segunda-feira, 27 de setembro de 2010

AS PESQUISAS DE VOTO CAMINHAM PARA A DESMORALIZAÇÃO.

Foto de desenho do Jornal Impacto Paraná, nº 756, www.impactopr.com.br

Você já fez alguma pesquisa no seu trabalho, no seu bairro, nos seus vizinhos? Na sua pesquisa, a candidata do Lula fez mais que 50%? Fez mais que 30%? Em julho, pesquisei em Brasília, Maceió, Aracaju e Curitiba. Ela ficou com menos de 20%. Os pesquisados disseram que não viam ninguém que votava na candidata da Casa Civil. Encontrei mais votantes na Marina que nela. Então por que essas pesquisas Datafolha, Ibope, Vox Populi e Sensus indicam 50% de votação para uma candidata sem expressão alguma?

Reinaldo de Azevedo escreveu o seguinte em seu blog www.veja.abril.com.br/blog/reinaldo:

Em 2006, pesquisa Datafolha do dia 19 de setembro, publicada a 12 dias da eleição, apontava Lula com 50% das intenções de voto, o tucano Geraldo Alckmin com 29% e Heloisa Helena, do PSOL, com 9%. O petista tinha 56% dos votos válidos.

Em 2010, a 11 dias da eleição, a petista Dilma Rousseff aparece com 49%; o tucano José Serra, com 28%, e a verde Marina Silva, com 13%. Dilma tem 54% dos votos válidos.

Em 2006, computadas as urnas 12 dias depois, Alckmin não teve 29% dos votos, mas 41,64%; Lula não teve 50%, mas 48,61%, e Heloísa Helena (PSOL) e Cristovam Buarque (PDT) obtiveram, juntos, 9,49%.

Não me perguntem se a situação se repetirá ou não. Quem, ultimamente, anda fazendo previsões são comandantes de institutos de pesquisa, o que ultrapassa a linha da sem-vergonhice. Limito-me a dizer quais eram os números e quais foram os números, entenderam?


É evidente que há manipulação de pesquisas e o eleitor fica perdido por conta da pesquisa usada como fortíssima propaganda. A utilidade da pesquisa é informar e não manipular.

Os institutos de pesquisas realizam pesquisas semanais. Se estão contratados para elevar a votação de um candidato muito abonado começam com 3% (percentual da margem de erro). Na semana seguinte o candidato já está com 6%. Depois arriscam uma margem maior e já aparece com 12%. Ao final de dez ou doze semanas, o candidato está com índice entre 40% e 50%. Pura manipulação e sempre dentro da margem de erro de mais 3%e menos 3%. No entanto, a pesquisa tem alto custo. Só quem usa dinheiro público pode pagar.

O eleitor se deixa manipular porque quer votar no candidato que vai ganhar. É como torcer pelo time que sempre ganha. Os institutos de pesquisas estão ganhando muito dinheiro e é dinheiro público porque particular não tem tanto dinheiro a pagar. Por conta dessa mercantilização do dinheiro público, ultimamente as pesquisas têm errado em dois dígitos, muito além da margem de erro e a desculpa de alguns proprietários de institutos de pesquisas é a de que o eleitor mentiu.

A tendência da pesquisa não é o resultado da urna. Se fosse assim, não precisaria de eleição. A manipulação de opinião por intermédio de pesquisas tendenciosas é crime contra a democracia. Nessa eleição de 2010, é quase certo que alguns institutos de pesquisas rearrumem, na última hora, a tendência de uma pesquisa para não perderem credibilidade e para que possam dizer que erraram dentro da margem que é elevada (6%=+3% e -3%).

Eleitor: é você quem escolhe os candidatos. Não deixe os institutos de pesquisa escolhê-los por você.

Tags: Jornal Impacto, Reinaldo Azevedo, pesquisas eleitorais, institutos de pesquisa, margem de erro, eleição 2010, desmoralização das pesquisas

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