, Dornelles planeja fazer uma seleção de normas em vigor que devem ser alteradas, e não uma reforma.

Ex-presidente da CCJ, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) reconhece o risco de a comissão repetir o que ocorreu em 1999, quando outra comissão patrocinou uma proposta de reforma que até hoje está engavetada na Câmara. Nos últimos quatro anos, foram feitas outras tentativas, também abandonadas por falta de consenso.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

A AL QAEDA ELETRÔNICA


Montagem sobre fotos Hamid Mir-Reuters e Pedro Rubens

A Al Qaeda eletrônica
Artigo de Reinaldo Azevedo publicado no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo em 20/06/2007.

Quem você pensa que é?
Nos tempos pré-VEJA, essa era a pergunta com a qual as esquerdas pretendiam me fulminar. Era feita no rastro de alguma contestação às verdades eternas anunciadas por seus doutores. Há um prazer particular em não ser ninguém e flagrar, por exemplo, a pensadora petista Marilena Chauí pulando a cerca que separa o filósofo holandês Spinoza (1632-1677) do vândalo venezuelano Hugo Chávez. O primeiro é um dos pilares do debate ético; o segundo é só um ditador cômico e violento.

É divertido ver um intelectual se enroscando no arame farpado do populismo fantasiado de tirania esclarecida. O que é pior? VEJA, no entanto, me fez conhecido. Já não me indagam quem penso ser. Julgam ter a resposta e a espalham na internet, o novo território da batalha ideológica. Caí na malha da Al Qaeda eletrônica. À semelhança da rede terrorista, também essa não tem um comando centralizado – a não ser o ódio à razão.

A rede nunca foi tão ativa como nestes quarenta dias (enquanto escrevo) de invasão da reitoria da USP, a Universidade de São Paulo, a maior do país. É um daqueles casos em que as células dormentes do nosso esquerdismo, a doença infantil da civilização, acordam com saudade da ditadura. Elas se assanharam também na demonização de Bento XVI, na defesa do fechamento da RCTV na Venezuela ou no apoio à censura prévia no Brasil. Durante a campanha eleitoral, fizeram a denúncia de um fantasioso golpe contra Lula. No caso da USP, foram fazer vigília lá na reitoria invadida, misto de Palácio de Inverno russo com Parque da Xuxa – sem contar o aroma dos roqueiros de Woodstock...

Meu blog tornou-se um Diário da Invasão da reitoria da USP. Passei a publicar textos de alunos e professores que queriam aula e se opunham à violência dos remelentos e das mafaldinhas, os comunistas do Sucrilho e do Toddynho. Mafalda é uma personagem até simpática de Quino, um desenhista argentino. É uma garota baixinha, cabeçuda e feiosa, sempre inconformada com as injustiças do mundo. Injusto talvez seja eu: há um quê de reflexão na menina.

Recebo, por dia, entre 1 500 e 2 000 comentários. Publico entre 450 e 700 – os demais ou trazem uma linguagem inadequada ou são mensagens dos petralhas. Os petralhas são aqueles híbridos de petistas com Irmãos Metralha, os ladrões do gibi do Tio Patinhas. Tentam nos convencer de que os companheiros roubam para o nosso bem. Eu os chuto sem solenidade. Mas eles voltam. No período da invasão, os comentários cresceram entre 50% e 60%. E, em boa parte, esse aumento se deveu à tentativa de aparelhar o blog. Querem me sufocar com mensagens favoráveis aos vândalos, cobrando o que chamam a "sua [minha] democracia". Ocorre que a minha democracia, que é a universal, não solapa as bases que garantem a sua legitimidade. O outro lado do estado democrático e de direito é o totalitarismo.

Os blogs, até pouco tempo atrás, eram um território quase exclusivo do que os vários matizes da esquerda chamam "direita". Faz sentido. A internet se consolidou como o lugar dos indivíduos, dos que rejeitam a suposição de que um grupo ou um partido detêm a chave do futuro. Não tardou para que as esquerdas percebessem que estavam perdendo a batalha. E, então, lançaram uma espécie de grito de guerra, de que a campanha eleitoral de Lula, em 2006, é um dos marcos. Valter Pomar, responsável no PT pela área, incitou militantes e simpatizantes a policiar a rede. Tomaram gosto pela coisa. Dedicam-se à tarefa de vigiar. E, se possível, punir.

O cerco chega a ser divertido. Os integrantes da Al Qaeda eletrônica não se contentam só com o envio de mensagens desaforadas: criam páginas anônimas só para esculhambar aqueles de que não gostam; formam comunidades no site de relacionamentos Orkut para odiar pessoas; ressuscitam o hábito nativo de especular sobre a orientação sexual de desafetos; fazem montagens de fotografias em que os "direitistas" são postos em situações pouco lisonjeiras; dão curso, em rede de e-mails, às teorias conspiratórias mais disparatadas. Eu mesmo recebi mensagens me advertindo de que obedeço às ordens da CIA e do Mossad – respectivamente, o serviço de inteligência dos EUA e o de Israel.

A USP, que, nestes dias, não se distingue das favelas cariocas do Complexo do Alemão, com intelectuais de esquerda no lugar dos traficantes, é um elemento fácil de mobilização. A invasão reúne condições para uma causa fácil: os militantes são de classe média ou da elite e se confundem com os filhos dos chamados setores formadores de opinião; o risco de punição por transgredir a lei é mínimo; há sempre um professor de esquerda com o clichê na cara (eles ainda são barbudos, Deus meu!) ou uma filósofa com a bolsa cheia de objetos falsificados da Escola de Frankfurt, a corrente alemã de pensadores muito malsucedida ao tentar desconstruir, como males opostos, porém equivalentes, tanto o capitalismo como o socialismo.

A Al Qaeda eletrônica exige de mim o que avalia ser a "isenção" de alguns setores da imprensa que flertam com a ilegalidade. O que se entende por "isenção" é a adesão a uma vaga de opinião que representaria o bom senso. Ela não se contenta em ser uma leitura da realidade; pretende ser o seu posto mais avançado, o desdobramento necessário e óbvio de uma evolução do pensamento, de modo que ou você passa a integrar essa metafísica influente ou é um "reacionário". Foi com esse adjetivo que uma jornalista classificou uma manifestação na USP contrária à invasão da reitoria.

A virulência cresce na rede. Aproveito para reiterar minha oposição a qualquer tentativa – incluindo um projeto de que o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) é relator – de censurar a internet, ainda que de forma velada. Aconselho os tucanos a olhar para as suas próprias tentações autoritárias. Os males dessa liberdade hão de ser curados com mais liberdade, como ensinava o pensador francês Tocqueville (1805-1859) em viagem à América. As leis e o aparato técnico disponíveis são suficientes para coibir e punir abusos.

Volto ao ponto. A virulência e a patrulha da esquerda crescem porque, mesmo mobilizando os seus terroristas virtuais e ombreando com seus adversários "da direita", o empate não lhe serve. Ela não se conforma em não ter, na internet, a presença maciça, com aspirações a ser hegemônica, que tem no jornalismo impresso, nas rádios e nas TVs. A Al Qaeda eletrônica, a exemplo da outra, dedica-se mais a destruir do que a construir. Seus e-mails e comentários não debatem, desqualificam; suas páginas não são quase nunca afirmativas, mas reativas.

Lembro-me de uma reportagem da Folha de S.Paulo que me incluía, entre outros, numa categoria chamada "nova direita". Um esquerdista qualquer, chamado a comentar a espécie, afirmou, com desdém, que não éramos, assim, um José Guilherme Merquior. Referia-se a um dos mais brilhantes intelectuais contemporâneos (1941-1991), duramente combatido em vida pela hegemonia cultural esquerdista, tornado uma referência só depois de literalmente "do outro lado". Tolerantes como são, as esquerdas se mostram ainda generosas: adulam cadáveres para desqualificar os vivos. Todos os "direitistas" são nefastos, mas os vivos são mais...

Quer dizer que preciso ser Merquior para flagrar Marilena Chauí pulando a cerca quando ela, mesmo sendo Chauí, quis um dia arrostar com Merquior? Para um esquerdista, já está de bom tamanho ser como o professor e militante petista Emir Sader? Então tá combinado: a rede avisa, urbi et orbi, que Diogo Mainardi não é Paulo Francis, que eu não sou Merquior, que um outro desafeto não é o dramaturgo Nelson Rodrigues... Ao definir o que não somos, eles podem, enfim, se contentar em ser apenas o que são: prosélitos da madraçal esquerdista, agora em sua versão eletrônica. Vamos ver qual vai ser a próxima causa a mobilizar as tais células dormentes na internet.

MAIS UMA DITADURA DE DÉCADAS PRONTA PARA SER DERRUBADA


*) Fotomontagem: Manifestações em Tripoli. Na foto superior se lê “Gedafi game over” (Khadafi, o jogo a acabou). Na segunda um cartaz onde se vê o tunisiano Ben Ali e o egípcio Mubarak, riscados e sob a imagem Khadafi se lê: “Next” ( O próximo).
Mais uma ditadura de décadas pronta para ser derrubada
Editado por da Redação do blog prosa e política em 21/02/2011 às 09:36 hs.

A Líbia é um país do norte da África, com 6 milhões de habitantes, cuja capital é Trípoli (1,6 milhões).

Em 1939, foi incorporado ao reino da Itália. A colonização não alterou a estrutura econômica do país, mas contribuiu para melhorar a infra-estrutura como a rede de estradas e o fornecimento de água às cidades

Durante a Segunda Guerra Mundial, o território líbio foi cenário de combates decisivos. Entre 1940 e 1943 houve a campanha da Líbia entre o Afrikakorps do general alemão Rommel e as tropas inglesas. Findas as hostilidades, foi divida entre o Reno Unido e a França. Essa nações mantiveram a Líbia sob forte governo militar até que a Assembléia Geral das Nações Unidas aprovou a independência do país no primeiro dia de 1952, data a partir da qual adotou o nome Reino Unido da Líbia. O líder religioso dos sanusis, emir Sayvid Idris al-Sanusi foi coroado rei com o nome de Idris I (1951/69).

A nova história da Líbia começou em 1969, quando um grupo de oficiais radicais islâmicos derrubou a monarquia e criou a República Árabe Popular e Socialista da Líbia, O Conselho da Revolução (órgão governamental do novo regime) era presidido pelo coronel Muammar al-Khadafi, (1942) que com o título de chefe do estado tornou-se ditador em 1970 e onde permanece até agora.

Mas o país foi também invadido pela onda liberatória que chegou ao mundo árabe, tendo início com a derrubada dos ditadores do Egito Hosni Mubarak (11/2) e da Tunísia Zine El Abidine Ben Ali (12/2)

Pelo menos 173 pessoas já morreram em conseqüência da violência na Líbia desde o início dos protestos contra o governo, na quarta-feira (16), segundo a contabilização feita neste domingo (20) pela ONG internacional Human Rights Watch.
Milhares de pessoas vêm protestando nos últimos dias no leste do país contra o governo do coronel Muammar Khadafi, no poder há 42 anos. As informações sobre os protestos na Líbia são de difícil confirmação, já que o país restringe a atividade de jornalistas estrangeiros.

Os relatos da situação na Líbia são vagos e esporádicos, depois que o governo passou a controlar o acesso à internet. Um médico disse à BBC que a situação na cidade era “um inferno”. “Estou vendo pessoas feridas serem carregadas durante todo o dia. Elas foram alvejadas na cabeça e no peito, quebraram braços e pernas. Há tiroteios em toda a parte”, disse. Páginas de internet, incluindo o Facebook e o site do canal de televisão árabe Al-Jazeera foram bloqueadas no país.

Um vídeo amador (Líbia, demonstrações em Tobruk), mostra os incidentes na cidade portuária de Tobruk, onde os manifestantes abatem um monumento ao “Livro Verde” onde Khadafi expõe de maneira sucinta sua visão da democracia e da economia, rejeitando os princípios da democracia liberal, exaltando aquela direta baseada nos comitês populares e que foi imposto como o símbolo do regime.

Os ditadores do mundo árabe que estão caindo um por um, não souberam reconhecer que a liberdade é a água de um rio que desce da montanha, pode ser represada, retardada, desviada, mas nada pode impedi-la de descer impávida e inexorável para o vale e desaguar no mar que a espera.

OS DONOS DO MUNDO

Os donos do mundo
Artigo publicado por Olavo de Carvalho no site www.midiasemmascara.org em 21 Fevereiro 2011.

Pela primeira vez na história do mundo, as três modalidades essenciais do poder - político-militar, econômico e religioso - encontram-se personificadas em blocos supranacionais distintos, cada qual com seus planos de dominação mundial e seus modos de ação peculiares.

As forças históricas que hoje disputam o poder no mundo articulam-se em três projetos de dominação global: o "russo-chinês" (ou "eurasiano"), o "ocidental" (às vezes chamado erroneamente "anglo-americano") e o "islâmico". Cada um tem uma história bem documentada, mostrando suas origens remotas, as transformações que sofreu ao longo do tempo e o estado atual da sua implementação. Os agentes que os personificam são, respectivamente:

1) A elite governante da Rússia e da China, especialmente os serviços secretos desses dois países.

2) A elite financeira ocidental, tal como representada especialmente no Clube Bilderberg, no Council of Foreign Relations e na Comissão Trilateral.

3) A Fraternidade Muçulmana, as lideranças religiosas de vários países islâmicos e alguns governos de países muçulmanos.

Desses três agentes, só o primeiro pode ser concebido em termos estritamente geopolíticos, já que seus planos e ações correspondem a interesses nacionais e regionais bem definidos. O segundo, que está mais avançado na consecução de seus planos de governo mundial, coloca-se explicitamente acima de quaisquer interesses nacionais, inclusive os dos países onde se originou e que lhe servem de base de operações. No terceiro, eventuais conflitos de interesses entre os governos nacionais e o objetivo maior do Califado Universal acabam sempre resolvidos em favor deste último, que hoje é o grande fator de unificação ideológica do mundo islâmico.

As concepções de poder global que esses três agentes se esforçam para realizar são muito diferentes entre si porque brotam de inspirações heterogêneas e às vezes incompatíveis.

Embora em princípio as relações entre eles sejam de competição e disputa, às vezes até militar, existem imensas zonas de fusão e colaboração, ainda que móveis e cambiantes. Este fenômeno desorienta os observadores, produzindo toda sorte de interpretações deslocadas e fantasiosas, algumas sob a forma de "teorias da conspiração", outras como contestações soi disant "realistas" e "científicas" dessas teorias.

Boa parte da nebulosidade do quadro mundial é produzida por um fator mais ou menos constante: cada um dos três agentes tende a interpretar nos seus próprios termos os planos e ações dos outros dois, em parte para fins de propaganda, em parte por genuína incompreensão.

As análises estratégicas de parte a parte refletem, cada uma, o viés ideológico que lhe é próprio. Ainda que tentando levar em conta a totalidade dos fatores disponíveis, o esquema russo-chinês privilegia o ponto de vista geopolítico e militar; o ocidental, o ponto de vista econômico e o islâmico, a disputa de religiões.

Essa diferença reflete, por sua vez, a composição sociológica das classes dominantes nas áreas geográficas respectivas:

1) Oriunda da Nomenklatura comunista, a classe dominante russo-chinesa compõe-se essencialmente de burocratas, agentes dos serviços de inteligência e oficiais militares.

2) O predomínio dos financistas e banqueiros internacionais no establishment ocidental é demasiado conhecido para que seja necessário insistir sobre isso.

3) Nos vários países do complexo islâmico, a autoridade do governante depende substancialmente da aprovação da umma - a comunidade multitudinária dos intérpretes categorizados da religião tradicional. Embora haja ali uma grande variedade de situações internas, não é exagerado descrever como "teocrática" a estrutura do poder dominante.

Assim, pela primeira vez na história do mundo, as três modalidades essenciais do poder - político-militar, econômico e religioso - encontram-se personificadas em blocos supranacionais distintos, cada qual com seus planos de dominação mundial e seus modos de ação peculiares. Isso não quer dizer que cada um não atue em todos os fronts, mas apenas que suas respectivas visões históricas e estratégicas são delimitadas, em última instância, pela modalidade de poder que representam. Não é exagero dizer que o mundo atual é objeto de disputa entre militares, banqueiros e pregadores.

Praticamente todas as análises de política internacional hoje disponíveis na mídia do Brasil ou de qualquer outro país refletem a subserviência dos "formadores de opinião" a uma das três correntes em disputa, e portanto, o desconhecimento sistemático de suas áreas de cumplicidade e ajuda mútua. Esses indivíduos julgam fatos e "tomam posições" com base nos valores abstratos que lhes são caros, sem nem mesmo perguntar se suas palavras, na somatória geral dos fatores em jogo no mundo, não acabarão concorrendo para a glória de tudo quanto odeiam.

Os estrategistas dos três grandes projetos mundiais estão bem alertados disso, e incluem os comentaristas políticos, jornalísticos ou acadêmicos, entre os mais preciosos idiotas úteis a seu serviço.

SÍMBOLO NA PRAÇA TAHRIR

Símbolo na praça Tahrir
Artigo publicado por Nivaldo Cordeiro no site www.midiasemmascara.org em 21 Fevereiro 2011.

Está em curso uma ação orquestrada pelos radicais islâmicos para derrubar a ordem estabelecida e pôr no seu lugar governantes revolucionários, como os do Irã. Esconder esse fato elementar do grande público é um ato criminoso.

Reiteradas vezes, ao ler a coluna do aloprado Clóvis Rossi, sempre fico na dúvida se devo comentá-la ou não. Custa-me perder meu tempo diante de textos que são puro estrume. Por outro lado, Rossi fornece temas preciosos para que possamos agir contra a revolução da burrice, aquela que Gramsci pôs em marcha e que tem em Clóvis Rossi um seguidor sincero. Radical, porém sincero. Crédulo, porém sincero. Burro, porém sincero. Ele se entrega às suas mendacidades sem qualquer pudor e tudo me leva a crer que seus leitores no Folhão de São Paulo o têm como oráculo. Clóvis Rossi é o retrato da Folha.

No artigo de hoje (19) (A praça Tahrir já não tem limites), no qual ele insiste, em alinhamento com a imprensa esquerdista internacional, que está em curso no mundo árabe uma revolução democrática, que poderia chegar até mesmo à arcaica e terrorista monarquia da Arábia Saudita. A tese delirante esconde o mais fundamental: está em curso uma ação orquestrada pelos radicais islâmicos para derrubar a ordem estabelecida e pôr no seu lugar governantes revolucionários, como os do Irã. Esconder esse fato elementar do grande público é um ato criminoso, uma mentira que esconde outra ainda mais grave: mudança da ordem no mundo árabe é alimentar os inimigos do Ocidente. Sem os militares egípcios no poder, por exemplo, o risco de guerra contra Israel cresce exponencialmente. Um grande paradoxo.

Gente como Clóvis Rossi ignora que o fechamento do Suez equivale a declarar uma nova guerra mundial. E a mudar para sempre o modo de ser ocidental. Não é brincadeira o que está em jogo.

Piormente, esses analistas mal intencionados não apontam a fraqueza e o titubeio da diplomacia obâmica e hilária, que acabou por favorecer a saída de Mubarak, um aliado precioso. Exatamente como foi feito por Jimmy Carter com a saída do Xá e a entrega do poder aos mulás do Irã. Deu no que deu.

Clóvis Rossi está certo. A Praça Tahrir tem um símbolo: a curra impiedosa da jornalista americana, Lara Logan. Pela malta revolucionária. É tudo o que os radicais revolucionários islâmicos querem fazer ao ocidente: um estupro, e não apenas das mulheres. Esse sujeito, Clóvis Rossi, não é sério. Sua coluna é uma coleção de sandices mentirosas.

GRAMSCI, O PARASITA DO AMARELÃO IDEOLÓGICO


Foto AFP. O comunista italiano Antonio Gramsci: se você não pode com o capitalismo, corroa-o por dentro. É a estratégia da verminose

Gramsci, o parasita do amarelão ideológico
Artigo de Reinaldo Azevedo publicado no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo em 16/05/2007.

O moderno esquerdista brasileiro, essa contradição em termos, esse Jeca Tatu com laptop, tem ainda em Antonio Gramsci (1891-1937) a sua principal referência. O comunista italiano é o parasita do amarelão ideológico nativo. Parte da nossa anêmica eficiência na educação, na cultura, no serviço público e até na imprensa se deve a essa ancilostomose democrática. Já viram aquele comercial na TV de um desodorizador de ambiente em que um garoto bem chatinho, com o dedo em riste, escande as sílabas para a sua mamãe: "eu que-ro fa-zer co-cô na ca-sa do Pe-drrri-nho"? Costuma ir ao ar na hora do jantar. Para a esquerda, Gramsci é a "ca-sa do Pe-drrri-nho" da utopia. E, também nesse caso, o odor mitigado não muda a matéria de que é feito.

Como a obra de Gramsci ficou na grelha da empulhação um pouco mais do que a de Lenin, chega à mesa do debate com menos sangue e disfarça a sua vigarice. Acreditem: a revolução da qualidade na educação, por exemplo, é mais uma questão de vermífugo ideológico do que de verba. O que me leva a este texto?

Na edição retrasada de VEJA, o colunista Claudio de Moura Castro observou que um grupo de educadores reagiu mal à decisão de deixar o ensino técnico para uma fase posterior à da formação geral do aluno. Segundo ele, "os ideólogos da área protestaram (contra a medida) citando Gramsci". Tomei um susto. Tenho pinimbas com o gramscismo faz tempo. Na minha fase esquerdista-do-miolo-mole, dizia tratar-se de uma "covardia conveniente que passa por tática, em tempos de guerra, e de uma bravura inútil que passa por estratégia, em tempos de paz". A tirada é sagaz, mas inexata: Gramsci é um perigo na guerra ou na paz. E estão aí o PT e a nova "TV Pública" para prová-lo.

Gramsci é a principal referência do marxismo no século passado. É dono de uma vasta obra, quase a totalidade escrita na cadeia, para onde foi mandado pelo fascismo, em 1926. Entre 1929 e 1935, escreveu seus apontamentos em 33 cadernos escolares, os tais Cadernos do Cárcere, com publicação póstuma. No Brasil, foram editados em seis volumes pela Civilização Brasileira, com organização de Carlos Nelson Coutinho. Explico o meu susto. O protesto dos "ideólogos" fazia referência a um texto irrelevante, que está no Caderno 12, em que o autor trata dos intelectuais e da educação. Na edição brasileira, encontra-se no volume 2, entre as páginas 32 e 53.

Ali, Gramsci desenvolve o conceito de "escola unitária", uma de suas muitas e variadas estrovengas autoritárias. Segundo o seu modelo, seis de um período de dez anos seriam dedicados à educação que fundisse o ensino universalista com o técnico – por isso os "ideólogos" protestaram. Garanto que preferiram ignorar o trecho em que ele antevê a escola como um internato destinado a alguns alunos previamente selecionados. O autor pensava a educação – e todo o resto – como prática revolucionária, parte da militância socialista. Para ele, a construção da hegemonia de um partido operário supõe uma permanente guerra de valores que rompa os laços da sociedade tradicional. Esses seus estudantes seriam a vanguarda a diluir as fronteiras entre o mundo intelectual e o do trabalho, a serviço do socialismo.

A influência gramsciana decaiu muito nos anos 60 e 70, com a revolução cubana, os movimentos de libertação africanos e a revolta estudantil francesa de 1968. Toda a sua teoria se sustenta na suposição, verdadeira, de que a sociedade chamada burguesa é dotada de fissuras que comportam a militância de esquerda. O que se entendia por revolução – a bolchevique – era um modelo que havia se esgotado na Rússia de 1917. As novas (de seu tempo) condições da Europa supunham outra perspectiva revolucionária.

Fidel Castro, a África insurrecta e o 68 francês reacenderam nas esquerdas do mundo o sonho do levante armado. E elas deram um piparote em Gramsci, em sua teoria da contaminação. No Brasil, derrotadas pelo golpe militar de 1964, partiram para a luta armada. A vitória das ditaduras e a Europa conservadora, termidoriana, pós-revolta estudantil, trouxeram Gramsci de volta. Concluiu-se que não era mais possível derrotar o capitalismo por meio da luta armada. Era preciso corroê-lo por dentro, explorar as suas contradições, construir a hegemonia de um partido de forma paulatina. Voltava-se à política como verminose. Não por acaso, um dos textos vitais na formação do PT é de autoria de Coutinho. Chama-se "A democracia como valor universal". É de 1979. A tese é formidável: sem democracia, não há socialismo, como se não estivéssemos diante de um paradoxo. No ano seguinte, Lula fundava o seu partido sobre o seguinte binômio: "socialismo e democracia".

Admiradores da obra de Gramsci se irritam quando afirmo que o PT é, na essência, gramsciano. Entendo. Um partido que usa cueca como casa de câmbio; que chegou a ter como gramáticos da nova aurora Silvinho Pereira e Delúbio Soares; que é comandado por uma casta sindical com todas as características de uma nova classe social, folgazã e chegada a prebendas, convenham, parece feito de matéria ainda mais ordinária. Não tenho por Gramsci o apreço que eles têm. Ao autor cabe o epíteto de teórico da "ditadura perfeita", uma expressão do escritor peruano Vargas Llosa.

A síntese do pensamento gramsciano está expressa no Caderno 13, volume 3 da edição brasileira. Trata-se de notas sobre o pensador florentino Nicolau Maquiavel (1469-1527), aquele de O Príncipe. Para Gramsci, o príncipe moderno (de sua época) era um partido político. Leiam: "O moderno Príncipe, desenvolvendo-se, subverte todo o sistema de relações intelectuais e morais, uma vez que seu desenvolvimento significa (...) que todo ato é concebido como útil ou prejudicial, como virtuoso ou criminoso, somente na medida em que tem como ponto de referência o próprio moderno Príncipe (...). O Príncipe toma o lugar, nas consciências, da divindade ou do imperativo categórico, torna-se a base de um laicismo moderno e de uma completa laicização de toda a vida e de todas as relações de costume".

Ninguém conseguiu, incluindo os teóricos fascistas que ele combatia, ser tão profundo na defesa de uma teoria totalitária como Gramsci nessa passagem. Observem que se trata de aniquilar qualquer sistema moral. Toda verdade passa a ser instrumental. Até a definição do que é virtuoso e do que é criminoso atende às necessidades do partido. O sistema supõe a destruição do indivíduo e de sua capacidade de julgar fora dos parâmetros definidos pelo aparelho, que toma "o lugar, nas consciências, da divindade e do imperativo categórico". Para Gramsci, como se vê, não há diferença entre política e abdução.

O PT é, sim, gramsciano. Chegou lá? É o Moderno Príncipe, ainda que tropicalizado? Não. Luta para sê-lo e deu passos importantes nessa direção. Volto aos "ideólogos" de que fala Claudio de Moura Castro. A educação brasileira foi corroída pela tal perspectiva dita "libertadora" e anticapitalista. Ela não é ruim porque falta dinheiro, mas porque deixa de ensinar português e matemática e prefere libertar as crianças do jugo capitalista com suas aulas de "cidadania". O proselitismo se estende ao terceiro grau e fabrica idiotas incapazes de ver o mundo fora da perspectiva do Moderno Príncipe.

Gramsci também falava de um certo "bloco histórico", uma confluência de aspectos políticos, econômicos e culturais que, num dado momento, formam uma plataforma estável, que dá fisionomia a um país. Esse partido que busca essa hegemonia, que pretende ser o "imperativo categórico", está na contramão do mundo contemporâneo e das próprias virtudes da economia brasileira, que lhe permitem governar com razoável estabilidade. Por isso, não consegue executar o seu projeto. Mas o país também não sai do impasse: nem naufraga nem se alevanta. A exemplo de um organismo tomado pela verminose, vê consumida boa parte de suas energias e de suas chances de futuro alimentando os parasitas. Enquanto isso, os gramscianos vão nos prometendo que ainda ocuparemos o troninho da "ca-sa do Pe-drrri-nho".