segunda-feira, 24 de maio de 2010

A DUPLA ADIÇÃO DO TRABALHO DE GERENCIAMENTO DE OBRA É UMA ANOMIA


Fotografia do túnel de desvio do Rio Tibagi em abril de 2009 – Construção da UHE Mauá – Paraná

O orçamento sintético usualmente adiciona a administração local ao custo total. Isso é uma anomia ou inconsistência porque o Sicro e o Sinapi também adicionam o trabalho do encarregado na composição de custo direto.

Porém, a administração local é o trabalho do gerente do serviço. Esse trabalho que agrega valor ao produto deve ser realizado diretamente pelo empresário objetivando reduzir custos e aumentar lucro. Por isso, o valor adicionado pelo trabalho do gerente (ou encarregado) deve constar apenas da composição de custos.

Outro motivo que justifica a retirada da administração local do orçamento sintético é o de que os sistemas de custos incluem horas de equipamentos e adicional de ferramentas dentro da composição de custos diretos. Inclusive, o adicional de ferramentas do Sicro deve ser denunciado porque ele não existia até 2002, passou a existir a 5% em 2003 e foi aumentado a 20,51% em 2007.

A passividade, tanto do consumidor quanto do agente público, permitiu aparecimento desse adicional e permitiu posterior aumento de percentual sem nenhuma nota nos jornais ou em alguma entidade de representação pública ou de controle social.

É fato que a ferramenta acompanha o profissional. O mais produtivo cuida da própria ferramenta e ganha mais apenas porque produz mais. Logo, o adicional de ferramentas é só um artifício para aumentar o preço público. Artifício que funciona ao contrário da teoria da produtividade, pois quem tem melhores ferramentas produz mais a menores preços.

A solução para essa dupla contagem do gerenciamento de obra reside na retirada do percentual de administração local do orçamento sintético. Se do orçamento global da obra forem retirados os itens administração local, todos os custos indiretos e o BDI, então a composição de custos do Sicro (sem BDI) ficaria consistente porque o trabalho do empresário já seria remunerado como custo direto colocado dentro das composições de custos. Se assim for, então o orçamento base não estará acima do preço de mercado.

Tags: UHE Mauá, Rio Tibagi, Paraná, orçamento sintético, custo direto, administração local, gerenciamento de obras, adicional de ferramentas, BDI

Nenhum comentário: