domingo, 28 de fevereiro de 2010

O VALOR DA MERCADORIA E DAS OBRAS DE ENGENHARIA


O homem capitalista cobiça mercadorias e honras. Para tê-las trabalha pelo valor correspondente. Mas o valor é definido conforme duas leis naturais: Lei da oferta e da procura e Lei do custo de produção. As duas leis existem independentemente uma da outra, mas no mercado equilibrado produzem o mesmo valor. É o valor das coisas e dos trabalhos adicionados.

O valor das mercadorias ou das obras é igual à soma do valor de cada mercadoria e do trabalho direto usado para juntá-las no objeto final do contrato. Custos indiretos e lucro não fazem parte do preço porque já existiam antes da obra e continuarão na mão do empresário depois de a obra ser concluída.

Não se esqueça: o valor de qualquer serviço ou de qualquer mercadoria é igual ao preço estabelecido pelo mercado (Lei da oferta e procura). Por outro lado, em mercado equilibrado, o valor do custo direto (trabalho + materiais) é igual ao preço estabelecido pelo mercado.

Como a obra é uma soma de materiais e de serviços aplicados diretamente, então o preço da obra é igual ao custo direto somente. Ou seja: Em equilíbrio, o preço de mercado é igual ao custo direto ou "o valor da Lei da Oferta e da Procura é igual ao valor do Custo de Produção."
NAVARRO

Tags: lei da oferta e da procura, lei do custo de produção, valor agregado, custo direto

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

VOCÊ É CAPITALISTA OU SOCIALISTA?



O HOMEM CAPITALISTA
O homem é proprietário de coisas desde os tempos bíblicos. Se o homem é proprietário, então ele é capitalista. Todo homem é proprietário do corpo que ocupa e do trabalho que executa. Logo, não existe ser humano que não seja capitalista.

Só a coisa pública é socialista. Seja o estado capitalista ou socialista, a coisa pública deve ser socializada porque todos são iguais proprietários da coisa pública. O homem que se diz socialista comete o engano de desejar a coisa do próximo porque considera que a propriedade do outro é igualmente dele.

Esse engano explica o insucesso do estado socialista que eliminou a propriedade e, sem querer, eliminou a vontade de trabalhar para ter coisas. O homem que vive no estado socialista tem o seguinte pensamento: Para que trabalhar se o resultado do meu trabalho não será meu ou; para que trabalhar se o estado é o único dono e deve prover-me ou; enquanto eu não for dono das minhas coisas não vou trabalhar para esse único dono do estado socialista.

Todo homem é capitalista e deve ter direito de propriedade. No entanto, ele precisa do estado para resolver seus conflitos de propriedade. A solução é um estado capitalista que defenda a propriedade do cidadão.

Porém, as coisas do estado, os servidores e agentes públicos e os serviços prestados pelo estado são de propriedade socialista (de todos igualmente). Perceberam o engano do estado socialista? Ele capitalizou as coisas do cidadão e socializou o cidadão.

O ESTADO ORGANIZADO PELO HOMEM CAPITALISTA
O homem capitalista organizou um estado para dirimir conflitos de propriedade. Logicamente que todo estado organizado pelo homem é capitalista. Até o estado cubano é capitalista. No entanto, o ditador cubano implantou o capitalismo de um homem só. Tudo é do dono do estado e todo cidadão trabalha para o estado. Ninguém tem nada e o estado que deveria ter tudo é pobre. Porém, em Cuba só quem tem vontade de trabalhar é o único dono. O cidadão comum perdeu o ânimo de trabalhar porque nada lhe retorna como propriedade. O resultado foi o empobrecimento do povo e desaparecimento da democracia.

Na Venezuela, Chavez trabalha cada vez mais porque mais coisas lhe pertencem. O cidadão comum trabalha cada vez menos porque menos coisas lhe pertencem. O resultado do socialismo bolivariano é o empobrecimento da Venezuela e o desaparecimento da democracia.

No Brasil, aqueles que se dizem socialistas querem implantar o estado socialista a qualquer custo. As coisas do estado são usadas para comprar votos. Nada do estado é do cidadão. Tudo do estado é do candidato oficial. O resultado será visto no próximo ano de 2011. Se algum político socialista vencer a eleição, então se começará a fase de eliminar outros cidadãos proprietários. Os proprietários de imprensa, os parceiros da eleição e aqueles que se venderam porque não poderiam vencer o maior dono da coisa pública serão os primeiros a perceber a ausência da democracia.

O país americano está perto do estado ideal. Porém, mesmo lá ainda há dirigente enganado pela doutrina socialista. Pensa em enriquecer o estado ao invés de enriquecer o cidadão. Usa recursos públicos como se fosse dono deles. Isso está longe do estado ideal, o qual põe o recurso público e o agente público à disposição somente do cidadão capitalista. Mas como nada é perfeito, talvez o estado americano seja o máximo de democracia a ser alcançado.

Tags: coisa pública, estado capitalista, estado socialista, desaparecimento da democracia, ditadura socialista

domingo, 21 de fevereiro de 2010

COMO FUNCIONA A ENGENHARIA NA SOCIEDADE DO HOMEM CAPITALISTA


Para escrever uma página sobre como é a Engenharia na sociedade capitalista é necessário que a coloquemos como coadjuvante da Economia. A Economia é a descrição de como o homem usa seus capitais e desenvolve tecnologias que baixam o custo das coisas que o homem capitalista consome.

A Engenharia é uma ciência que usa atributos do homem capitalista para inventar novas tecnologias que diminuem o custo de uma mercadoria ou serviço e, consequentemente, baixa o preço e vence a concorrência estabelecida no mercado descrito pela Economia.

A função da Engenharia é oferecer ferramentas para que o empresário inovador vença a competição, ofereça menor preço e aumente o consumo. O consumismo é o grande defeito do capitalismo porque não se quantificam os custos ambientais de tanto material extraído desse planeta finito perante os desejos infinitos do ser humano.

Existem funções nobres para a Engenharia, como a de inventar braços mecânicos para quem os perde em acidentes, inventar câmeras que atravessam e olham por dentro do corpo humano, possibilitar que o homem viaje a lua e conheça seus segredos. A invenção do homem engenheiro é diária e rápida. Este blog é uma invenção do homem engenheiro impulsionado pelo homem capitalista presente em todo ser humano.

Existem equívocos que são unanimidades entre engenheiros. Por exemplo: As corporações que os representam dizem que preço de obra é coisa de Engenharia. Na verdade, é o homem capitalista valorizando-se para ganhar mais, mas indo de encontro à realidade, pois quem define o preço de obra é o mercado em concorrência.

As grandes empresas de Engenharia, maioria delas dirigidas por engenheiros, gostaram desse equívoco e impuseram à Administração Pública, por intermédio de lobbies, um preço de obra igual ao custo direto mais BDI (adição de lucro garantido, mais despesas e custos indiretos).

O TCU fez “jurisprudência” equivocada de que preço de mercado tem BDI. Com isso, as grandes empresas afastam as pequenas das concorrências públicas de obras. Afastam por intermédio de pagamentos, vantagens ou ameaças para que as pequenas e médias empresas não participem das concorrências oferecendo preço sem BDI ou com BDI muito baixo.

A Administração também contribui com esse afastamento, pois exige que as pequenas empresas também apresentem preço com BDI. Com isso, os preços das obras públicas tornam-se preços de monopólio (preço de mercado mais BDI). Você sabe por que esse superfaturamento (adição de BDI) afasta as pequenas e médias empresas de engenharia da licitação pública?

A resposta está no dinheiro ou vantagem indevida elevada. Imagine uma pequena obra de R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais). Qualquer empresa de engenharia que vença a licitação terá mais de R$ 3.000.000,00 (três milhões de reais) de lucro garantido em prazo próximo de um ano. Esse lucro não é para pequeno. Logo, o grande empresário usa de toda sua força para afastar o micro e médio. Conta com ajuda da Administração (que faz restrições excessivas nos editais) para afastar menores capitais.

O prejuízo social desses equívocos é falta de concorrência, de emprego, de eficiência e muita injustiça por falta de igualdade e por favorecimento ao mais forte. Pasmem os leitores e percebam que este é outro defeito que não é do capitalismo, mas é da Administração Pública com raciocínio socialista.

Diz-se raciocínio socialista porque só no estado socialista existe apenas uma empresa que pode construir obras. Uma só empresa oferecendo serviços é monopólio e o preço de monopólio é igual ao custo direto mais BDI (mesma coisa que preço de concorrência mais BDI).

Conclamo engenheiros e outros profissionais que prestam serviços a participarem das licitações públicas e oferecerem preço de concorrência. Não devem desistir diante de exigências descabidas ou de ameaças dos grandes. Representem contra as exigências excessivas ou descabidas no TCU, vençam a concorrência e ganhem muito dinheiro. Ainda por cima, a sociedade capitalista lhe agradecerá pelo menor preço, pelo maior volume de obras públicas e lhe honrará por vossa coragem e inteligência.

Tags: função da engenharia, função da economia, economia e engenharia, BDI, funcionamento da engenharia

sábado, 20 de fevereiro de 2010

O PREÇO DE MERCADO NÃO TEM BDI E NEM CUSTOS INDIRETOS


Descreve-se que a essência do capitalismo é o empresário correndo atrás do lucro sem alcançá-lo definitivamente. Então a sociedade seria demasiadamente injusta se não lhe remunerasse pelo trabalho direto e pelo emprego de suas coisas.

Mas a sociedade é justa porque lhe paga pelo trabalho direto que agrega valor ao produto. É de se observar que se empresário não trabalha no próprio negócio então vai à falência muito cedo. Pode-se dizer que o trabalho do dono do capital é remunerado pelo salário de administração ou por ter sido, ele próprio, o encarregado do serviço.

O consumidor racional só aceita pagar o menor preço. Por isso, o menor preço é o preço de mercado. Isto é, no mercado em concorrência pura, o preço dos serviços ou mercadorias é determinado pela Lei da Oferta e da Procura: “Se o preço aumenta, a quantidade procurada diminui e a quantidade ofertada aumenta. Se o preço diminui a quantidade procurada aumenta e a quantidade ofertada diminui”.

Na verdade, é sempre aquela história: Todos querem ganhar, mas ninguém lucra. O empresário quer vender pelo maior preço e o consumidor quer comprar pelo menor preço. A Administração e o consumidor racional, teoricamente, não compram canteiro de obras, não compram administração local, não compram mobilização e desmobilização de equipamentos e não querem saber do lucro do empresário, pois só querem saber da área construída, da qualidade e de pagar o menor preço. O preço sem todos esses custos indiretos é igual ao custo marginal mínimo o qual é igual ao preço de mercado.

Alguns dizem que essa Lei Natural da Economia está errada porque os empresários não trabalhariam em mercado de lucro nulo por conta do conceito de custos de oportunidade. Nesse caso, a questão que se levanta é a seguinte: Se o empresário não tem lucro, na construção civil, por exemplo, então ele aplicaria seu dinheiro na poupança ou outro tipo de investimento, pois teria lucro e não precisaria trabalhar.

Responde-se que custo de oportunidade é um conceito aplicável ao empresário que se considera fora do processo produtivo. É um conceito que se aplica somente à unidade de capital, altamente volátil no mundo globalizado. Sendo assim, o mero aplicador de capital primeiro aplica na caderneta de poupança, depois na renda fixa, depois nas ações e vai, cada vez mais, assumindo mais riscos em busca da maior taxa de retorno.

Porém, como o lucro não é garantido, diariamente ocorrem prejuízos e, no longo prazo, o lucro do mero aplicador de capital será zero ou até negativo, pois, na verdade, o mero aplicador de capital perde dinheiro porque não trabalha para suportar os custos de manutenção da posse do capital próprio.

Já o empresário inovador está no mercado para lucrar produzindo por custo menor que o preço sinalizado pelo mercado. Portanto, o custo de oportunidade não rege a formação do preço, servindo apenas para o empresário escolher o ramo mais rentável. Contudo, a tendência é o empresário produtivo não receber lucro porque este é eliminado pela concorrência capitalista.

Na verdade, ele continua trabalhando sem lucro porque se parar não receberá o salário do trabalho direto e será mais um desempregado. Melhor que isso, além de continuar empregado, ele continua exercendo poder, sendo honrado e fazendo o que gosta.

Tags: BDI, custos indiretos, lucro zero, lei natural da economia, lei da oferta e da procura

SOBRE A JUSTIÇA DO HOMEM CAPITALISTA

O Ministro do STF, Eros Roberto Grau, escreveu o livro “A ordem econômica na constituição de 1988”. Mais de trezentas páginas para concluir de maneira singela: A constituição do Brasil é uma constituição capitalista com possibilidade de intervenção do estado na Economia.

Absolutamente certo. A Constituição da República do Brasil foi escrita somente por homens capitalistas. Não há nenhuma exceção. Isso porque até mesmo aquele que se diz socialista tem desejo de posses sobre coisas e pessoas e exige direitos de propriedade.

A intervenção do Estado serve para regular o mercado, evitar agravamento de crises e serve também para contentar aqueles que desejam o estado socialista que concentra todas as propriedades nas mãos de um homem só. Na verdade, o estado socialista nunca existiu e nunca existirá. No máximo existiram ou existirão ditaduras castradoras das individualidades e das iniciativas privadas.

O arcabouço teórico da sociedade capitalista considera que todo ser humano tem algum atributo de ser trabalhador, ser engenhoso ou de ser inovador. Todos deveriam pensar no melhor para si e para a sociedade. Muito trabalho, engenho, tentativos, erros e perdas existiram em nome da solução para grandes ou velhos problemas. Contudo, apesar de todos quererem ganhar em benefício próprio, a criatividade, as inovações e a soma do trabalho de todos foram integralmente apropriadas pela sociedade.

O empresário inovador, ao correr atrás do lucro, funciona como o motor da sociedade capitalista. Mesmo nessa posição de puxador e não de condutor da produção social, ele é apenas remunerado pelo trabalho desenvolvido ou honrado pelo seu gênio.

Cesare Beccaria (Dos delitos e das penas, 1763) escreveu sobre as honras sociais: ”Que o mais engenhoso tenha maiores honras e que sua fama resplandeça em seus sucessores; e quem é mais feliz ou mais honrado tenha maiores aspirações, mas não tema, menos que os outros, violar os acordos com os quais se elevou acima dos outros.”

Nota-se que o mais engenhoso tem as maiores honras. O capitalismo dá as maiores honras ao empresário, mas é só isso. Não há outras vantagens. Deve-se lembrar que esse comportamento social, desde quando foi descrito pela primeira vez, sempre teve como essência a busca do lucro. Não só do empresário, mas de todos, pois sempre se busca “levar vantagem em tudo” (lembrar da famosa Lei de Gerson).

Porém, como o leitor já percebeu, não dá para levar vantagem sempre. Aliás, a essência do capitalismo é contrária à garantia de vantagens. Deve-se correr atrás delas, mas consegui-las é mera probabilidade, sendo impossível ganhar sempre. Até mesmo para o monopolista: um dia a crise lhe tira os lucros.

A injustiça que alguns vêem fica por conta daqueles empresários que só aplicam capital em troca da maior taxa de retorno e que não trabalham. É uma injustiça apenas aparente, haja vista que o sistema capitalista remunera a todos, pois até mesmo os ociosos são remunerados com juros se aplicarem o dinheiro que herdaram.

No capitalismo de concorrência pura há grande diferença entre o empresário inovador e empresário mero aplicador de capital. Um trabalha e o outro vive de rendas. Mesmo assim, na inexistência de vantagem permanente para alguns, o capitalismo é justo.

Porém as leis são imperfeitas, pois são feitas por aqueles que delas se beneficiam e as injustiças que ocorrem não devem ser debitadas ao capitalismo, mas sim ao homem ganancioso que pensa até em se apropriar do estado em nome do socialismo.

Tags: Constituição capitalista, leis imperfeitas, homens imperfeitos, capitalismo, socialismo, Lei de Gerson

COMO É O DIREITO DO HOMEM CAPITALISTA


A Constituição da República dividiu os poderes ocupados pelo homem capitalista em três partes: Executivo, Legislativo e Judiciário. Você leu as postagens anteriores? Pode responder qual dos poderes é o mais corrupto? Dou-lhe algumas dicas. O mais corrupto é aquele que ocupa cargo público, recebe os mais altos salários e pensa que é dono da vida do cidadão que lhe pede a prestação de um serviço.

Pelas concepções de estado capitalista até aqui elaboradas, conclui-se que a corrupção é maior no Judiciário, depois no Legislativo e, por último, no Executivo. Isso porque o cargo público é o cidadão quem paga, é ele quem nomeia e é para ele que se trabalha. No entanto, os membros e servidores públicos do judiciário trabalham primeiro para o juiz, depois para o promotor, depois para o advogado e nunca para o cidadão.

Além de pagar os luxuosos e superfaturados prédios da “justiça”, o cidadão paga a despesa da ação judicial. Quem perde ainda paga custas daquilo que já pagou duas vezes. Custas que não deveriam existir, mas no caso da existência deveriam ir para a outra parte, mas vão para gozo dos agentes e da corporação de advogados.

A corrupção no poder judiciário é tão grande que de todas as despesas desse poder não resta nada ao cidadão. Se for receber uma dívida, então nunca receberá cem por cento do que lhe é devido porque o advogado leva até cinqüenta por cento. É melhor fazer acordo com o bandido para que o recebimento de alguma parte seja possível. Demandar na justiça é perda de tempo e de dinheiro.

Logo, se todo dinheiro do poder judiciário é desviado, então conclui-se que os outros poderes são menos corrompidos porque ainda retornam alguma coisa para o cidadão. O poder legislativo elabora algumas leis que regem a vida social e o poder executivo visivelmente presta alguns serviços de transporte, polícia, informação, assistência social e manutenção da estabilidade do modo de viver do homem capitalista (capitalismo assim nomeado por Marx).

Você tem um direito. O outro cidadão adversário pensa que tem o mesmo direito. Vocês vão ao poder judiciário para que o homem capitalista (juiz) diga com quem está a razão. Ele, ao invés de decidir qual dos dois está com a razão, resolve dizer a lei. Falam os advogados: O juiz diz a lei. É como se o juiz tivesse o poder de reescrever as leis aprovadas pelo poder legislativo. Não adianta dizer que todos somos iguais perante a lei porque não é assim nas varas de família, não é assim na justiça do trabalho e não há tratamento igualitário na maioria das varas da justiça.

Quando o juiz diz que dá, parece que é ele que é dono da coisa. Na verdade, ele não dá nada, pois se veio para você era porque já era seu. Os advogados usam o termo: Pedir ao juiz. De novo, é como se ele fosse dono das suas coisas e só lhe dará se quiser.

O poder judiciário é um resquício daquele REI de Thomas Hobbes irresponsável que tinha direito sobre a vida e as coisas de qualquer um. Ao invés de o rei ir ao mar, ele queria que o mar fosse a Paris. Os nossos juízes precisam ter consciência que trabalham para o cidadão e que o cidadão não pode esperar mais do que seis meses para receber a resposta.

O juiz e os demais agentes e servidores públicos devem saber que têm um só patrão e um só chefe: o cidadão que lhes paga o salário. Quando isso ocorrer, a justiça capitalista será melhor.

Tags: corrupção no poder judiciário, corporação dos advogados, inexistência da justiça, justiça cartório da corporação de advogados

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

COMO O HOMEM CAPITALISTA CONCORRE


O preço é informação básica para o mercado. Ele é como se fosse um ícone ou como um guarda de trânsito que fica literalmente em cima do sinaleiro. Além de ser informação permanente, o preço é sinalização indispensável para o funcionamento do mercado.

Não é possível teorizar a formação de preço de mercado se não se tem consciência da suprema importância de o preço ser um sinalizador semelhante à Constelação do Cruzeiro do Sul, à bússola ou ao farol de porto para os navegadores.

Sem o preço, os mecanismos de mercado são essencialmente imperfeitos. Por isso, é primordial que o orçamento base de uma licitação seja realmente representativo somente daquilo que a Administração quer comprar.

O mercado fixa o preço constante ou referencial. Aquele que vender por preço abaixo ou acima sairá do mercado. Nenhuma empresa vende por preço aquém do mercado porque, quando ela oferece preço menor, este passa a ser o novo preço de mercado. Todos deveriam vender exatamente pelo preço de mercado. Quem está abaixo tem prejuízo e vai à falência. Quem está acima nada vende e também vai à falência.

Nesse mercado com preços predeterminados, o empresário se dispõe a participar buscando a vantagem. Esta aparece por conta de o empresário conseguir, momentaneamente, custo menor que o preço de mercado. Nesse caso, é de direito que o empresário obtenha um lucro residual por ter sido mais eficiente.

Em momento seguinte, um concorrente descobre como produzir de maneira ainda mais eficiente e baixa novamente o preço, o qual será o novo preço de mercado com nova vantagem ou lucro de curto prazo para o novo empresário.

Enfim, nenhum empresário ficará definitivamente com o lucro. O primeiro lucro de curto prazo não se repetirá em um segundo momento. Em um terceiro momento, o primeiro empresário consumirá seu próprio lucro. Isso ocorrerá porque outro empresário inovador baixará os custos ainda mais e um novo preço de mercado causará prejuízo ao primeiro empresário. Se ele parar, perderá o investimento inicial.

Dessa maneira, o empresário continuará trabalhando no mercado e sendo remunerado apenas por aquilo que efetivamente acrescentou de valor ao produto que vendeu. Como conseqüência, o lucro é anulado em concorrência pura, mas a sociedade consumiu uma produção maior.

A concorrência exige que o empresário esteja constantemente inovando e baixando preços. É como se cada dia tivesse que bater um novo recorde. Essa é a essência do capitalismo, no qual não há direito a lucro garantido e nem direito da Administração Pública em exigir dos licitantes que mostrem seus segredos de produzir com menor custo. Seria como exigir o segredo de como ganhar a corrida de cem metros rasos.

Tags: concorrência capitalista, mercado fixa o preço, preço igual ou constante, preço de referência, formação do preço,

SOBRE A ESSÊNCIA DO CAPITALISMO


A liberdade de produzir o que quiser, de aplicar capital no negócio que dá maiores taxas de retorno, de trabalhar menos, de ser servidor público, de correr ou não correr riscos, tudo isso é condição de existência na sociedade capitalista, a qual, diferente do socialismo, valoriza as iniciativas de produção privada.

A teoria desenvolvida para descrever a essência do capitalismo é a da concorrência e a da competição. Portanto não se fala em cooperação ou ajuda ao próximo. Fala-se em ganhar, levar vantagem e vencer sempre. O dono do capital sempre busca ganhar. Essa é a luta do homem capitalista, seja ele empresário ou trabalhador.

A essência do capitalismo é a busca do lucro, mas não é só o dono do capital que busca lucrar. O trabalhador também quer ganhar cada vez mais. Aproveitando-se disso, o dono do capital faz o trabalhador aumentar a produtividade com incentivos que o fazem trabalhar ao máximo de sua capacidade.

A metáfora da carroça da produção serve para descrever a essência do capitalismo: Assim como um animal puxa a carroça correndo atrás de um prêmio amarrado na sua cabeça, a essência do capitalismo é o homem capitalista correndo atrás do lucro como se ele fosse um prêmio. Porém, quem fica com toda a produção capitalista e com o eventual lucro é a sociedade (A Caixa Econômica fica com quase toda a arrecadação da loteria).

No entanto, a Administração Pública garante lucro (é como garantir que basta jogar na loteria para ganhar). A Administração ainda permite adição de custos indiretos, devolve impostos diretos devidos pelo empresário e o protege com pagamento das despesas de posse do capital, tais como seguros, equipamentos, manutenção de escritórios de administração e, por fim, restringe a concorrência, pois essa apropriação de despesas e custos indiretos não faz parte do mercado em concorrência e sim do mercado monopolista.

Esse grave erro (acréscimo de BDI) aumenta os preços dos objetos licitados em percentuais que variam de 20% a 200%. Concluindo, a essência do capitalismo não é o lucro certo, mas é a busca incerta dele. E pensar que alguém inventou o estado socialista só para acabar com o lucro (mais valia). Na verdade, acabou com o ânimo de o homem lutar ou trabalhar por algo.

Tags: essência do capitalismo, levar vantagem, busca do lucro, carroça de produção, BDI

UMA PEQUENA HISTÓRIA DA ECONOMIA DO HOMEM CAPITALISTA


Adam Smith descreveu em 1776 no livro “A Riqueza das Nações” como funcionavam as sociedades daquele século XVIII. Smith não inventou um sistema e não lhe deu a alcunha de capitalista. Ele apenas descreveu o que era o homem proprietário que sempre buscava lucro e sempre defendia seus próprios interesses. Para ele o mercado não dependia da existência do estado e tinha uma mão invisível que o equilibrava.

Karl Marx criticou a economia política de Smith e afirmou que o capitalismo estaria constantemente em crise. Em 1867, noventa anos depois de Smith, Karl Marx publicou a primeira edição do livro “O Capital”. Fazia uma crítica contundente à economia de mercado. Dizia que a mão invisível do mercado não existia. Segundo ele, só existia a mão visível do capitalista explorando a mais valia do trabalhador.

Segundo Marx, o mercado nunca estaria equilibrado. Logo, o preço de mercado jamais existiria e, nesse caso, o valor da mercadoria deveria ser determinado exclusivamente pelo custo do trabalho nela inserido. O lucro seria uma extração de mais valia, a qual deveria ser eliminada por intermédio de um estado que planificaria a economia e fixaria preços conforme custos do trabalho de produção.

Prosseguindo, Marx disse que a necessidade de lucro e de acumulação do capital faria o capitalismo estar sempre à beira da derrocada. Chegaria o dia em que o proletário apenas empurraria as portas abertas do capitalismo e formaria um novo estado comunista.

Na Rússia, esse dia chegou, mas o estado resultante foi totalitário e se esvaiu em 1989. Na verdade, no estado comunista, a esperança, mesmo inalcançável, foi retirada de cada um e a sociedade socialista russa perdeu muita produção e muitos talentos individuais.

Em 1936, o economista John Maynard Keynes publicou o livro “Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda”. Ele teorizou como seria a intervenção do estado para minorar crises capitalistas. Reformulava a economia clássica (Adam Smith, Ricardo, Stuart Mill) e admitia a intervenção do governo para regular o mercado e promover o desenvolvimento.

Na verdade, aceitava-se a teoria marxista de que a Administração Pública existia para garantir a sobrevivência do capitalismo (Gramsci). Não era mais a mão invisível do mercado que equilibrava a economia. Era mesmo o próprio estado, com clareza teórica, o grande fiador do capitalismo.

Porém, a essência da sociedade capitalista não estava descrita nos pensadores anteriores. A essência estava no autor que publicou, em 1912, a “Teoria do Desenvolvimento Econômico – Uma investigação sobre lucros, capital, crédito, juro e o ciclo econômico”, Joseph Alois Schumpeter.

Schumpeter descreveu a atividade do empresário inovador como essencialmente útil e necessária para o equilíbrio do capitalismo. Segundo ele, esse empresário era o empreendedor que inventava um novo produto ou produzia um produto já conhecido de uma nova maneira, com menores custos e, conseqüentemente, com maiores lucros.

Os pensadores citados nos parágrafos anteriores, com exceção de Marx, concordam que: se há equilíbrio de mercado, então o preço de mercado é igual ao custo mínimo direto. Também concordam que, no longo prazo, não há lucro porque o mercado tende a se equilibrar no ponto em que o preço é igual ao custo direto.

Logicamente, os empresários perceberam, a partir de Schumpeter, que deveriam inovar e trabalhar, haja vista que o trabalho dele era recebido pelo aumento do valor do produto.

Também se percebeu, a partir de Schumpeter, uma diferença entre o empresário especulador e o empresário inovador. O primeiro só verificava taxas de retorno e as recebia pela aplicação do capital. O segundo recebia pelo trabalho próprio diretamente aplicado e pelo lucro derivado de custo de produção menor que o preço de mercado. Ambos não precisavam mostrar como obtinham as maiores taxas de retorno ou os menores custos.

Porém, neste Século XXI, para tristeza dos empresários inovadores e infelicidade do homem capitalista, a Administração Pública do Brasil trata inovadores e especuladores como tendo os mesmos defeitos: Só especulam. Com isso, o preço fixado nas licitações é o preço de monopólio e a rentabilidade do dinheiro público é muito menor.

Tags: inovação, especulação, preço de mercado, Schumpeter, mão invisível

OS SINAIS CAPITALISTAS DA POLÍTICA COMO ELA É


No carnaval 2010, pré-candidatos a presidente procuraram aparecer o máximo possível. Quem tem mais dinheiro aparece mais. Do Paraná foram ao Rio de Janeiro. De São Paulo foram a Salvador. De Brasília foram a Recife, Salvador e Rio de Janeiro. Do Paraná foi financiado por um capitalista muito rico. De São Paulo, não se sabe. De Brasília, foi financiado pelo dinheiro público de Brasília, Recife, Salvador e do Rio de Janeiro. Se a eleição depender só de dinheiro, já se sabe quem ganhará.

O blog do Josias de Souza (www.josiasdesouza.folha.blog.uol.com.br) publicou no carnaval a seguinte notícia sobre os bastidores do poder: Dilma vive caso machadiano com Cabral e Garotinho. Em vias de celebrar um casamento político com Cabral, Dilma promove escondidos entendimentos com Garotinho. Bentinho Cabral tomou-se de doentio ciúme ao saber que, dias atrás, Dilma Capitu reunira-se com Escobar Garotinho.

Resumindo, dois rivais assediaram uma dama poderosa porque manipula dinheiro do orçamento público. Em Salvador e Recife, a dama foi igualmente assediada pelos cobiçosos do poder. E os outros (Serra e Requião): quase não foram assediados.

O blog do Esmael Morais (www.esmaelmorais.com.br) publicou na mesma semana do carnaval: "Donos de jornais, rádio, televisões e sites – e jornalistas, radialistas, etc. – vêm demonstrando uma unidade quase canina em torno do nome do prefeito de Curitiba, Beto Richa, do PSDB, na disputa pelo Palácio Iguaçu. (...) Confesso que eu não sei precisar se essa preferência tem um viés político ou ideológico, enfim, se é um desejo republicano ou não (...): eles querem ficar com o dinheiro da propaganda do Beto ou tem uma preferência política e ideológica pelo Beto? Ou esses setores da mídia estariam torcendo para o “prefeitaço” se dar mal?"

A conclusão do leitor que já percebeu a importância do dinheiro é a de que a imprensa quer somente o dinheiro da propaganda feita pelos cofres públicos.
Os blogs do Esmael e do Josias descrevem a política como ela é, mas não dizem os motivos das decisões tomadas.

Isso porque os motivos das decisões políticas não são explicitados, apesar de os motivos verdadeiros serem claros. Alguns políticos, quando explicitam os motivos dizem: Em nome do socialismo, em nome do bem público ou em nome dos eleitores. Nunca dizem a verdade que é: Em nome do aumento do meu capital.

Na verdade, o relacionamento entre humanos é sempre regrado pelas relações de troca de coisas. O amor está em segundo plano. Entre dois homens, duas mulheres ou entre um homem e uma mulher sempre há dominante e dominado. A dominância é mais em função dos atributos ou coisas que se possui. Mesmo que o domínio seja alterado pela passagem do tempo, em cada momento há um animal dominante sobre outro ou sobre outros. Assim funcionam as regras da conquista de poder ou da política.

Cada qual usa suas propriedades, armas ou artifício para dominar. Simpatia, oratória, dinheiro, carisma, tradição, beleza, herança, classe social, sexo ou cargos burocráticos são os artifícios mais comuns. Todos são usados na época da eleição. No entanto, nenhum deles tem tanto poder quanto o dinheiro. Isso ocorre porque o dinheiro é a moeda de troca entre esses atributos.

Porém, nenhum capitalista sozinho tem dinheiro suficiente para comprar os votos necessários para exercer o poder. A solução é apropriar-se do dinheiro público. É com ele que se compra a maioria dos votos. Assim, quem tem mais possibilidades de dominar, de exercer o poder, é quem ocupará posição que manipula dinheiro público.

Nesse sentido, maldita foi a hora que mudaram a Constituição da República para instituir a reeleição. Maldito é o instituto da reeleição. Depois disso, quase todo poderoso de plantão usou dinheiro público para comprar votos necessários para se reeleger. A máquina do estado capitalista ficou mais corrompida. Concluindo, a política atual mais aparente é a de compra de votos com dinheiro do cidadão para perpetuar os poderosos de plantão.

No entanto, o poder exercido em nome do cidadão jamais deveria ser usado para corromper o cidadão comprando-lhe o voto ao troco de algo. Infelizmente, é assim que a política é. Só muita consciência política para acabar com a reeleição em todos os níveis e acabar com o uso privado do dinheiro público. Que não venham aqueles que se dizem socialistas dizerem que esse é um mal do capitalismo e defenderem o pior: A concentração eterna de todos os poderes do estado nas mãos de um só.


Tags: Como é a política, previsão para eleição 2010, dinheiro de campanha, dinheiro público, compra de voto

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

PREÇO DE OBRA EM CONCORRÊNCIA CAPITALISTA


O capitalismo é uma descrição da atividade econômica estabelecida desde a primeira vez que o homem trocou mercadorias. Essa atividade econômica é regida pela concorrência porque a competição faz parte da natureza humana. A concorrência do homem capitalista define o preço de obra.

As constituições dos estados, sempre capitalistas, refletem esse comportamento competitivo que ressalta a concorrência entre produtores para vender pelo maior preço e entre consumidores para comprar pelo menor preço.

Todos querem ganhar sempre e essa é a essência desse modelo de produção que define o preço único de mercado. O preço de mercado é um só para cada produto, seja ele material ou serviço, obra pública ou privada. A regra básica é a de que o preço único de mercado será sempre o menor porque o consumidor não aceita pagar um centavo a mais que o menor preço.

Descobrir o preço único de mercado é a principal dificuldade da Administração Pública, à qual é obrigatório contratar pelo preço de mercado. No entanto, no texto constitucional não há definição de preço de mercado, o qual fica subentendido como definido exclusivamente por conta dos mecanismos de mercado descritos pelos livros de Economia.

No entanto, o preço de obra definido pelo mercado há muito tempo é uma surpresa tanto para o homem capitalista quanto para aquele que se diz socialista. Explica-se: O homem primitivo trocava mercadorias sem moeda. Sendo assim cada um oferecia ao outro exatamente o que a mercadoria tinha de material empregado e de trabalho direto.

Ninguém valorava o lucro, custos indiretos, despesas indiretas ou qualquer outro custo que não fosse exclusivamente aquele aplicado na mercadoria a ser trocada. Se valorasse, não trocaria a mercadoria ou então o outro faria o mesmo e a troca não daria vantagem indevida a ninguém.

Essa é a surpresa do preço de obra em concorrência capitalista: O preço de obras e de serviços públicos definido pelo mercado não comporta custos indiretos, não comporta lucros e não comporta despesas indiretas (BDI). Logo, preço de mercado de obra é igual ao custo direto somente.
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Tags: Preço de obra, concorrência, essência do capitalismo, lucro em licitações

CORRUPÇÃO


A corrupção é uma depravação, suborno ou desmoralização de agentes públicos. Segundo Rousseau, o homem nasce igual ao bom selvagem, mas a sociedade o corrompe. A Administração Pública é feita por homens sujeitados à tentação ou a se corromperem.

Cesare Beccaria, autor italiano do livro "Dos Delitos e da Penas" escreveu que as vantagens da sociedade devem ser distribuídas eqüitativamente entre todos os seus membros. Entretanto, numa reunião de homens, percebe-se a tendência contínua de concentrar no menor número os privilégios, o poder e a felicidade, e só deixar à maioria miséria e debilidade. Apenas com boas leis se podem impedir esses abusos. Mas, freqüentemente os homens deixam a leis provisórias e à prudência ocasional o cuidado de regular os negócios mais importantes, quando não os confiam à vontade daqueles que têm interesse em se opor às melhores instituições e às leis sábias.

A lógica desse trecho de Cesare Beccaria mostra que os homens corruptos operam desviando dinheiro público com desvio facilitado pela impunidade resultante das leis que os favorecem. Leis que, muitas vezes, foram feitas pelos próprios corruptos. O estado atual brasileiro está completamente contaminado por leis imperfeitas e por homens sem escrúpulos que se esqueceram dos fins do estado em prol do cidadão. O resultado é que a eleição de 2010 será decidida em favor daquele que souber desviar a maior quantidade de dinheiro público e, ao mesmo tempo, não ser filmado de surpresa.

Tags: Corrupção, tentação capitalista, dos delitos e das penas, Cesare Beccaria, leis imperfeitas

O CIDADÃO É O SOBERANO DA REPÚBLICA


Quem é o soberano da república? Thomas Hobbes disse que o homem era o lobo do homem porque o ser humano era mau. Sendo assim, a sociedade estaria em permanente luta e os homens necessitariam de ceder a vida, a liberdade e todos os seus direitos a um REI, para que este decidisse os litígios.

Em seguida, John Locke disse que o homem não era nem bom e nem mau. Segundo Locke, a alma humana nasce igual a um papel em branco e posteriormente o homem iria formando seus conceitos. Mesmo assim, esse estado de natureza de Locke também recomendava que o homem devesse ceder tudo ao rei, menos os seus direitos de propriedade, e o rei decidiria os conflitos entre os proprietários.

Por fim, Rousseau disse que o homem era bom, mas que a sociedade o corrompia e que o direito de propriedade não deveria prevalecer sobre os outros. Mesmo assim, esse filósofo disse que o homem deveria ceder tudo ao soberano, até mesmo a liberdade e a própria vida, mas que, no fundo, não cederia nada porque o Soberano era o próprio POVO.

Os sistemas políticos atuais, inclusive o brasileiro, preservaram a propriedade, como queria Locke, o qual defendia interesses dos mais ricos proprietários ingleses. Na verdade, somente os proprietários formavam o soberano de Locke. Quem mandava na Inglaterra eram os proprietários, os quais podiam amealhar para si, cada vez mais, recursos e propriedades do mais pobre. Essa imperfeição da propriedade do sistema de Locke foi duramente combatida por Rousseau, o qual motivou revoluções, inclusive a revolução francesa.

Verifica-se que as atuais repúblicas adotaram o conceito de Soberano de Rousseau, mas também é fato que os proprietários e os capitalistas agarraram-se às suas posses e se infiltraram na máquina administrativa do governo para extrair dos menos poderosos as coisas materiais do prazer.

A república brasileira é um estado democrático de direito concebida conforme os ideais de Rousseau, com todos os direitos fundamentais garantidos, inclusive os direitos de propriedade e de concorrer. Mas a prática de garantir propriedades, de privilegiar proprietários e de manter vantagens materiais aos corruptos está incrustada na máquina administrativa da república como um câncer social.

O defeito de todo capitalista de buscar vantagens em tudo, que é natural a todos e que é a base da concorrência capitalista é, ao mesmo tempo, o que move o homem no sentido de trabalhar para conquistar o lucro. Esse defeito que move o capitalismo também causa injustiças. Contudo, o estado ideal concebido por Rousseau não elimina os defeitos do ser humano, os quais causam injustiças se não forem contidos pelos poderes constituídos.
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John Locke, Rousseau, Hobbes, cidadão soberano, estado de natureza

O ESTADO ORGANIZADO PELO HOMEM CAPITALISTA


O homem capitalista organizou um estado para dirimir conflitos de propriedade. Logicamente que todo estado organizado pelo homem é capitalista. Até o estado cubano é capitalista. No entanto, o ditador cubano implantou o capitalismo de um homem só. Tudo é do dono do estado e todo cidadão trabalha para o estado. Ninguém tem nada e o estado deveria ter tudo.

Porém, em Cuba só quem tem vontade de trabalhar é o único dono. O cidadão perdeu o ânimo de trabalhar porque nada lhe retorna como propriedade. O resultado é o empobrecimento do estado e desaparecimento da democracia.

Na Venezuela, Chavez trabalha cada vez mais porque mais coisas lhe pertencem. O cidadão trabalha cada vez menos porque menos coisas lhe pertencem. O resultado do socialismo bolivariano é o empobrecimento da Venezuela e o desaparecimento da democracia.

No Brasil, aqueles que se dizem socialistas querem implantar o estado socialista a qualquer custo. As coisas do estado são usadas para comprar votos. Nada do estado é do cidadão. Tudo do estado é do candidato oficial. O resultado será visto no próximo ano de 2011. Se algum político socialista vencer a eleição, então se começará a fase de eliminar outros cidadãos proprietários.

Os proprietários de imprensa, os parceiros da eleição e aqueles que se venderam porque não poderiam vencer o maior dos proprietários da coisa pública serão os primeiros a perceber a ausência da democracia.

O país americano está perto do estado ideal. Mesmo lá ainda há dirigente enganado pela doutrina socialista. Pensa em enriquecer o estado ao invés do cidadão. Usa recursos públicos como se fosse dono deles. Isso está longe do recurso público e do agente público colocado sempre e totalmente à disposição somente do cidadão capitalista. Como nada é perfeito, até mesmo o estado americano enveredou pelo socialismo no governo Obama.
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Tags: estado capitalista, estado socialista, propriedade meios produção, doutrina socialista, socialismo bolivariano

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

TODO SER HUMANO É CAPITALISTA


O homem é proprietário de coisas desde os tempos bíblicos. Se o homem é proprietário, então ele é capitalista. Todo homem é proprietário do corpo que ocupa e do trabalho que vende. Não existe ser humano que não seja capitalista.

Só a coisa pública é socialista. Seja o estado capitalista ou socialista, a coisa pública deve ser socializada porque todos são iguais proprietários da coisa pública. O homem que se diz socialista comete o engano de desejar a coisa do próximo porque considera que a propriedade do outro é igualmente dele.

Esse engano explica o insucesso do estado socialista que eliminou a propriedade e, sem querer, eliminou a vontade de trabalhar para ter coisas. O homem que vive no estado socialista tem o seguinte pensamento: Para que trabalhar se o resultado do meu trabalho não será meu ou; para que trabalhar se o estado é o único dono e deve prover-me ou; enquanto eu não for dono das minhas coisas não vou trabalhar para esse único dono do estado socialista.

Todo homem é capitalista e deve ter direito de propriedade. No entanto, ele precisa do estado para resolver seus conflitos de propriedade. A solução é um estado capitalista que defenda a propriedade do cidadão. Porém, as coisas do estado, os servidores e agentes públicos e os serviços prestados pelo estado são de propriedade socialista (de todos igualmente). Perceberam o engano do estado socialista? Ele capitalizou as coisas do cidadão e socializou o cidadão.
NAVARRO
Tags: propriedade capitalista, propriedade socialista, homem capitalista, homem socialista, conflitos propriedade