terça-feira, 30 de novembro de 2010

O CÓDIGO FLORESTAL PRECISA SER REVISTO?

O Código Florestal precisa ser revisto?
Leia artigo da senadora Kátia Abreu no Estadão de hoje. Falamos a respeito mais tarde. Do blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo

Essa é uma interrogação que se tornou presente entre nós e para respondê-la temos de afastar o radicalismo e desfazer as desinformações. É natural que a opinião pública, às vezes, se sinta insegura diante das versões contraditórias que são divulgadas. A lei em vigor está desatualizada, pois foi editada há 45 anos, quando nossa agricultura era ainda pequena, diferente da máquina produtiva de hoje. Por outro lado, os movimentos ambientalistas ortodoxos defendem a tese de que nossa lei é a melhor do mundo e não pode ser atualizada. Refletindo o pensamento político dos verdes e dos interesses econômicos europeus, um influente jornal espanhol publicou que “o Brasil concederá anistia aos responsáveis por catástrofes ambientais”. Com quem está a verdade?

A opinião geral tende a ser formada com retalhos de informação, escolhidos e dispostos de forma a induzir determinadas conclusões. Ou seja, a informação destina-se a convencer. Com isso, quem sai perdendo são a verdade e o equilíbrio. Vou tentar reduzir a questão a termos claros, para que a névoa dos equívocos não turve o olhar das pessoas que se interessam pelo problema. As mudanças propostas ao Código Florestal não contêm uma só norma que facilite o desmatamento. O que se prevê é uma moratória para suspender o desmatamento em áreas de florestas por cinco anos. Qualquer afirmação em contrário é falsa. Se a lei atual é boa, boa continuará. E nenhuma árvore a mais será derrubada em razão das modificações na lei.

E o que querem, então, os produtores? O código tem uma regra que determina que todas as propriedades rurais devem manter uma área, entre 20%, na maioria dos biomas, e 80%, na Amazônia, chamada “reserva legal”, a qual não pode ser objeto de exploração e deve ser conservada com sua vegetação original. As propriedades que não tenham hoje essa “reserva” devem, sob as penas da atual lei, replantar a vegetação nativa, mesmo nas áreas abertas antes dessa exigência. A reserva legal não existe em nenhum outro país do mundo. As propriedades rurais nos Estados Unidos, na Europa, na Argentina ou em qualquer outro país podem ser exploradas integralmente, em 100% de sua área. Nesses países as áreas de preservação natural são grandes áreas continuas de propriedade do Estado, e não pequenos fragmentos de propriedades particulares, muitas vezes desprovidos de função ecológica.

Ao contrário do Brasil, a agricultura e a pecuária na América do Norte, na Europa e na Ásia ocuparam quase que exclusivamente áreas originais de florestas. Nenhum outro país, no entanto, jamais cogitou de inutilizar 20% ou 80% de suas áreas de produção agrícola para reconstituir ambientes naturais do passado. Nesses países, os conceitos e funções de uma unidade de conservação e de produção são distintos. Além do mais, a ocupação do nosso território com a agricultura e a pecuária foi um processo secular, iniciado nos tempos de colônia, ocorrido sem transgressão de qualquer lei. O Brasil tem hoje 354,9 milhões de hectares ocupados com lavouras e pastagens. Desse total, 272 milhões de hectares, ou seja, 68%, eram explorados em 1965, quando foi editado o Código Florestal.

De lá para cá os produtores acrescentaram apenas 83 milhões de hectares para produção, o que significa menos de 10% de nosso território, de 850 milhões de hectares. Só que em 1965 produzíamos 20 milhões de toneladas de grãos e agora, 150 milhões. Produzíamos 2 milhões de toneladas de carne e hoje, mais de 25 milhões. Nossos produtores não devastaram a natureza, ao contrário, realizaram a mais impressionante revolução técnica da agricultura e da pecuária no mundo. Além disso, a maior parte das áreas acrescentadas após a vigência do código não eram áreas de florestas, e sim de cerrados. Aliás, o processo de ocupação foi promovido e financiado pelo governo, que conseguiu transformar o Brasil no segundo maior produtor e exportador de alimentos do mundo.

Dos 100 milhões de hectares cultivados hoje no bioma cerrado, 80 milhões estavam abertos quando foi instituída a reserva legal, em 1989. Como mostram os números, os produtores brasileiros não são culpados por nenhuma catástrofe ambiental, mas talvez sejam responsáveis por uma catástrofe econômica para os produtores agrícolas da Europa. A exigência da “reserva legal” é contrária ao interesse do País. Esperamos que com o tempo a sociedade reconheça isso. Mesmo assim, a proposta de revisão do código mantém inalterada essa exigência. A diferença é que reconhece como legal a ocupação das áreas consolidadas com produção de alimentos, evitando a sua diminuição.

Se a revisão não for aprovada, é bom que todos saibam que mais de 90% dos 5 milhões de propriedades rurais permanecerão na ilegalidade injustamente, pois suas áreas foram ocupadas antes da vigência do código e suas posteriores modificações. Para superar a ilegalidade imposta vamos ter de esterilizar por volta de um quinto das áreas em produção, com a redução brutal da renda dos produtores, das safras destinadas ao consumo doméstico, das exportações, e um consequente aumento dos preços dos alimentos. Tudo isso não se materializou ainda porque os sucessivos governos, cientes das consequências desastrosas, vêm, com prudência, adiando, por meio de decretos, sua vigência.

Está claro que a reforma que queremos diz respeito ao passado, mas interessa ao futuro. Devolver a segurança jurídica ao campo é útil para todos. Assegurar a irretroatividade da lei é uma maneira civilizada de remediar um dispositivo legal injusto, incompatível com a realidade, o interesse do País e o Estado de Direito. A luta pela conservação ambiental só será efetiva se houver mais consensos, menos conflitos ideológicos e, principalmente, paz. Nesse tema, apenas leis, punições e ameaças servem pouco. Elas não plantam árvores. Ou, como dizia o poeta Drummond: “As leis não bastam./ Os lírios não nascem das leis.”

Por Reinaldo Azevedo
Tags: código florestal, Katia Abreu

A BOA E VELHA LÍNGUA DUPLA. Ou: O MARXISMO USA A DUPLICIDADE DA LÍNGUA PARA SE JUSTIFICAR DOS GRANDES ERROS.

A boa e velha língua dupla
Olavo de Carvalho | 29 Novembro 2010
Artigos - Cultura
Do site www.midiasemmascara.com.br. O título é do Navarro.

Mas a teoria mais capaz de explorar em proveito próprio tudo o que a desminta é, com toda a certeza, o marxismo. Tudo o que ele diz já vem, na fonte, em duas versões: uma que diz sim, a outra que diz não.

Se há algo que a História confirma sem um único exemplo em contrário, é isto: toda e qualquer verdade ou ideia valiosa que algum dia chegou ao conhecimento dos seres humanos foi descoberta de um ou alguns indivíduos isolados; ao disseminar-se entre as massas, perde o impulso originário e se cristaliza em fórmulas ocas, infindavelmente repetíveis, que se podem preencher com os sentidos mais diversos e usar para os mais diversos fins. Tudo começa na inspiração e termina em macaqueação.
Sempre foi assim e sempre será.

O que distingue o pensamento dito "moderno", do século 18 em diante, e o diferencia radicalmente de todos os anteriores, é sua capacidade de gerar teorias que vêm prontinhas para ser massificadas, e que extraem daí, precisamente daí, todo o prestígio "intelectual" que possam vir a desfrutar. É como se saltassem por cima da etapa de inspiração solitária e já se enunciassem, desde o berço, como apelo às massas. Isso começou a acontecer desde o momento em que os homens de ideias perderam a fé no conhecimento da verdade e passaram a buscar, em vez dela, o afinamento com o "espírito da época".

Quantos filósofos e escritores, hoje, não são abertamente louvados, não porque tenham descoberto alguma verdade, algum valor essencial, mas apenas e sobretudo porque expressaram, com seus erros e mentiras, as aspirações mais loucas e abjetas do "seu tempo"? Não fosse por isso, tipos como Maquiavel, Diderot, Marx, Freud ou até mesmo Darwin não teriam hoje em dia um admirador devoto. Seriam lidos, se tanto, como documentos históricos de um passado desprezível.

O traço distintivo das teorias a que me refiro é a ambiguidade congênita. Nada afirmam de muito claro, desdizem-se a cada linha, esquivam-se com destreza luciferina à confrontação com os fatos e, quando acuadas contra a parede por alguma objeção demolidora, mudam de significado com a maior facilidade, cantando vitória quando conseguem mostrar que o adversário nada provou contra o que elas não tinham dito.

É claro que a aptidão de uma teoria para essa transmutação proteiforme não aparece toda de uma vez. A continuação dos debates e o zelo dos discípulos em preservar a imagem do mestre é que trazem à mostra o potencial de desconversa escorregadia contido na exposição da ideia originária.

O darwinismo, por exemplo, começou como uma "teoria do design inteligente", tentando mostrar a lógica de uma intencionalidade divina por trás da variedade das formas naturais. Hoje aparece como a antítese mais extrema de todo "design inteligente", sem que ninguém nos explique como é possível que duas teorias simetricamente opostas continuem sendo uma só e a mesma.

A psicanálise, então, tem tantas versões que o que quer que você diga contra uma delas pode ser sempre reciclado como argumento em favor de alguma outra - e os ganhos de todas revertem sempre, é claro, em favor do dr. Freud. A facilidade mesma com que uma teoria se converte em suas contrárias é louvada como prova do mais alto mérito intelectual: o que importa não é a "veracidade", mas a "fecundidade".

Mas a teoria mais capaz de explorar em proveito próprio tudo o que a desminta é, com toda a certeza, o marxismo. Tudo o que ele diz já vem, na fonte, em duas versões: uma que diz sim, a outra que diz não. Qualquer das duas que saia vencedora aumentará formidavelmente o crédito da teoria marxista.

Como Marx se esquiva de esclarecer qual o coeficiente de influência que as causas econômicas têm na produção das mutações históricas em comparação com outras causas, você pode optar por um determinismo econômico integral ou pela completa inocuidade das causas econômicas e continuar se declarando, nos dois casos, um puro marxista. Ernesto Laclau chega a declarar que a mera propaganda cria a classe oprimida incumbida de legitimá-la ex post facto, e ninguém deixa de considerá-lo, por isso, um luminar do pensamento marxista.

A própria ideia marxista da práxis - a mistura inextricável de teoria e prática - parece criada sob medida para tirar proveito das situações mais opostas: o que desmente o marxismo em teoria pode favorecer o movimento comunista na prática (é o caso das ideias de Laclau); as derrotas do comunismo na política prática podem sempre ser alegadas como efeitos de "desvios" e, portanto, como confirmações da teoria marxista (Trotski falando de Stalin).

A duplicidade de línguas no marxismo aparece não só nas grandes linhas da teoria e da estratégia, mas nas atitudes dos intelectuais marxistas ante qualquer acontecimento da vida cultural ou política. Tudo aí tem duas caras, cada uma exibida ou encoberta, em rodízio, conforme as conveniências do momento.

Em 1967, quando a União dos Escritores da URSS proclamava Soljenítsin um tipo execrável e perigosíssimo, o filósofo comunista Georg Lukács jurava que o autor de Um Dia na Vida de Ivan Denissovitch tinha uma visão ortodoxamente marxista das coisas. O movimento comunista ficava assim preparado para as duas eventualidades: se o romancista viesse a ser ignorado no Ocidente, já estava garantido o seu lugar na lata de lixo da História; se fizesse sucesso, seria um sucesso do marxismo.

Alguns exemplos próximos de nós ilustram o jogo com ainda mais clareza. Lula e o comandante das Farc, Raul Reyes, podem presidir juntos as assembleias do Foro de São Paulo e em seguida alegar que nunca fizeram nada em parceria. As Farc podem publicar em sociedade com o PT a mais importante revista de discussão marxista do continente (America Libre) e ao mesmo tempo ser proclamadas, na mídia, umas malditas traidoras que abandonaram o marxismo para entregar-se à pura cobiça de dinheiro. Se as Farc vencem, o Foro de São Paulo vence junto com elas. Se perdem, ele sai limpo.

A língua dupla caracteriza as serpentes, no mundo natural, o diabo, no reino do espírito, e as ideias queridas da modernidade, no mundo humano e histórico.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

REALIDADE, FICÇÃO E JORNALISMO SE ABRAÇAM. O RESTO É PAZ.

Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo
Realidade, ficção e jornalismo se abraçam. O resto é paz!

Há coisas realmente notáveis acontecendo no Brasil. Se as nossas ciências sociais não estivessem empenhadas, quase unanimemente, em justificar o presente, o que representa a morte do pensamento, haveria farto material para reflexão. No Rio, a fronteira entre realidade e ficção foi diluída de maneira curiosa.

José Padilha, um competente diretor de cinema, é convidado por programas jornalísticos para debater cinema, certo? Não! Ele fala como se fosse especialista em segurança pública. Nem o estou censurando por isso, não. Com freqüência, diz coisas que me parecem bem razoáveis. Como ele pensa claro e fala com fluência, seu desempenho é sempre muito bom. Mas eles é notável, por enquanto ao menos, pelos filmes de ficção. Aliás, até um documentário tem um roteiro que busca mais ser verossímil do que verdadeiro, e ele sabe disso. O documentário mais realista do mundo segue NÃO sendo uma realidade.


Curiosa é também a trajetória de Rodrigo Pimentel. Ex-capitão do Bope — especula-se de modo um tanto fantasioso, mas ninguém nega, que ele seja o alterego do Capitão Nascimento —, escreveu em parceria com Luiz Eduardo Soares o livro A Elite da Tropa, que trata justamente dos confrontos entre o Bope a corrupta polícia do Rio. O texto inspirou o filme “Tropa de Elite”, de Padilha. Pimentel, Soares e os outros dois co-autores — André Batista e Cláudio Ferraz — lançaram agora “A Elite da Tropa 2“. Na primeira onda, livro gera filme; na segunda, filme gera livro.

Mas por que isso? Padilha, cineasta, opina sobre segurança. Pimentel, policial, tornou-se roteirista de cinema e comentarista de TV. Numa entrevista a William Waack, previu que as forças de segurança enfrentariam grande resistência no Morro do Alemão. Admitiu, depois, que se surpreendeu com a moleza. Nunca peguei num trabuco nem sou especialista em nada (em algum bom senso, talvez), mas sempre me pareceu que os bandidos não seriam idiotas. Certamente acompanhavam a crise pela TV e sentiram o clima. Sem contar que a polícia se mostrava muito severa: “Ói que nós vamos invadir… Nós vamos, hein… Rendam-se com as mãos erguidas e o fuzil sobre a cabeça e se apresentem em tal local”. Os bandidos preferiram dar no pé. Já participei de um debate com Pimentel no Rio. É um homem inteligente, que conhece bastante a sua área, sim. Não estou desdenhando de sua atuação como roteirista ou comentarista.

Só estou chamando a atenção para o fato de que realidade, ficção e jornalismo começam a se misturar de modo um tanto incômodo. Pimentel, como disse, é um sujeito capaz, bem-informado. Mas seu erro sobre a resistência que não houve no Alemão dá conta de que ele pode ter tomado a trilha errada. Ele é, por exemplo, um dos grandes entusiastas das UPPs. No fim das contas, é porque ele sabe que a “pacificação” é feita com o consentimento da canalha, e a operação no Alemão não tinha, até então, sido negociada. Mas foi, como se viu.

O resto é paz.

Por Reinaldo Azevedo
Tags: imprensa, Rio, violência

FUGITIVOS DO ALEMÃO SE REARTICULAM NA ROCINHA ARMAM BARRICADA E POSSUEM DINAMITE.


Foto do site O Globo. Ao fundo vê-se a impressionante Favela da Rocinha.
Por Aluizio Amorim no site www.aluizioamorim.blogspot.com

O Setor de Inteligência da Secretaria de Segurança está investigando, juntamente com policiais militares do Serviço Reservado da PM (P2), as denúncias de moradores da Favela da Rocinha de que traficantes estariam fazendo barricadas e trincheiras, em pontos da favela, contra uma possível invasão da polícia na região. O tráfico da Rocinha também estaria com bananas de dinamite, que foram roubadas ou desviadas de clientes da empresa Dinacon Indústria e Comércio, localizada em Estrela, Rio Grande do Sul.

Em entrevista coletiva domingo , o secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, mandou um recado aos traficantes de áreas que ainda não foram ocupadas pela polícia:

- O estado do Rio de Janeiro tem (o setor de) Inteligência. E, se chegamos ao Alemão, vamos chegar à Rocinha, vamos chegar ao Vidigal e assim por diante...

Moradores denunciaram que um bom número de criminosos fugidos do Alemão e da Vila Cruzeiro já está na Rocinha. A Travessa do Valão, um dos principais acessos à comunidade, foi bloqueada por uma barricada de mais de um metro, feita com grades de ferro, galões de gasolina e blocos de cimento. Vários homens armados estão ocupando o Valão e a Via Apia. Leia mais no blog www.aluizioamorim.blogspot.com.

MANDEM A GASOLINA PARA LULA. Ou: As polícias pacificadoras do Rio deixaram a população na guerra contra traficantes, mas povo gostou da nova postura.

Mandem a gasolina para Lula
Felipe Moura Brasil | 26 Novembro 2010
Artigos - Governo do PT - site www.midiasemmascara.com.br. O título é meu.

Se resumisse este artigo à equação Farc + PT + Cabral + Traficantes + Usuários = Guerra "do Rio", com aspas, eu já ampliaria toda a cobertura jornalística.


Eu escrevi no Twitter em 28 de abril: "Depois de avisar gentilmente aos bandidos, polícia de Cabral ocupa 5 favelas da Tijuca. Mas: para qual eles foram agora?". Ninguém questionava ainda o destino dos narcotraficantes após a instalação sem tiros das UPPs. A imprensa aplaudia a tal Pacificação, como se o nome atribuído a uma ação política se convertesse magicamente em realidade. Sete meses e muitos veículos queimados depois, a imprensa continua sendo a porta-voz do governo. Mas, como no aforismo de Karl Krauss: "Há escritores que já conseguem dizer em vinte páginas aquilo para o que às vezes preciso de até duas linhas".

Eu gosto de escrever em duas linhas. Se resumisse este artigo à equação Farc + PT + Cabral + Traficantes + Usuários = Guerra "do Rio", com aspas, eu já ampliaria toda a cobertura jornalística. Gabriel O Pensador, num encontro imaginário com o Capitão Nascimento no calçadão, reclama que não é revistando maconheiro que ele "vai achar os grandes bandidos", afinal "nós somos vítimas da violência estúpida que afeta todo mundo". Gabriel O Pensador é uma espécie de Arnaldo Jabor do rap. Um integrante do "sistema" revoltado contra o "sistema". Ele já pode fundar uma ONG com Wagner Moura, Dado Dolabella, Marcelo D2 e Chico Buarque.

O Brasil só dá alegrias às Farc. Dilma - a musa das selvas colombianas - garantiu a Cabral que vai continuar apoiando o estado no combate à violência, assim como faz o governo Lula. Isto significa que continuaremos neutros em relação aos grupos terroristas que fornecem drogas e fuzis aos nossos traficantes. Neutros nas ideias. Neutros nas fronteiras. Neutros no calçadão. Assim como se absteve em votação da ONU contra o apedrejamento de mulheres no Irã, o governo do PT continuará se abstendo (estou de boa vontade) no combate aos nossos 50 mil homicídios por ano. Lula ordenou "que é para atender o Rio de Janeiro naquilo que o Rio precisar". É como se o Rio fosse outro país, do qual Lula e Dilma respeitassem a soberania.

Em Rondônia, o Exército controla o fluxo de drogas na fronteira, até o dia do mês em que o diesel distribuído para as patrulhas diárias acaba. Isso mesmo: o diesel das patrulhas acaba. Os traficantes (e desmatadores) só precisam esperar até o dia 15 ou 18 de cada mês para abastecer o mercado nacional. Como os traficantes cariocas incendeiam carros, ônibus e vans com garrafas de gasolina, eu sugiro que, num gesto simbólico, a polícia de Cabral também se solidarize com Lula e Dilma, doando todas as garrafas apreendidas para abastecer as patrulhas de Rondônia. Se Lula não bebê-las antes, é possível que os bandidos tenham de esperar até o dia 19.

No Rio de Janeiro, eles nem precisam tanto. Uma parte já convive com as UPPs nas favelas, aonde os "pensadores" vão hoje às compras sem medo. A outra, dispensada, brinca de Coringa pela rua. E há uma terceira, que, diante das novas dificuldades, põe a mão na cabeça: "Ah, não vou ser bandido mais não. Dá muito trabalho!". Mas essa só existe na imaginação dos nossos "artistas" e "especialistas". José Mariano Beltrame disse que "prender bandido é importante, apreender droga é importante, mas o mais importante é recuperar o território". É como dizer que comer é importante, beber é importante, mas o mais importante é recuperar a saúde.

Que ninguém se lembre da criminalidade quando a economia vai bem, já é sintoma de um país doente. Que pacificar não signifique fiscalizar fronteiras e prender bandidos (pequenos e grandes), usando as Forças Armadas para recuperar o território, nem quando uma cidade está em chamas, já é sintoma de um país petista. Eu sempre fico um pouco constrangido de dizer em 6 parágrafos aquilo que eu já disse numa única linha sobre o Brasil de Lula, Dilma e Sérgio Cabral: Fique calmo, companheiro. Você não está seguro, mas o seu dinheiro está.

DEMOCRACIA - DECLARAÇÃO FINAL DO II ENCONTRO DA UNOAMÉRICA.

Do site www.midiasemmascara.com.br
Declaração Final do II Encontro da UnoAmérica UnoAmérica | 28 Novembro 2010
Internacional - América Latina

UnoAmérica adverte sobre o ressurgimento de grupos terroristas que já haviam sido derrotados no Peru, como o Sendero Luminoso e o MRTA (Movimento Revolucionário Túpac Amaru).

Delegações dos distintos países pertencentes à União de Organizações Democráticas da América, UnoAmérica, tiveram encontros nos dias 19, 20 e 21 de novembro de 2010 na Sociedade Bolivariana de Bogotá, a fim de realizar seu Segundo Encontro de Aniversário. Ao final das deliberações, aprovou-se a seguinte declaração:

1. Cada delegação apresentou um diagnóstico da situação de seu país e prestou um informe das atividades realizadas durante o ano em curso, concluindo que UnoAmérica se consolida cada vez mais como escudo da democracia, espada da liberdade e farol de esperança para os povos da América Latina.

2. UnoAmérica registrou um crescimento sustentado desde sua criação, em dezembro de 2008, até a presente data, incrementando também suas atividade que serviram para: aglutinar os setores democráticos de nossa região, defender as democracias quando foram ameaçadas, lutar pela liberdade dos presos políticos, representar as vítimas do terrorismo, efetuar ações jurídicas em tribunais nacionais e internacionais, organizar conferências em diversos países, participar como observadores em processos eleitorais, estabelecer relações institucionais nos Estados Unidos e Europa, e realizar importantes investigações, as quais foram usadas para editar informes e livros impressos ou eletrônicos.

3. Durante o ano de 2010 observa-se uma evidente deterioração dos governos pertencentes à ALBA, devido aos fracassos de seu modelo ideológico e de sua gestão administrativa. Seu discurso em favor dos mais pobres, da justiça social e do anti-imperialismo ficaram só na retórica, porque na prática afundaram seus povos na miséria, cercearam as liberdades e subordinaram suas nações ao imperialismo cubano. Entretanto, dado que desejam manter-se no poder a qualquer custo, inclusive recorrendo à violência, hoje mais do que nunca constituem uma ameaça para a paz e a estabilidade da região, como se observa nos pontos que seguem na continuação.

4. O regime de Evo Morales viola constantemente os preceitos democráticos. O uso de "fiscais especiais contra o terrorismo" e a aprovação da Lei Contra o Racismo constituem ferramentas para perseguir a oposição e para limitar a liberdade de imprensa. Adicionalmente, Morales iniciou um feroz e injustificado ataque contra a Igreja Católica. Todavia, José Miguel Insulza cataloga a Bolívia como um exemplo para a democracia. Uma vez mais, Insulza não se comporta como Secretário Geral da OEA, senão como militante do Partido Socialista do Chile, quer dizer, como integrante do Foro de São Paulo.

5. O regime de Rafael Correa se aproveita da recente greve policial para mentir - alegando que houve uma tentativa de golpe de Estado -, a fim de justificar a radicalização de seu projeto e da criminalização da dissidência.

6. O regime de Daniel Ortega pretende aglutinar as forças internas da Nicarágua em torno de seu debilitado projeto, recorrendo a uma invasão ao território costa-riquenho. Com esta ação irresponsável, Ortega prefere antes incendiar a América Central do que abandonar o poder.

7. O regime de Hugo Chávez recorre à fraude eleitoral para controlar a Assembléia, como pôde-se constatar nas
passadas eleições de 26 de setembro. A oposição obteve 52% dos votos totais, porém só obteve 1/3 dos assentos, enquanto que o oficialismo conseguiu 48% dos votos, porém usurpou 2/3 dos assentos. À fraude deve-se acrescentar a aprovação de leis totalitárias, a perseguição brutal a seus adversários e uma crescente onda de confiscos.

8. Bolívia, Equador, Nicarágua e Venezuela firmaram numerosos acordos com o regime foragido de Ahmadinejad, importando desta maneira o fundamentalismo islâmico à nossa região, o qual, somado à presença do narcotráfico e de grupos terroristas, como as FARC, constitui um perigoso coquetel que põe em risco a segurança do hemisfério ocidental. Dentro deste contexto, o anúncio da Bolívia e da Venezuela de adquirir tecnologia nuclear, significa uma gravíssima ameaça que deve ser enfrentada com a devida seriedade.

9. UnoAmérica adverte sobre o ressurgimento de grupos terroristas que já haviam sido derrotados no Peru, como o Sendero Luminoso e o MRTA (Movimento Revolucionário Túpac Amaru) que, embora não contem com apoio popular, recebem respaldo do Foro de São Paulo e mais especificamente dos regimes da Bolívia e da Venezuela.

10. UnoAmérica observa com beneplácito o triunfo das Forças Militares da Colômbia contra os bandos narco-terroristas, porém, ao mesmo tempo preocupa que o Poder Judiciário - infiltrado pela esquerda radical - propine duros golpes em heróis militares que no passado derrotaram a subversão, a fim de desprestigiar a instituição e desmoralizar as tropas. Caso emblemático, dentre muitos outros, é o do Coronel Luis Alfonso Plazas Vega, que resgatou o Palácio da Justiça em 1985, assaltado pelo bando narco-terrorista M-19, e agora encontra-se atrás das grades. Depurar o Poder Judiciário constitui uma prioridade do Estado, para não perder nos tribunais corruptos o que se conquista com o sangue dos soldados nas selvas da Colômbia.

11. O Foro de São Paulo conseguiu desenvolver um sofisticado sistema de perseguição judicial contra seus opositores, utilizando táticas do "direito penal inimigo". Estas táticas incluem: o recrutamento de juízes e fiscais corruptos, o uso de testemunhas falsas, a fabricação ilegal de provas, a manipulação e re-interpretação das leis, de acordo com a visão socialista, a monopolização das organizações nacionais e internacionais de Direitos Humanos, e os organismos multilaterais (como OEA e UNASUL). Fazendo uso desta estrutura de perseguição, tenta-se criminalizar a exitosa gestão do ex-presidente Álvaro Uribe.

12. Na Argentina e Uruguai observa-se um perigoso retrocesso à épocas violentas que já haviam sido superadas, porque os montoneros e tupamaros que hoje exercem o poder, se aproveitam de seus cargos para exercer vingança contra os militares que os derrotaram no passado. Conseguem isto eliminando as leis de anistia, de caducidade e de obediência devida, e aplicando a anulação de maneira retroativa, porém só contra os militares porque os terroristas do passado - hoje no poder - gozam plenamente dos indultos outorgados. A vítima mais recente deste esquema retaliativo é o general uruguaio Dalmau, Comandante da IV Divisão do Exército.

13. UnoAmérica felicita o valente povo hondurenho pela maneira como defendeu sua democracia frente aos embates da ALBA e do Foro de São Paulo, e insta a OEA a deixar de pôr obstáculos para readmitir essa nação em seu seio.

14. Todos os integrantes de UnoAmérica condenam da maneira mais firme e categórica o injusto encarceramento de seu presidente, o engenheiro Alejandro Peña Esclusa, que encontra-se seqüestrado nos calabouços da polícia política venezuelana, vítima de uma grosseira montagem orquestrada pelo regime de Hugo Chávez, apoiado por Cuba.

Porém, paradoxalmente, esta vil mentira permitiu à nossa plataforma consolidar e amadurecer seus objetivos, afiançar a unidade, a solidariedade e o vigor de mais de duzentas organizações proveniente da Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, El Salvador, Honduras, Peru, Venezuela e Uruguai, assim como as ONGs de hispanos residentes nos Estados Unidos e Espanha. UnoAmérica se compromete a lutar denodadamente para alcançar não só a libertação de Alejandro, como a de todos os venezuelanos que encontram-se de alguma maneira aprisionados pela ditadura de Chávez, quer seja porque são despedidos injustamente porque suas empresas lhes são confiscadas, quer seja porque vivem trancados em barrotes de medo.

UnoAmérica deseja agradecer a todas as personalidades e instituições que têm levantado sua voz para exigir a libertação de Alejandro e insta a todos os homens e mulheres de boa vontade a lutar por sua liberdade.

15. Não é casual que tenhamos escolhido como sede do II Encontro a Sociedade Bolivariana de Bogotá, como tampouco é casual que nos tenhamos reunido no ano passado na Quinta de San Pedro Alejandrino. Um dos objetivos de UnoAmérica é resgatar a memória e o legado do Libertador Simón Bolívar, os quais encontram-se seqüestrados pelos que falsamente dizem chamar-se "bolivarianos", porém que na realidade são agentes do castro-comunismo.

16. Cumprindo com a responsabilidade de resgatar o bom nome de nossos patriotas Bolívar e San Martín, UnoAmérica outorga este ano o reconhecimento ORDEM À DEMOCRACIA ao Dr. Feisal Buitrago Mustafa, que custodiou as idéias daqueles que há duzentos anos empunharam suas espadas para conseguir a liberdade na América.

17. Finalmente, queremos transmitir uma mensagem de otimismo e de esperança aos povos da América Latina. O ocaso da ALBA e o despertar de novas lideranças democráticas na região abrem a oportunidade de construir um futuro melhor, baseado não em modelos ideológicos ou teóricos, mas em programas de ação realistas, cujo objetivo seja resolver os problemas concretos que afetam nossos povos: alimento, emprego, habitação, segurança, saúde, educação e serviços.

Ratificamos nosso firme compromisso de servir como plataforma de conectividade para os povos da América, para defender a liberdade, os direitos humanos, a justiça e a democracia em nosso amado "Continente da Esperança". Não temos espadas, porém temos penas. Não temos grandes meios de comunicação, porém temos vontade. E, sobretudo, temos algo que infunde um profundo temor aos tiranos e a seus esbirros: o valor para dizer a verdade.
Sociedade Bolivariana. Bogotá, Colômbia. 21 de novembro de 2010.

Tradução: Graça Salgueiro

domingo, 28 de novembro de 2010

NÃO SE DEIXE ENGANAR PELOS ECOCHATOS - O AQUECIMENTO GLOBAL NÃO EXISTE.

Por Aluizio Amorim do site www.aluizioamorim.blogspot.com


Trago para vocês um link especial para o site Fakeclimate.com, em português, onde vocês poderão fazer download do Manual dos Céticos, bem como de artigos científicos e midiáticos que lançam um pouco de luz contra a maldição politicamente correta dos militantes da tese furada do aquecimento global, falácia com a qual muitos espertalhões ganham dinheiro à custa da maioria das pessoas que, por absoluta desinformação aceitam sem questionamento, afirmações mentirosas e apocalípticas. A internet, entretanto, vem promovendo um novo iluminismo. Basta saber utilizar essa fantástica ferramenta da tecnologica e descobrir toda a malandragem dos ecochatos que tentam fazer crer que as pessoas é que são culpadas pelas adversidades do clima. Isto significa não avanço científico, mas sim a regressão ao antropocentrismo.

Destaco do Fackeclimate.com um excerto do texto de apresentação do site:

Chegamos a um ponto de loucura das sociedades modernas em que ninguém questiona mais nada e assume que certos homens, pelos títulos que carregam, são verdadeiros donos da verdade! Observa-se que as pessoas podem até questionar a existência de Deus, mas não questionam a existência de “aquecimento global”, “mudanças climáticas” e acreditam que o “desenvolvimento sustentável” é a salvação.

A grande verdade veementemente choca a maioria das pessoas, mas aqui expressamos como um sinaleiro para todos aqueles que “pensam verde” e querem ser enganados: é muito fácil para nós, que temos casa, comida, roupas confortáveis e uma boa cama para dormir, pensarmos verde e que se deve salvar plantinhas. É o maior centro do egoísmo que um ser humano pode pensar. Devemos refletir um dado estatístico que impressiona e que sempre é obscurecido pelos políticos e falsos cientistas: uma ínfima parcela da sociedade vive no século XXI, pois a maior parte dela, dos seres humanos que habitam nosso planeta, ainda vive na idade da pedra, quiçá, na idade média. 80% dos seres humanos são pobres (dados da própria ONU). Devemos acreditar que é agora que eles irão se desenvolver com essas políticas “sustentáveis”? A quem querem enganar? Você quer ser enganado?

Reflita!

sábado, 27 de novembro de 2010

FOI ADIADO LEILÃO DO TREM-BALA ENTRE RIO DE JANEIRO E CAMPINAS. MOTIVO: FALTA DE COMPETIDORES.

Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo. O título é meu.
Trem-bala perdida da alegria - A loucura pelo menos foi adiada.
Leiam o que segue. Volto em seguida:
Governo adia leilão do trem-bala para 29 de abril de 2011

Por Karla Mendes, da Agência Estado:
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) oficializou nesta sexta-feira, 26, o adiamento do leilão do trem de alta velocidade (TAV), que estava marcado para 16 de dezembro e com data limite para entrega das propostas nesta segunda-feira, dia 29. A nova data para entrega das propostas foi marcada para 11 de abril e o leilão será realizado no dia 29 de abril de 2011.

O diretor geral da ANTT, Bernardo Figueiredo, afirmou que o adiamento do leilão do trem de alta velocidade (TAV) ocorreu em função de “argumentos objetivos” apresentados pelos grupos interessados em participar da licitação. Ele ressaltou que o governo tem “total confiança” de que, com o alongamento do prazo, o processo será mais competitivo. “Pelo menos quatro grupos empresariais diferentes confirmaram que vão participar do processo de licitação”, disse.

Figueiredo explicou que esses quatro grupos não indicam necessariamente a formação de quatro consórcios, pois os executores da obra e os detentores de tecnologia poderão se unir posteriormente e, desta forma, reduzir o número de competidores. O diretor da ANTT admitiu que a decisão do adiamento do leilão foi tomada “apesar de ter consciência de que penaliza um consórcio (coreano) que estava preparado desde o início em apresentar a proposta”.

Voltei
Bem, pelo menos se ganha um tempinho. As empresas fogem do trem-bala como o diabo foge da cruz, mesmo com o governo assumindo quase todo o risco, conforme o estabelecido numa Medida Provisória que é a materialização da loucura que tomou conta de Lula e Dilma nesse particular. Por que a obstinação? Ninguém entende.

A VEJA desta semana trouxe reportagem informando que duas consultorias tinham estimado o custo total do trem-bala em R$ 63,4 bilhões. E o que tem isso? Essas mesmas empresas, num estudo oficial encomendando pelo governo, que custou R$ 5,5 milhões, deram uma pequena barateada na obra: R$ 33,1 bilhões. E é com base nesse valor que o governo queria fazer o leilão! Como 64 vira 33? Nem Deus sabe. Vai ver essa é uma das razões por que não aparecem candidatos a assumir a estrovenga. Republico trecho da reportagem da VEJA desta semana que termina.

[no Brasil] Faltam estradas asfaltadas e bem sinalizadas, ferrovias para transportar cargas e passageiros, redes de metrô, portos eficientes, aeroportos decentes (e profissionais decentes para operá-los) e por aí vai. O governo do PT, no entanto, encasquetou que o principal investimento em transporte a ser feito pelo país tem de ser uma obra bilionária e de necessidade duvidosa: um trem de alta velocidade que ligará Campinas ao Rio de Janeiro, passando por São Paulo. O custo deixou de ser uma fábula para se tornar uma piada. A estimativa inicial, que era de 19 bilhões, já passou oficialmente para 33,1 bilhões de reais. A licitação para a construção desse portento da engenharia está marcada para o próximo dia 29. Curiosamente, até agora há apenas um grupo interessado no negócio, liderado por estatais da Coréia do Sul. Empresários nacionais e outras companhias estrangeiras não parecem animados a participar. Para evitar o vexame que será produzido se a licitação contar com apenas um participante, o governo tenta convencer alguns empresários, especialmente chineses, a formar ao menos mais um consórcio para entrar na disputa.

O leitor deve estar se perguntando por que não surgem pencas de interessados em participar do leilão, já que o trem do PT deverá ser a obra mais cara realizada no Brasil desde a construção da Hidrelétrica de Itaipu. A resposta é a seguinte: apesar de os 33,1 bilhões de reais representarem uma soma estratosférica, nenhum empresário acredita que será possível levar a cabo o projeto proposto pelo governo por esse valor. Os trens-bala estão entre as estruturas mais caras que o engenho humano já foi capaz de imaginar. Os custos com engenharia civil, tecnologia e desapropriações são monumentais. O governo afirma que as empresas exageram no medo. Para provar o que diz, acena com um estudo realizado por duas consultorias, a brasileira Sinergia e a inglesa Halcrow. O material, que custou 5.5 milhões de dólares, foi apresentado em setembro de 2009 e está disponível na internet. Ele conclui que é possível, sim, fazer o trem caber no orçamento de 33,1 bilhões de reais.

Na semana passada, porém, VEJA teve acesso a uma informação que põe em xeque a credibilidade do estudo. Em abril de 2009 (cinco meses antes, portanto), a Sinergia e a Halcrow apresentaram ao governo um primeiro relatório econômico em que afirmavam que a obra custaria muito mais: 63,4 bilhões de reais, quase o dobro do que está sendo anunciado. É normal que, depois de entregar uma estimativa de custos, uma consultoria decida fazer um ou outro ajuste em seus números para aumentar o seu grau de precisão, mas são mudanças pontuais. Não há justificativa no universo da engenharia que faca uma obra orçada em 63,4 bilhões de reais sair, de repente, pela metade de preço. Mas, ao menos politicamente, a mudança veio a calhar: quanto mais baixo for o orçamento apresentado, mais fácil será para o governo convencer a opinião pública a aceitar a obra.


Por Reinaldo Azevedo
Tags: trem-bala, engenharia ferroviária

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Lula repete padrão moral da infâmia de Marco Aurélio Garcia e seu assessor contra as vítimas da TAM. Veja Marco Aurélio "TopTop" após reportagem do JN


Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo.
Lula repete padrão moral da infâmia de Marco Aurélio Garcia e seu assessor contra as vítimas da TAM

Todos se lembram dos gestos asquerosos de Marco Aurélio Garcia, que dispensa apresentações, e de seu assessor de imprensa, Bruno Gaspar, quando o Jornal Nacional noticiou que o avião da TAM que se acidentara em Congonhas no dia 17 de julho de 2007, matando 199 pessoas (os 187 que estavam no aparelho e 12 em solo), voava com um defeito no reversor de uma das turbinas. À época, escrevi o texto Os Nojentos. Veja o vídeo para que nos lembremos sempre desses moralistas. Volto em seguida.

Pois bem… Lula tratou do assunto hoje com os “blogueiros progressistas”. Leiam com atenção — reproduzo trecho do Estadão Online:

Ao responder à pergunta de um internauta, Lula disse que o dia em que sofreu mais no exercício da Presidência da República foi no acidente da TAM, ocorrido em São Paulo. “Eu nunca vi tanta leviandade. Eu estava na minha sala, era 6 e pouco, recebi informação de que tinha fogo no Aeroporto Santos Dumont (no Rio), numa sala que tinha móveis novos, muito material plástico e cadeira, fez fumaça negra e suspendeu os voos. Eu estava recebendo essa informação quando entra um companheiro falando de fogo num hangar da TAM em São Paulo. Eu liguei a TV e daqui a pouco fala em 200 passageiros, culpa do governo, a pista, não sei das quantas, aí eu fiquei na minha sala das 19 horas até quase meia noite, cada hora a notícia era pior e o governo carregava 200 mortos nas costas”.

Ainda sobre o episódio do acidente da TAM, Lula disse, sem citar o nome do então governador de São Paulo na ocasião, o tucano José Serra: “E o governador (José Serra) correu para ver o incêndio, e acho que eles pensaram, agora sim pegamos o Lula e vamos trucidar. Passa um dia, um dia e meio, e recebo telefonema sobre uma fita feita pela Infraero e que tem uma coisa de um delegado que tinha fita e não queria dar”, disse. “Mandei o Tarso Genro entregar, aí eu assisti à fita e tive a sensação de alívio por ter descoberto a verdade, depois que ficou patente que não era problema de pista, que tinha sido um erro”, acrescentou. Segundo o presidente, “aquele para mim foi o dia mais triste de 8 anos de mandato. Trouxe pilotos e especialistas para conversar e ninguém falava de erro humano, somente depois, foi o dia mais nervoso e triste da minha vida. Não quero nunca mais que isso se repita”.


Voltei
Vamos lá. O problema no reversor não estava entre as causas do acidente, que teve, sim, falha humana, FURO DADO EM REPORTAGEM DE CAPA PELA VEJA. Mas Lula já confessou que não consegue ler nem Chico Buarque, que é água com açúcar. Congonhas, ademais, tinha, sim, problemas na pista. É possível que, num outro aeroporto, muitas vidas tivessem sido poupadas. Mas isso é ainda o de menos.

O que me espanta é que a fala de Lula tem o mesmo padrão moral do gesto de Garcia e de seu assessor. Notem: “Passa um dia, um dia e meio, e recebo telefonema sobre uma fita feita pela Infraero e que tem uma coisa de um delegado que tinha fita e não queria dar”, disse. “Mandei o Tarso Genro entregar, aí eu assisti à fita e tive a sensação de alívio por ter descoberto a verdade, depois que ficou patente que não era problema de pista, que tinha sido um erro”.

Assim como a dupla asquerosa fez gestos variados para o “F_ _ _-se!”, Lula se sentiu “aliviado”. Que bom! O contexto deixa claro: tinha sido um dia muito triste não porque 199 brasileiros haviam morrido, mas porque havia a suspeita, que não é infundada, de que as condições precárias do aeroporto colaboraram para a tragédia.

Se, nesse caso, Lula sentiu “alívio”, deveria dizer o que sentiu há poucos dias quando se concluiu, finalmente, que a torre teve responsabilidade na tragédia do vôo 1907, da Gol, que matou 154 pessoas no dia 29 de setembro de 2006. Por uma questão de lógica, se um caso traz “alívio” (!?), o outro deveria fazê-lo sentir-se minimamente culpado, não é mesmo?

Não tem jeito, não! Essa gente é uma monstruosidade moral. “Papa” até as tragédias que ceifam vidas e as transformam em ativo político.

PS - Como viram, ataca Serra de novo. Pelo visto, ele achava que o governador de Estado, diante de uma tragédia como aquela, deveria ter se ausentado, como ele se ausentou.

Por Reinaldo Azevedo
Tags: Bobagens de Lula

PMDB X PT: RENAN CHAMA MERCADANTE DE "ALOPRADO" E "TRAPALHÃO"

Veja reportagem de Andreza Matais do site www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo
PMDB X PT: Renan chama Mercadante de “aloprado” e “trapalhão”
Por Andreza Matais, na Folha:

Homem forte no governo Lula até ser apeado da presidência do Senado em 2007, o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) promete sair da sombra e voltar ao embate político. Desde a crise, atuava apenas nos bastidores. Cotado para o comando do Senado, escolheu continuar líder da maior bancada na Casa, papel que lhe garantirá interlocução privilegiada com a presidente eleita, Dilma Rousseff (PT). Em entrevista à Folha, Renan disse que a ausência de Aloizio Mercadante no Senado, a quem chama de “um trapalhão, um aloprado”, deve facilitar a convivência PT-PMDB. Mas alertou que atritos poderão ocorrer caso o PT tente reduzir espaço de seu partido na Esplanada. Sobre as denúncias que o tiraram da presidência do Senado, admite ter cometido erros. Ele foi acusado de ter contas pessoais pagas por um lobista. O caso está no Supremo Tribunal Federal.


Folha - Por que apoiar a reeleição de Sarney para a presidência do Senado?
Renan Calheiros - A permanência dele é o que causa menor atrito, não abre guerras de vaidades para um início de governo que tem quase 70% de apoio no Congresso. O sentimento que vivemos hoje é o de continuidade. Não se mexe em time que está ganhando.

O PT tenta a vaga…
Essa discussão pode reabrir atritos, sobretudo se for conduzida pelo Mercadante. O Mercadante é um trapalhão, um aloprado de sempre, mesmo sem ser senador [o mandato dele se encerra em dezembro] ele quer influir na eleição para a presidência do Senado, uma coisa ridícula. Toda vez em que ele tentou articular no Senado, perdeu. É desastroso nisso. O clima no Senado é de conciliação, não de atrito.

O PMDB da Câmara também fala em rodízio no Senado.
O acordo da Câmara não tem nenhuma relação. O regimento do Senado é claro sobre o direito da maior bancada indicar o presidente. Não pode ser contestado.
(…)
O novo Senado aprova a CPMF?
Se vier com a chancela dos governadores, da presidente Dilma, se for exclusivamente para financiar a saúde, tem chance de ser aprovada. Agora, não podemos, de forma nenhuma, pensar em votar a CPMF sem primeiro desonerar a folha de pessoal, os investimentos e completamente a exportação.
(…)
O PMDB fez um blocão na Câmara. Pode fazer no Senado?
No ano passado nós contávamos com o PP no bloco. Não há desejo de ampliar o bloco, de fazê-lo maior. O momento exige muita racionalidade, uma vez que você fala demais, acaba atrapalhando e o PT está falando demais. O PMDB fica incomodado quando alguém do PT estreita politicamente a coalizão. Provavelmente esse bloco da Câmara é uma resposta a isso. Aqui

Por Reinaldo Azevedo
Tags: Mercadante, Renan

terça-feira, 23 de novembro de 2010

CUT, FORÇA SINDICAL E OUTRAS CENTRAIS SINDICAIS TERÃO TEMPO DE TELEVISÃO GRÁTIS. SABE QUEM PAGA? NÓS!

Margrit Schmidt publicou no Jornal de Brasília - Brasília/DF 20 de novembro de 2010 –o seguinte artigo sobre política.
SABE QUEM PAGA? NÓS.

O leitor que já fica indignado com o desfile dos políticos pelo horário eleitoral – chamado equivocadamente de "gratuito"- está achando que as centrais sindicais vão comprar o espaço? Não mesmo.

Sairá ao que eles chamam de "custo zero". Pela proposta, as empresas serão ressarcidas pelos cofres públicos. Isso quer dizer que nós pagaremos pelas bobagens pelegas que teremos que ouvir e assistir de CUT, Força Sindical e outras que nem ouvimos falar.

A proposta enfatiza o aspecto estatal das centrais sindicais, que deixam, também por isso, de ser entidades livres. O governo do PT sabe o valor de um sindicato amestrado e atrelado aos interesses do governo de plantão.

Os sindicatos já têm o direito de receber uma parcela do Imposto Sindical sem ter de prestar contas a ninguém. Lula vetou a proposta que as obrigava a se submeter à vigilância do Tribunal de Contas da União. Transformaram-se num cartório de estranhos interesses, no mínimo, opacos.

A concessão do "horário pelego"às centrais é um total desatino, mesmo que o propósito fosse apenas informar questões que digam respeito a seus associados. Sindicatos, federações, confederações, centrais etc. não são entidades públicas. O que um cidadão comum tem a ver com os sindicatos que não o representam? Por que usar o dinheiro dos impostos que todos somos obrigados a pagar para financiar trololó de pelego?

O projeto de lei diz que as centrais poderão usar o tempo para tratar também de "temas político- comunitários. Convenhamos, aí cabe muita coisa, talvez até o programa de receitas culinárias da Palmirinha.

Será que esse é mais um item daquela já famosa obsessão do ministro Franklin Martins, o controle social dos meios de comunicação? Temos que abrir os olhos e tentar evitar que próximo Congresso dê seu aval a construção de uma república sindical bananeira. O Brasil não merece isso.
____________
A "hora do amestrado"é um desatino, mesmo que seja para informar questões relativas ao trabalhador sindicalizado.

OS TRIBUNAIS DE CONTAS PRECISAM SER FORTALECIDOS. VEJA UMA PROPOSTA DE MUDANÇA

Pela mudança nos tribunais de contas
DIREITO & JUSTIÇA (publicado no clipping TCU). O título é meu.

A sucessão (interminável) de denúncias e escândalos no cenário público brasileiro, englobando o mau uso e os desvios de recursos governamentais e a amplitude do espectro da corrupção que atrai tantos administradores, políticos, servidores e empresários interessados em lograr vantagens pessoais a qualquer custo e a dividirem as fatias dos orçamentos nos faz lembrar o Rui Barbosa: "De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimarse da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto".

Serão todos assim? Onde estão os bons?Quando teremos a certeza de que o erário estará protegido da ação dos maus? Instituições existem para a efetividade dos controles e a repressão aos negócios escusos com o Estado.Nenhuma delas, todavia, tem logrado com eficácia, efetividade e amplitude a missão de debelar as iniquidades, coibindo as irregularidades e afastando da vida pública os desonestos.

Parcialmente, apenas, os órgãos de controle tem conseguido cumprir seus misteres constitucionais. Um deles é o Tribunal de Contas. Trinta e quatro deles existem em nosso país, dispostos segundo organização federativa para controlar as ações administrativas da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios.

Todos com estruturas organizacionais para o desempenho de atividades de controle e fiscalização.Quase todos com razoável aparelhamento, contando com servidores concursados e de nível superior para o exercício de carreira exclusiva de Estado, para o desempenho de auditorias, análise de contas governamentais e fiscalização
e julgamento de atos administrativos.

Que o cidadão saiba que as atividades "de ponta" são desempenhadas por tais servidores-nem todos, contudo, fazendo as mesmas atividades, tendo em vista a inexistência de normas únicas para todos os TCs-que fornecem elementos técnicos (relatórios) para que o corpo deliberativo das cortes decontas julguem ou os apreciem.

Quem desempenha tal atribuição? Conselheiros e ministros.Quase que exclusivamente (sete dos nove ministros do TCU e cinco dos sete conselheiros dos outros TCs) são pessoas nomeadas pelo Poder Executivo ou Legislativo, na imensa maioria ex-parlamentares que, depois, vão avaliar seus ex-pares. Essa situação precisa mudar!

OsTCsprecisam ser corpos decomposição majoritariamente técnica e meritocrática, constituindo uma carreira que principie pela função de auditor de controle externo e possa ascender, com mandato (e não com a atual vitaliciedade) para a função de julgador de contas públicas, conselheiro e ministro (substituto e titular), como bem expressa a proposta contida na PEC 75/2007 que tramita na Câmara Federal.

Essa mudança organizacional e de requisitos de investidura é mais que uma proposta, é uma necessidade. Basta ver a profusão de processos e ações investigatórios em tramitação pelo país afora envolvendo mais de 35 conselheiros de 17TCs, maculando a imagem da instituição e a função de julgador de contas, conforme levantamentos publicados pela imprensa.

Onde estão os bons, repetimos. Quase sempre tímidos, aguardando milagres. Alguns, no entanto, arregaçam mangas e lutam pelas alterações legais. De que lado você está?

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O AI-5 GAY JÁ COMEÇA A SATANIZAR PESSOAS; SE APROVADO, VAI PROVOCAR O CONTRÁRIO DO QUE PRETENDE: ACABARÁ ISOLANDO OS GAYS

O reverendo Augustus Nicodemus Lopes, chanceler a Universidade Mackenzie — homem inteligente, capaz, disciplinado na sua fé e respeitador das leis do país; sim, eu o conheço — está sendo alvo de uma violenta campanha de difamação na Internet. Na próxima quarta, grupos gays anunciam um protesto nas imediações da universidade que ele dirige com zelo exemplar. Por quê? Ele teve a “ousadia”, vejam só, de publicar, num cantinho que lhe cabe no site da instituição trecho de uma resolução da Igreja Presbiteriana do Brasil contra a descriminação do aborto e contra aprovação do PL 122/2006 — a tal lei que criminaliza a homofobia (aqui). O texto nem era seu, mas do reverendo Roberto Brasileiro, presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil. A íntegra do documento está aqui. Pode-se ler lá o que segue:

“Quanto à chamada Lei da Homofobia, que parte do princípio que toda manifestação contrária à homossexualidade é homofóbica (…), a Igreja Presbiteriana do Brasil repudia a caracterização da expressão do ensino bíblico sobre a homossexualidade como sendo homofobia, ao mesmo tempo em que repudia qualquer forma de violência contra o ser humano criado à imagem de Deus, o que inclui homossexuais e quaisquer outros cidadãos”.

Respondam: o que há de errado ou discriminatório nesse texto? A PL 122 nem foi aprovada ainda, e as perseguições já começaram. Vamos tornar ainda mais séria essa conversa. Há gente que gosta das soluções simples e erradas para problemas difíceis. Eu estou aqui para mostrar que há coisas que, simples na aparência, são muito complicadas na essência. Afirmei certa feita que o verdadeiro negro do mundo era o branco, pobre, heterossexual e católico. Era um exagero, claro!, uma expressão de mordacidade. A minha ironia começa a se transformar numa referência da realidade. A PL 122 é flagrantemente inconstitucional; provocará, se aprovada, efeitos contrários àqueles pretendidos e agride a liberdade religiosa. É simples assim. Mas vamos por partes, complicando sempre, como anunciei.

Homofóbico?
Repudio o pensamento politicamente correto, porque burro, e o pensamento nem-nem — aquele da turma do “nem isso nem aquilo”. Não raro, é coisa de covardes, de quem quer ficar em cima do muro. Procuro ser claro sobre qualquer assunto. Leitores habituais deste blog já me deram algumas bordoadas porque não vejo nada de mal, por exemplo, na união civil de homossexuais — que não é “casamento”. Alguns diriam que penso coisa ainda “pior”: se tiverem condições materiais e psicológicas para tanto, e não havendo heterossexuais que o façam, acho aceitável que gays adotem crianças. Minhas opiniões nascem da convicção, que considero cientificamente embasada, de que “homossexualidade não pega”, isto é, nem é transmissível nem é “curável”. Não sendo uma “opção” (se fosse, todos escolheriam ser héteros), tampouco é uma doença. Mais: não me parece que a promiscuidade seja apanágio dos gays, em que pese a face visível de certas correntes contribuir para a má fama do conjunto.

“Que diabo de católico é você?”, podem indagar alguns. Um católico disciplinado. É o que eu penso, mas respeito e compreendo a posição da minha igreja. Tampouco acho que ela deva ficar mudando de idéia ao sabor da pressão deste ou daqueles grupos católicos. Disciplina e hierarquia são libertadoras e garantem o que tem de ser preservado. Não tentem ensinar a Igreja Católica a sobreviver. Ela sabe como fazer. Outra hora volto a esse particular. Não destaco as minhas opiniões “polêmicas” para evitar que me rotulem disso ou daquilo. Eu estou me lixando para o que pensam a meu respeito. Escrevo o que acho que tem de ser escrito.

Aberração e militância
Ter tais opiniões não me impede de considerar que o tal PL 122 é uma aberração, que busca criar uma categoria especial de pessoas. E aqui cabe uma pequena história. Tudo começou com o Projeto de Lei nº 5003/2001, na Câmara, de autoria da deputada Iara Bernardes, do PT. Ele alterava a Lei nº 7716, de 1989, que pune preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional (íntegra aqui) acrescentando ao texto a chamada discriminação de gênero. Para amenizar o caráter de “pogrom gay”, o senador Marcelo Crivella acrescentou também a discriminação contra idoso e contra deficientes como passível de punição. Só acrescentou absurdos novos.

Antes que me atenha a eles, algumas outras considerações. À esteira do ataque contra três rapazes perpetrados por cinco delinqüentes na Avenida Paulista, que deveriam estar recolhidos (já escrevi a respeito), grupos gays se manifestaram. E voltou a circular a tal informação de que o Brasil é o país que mais mata homossexuais no mundo. É mesmo? Este também é um dos países que mais matam heterossexuais no mundo!!! São 50 mil assassinatos por ano. Se os gays catalogados não chegam a 200 — e digamos que eles sejam 5% da população; há quem fale em 9%; não importa —, há certamente subnotificação, certo? “Ah, mas estamos falando dos crimes da homofobia…” Sei. Michês que matam seus clientes são ou não considerados “gays”? Há crimes que não estão associados à “orientação sexual” ou à “identidade de gênero”, mas a um modo de vida. Cumpre não mistificar. Mas vamos ao tal PL.

Disparates
A Lei nº 7716 é uma lei contra o racismo. Sexualidade, agora, é raça? Ora, nem a raça é “raça”, não é mesmo? Salvo melhor juízo, somos todos da “raça humana”. O racismo é um crime imprescritível e inafiançável, e entrariam nessa categoria os cometidos contra “gênero, orientação sexual e identidade de gênero.” Que diabo vem a ser “identidade de gênero”. Suponho que é o homem que se identifica como mulher e também o contrário. Ok. A lei não proíbe ninguém de se transvestir. Mas vamos seguir então.

Leiam um trecho do PL 122:
Art. 4º A Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1999, passa a vigorar acrescida do seguinte Art. 4º-A:
“Art. 4º-A Praticar o empregador ou seu preposto atos de dispensa direta ou indireta: Pena: reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco)anos.”


Art. 5º Os arts. 5º, 6º e 7º da Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1999, passam a vigorar com a seguinte redação:
“Art. 5º Impedir, recusar ou proibir o ingresso ou a permanência em qualquer ambiente ou estabelecimento público ou privado, aberto ao público: Pena: reclusão de 1 (um) a 3 (três) anos.”


Para demitir um homossexual, um empregador terá de pensar duas vezes. E cinco para contratar — caso essa homossexualidade seja aparente. Por quê? Ora, fica decretado que todos os gays são competentes. Aliás, na forma como está a lei, só mesmo os brancos, machos, heterossexuais e eventualmente cristãos não terão a que recorrer em caso de dispensa. Jamais poderão dizer: “Pô, fui demitido só porque sou hétero e branco! Quanta injustiça!”. O corolário óbvio dessa lei será, então, a imposição posterior de uma cota de “gênero”, “orientação” e “identidade” nas empresas. Avancemos.

“Art. 6º Recusar, negar, impedir, preterir, prejudicar, retardar ou excluir, em qualquer sistema de seleção educacional, recrutamento ou promoção funcional ou profissional: Pena - reclusão de 3 (três) a 5 (cinco) anos. ”

Cristãos, muçulmanos, judeus etc têm as suas escolas infantis, por exemplo. Sejamos óbvios, claros, práticos: terão de ignorar o que pensam a respeito da homossexualidade, da “orientação sexual” ou da “identidade de gênero” — e a Constituição lhes assegura a liberdade religiosa — e contratar, por exemplo, alguém que, sendo João, se identifique como Joana? Ou isso ou cana?

Art. 7º A Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, passa a vigorar acrescida dos seguintes art. 8º-A e 8º-B:
“Art. 8º-B Proibir a livre expressão e manifestação de afetividade do cidadão homossexual, bissexual ou transgênero, sendo estas expressões e manifestações permitidas aos demais cidadãos ou cidadãs: Pena: reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco) anos.”


Pastores, padres, rabinos etc. estariam impedidos de coibir a manifestação de “afetividade”, ainda que os fundamentos de sua religião a condenem. O PL 122 não apenas iguala a orientação sexual a raça como também declara nulos alguns fundamentos religiosos. É o fim da picada! Aliás, dada a redação, estaríamos diante de uma situação interessante: o homossexual reprimido por um pastor, por exemplo, acusaria o religioso de homofobia, e o religioso acusaria o homossexual de discriminação religiosa, já que estaria impedido de dizer o que pensa. Um confronto de idéias e posturas que poderia ser exercido em liberdade acaba na cadeia. Mas o Ai-5 mesmo vem agora:

“Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero:
§ 5º O disposto neste artigo envolve a prática de qualquer tipo de ação violenta, constrangedora, intimidatória ou vexatória, de ordem moral, ética, filosófica ou psicológica.”


Não há meio-termo: uma simples pregação contra a prática homossexual pode mandar um religioso para a cadeia: crime inafiançável e imprescritível. Se for servidor público, perderá o cargo. Não poderá fazer contratos com órgãos oficiais ou fundações, pagará multa… Enfim, sua vida estará desgraçada para sempre. Afinal, alguém sempre poderá alegar que um simples sermão o expôs a uma situação “psicologicamente vexatória”. A lei é explícita: um “processo administrativo e penal terá início”, entre outras situações, se houver um simples “comunicado de organizações não governamentais de defesa da cidadania e direitos humanos.” Não precisa nem ser o “ofendido” a reclamar: basta que uma ONG tome as suas dores.

A PL 122 institui o estado policial gay! E o chanceler no Mackenzie, Augustus Nicodemus Lopes, já é alvo dessa patrulha antes mesmo de essa lei ser aprovada.

O que querem os proponentes dessa aberração? Proteger os gays? Não há o risco de que aconteça o contrário? A simples altercação com um homossexual, por motivo absolutamente alheio à sua sexualidade, poderia expor um indivíduo qualquer a um risco considerável. Se o sujeito — no caso, o gay — for honesto, bem: não vai apelar à sua condição de “minoria especialmente protegida”; se desonesto — e os há, não? —, pode decidir infernizar a vida do outro. Assim, haverá certamente quem considere que o melhor é se resguardar. É possível que os empregadores se protejam de futuros dissabores, preferindo não arriscar. Esse PL empurra os gays de volta para o gueto.


Linchamento moral
O PL 122 é uma aberração jurídica, viola a liberdade religiosa e cria uma categoria de indivíduos especiais. À diferença de suas “boas intenções”, pode é contribuir para a discriminação, à medida que transforma os gays numa espécie de “perigo legal”. Os homossexuais nunca tiveram tanta visibilidade. Um gay assumido venceu, por exemplo, uma das jornadas do BBB. Cito o caso porque houve ampla votação popular. A “causa” está nas novelas. Programas de TV exibem abertamente o “beijo gay”. Existe preconceito? Certamente! Mas não será vencido com uma lei que acirra as contradições e as diferenças em vez de apontar para um pacto civilizado de convivência. Segundo as regras da democracia, há, sim, quem não goste dessa exposição e se mobiliza contra ela. É do jogo.

Ninguém precisa de uma “lei” especial para punir aqueles delinqüentes da Paulista. Eles não estão fora da cadeia (ou da Fundação Casa) porque são heterossexuais, e sua vítima, homossexual. A questão, nesse caso, infelizmente, é muito mais profunda e diz muito mais sobre o Brasil profundo: estão soltos por causa de um preconceito social. Os homossexuais que foram protestar na Paulista movidos pela causa da “orientação sexual” reduziram a gravidade do problema.

Um bom caminho para a liberdade é não linchar nem física nem moralmente aqueles de quem não gostamos ou com quem não concordamos. Seria conveniente que os grupos gays parassem de quebrar lâmpadas na cabeça de Augustus Nicodemus Lopes, o chanceler do Mackenzie. E que não colocassem com tanta vontade uma corda no próprio pescoço sob o pretexto de se proteger. Mas como iluminar minimamente a mentalidade de quem troca o pensamento pela militância?

Quando trato de temas como esse, petralhas costumam invadir o blog com grosserias homofóbicas na esperança de que sejam publicadas para que possam, depois, sair satanizando o blog por aí. Aviso: a tática é inútil. Não serão! Este blog é contra o PL 122 porque preza os valores universais da democracia, que protegem até os que não são gays…

Por Reinaldo Azevedo
Tags: Augustus Nicodemus Lopes, Lei da Homofobia, PL 122

KAMARADAS E COMPANHEIROS. Ou: O panorama eleitoral brasileiro é desolador.

Escrito por Heitor De Paola | 19 Novembro 2010 | no site www.midiasemmascara.com.br
Artigos - Movimento Revolucionário

As raposas devem estar se moendo de inveja dos políticos brasileiros. Estes conseguiram o que elas vêm tentando, sem sucesso, há milênios: convencer as galinhas de que devem se deixar depenar, serem comidas e ainda baterem palmas e continuarem elegendo as raposas para administrar o galinheiro.

É desolador o panorama eleitoral brasileiro dos últimos doze anos. Desde 1998 revezam-se no poder os Kamaradas petistas com os Companheiros de Viagem tucanalhas.

Embalados por um surto de prosperidade com o barateamento das importações, FHC comprou o Congresso - num mensalão nunca denunciado - e se reelegeu triunfantemente e já em janeiro de 1999 acaba 'a farra das importações', como se fosse um pai dizendo para seus filhos: - hora de naná, nenéns, acabou a farra, vão escovar os dentes e já pra caminha! Sejam Kamaradas marxistas-leninistas, sejam Companheiros de Viagem fabianos ou social-democratas, todos concordam que a população é constituída de um bando de crianças irresponsáveis que precisam de senhores oniscientes que lhes orientem para um mundo melhor e com mais 'igualdade'.

Cidadãos livres decidindo seus destinos, onde investir seus recursos pessoais e financeiros? Que horror! Não, são mentecaptos incapazes que precisam ser levados pela mão pelos 'mais iguais que os iguais'!

Já em 2002 eu denunciava esta farsa no texto Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse de onde tirei a epígrafe e acrescentei: Em quem pode votar um eleitor liberal? Não tem opção. Os quatro candidatos (Lula, Serra, Ciro Gomes e Garotinho) fazem questão de ser cada um mais socialista que os outros. Pois desde então se repete monotonamente o mesmo refrão. Nada mudou em 2006, quando os Companheiros brindaram os Kamaradas como um picolé de chuchu amorfo como se dissessem vão lá, ganhem o jogo logo que nós fingiremos ficar na oposição. Usando a linguagem futebolística que tanto agrada 'U Ómi': não se preocupem, ficaremos na retranca e mandaremos o goleiro para o vestiário. Venham com tudo!

Enquanto isto, Kamaradas e Companheiros planejavam a destruição do único partido que ainda tinha raízes liberais e algo de conservador, o PFL. Não foi difícil, pois contavam com outro socialista marxista cujo caráter conheciam bem dos anos de exílio: César Maia. Este vivaldino travestido de pusilânime, que trafega muito bem do socialismo 'moreno' de Brizola a 'líder da direita' no Rio. Apesar de execrado por suas duas péssimas administrações na Prefeitura do Rio cuja grande obra foi uma 'Cidade da Música Roberto Marinho' de onde jamais se ouviu um acorde e que bem poderia ser transformada num hospital ou escola municipal, criou uma dinastia que inclui seu filho Rodrigo, Índio da Costa e outros. A lápide que selou o destino do PFL foi a troca de nome para DEM e a dos Estatutos para se adequar ao do socialista Partido Democrata americano, deixando dignos representantes do velho partido, como Jorge Bornhausen, Kátia Abreu, e poucos outros, pendurados no pincel. Mas o plano não se esgotava aí, ia e vai muito mais além: a extinção do Partido com a fusão aos kamaradas ou aos companheiros e aí estará completada a tarefa de acabar de vez com a direita no Brasil.

Porém, o mais desalentador foi observar, neste ano, a submissão revoltante e suicida dos liberais e conservadores mordendo a isca oferecida pelos kamaradas e companheiros e dedicando-se de corpo e alma - se é que já não a perderam - à campanha dos Companheiros de Viagem apresentando seu candidato como a salvação nacional!

Isto num país onde mais de 80% da população endossa a agenda conservadora e poderia votar numa candidatura que defendesse firmemente estes princípios - ou, na falta desta, numa campanha intensa a favor da abstenção! É desalentador! E não me venham com a palhaçada de que com os Companheiros seria mais fácil armarmos um esquema para a próxima eleição. Isto é balela que eu ouço há oito anos e suspeito que em 2014, já no auge da campanha dos Kamaradas, novamente dirão que as pesquisas mentem e se jogarão aos pés do Companheiro de plantão! Suicidas não se levantam de seus túmulos!

MARXISMO: A MÁQUINA ASSASSINA. Ou: O marxismo, o socialismo, o comunismo e o progressismo são sistemas que querem a morte do homem sempre capitalista.

Escrito por R.J. Rummel* no site www.aluizioamorim.blogspot.com no dia 19 de Novembro de 2010. O título é meu.

Com a queda da União Soviética e dos governos comunistas da Europa Oriental, a grande maioria das pessoas tem a impressão de que o marxismo, a religião do comunismo, está morto. Nada disso. O marxismo está bem vivo em muitos países hoje, tais como Coréia do Norte, China, Cuba, Vietnã, Laos, um grupo barulhento de países africanos e na mente de muitos líderes políticos da América do Sul. No entanto, o que é mais importante para o futuro da democracia é que o comunismo ainda polui o pensamento de uma vasta multidão de acadêmicos e intelectuais do Ocidente.

De todas as religiões, seculares ou não, o marxismo é de longe a mais sangrenta — mais sangrenta do que a Inquisição Católica, as várias cruzadas católicas e a Guerra dos Trinta Anos entre católicos e protestantes. Na prática, o marxismo significa terrorismo sanguinário, expurgos mortais, campos letais de prisioneiros e trabalhos forçados assassinos, deportações fatais, fomes provocadas por homens, execuções extrajudiciais e julgamentos “teatrais”, descarado genocídio e assassinatos em massa.

No total, os regimes marxistas assassinaram aproximadamente 110 milhões de pessoas de 1917 a 1987. Para se ter uma perspectiva desse incrível alto preço em vidas humanas, note que todas as guerras internas e estrangeiras durante o século 20 mataram 35 milhões de pessoas. Isso é, quando marxistas controlam países, o marxismo é mais mortal do que todas as guerras do século 20, inclusive a 1 e 2 Guerra Mundial e as Guerras da Coréia e do Vietnã.

E o que o marxismo, o maior dos experimentos sociais humanos, realizou para seus cidadãos pobres, nesse muitíssimo sangrento custo em vidas? Nada de positivo. Deixou em seu rastro desastres econômicos, ambientais, sociais e culturais.

O Khmer Vermelho — comunistas cambojanos que governaram o Camboja por quatro anos —revela o motivo por que os marxistas acreditavam que era necessário e moralmente certo massacrar muitos de seus semelhantes. O marxismo deles estava casado com o poder absoluto. Eles criam sem uma sombra de dúvida que eles sabiam a verdade, que eles construiriam o maior bem-estar e felicidade humana e que para alcançar essa utopia, eles precisavam cruelmente demolir a velha ordem feudal ou capitalista e a cultura budista, e então reconstruir uma sociedade totalmente comunista. Não se poderia deixar nada atrapalhando no caminho dessa realização. O governo — o Partido Comunista — estava acima das leis. Todas as outras instituições, normas culturais, tradições e sentimentos eram descartáveis.

Os marxistas viram a construção dessa utopia como uma guerra contra a pobreza, a exploração, o imperialismo e a desigualdade — e, como numa guerra real, mesmo quem não estivesse no combate seria infelizmente pego na guerra. Haveria necessária perda de vida entre os inimigos: o clero, a burguesia, os capitalistas, os “sabotadores”, os intelectuais, os contra-revolucionários, os direitistas, os tiranos, os ricos e os proprietários de terras. Como numa guerra, milhões poderiam morrer, mas essas mortes seriam justificadas pelos fins, como na derrota de Hitler na 2 Guerra Mundial. Para os marxistas no governo, a meta de uma utopia comunista era suficiente para justificar todas as mortes.

A ironia é que na prática, mesmo depois de décadas de controle total, o marxismo não melhorou a sorte das pessoas comuns, mas geralmente tornou as condições de vida piores do que antes da revolução. Não é por acaso que as maiores fomes do mundo aconteceram dentro da União Soviética (aproximadamente 5 milhões de mortos entre 1921-23 e 7 milhões de 1932-3, inclusive 2 milhões fora da Ucrânia) e China (aproximadamente 30 milhões de mortos em 1959-61). No total, no último século quase 55 milhões de pessoas morreram em várias fomes e epidemias associadas provocadas por marxistas, e o resto morreu como conseqüência despropositada da coletivização e das políticas agrícolas marxistas.

O que é espantoso é que essa “moeda” da morte do marxismo não envolve milhares ou mesmo centenas de milhares, mas milhões de mortes. Isso é quase incompreensível — é como se a população inteira da Europa Oriental fosse aniquilada. Por volta de 35 milhões escaparam de países marxistas como refugiados, e isso mais do que tudo é um voto contra as pretensões dos marxistas utópicos. O equivalente seria todo mundo fugindo do Estado de São Paulo esvaziando-o de todos os seres humanos.

Há uma lição supremamente importante para a vida humana e para o bem-estar das pessoas que precisamos aprender com esse horrendo sacrifício oferecido no altar de uma ideologia: Não se pode confiar em ninguém que tenha poder ilimitado.

Quanto mais poder um governo tem para impor as convicções de uma elite ideológica ou religiosa, ou decretar os caprichos de um ditador, mais probabilidade há de que o bem-estar e vidas humanas serão sacrificados. À medida que o poder do governo vai ficando sem controle e alcança todos os cantos de uma cultura e sociedade, mais probabilidade há de que esse poder matará seus próprios cidadãos.

Como uma elite no governo tem o poder de fazer tudo o que quer, quer para satisfazer suas próprias vontades pessoais ou, como o desejo dos marxistas de hoje, seguir o que crê ser certo e verdadeiro, essa mesma elite pode fazer isso quaisquer que sejam os custos em vidas humanas. Aí, o poder é a condição necessária para os assassinatos em massa. Quando uma elite obtém autoridade plena, outras causas e condições poderão operar para produzir o genocídio imediato, o terrorismo, os massacres e quaisquer assassinatos que os membros dessa elite sintam que são necessários. Mas é o poder — sem nada que o iniba, limite e controle — que é o verdadeiro assassino.

Os acadêmicos e intelectuais de hoje estão andando de carona. Eles obtêm certo respeito por causa de suas pretensões utópicas, por causa de suas palavras sobre melhorar a sorte dos trabalhadores e dos pobres. Mas toda vez que chegou ao poder, o marxismo fracassou totalmente, assim como o fascismo. Em vez de serem tratados com respeito e tolerância, os marxistas deveriam ser tratados como se desejassem uma praga mortal sobre todos nós.

A próxima vez que se encontrar ou receber uma palestra de um marxista nacional, ou seus quase equivalentes fanáticos esquerdistas, pergunte-lhes como é que eles conseguem justificar o assassinato dos mais de cem milhões que sua fé absolutista provocou, e o sofrimento que o marxismo criou para muitas centenas de milhões mais.


*R.J. Rummel, professor emérito de ciência política e finalista de Prêmio Nobel da Paz, publicou 29 livros e recebeu numerosas condecorações por sua pesquisa.

Texto traduzido e adaptado por Julio Severo: www.juliosevero.com.br

Fonte: http://www.wnd.com/news/article.asp?ARTICLE_ID=41944

sábado, 20 de novembro de 2010

PT AFIA AS GARRAS E DECLARA GUERRA À IMPRENSA LIVRE.

Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo. Juntei os títulos de dois textos do Reinaldo.
Agora é pra valer: PT declara guerra à imprensa livre

Já havia um monte de gente tentando embarcar na Dilma Tchutchuca da Democracia? É mesmo? Pois a “resolução política” do Diretório Nacional do PT deixou claras as prioridades. Alguns tolinhos dirão que uma coisa é o partido, e outra, o governo. O auto-engano é um direito. Releiam o texto. Para o PT, são quatro os objetivos estratégicos do novo governo:


- erradicar a pobreza absoluta;
- reagir à crise internacional que hoje assume a feição do conflito cambial;
- fazer a reforma política;
- democratizar os meios de comunicação.

“Democratizar”, em petês, significa “controlar” em português. Voltem ao documento e reparem que a questão da “mídia”, como eles chamam, foi a que ocupou mais tempo do redator. E o partido deixa claro que não se trata, sei lá, de uma questão jurídica ou outra que estariam por ser resolvidas. Não! Os petistas querem um “debate qualificado acerca do conservadorismo que se incrustou em setores da sociedade e dos meios de comunicação”

“Incrustar”, nesse sentido, quer dizer “alojar-se”, “esconder-se”, “acoitar-se”, como se esses supostos conservadores fossem, sei lá eu, bandidos, uma gente má, que precisa, para recorrer a um verbo da predileção de Lula, ser “extirpada”. Não se enganem: a natureza do lobo continua a ser a mesma. Não vai mudar. Mas atenção! O PT quer preservar a liberdade de expressão, tá? Seguindo os passos daquele “companheiro” iraniano dos petistas (ver post sobre Irã), todos devem ser livres. Isso só depende “do que querem dizer”… Ainda voltarei a este assunto na madrugada. Uma coisa é certa: eles vão tentar botar pra quebrar.

O documento também tem um lado cômico, quando identifica o PT como “partido de esquerda e socialista”. Essas palavras, obviamente, não valem pelo seu valor histórico. Modernamente, querem dizer apenas que o PT se considera monopolista das tais “lutas populares” e que, de fato, conserva o mesmo horror à democracia que marca a história das esquerdas — de qualquer esquerda. Nesse particular, ele é a expressão de uma tradição. E só nisso. Ou como explicar que uma das figuras de proa do partido seja o “socialista” José Dirceu, cuja profissão hoje em dia é “consultor de empresa privada”?

É preciso saber ler: a resolução política do PT é uma declaração de guerra à imprensa livre. E vai se dar em várias frentes: 1) na legal, tentando aterrorizar as empresas de radiodifusão por intermédio das concessões públicas; 2) na política, tentando patrulhar o pensamento divergente; 3) na econômica, tentando asfixiar as fontes de financiamento do jornalismo independente e financiando regiamente os áulicos.

Quem topa fazer uma aposta?

PS - Só os tolos imaginam que, num momento como esse, tal resolução tenha sido tornada pública sem o aval de Dilma a cada linha.

Texto publicado originalmente às 22h33 de ontem

Por Reinaldo Azevedo
Tags: liberdade de expressão, PT

O PT afia as garras
O Diretório Nacional do PT aprovou uma resolução política. Segue abaixo, na íntegra. Leia e veja se você percebe algo, digamos assim, fora do tom. Volto no próximo post. Vai em vermelho em homenagem à causa — deles!
*

Uma grande vitória

A força do povo foi o fator determinante da vitória de 31 de outubro.

A direção nacional do Partido dos Trabalhadores saúda os milhões de brasileiros e de brasileiras, especialmente as centenas de milhares de ativistas dos partidos e movimentos sociais, que saíram às ruas para eleger Dilma e evitar a volta das forças do atraso, com seu discurso raivoso e de extrema-direita.

A eleição de Dilma Roussef garante a continuidade e o aprofundamento das mudanças iniciadas com a eleição de Luis Inácio Lula da Silva em 2002. A escolha de uma mulher para o principal cargo do país constitui, em si, um símbolo desta transformação.

Além de eleger Dilma, o PT passou a ter a maior bancada da Câmara, com 88 deputados, e aumentou de oito para 14 o total de senadores. Juntos, os partidos que apoiaram nossa candidata construíram maioria nas duas casas. Nos Estados, a base elegeu 15 dos 27 governadores, dos quais cinco do PT.

A companheira Dilma recebe um país muito diferente daquele que Lula encontrou em 2003. O Brasil de hoje superou a estagnação e retomou o crescimento, combinando-o com a inclusão social e a distribuição de renda. Mudanças que ocorreram em clima de fortalecimento da democracia.

Apesar disto, não nos devemos deixar dominar por um otimismo irresponsável que nos impeça de ver e, sobretudo, enfrentar os grandes desafios que ainda temos pela frente, entre os quais destaca-se o objetivo determinado por Dilma: eliminar a pobreza absoluta do país.

O Partido e o Governo deverão dedicar uma especial atenção à evolução da situação internacional, dominada por grandes incertezas no plano econômico e político, dos quais a “guerra cambial” é apenas um dos sintomas.

No plano interno, está colocada a urgência da reforma político-institucional e da democratização da comunicação. Caberá ao partido, ainda, ajudar na renovação da cultura política do país. Respeitando a liberdade de imprensa e de expressão, o PT tem de realizar um debate qualificado acerca do conservadorismo que se incrustou em setores da sociedade e dos meios de comunicação. Medidas essenciais para superar o descrédito de amplos setores de nossa sociedade para com partidos e instituições.

Ao PT caberá a complexa tarefa de ser a principal força de sustentação do Governo Dilma, ajudando a organizar e ampliar a participação da sociedade, especialmente a juventude, em favor das demandas democrático-populares.

Cabe ao partido, respeitando convicções religiosas e ideológicas, enfatizar o caráter laico do Estado brasileiro, defendendo todos aqueles segmentos da sociedade que foram e são historicamente discriminados.

Como partido de esquerda e socialista, caberá ao PT continuar defendendo sua plataforma congressual, para que o Brasil continue avançando e se consolide como uma democracia moderna, soberana, economicamente sustentável, e que permaneça como referência para todos os que lutam por um mundo mais justo, mais democrático, mais fraterno, menos desigual e sem preconceitos.

No limiar de um novo período de nossa história política, o Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores celebra o Governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva como responsável pela mais profunda transformação de nossa história recente. Está seguro de que a obra destes últimos oito anos terá continuidade e grandes avanços nos próximos quatro anos, com a intensa participação do povo brasileiro.

Brasília, 19 de novembro de 2010.

Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores

Post publicado originalmente às 21h50 de ontem

Por Reinaldo Azevedo
Tags: PT

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Grupo usou lâmpadas para agredir jovem na Paulista (Não foi homofobia) - Exclusivo - SBT BRA...



Por Reinaldo Azevedo no blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo. O título é meu.

Civilização neles!

É chocante ver a cena em que aqueles cinco chimpanzés, disfarçados de gente, agridem um rapaz na avenida Paulista, em São Paulo. Agressão gratuita, do nada, sem motivo. Vendo o filme, percebe-se claramente que o delinqüente que caminha com duas lâmpadas na mão — para quê? — diminui o ritmo, pára e desfere um golpe. Achando pouco, repete a dose. A vítima reage e, segundo testemunhos, foi socada pelos demais. Covardia, brutalidade, aposta na impunidade. Vejam o filme. Volto em seguida.


É preciso tomar cuidado com o “sociologismo”. Nessas horas, a sempre surrada classe média apanha um pouco mais: não sabe educar os filhos, os rapazes e as moças crescem sem valores, todos são vítimas de uma sociedade egoísta e consumista etc. Besteira! Existem bandidos desse tipo em qualquer grupo social. A mesma “classe média” que dá à luz esses monstros também gera intelectuais, artistas, pensadores — como em qualquer classe. Aliás, é a classe média que mantém aceso o archote da democracia! Não há uma deformação de origem coletiva.

Sim, talvez fosse prudente que rapazes menores, com um perfil escolar que soma expulsões, não estivessem “soltos” às 6 da manhã. Mas também a liberalidade familiar não é privilégio desse ou daquele grupos. Nada disso explica o crime cometido. O nosso senso de justiça, de moral e de ética tenta nos impedir de ver o óbvio: FIZERAM AQUILO PORQUE FICARAM COM VONTADE E PORQUE ESTAVAM CERTOS DE QUE NÃO HAVERIA CONSEQÜÊNCIA NENHUMA, A NÃO SER PARA AS SUAS VÍTIMAS.

Somos todos presas de um idealismo persistente e bocó: tendemos a achar que os humanos, por natureza, são bons e fazem sempre as melhores escolhas, a menos que essa generosidade inata sofra a ação perversa da família ou da sociedade. Besteira! Somos originalmente amorais como qualquer bicho. Educamo-nos, aprendendo O VALOR CIVILIZADOR DO “NÃO”, DA REPRESSÃO E DO LIMITE. A sociedade é que nos arruma!


Esses valores são construções sociais, sim. Podemos decidir segui-los ou não. E há quem decida não seguir. É simples assim. O crime não é uma patologia individual ou social (não considero aqui os doidos clínicos). Trata-se de uma escolha, como qualquer outra, felizmente minoritária, ou nem o Leviatã daria conta do horror. Alguém diria que aquele brucutu que quebra a lâmpada no rosto do outro não sabia que aquele é um comportamento inaceitável? Ora, ELE SÓ FEZ O QUE FEZ PORQUE SABE SER INACEITÁVEL, ENTENDERAM? ELE ESCOLHEU PRATICAR O CRIME.

E, agora sim, temos de apelar aos usos, costumes e privilégios, matéria que concerne à sociologia e até à política. Garotos de rua, desses que perambulam por aí fumando crack, que tivessem comportamento idêntico talvez continuassem recolhidos à Fundação Casa — o maior de idade, é bem possível, estaria em cana ainda. Não quero especular sobre a decisão do juiz que mandou soltá-los, mas intuo que há rapazes e moças recolhidos por ações menos graves. A vítima não está cega agora não foi por falta de esforço do seu agressor. Ele não ignora que pode cegar alguém quebrando uma lâmpada no seu rosto. Ele não é doente. Ele só decidiu ser mau.

E a sociedade precisa lhe dizer que ser mau não compensa. Para que ele aprenda? Para que descubra em si os bons sentimentos? Para que se regenere? Eu dou uma nada solene banana para os problemas de consciência dos criminosos e sua regeneração. Exceção feita aos doentes, todos eles fizeram uma escolha. E têm de arcar com as conseqüências para que aqueles que decidiram aceitar o pacto da civilização sejam protegidos. Valentões como eles têm um ambiente adequado: não é a rua, não é o passeio público, não é a praça, lugares em que justamente celebramos aquele acordo. Uma coisa é ter vontade de quebrar a cabeça de alguém; outra, bem diferente, é quebrar. Li que um deles já foi expulso de duas escolas, levou seis suspensões, fez xixi na classe, pegou um colega na porrada… Escolhas, escolhas, escolhas. Ou é doido e precisa de remédio — não parece ser o caso — ou precisa de Estado para coibir suas paixões. Reitero: eu não quero mudar suas escolhas. Quero que ele pague por elas.

Homofobia
A agressão poderia ter sido motivada por homofobia — embora seja visível, reitero, que o covarde valentão tomou a decisão de quebrar a lâmpada na cara do outro sem mais nem aquela. Dá para ver o momento em que ele fez a “escolha”. Estava a alguns metros da vítima. Só queria se divertir um pouco. O viés politicamente correto do noticiário dá destaque para esse particular, alimentando, de algum modo, o roteiro de boçalidades. Tenta-se, assim, encarecer a fealdade do ato, como se a agressão a um suposto homossexual — nem sei se é o caso, e isso não importa — fosse mais grave do que, sei lá, a um rapaz mais inteligente do que ele, mais bonito do que ele, mais rico do que ele — a alguém, em suma, de quem ele decidisse não gostar por qualquer motivo.

Fossem os agressores uns pobretões, o crime não seria menos feio. Fosse a vítima um heterossexual mixuruca qualquer, o crime não seria menos grave. Inaceitável é o fato em si, pouco importa a categoria a que pertençam uns e outros. É preciso tomar certos cuidados. Se descaracterizada a acusação de homofobia, vai parecer que a ocorrência, afinal, não foi assim tão séria, coisa típica da idade, numa fase em que os rapazes estariam com os hormônios em ebulição etc. Uma ova! O problema desses caras não é eventualmente desrespeitar homossexuais. Eles não respeitam é o pacto de civilidade. E precisam saber que isso tem conseqüências.

Por Reinaldo Azevedo
Tags: sociedade

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

O CARÁTER DO ESTADO MODERNO É ANTINATURAL E DEFENDE A CULTURA DA MORTE. EM RESUMO, É A BESTA DO APOCALIPSE.

Por Nivaldo Cordeiro no site www.nivaldocordeiro.net. O título é meu.
O CARÁTER DO ESTADO MODERNO 12/11/2010

O artigo publicado no jornal eletrônico Mídia Sem Máscara (Estado: ministro de Deus), escrito a quatro mãos por Júlio Severo e o Pr. Marcello de Oliveira, traz-nos um excelente tema para discussão. O que é o Estado? Em última análise, é uma estrutura jurídica organizada burocraticamente com o objetivo de fazer prevalecer a vontade política da elite dirigente. Gosto dessa definição porque ela é exata. Claro que o Estado tem que respeitar a vontade geral, mas nem sempre o faz. Claro que ele deveria respeitar a lei natural, mas há séculos não o faz. Claro que deveria ser um instrumento pelo qual a justiça divina fosse corretamente administrada e ministrada aos delinqüentes, mas o Estado moderno deu as costas à transcendência, de sorte que aquilo que é definido como crime deixou de ter raiz em Deus.

O artigo, embora bem escrito, peca precisamente por pensar o Estado em termos do “como se”, ou seja, como se o Estado buscasse o bem comum e estivesse de acordo com a lei natural. Acontece precisamente o oposto desde que irrompeu o primeiro Estado nacional, suplantando a ordem medieval e inaugurando a modernidade. Desde Maquiavel, pelo menos, os dirigentes estatais deixaram de buscar o ideal de Estado que nasceu com Platão e Aristóteles e foi consagrado pela Igreja. Desde então valeu o que os homens modernos pensaram: o Estado é um espólio a ser apropriado pelos novos príncipes em constante luta entre si para se apossar dele.

No meio dessa luta há o problema do consentimento ou da legitimidade dos governantes. Os novos príncipes passaram a cultivar os mais baixos instintos das multidões como instrumento de alcançar o poder e nele se legitimar.

O novo Estado moderno também perdeu qualquer amarra com a lei natural, passando o processo legislativo a ser completamente autônomo e arbitrário em relação à lei divina e à lei natural. Afirmo, sem medo de errar, que desde Felipe II da Sicília o corpo legislativo de todos os Estados adquiriu a autoridade da lei divina, mas seu processo foi completamente descolado da transcendência. Além de fazer do poder a fonte única do direito, o novo legislativo, na sua imanência radical, tem buscado o que a Igreja e as Escrituras rejeitaram desde sempre: o perfectibilismo humano. O que temos visto é precisamente isso: os novos príncipes, para terem o poder de mando sobre o Estado, prometem ao povo todo tipo de perfectibilismo, como se estivesse ao seu alcance eliminar as tragédias humanas. Começa pela enorme blasfêmia contida na afirmação de que “todo poder emana do povo e em seu nome será exercido”, se esquecendo que todo poder emana de Deus ele mesmo.

Aí está a raiz de todas as revoluções. No século XX conhecemos o aprofundamento das democracias com o uso do expediente do voto universal, que permitiu fazer emergir o que elas têm de pior: a adulação das massas – ou do homem-massa, como observou Ortega y Gasset – em nível nunca antes visto. Ao Estado cabe agora eliminar a lei da escassez, prover Educação e Saúde, eliminar os riscos existenciais, corrigir o clima, substituir a família como célula formadora de homens íntegros, corrigir qualquer tipo de singularidade natural. A palavra igualdade será o mantra a ser perseguido em todas as circunstâncias. Todas as decisões estatais serão agora tomadas com o fito de instituir essa utopia nefasta, contrária à lei divina. Até mesmo a hierarquia natural de amar a Deus sobre todas as coisas é deixada de lado. O supremo crime agora é descumprir qualquer lei estatal, mesmo que esta seja ostensivamente injusta e contra o direito natural. Um exemplo óbvio é a legislação sobre o aborto que se espalha sobre o planeta, gerando o que João Paulo II chamou de “cultura de morte”.

Os autores escreveram: “A função de autoridade governamental constituída é trabalhar como ministro de Deus para o bem, isto é, para a segurança, ordem e a paz da sociedade (Rm 13:3,4)”. Eles deveriam escrever que essa “deveria” ser a função, mas que há muito ela foi abandonada e que é essa toda a tragédia da modernidade. Vimos Obama com seu sistema de saúde, vimos Lula e Dilma com suas múltiplas bolsas. Esses novos príncipes querem aperfeiçoar o homem, adular as massas contra a natureza apenas e tão somente para chegar ao poder e nele se manter. As recentes eleições no Brasil formam um exemplo claro dessa descida aos infernos da política. Diferentemente dos EUA nossa gente está politicamente muito mais doente.

São Paulo, quando escreveu suas epístolas, tinha diante de si uma realidade de poder, o Império Romano, firmemente comprometido com o direito natural aristotélico, que moldou sua estrutura jurídica. Ele estava correto por essa via. E, por outro lado, bem sabia que o Reino de Deus não é desse mundo, faça lá o Estado o que fizer cabe ao cristão estar de acordo com a lei de Deus, que é transcendente e além do Estado. Paulo, como Cristo, recusou-se o papel de revolucionário, embora nunca se enganasse quanto à natureza real do Estado. Cristo diante de Pilatos e do Sinédrio é o exemplo mais consumado da injustiça que o Estado pode cometer. O Estado condenou o Justo dos justos.

O Estado moderno não apenas não está comprometido com o bem comum, ele encarna o próprio mal. Ele realiza os massacres em larga escala, pelas guerras. Ele mata inocentes como a polícia brasileira tem matado. Ele encarcera como jamais as multidões foram encarceradas, desde o início dos tempos. Ele interfere na relação do homem com a mulher, do casal com seus filhos, na relação com vizinhos, em tudo. Regula tudo. Policia tudo. Com os meios técnicos disponíveis fez uma prisão eletrônica que por ela praticamente eliminou a liberdade em geral. Não se pode ter qualquer ilusão quanto ao caráter do Estado moderno e é dever de um cristão consciente denunciá-lo e combatê-lo. E eliminar qualquer ilusão que se possa ter de que alguma bondade possa derivar desse leviatã maldito.

Compreender que o Estado moderno encarna a rebelião do homem contra Deus e que ele é a grande máquina de matar, como descrita no Livro do Apocalipse, é um salto de consciência que exige grandes estudos e muito compromisso moral. Estamos todos acostumados a esperar por soluções estatais, seja para resolver os problemas do cotidiano, que as pessoas poderiam resolver por si mesmas, seja para resolver falsos problemas, como o tamanho da população, o clima, a poluição do ar e quimeras equivalentes que se multiplicam no dia a dia.

O Estado moderno não é apenas laico, mas ateu. No seu ateísmo construiu uma nova forma de deidade, muito parecida com aquela que é própria dos Estados islâmicos. Na verdade, o Estado moderno é a islamização da política no Ocidente, fato bem observado por Miguel de Cervantes no Dom Quixote. Mas a demonstração desse fato é mais longa e exigiria um espaço mais amplo do que um mero artigo de opinião.

Esse é o PMDB velho de guerra azucrinando a caPTada. Ou:PMDB monta 'blocão' e aumenta pressão sobre petistas na formação do governo.

O título deste post é de Celso A. Silva em comentário do blog www.prosaepolítica.com.br de 17 de novembro de 2010: "Esse é o PMDB velho de guerra azucrinando a caPTada."

Veja a reportagem do Jornal O Estado de São Paulo:
PMDB monta 'blocão' e aumenta pressão sobre petistas na formação do governo de transição.

Partido do Vice-Presidente Eleito, Michel Temer, assume comando de bancada de 202 deputados ao formalizar aliança com outras quatro legendas, deixa o PT isolado na Câmara e amplia força nas negociações para a montagem do ministério de Dilma.

Por Denise Madueño/BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo - 17 de novembro de 2010 | 0h 00

Em uma manobra política deflagrada de surpresa, o PMDB formou um megabloco de deputados na Câmara com outros quatro partidos da base aliada e conseguiu, ao mesmo tempo, deixar a futura presidente Dilma Rousseff refém do interesse desses partidos na formação do ministério e isolar o PT na disputa por cargos no Legislativo.

Juntos, PMDB, PP, PR, PTB e PSC vão somar no próximo ano 202 deputados, 55 a menos do que a maioria absoluta dos 513 parlamentares da Casa. Com esse número de parlamentares liderados pelo PMDB, Dilma terá, obrigatoriamente, de negociar com o "blocão" para conseguir aprovar projetos de seu interesse e reformas constitucionais.

A formação do bloco à revelia do PT, principal aliado do PMDB, foi anunciado pelos líderes na tarde de ontem. O presidente do PT, José Eduardo Dutra, sequer foi avisado da decisão pelo presidente do PMDB e vice-presidente eleito, Michel Temer (PMDB), com quem almoçava enquanto os líderes dos cinco partidos fechavam o compromisso do "blocão" no Congresso. Temer não tocou no assunto, segundo relato de petistas surpresos com o "golpe" do PMDB.

A nova formação ameaça as pretensões do PT de ocupar a presidência da Câmara e adotar o revezamento na presidência do Senado com o PMDB.

Mesmo na hipótese de formar bloco com o PSB, o PDT e o PC do B, também da base, os petistas terão uma bancada de 165 deputados, insuficiente para enfrentar o megabloco na disputa e para garantir a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), atualmente nas mãos do PMDB, por onde passam todos os projetos e as propostas de emendas constitucionais.

"Jogo arrumado". A intenção dos partidos foi externada pelo líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). "Queremos mostrar a Dilma o jogo arrumado. Uma coisa é pegar o tabuleiro organizado e outra é deixar a coisa solta, embaralhada. Ninguém quer ser surpreendido com um xeque-mate. Com o xeque-mate (o partido) faz o quê, sai do jogo?!".

O líder peemedebista reafirmou o desejo de a legenda manter o mesmo tamanho que ocupa hoje no primeiro escalão. O partido comanda os ministérios de Minas e Energia, Comunicações, Integração Nacional, Saúde, Agricultura e Defesa. "Cada dia a gente escuta que (Antonio) Palocci vai para as Comunicações, que (ministro Alexandre) Padilha vai para a Saúde. Só mexem com os nossos! Queremos evitar problemas para Dilma. Estão atirando nos outros e dificultando para ela", disse Henrique Alves.

Os líderes desses partidos assumiram compromisso de atuarem para defenderem seus interesses na formação do governo. O PMDB, além da cobiça por ministérios, joga o PT contra a parede na sucessão no Senado: ou o partido fica fora do jogo ou o bloco comandado por peemedebistas tenta eleger também o presidente da Câmara nos dois biênios.

"Não é para confrontar. É para organizar o trabalho nesta Casa e fora dela, na composição do governo", disse Henrique Alves.

O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), que cobiça a presidência da Câmara, reagiu: "É deselegante. Dilma não pode ser pressionada a ter um prato-feito. Não existe hipótese de a presidente ser tutelada por qualquer bloco.

O PP quer manter a indicação para o Ministério das Cidades e o PTB quer recuperar uma pasta. O PSC também deseja ser reconhecido. Para o "blocão", cabe ao PT, com 17 pastas, ceder o lugar.


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