domingo, 16 de maio de 2010

CUSTOS QUE FORMAM O PREÇO DE OBRA. É UMA QUESTÃO DA ECONOMIA


A foto é de uma praça de cobrança de pedágio na BR 376 Paraná - 2010

A Ciência Econômica conceitua custos diretos (ou variáveis) como aqueles que dependem somente da quantidade produzida, basicamente salários de mão-de-obra e pagamentos de matérias primas.

Já os custos indiretos (ou fixos) são conceituados como as parcelas que se mantêm fixas e independentes da quantidade produzida, tais como aluguéis, manutenção, administração, seguros, mobilizações, depreciação de equipamentos etc.

Esses custos são derivados da necessidade de se manter o capital na posse do empresário. Equipamentos são capitais, haja vista que são trabalhos acumulados e apropriados pelo capitalista. Por isso, os equipamentos sofrem depreciação e, por conseqüência, têm custos fixos.

Porém, é importantíssimo ressaltar que a Ciência Econômica considera que somente os custos diretos são componentes do preço de mercado. Isso significa que canteiro de obras, mobilização e desmobilização de equipamentos, administração central, seguros, impostos diretos e despesas financeiras não entram no preço da unidade a mais de mercadoria ou serviço a ser produzida. Esses custos também não entram no preço da próxima obra a ser feita pela empreiteira por que, para a empreiteira, cada obra é apenas mais uma unidade a ser produzida.

O preço de uma mercadoria ou serviço é aquele que foi pago na hora do recebimento do objeto ou serviço. Se alguma coisa não pode ser colocada no valor da nota fiscal, então é porque não houve valor agregado. Se, por exemplo, o imposto direto a ser pago pelo empresário não pode ser colocado na nota fiscal, então é por que ele não faz parte do preço da mercadoria ou serviço.

Essa é a base do raciocínio econômico que não pode ser negada pela contabilidade de custos do empresário e que também não pode ser negada pela Administração Pública na hora de calcular o preço do objeto da licitação.

Você já percebeu que o preço do pedágio deveria ser somente o custo dos funcionários da cobrança mais o custo de manutenção da rodovia em condições de uso? Do valor cobrado não deveria constar lucro e nem custo de construção dos prédios da praça de cobrança.

Tags: preço de obra, preço de pedágio, custos diretos, depreciação, mobilização, equipamentos, custo variável, custo fixo, custo marginal

3 comentários:

EduEBN disse...

"Você já percebeu que o preço do pedágio deveria ser somente o custo dos funcionários da cobrança mais o custo de manutenção da rodovia em condições de uso? Do valor cobrado não deveria constar lucro e nem custo de construção dos prédios da praça de cobrança."

Mas nesse caso seria apenas o custo direto - e a concessionária necessita de lucro (a conclusão não está correta). A questão é que esse "lucro" NUNCA, logicamente, deveria ser PREVIAMENTE estabelecido, caso contrário há o risco de assegurar ao prestador de serviço (empresário da concessionária)uma remuneração sem a devida realização do serviço.

Anônimo disse...

EduEBN,

Não. A concessionária necessita buscar o lucro. Mas essa busca que todos fazem elimina o lucro no mercado equilibrado. O resultado é que o empresário só trabalha sem prejuízo, mas também sem lucro. Esta é a virtude do capitalismo que poucos enxergam: O empresário busca o lucro e aumenta a produção, mas o lucro é eliminado e a sociedade fica com a produção aumentada.
Vamos lá EduEBN, as concessionárias de pedágio devem perseguir o lucro baixando custos. Devem ser mais eficientes. Devem ter lucros sem aumentar o valor do pedágio e sem estabelecer lucros prévios.

Anônimo disse...

EduEBN,
O custo direto tem lucro maximizado pela equação:
L = P-C =>
dL/dq = P.q - dC/dq = 0 =>
0 = P - Custo Direto (CD=dC/dq)=>

Logo => P = Custo Direto com lucro maximizado porque fizemos dL/dq=0